quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Relatório marroquino I

Antes de partir para Marrocos fui confrontada com algumas opiniões que me deixaram muito inquieta, a saber,
- que iria ter problemas em geral
- que iria ter problemas logo na fronteira
- que não devia ir sem uma presença masculina
- que devia ter sempre um guia oficial comigo
- que devia levar um anel tipo aliança
e por aí fora...

Eu fiquei com os dois pés atrás, apesar de haver tantas outras vozes que me garantiam que se tivesse ombros e joelhos tapados e não andasse a pavanoear em becos escuros não haveria motivo para perturbação das férias ou distúrbio mental.


Nos primeiros dias ainda andava de mapa na mão e a seguir religiosamente os itinerários predefinidos, já lá para o fim queria mesmo era me perder. Li algures num relato sobre Marraquexe que só quem se perde é que se encontra ou qualquer coisa assim. Passo a citar Gonçalo M. Tavares

"Na medina de Marraquexe é normal brincar-se aos labirintos. Enquanto em algumas cidades se salta e corre, noutras perdemo-nos. Andar para a frente e estar perdido podem afinal ser sinónimos numa medina (como num labirinto). Nunca se sabe no fundo se estamos a andar para a frente ou para trás. De certa forma, podemos dizer que estar perdido é uma forma inconsciente de querer conhecer algo novo."

Eu queria, quero sempre, e conheci.

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