Quando me foi proposto fazer escalada, eu nem pensei duas vezes e devo ter sido das primeiras a marcar presença. Nem sei no que estava a pensar pois até andei a mandar mails a tentar convencer outros a participar. Hoje chegou o dia e lá fui eu curiosa, expectante, mas com a frieza do costume: se gostar faço, se não gostar páro. Tenho três viagens marcadas, um casamento para o qual já tenho vestido e uma tese por escrever, por isso não tenho tempo para partir membros nem para me armar em parva. Lá fui eu animada pela ideia de experimentar uma coisa nova. Ao ver a parede, percebi que não ia jogar em casa, não era com certeza nadar calmamente de uma margem à outra do Danúbio... e voltar. Já toda equipada, não me dei tempo de inventar cenários catastróficos e lá me cheguei à frente para subir à parede. Não parecia difícil e o instrutor foi bastante abrangente: "Pode subir por onde quiser, não se preocupe que eu estou aqui e eu sou profissional!". Logo a 50 cm do chão, confirmei que aquilo não estava mesmo feito à minha medida como cruzar o Danúbio, era-me requerido força de pernas, braços, agilidade, elasticidade e ainda por cima saber distinguir a esquerda da direita. Lá fui eu subindo muito a medo e esforçando-me para me equilibrar nos minúsculos apoios (e eu calço o 36...) e agarrada aos outros apoios como à vida. O facto de ter unhas vermelhas e possívelmente as únicas que não estavam rentinhas aos dedos, entre todos os participantes, não me facilitou a vida. Provavelmente também seria a única de pulseiras. Se há pessoas capazes de sair de casa em calças de fato-de-treino, eu também sou capaz de fazer actividades desportivas de pulseiras e unhas pintadas. Pelo menos sou estética. Não sei se cheguei a escalar mais de três metros, não faço a mínima ideia, e na verdade pouco me interessa. Acabei por pedir para descer pois para mim aquilo já não se encontrava no domínio da diversão. Eu estava com medo. Não sei exactamente do quê, se de subir, se de descer, se de cair, se de outra coisa qualquer. Se calhar as outras pessoas chamam a isso de adrenalina e nesses momentos convocam todas as suas forças para se superarem a si mesmas. Eu chamo a isso de desconforto e se puder parar páro. Foi o que fiz. Cá em baixo e a apreciar os outros colegas, voltei a questionar-me. Se eu em pé em cima de uma mesa não consigo saltar para o chão, o que me passou pela cabeça para tentar ir fazer escalada?! Bom, tentei e não gostei, mas fica já anotado que preciso de arranjar maneira de treinar a força dos braços, que de momento é nula.

2 comentários:
Lindo! Estou a imaginar-te com unhacas vermelhas a tentar subir a parede.. lindo! lindo! já me fartei de rir aqui sozinha!!! Pelo menos tentaste! Well done girl!
Beijo com saudade.
Podia ter arranjado um fato de cat-woman, também teria sido bem pensado... mas não sei se ela sobe paredes! :)
bjs
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