domingo, 4 de novembro de 2012

60º e 61º momento cultural: cinema português

Depois da euforia ao ver o programa e do desânimo de não conseguir bilhetes para o Tabu, lá fui eu hoje ver dois filmes da Viennale. Filmes portugueses...
Bom a primeira opção foi uma espécie de documentário de Manuel Mozos, sendo que parte do filme era uma entrevista a João Bénard da Costa. Até foi bastante interessante a sequência, tendo em conta que se partiu do pressuposto de no caso de existir qualquer coisa a que se pudesse chamar de cinema português - o que por si era uma dúvida - o que quer que isso fosse era mau, chegando ao fim à conclusão de que o cinema português estava em vias de extinsão. No fim, para além de Manuel Mozos ainda estava o Miguel Gomes (realizador do Tabu e do Querido Mês de Agosto) a responder a perguntas do público. Gosto muito dessa parte pois esclarece-me sempre em relação ao filme. Gostei particularmente e revi-me quando Mozos dizia que em Portugal não se fomenta o gosto pela cultura, nomeadamente pelo cinema português, e que se se perguntar a alguém o que acha sobre cinema português, a pessoa com certeza responderá que não gosta. Mas se se perguntar se ela viu qualquer coisa, ela dirá que não, não viu, mas sabe que não gosta, porque é chato e parado e não sei mais o quê. Revi-me neste vox populi pois devo ter visto dois filmes portugueses em Portugal em 24 anos de vida lá... (Em Viena já lhes perdi a conta, mas hão-de ter sido uns 20 ou 30).


Na sessão da noite, fui ver A Vingança de uma Mulher da Rita de Azevedo Gomes. Que seca! Tudo o que o Mozos disse consubstanciou-se neste filme: muito parado, muito dramático, muito pausado, muito teatral... se as pessoas falassem a uma velocidade normal, o filme poderia ter durado 70 min em vez dos 100 que durou. Os planos arrastavam-se, a mulher idem idem aspas aspas. De certezinha que Rita Azevedo Gomes é discípula de Manoel de Oliveira! Não se perdeu tudo, houve uma personagem daquelas que eu gosto, que lá ia aparecendo narrando os acontecimentos, assim mesmo de guião na mão. E no fim houve uma frase muito interessante "Ai daqueles que não saibam usar a máscara que escolheram!". Tirando, poderia ter passado o meu serão em casa que teria sido melhor aproveitado! É de dizer que houve muita gente a ir embora durante o filme todo e que o senhor duas cadeira ao meu lado adormeceu e ressonou de forma audível...

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