sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Freak magnet IV

Eis a conversa com um antigo namorado meu, que é simultaneamente o homem mais bonito do mundo.

Ele: Olá! Estás boa?
Calíope: Olá! Estou em Lisboa...
Ele: E o tempo está bom aí?
Calíope: Como é que tu estás?
Ele: Tudo fixe... mas zanguei-me com a minha namorada...
Calíope: Ah! E é por isso que vieste falar comigo?!
Ele: Ahahahhaah! Não, não, hoje aqui é feriado e vi-te online...
Calíope: Ok. Só para eu me situar. A tua namorada não é a tua mulher ou é?
Ele: Não. Nós separámo-nos em Janeiro. Acho que te tinha dito.
Calíope: Não, acho que não, mas tinhas dito que as coisas estavam meio tremidas.
(...)
Ele: Tenho de ir almoçar.
Calíope: Ok, falamos depois ou quando te zangares outra vez com a tua namorada!
Ele: Ai Calíope! Vais apanhar quando te vir :)
Calíope: Vai lá almoçar! beijinhos!

Não se preocuope o atento leitor, pois estamos em continentes diferentes e não nos vemos há uns bons 8 anos e a probabilidade de nos encontrarmos no mesmo país ao mesmo tempo é cada vez mais inverosímil!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Relatório marroquino I

Antes de partir para Marrocos fui confrontada com algumas opiniões que me deixaram muito inquieta, a saber,
- que iria ter problemas em geral
- que iria ter problemas logo na fronteira
- que não devia ir sem uma presença masculina
- que devia ter sempre um guia oficial comigo
- que devia levar um anel tipo aliança
e por aí fora...

Eu fiquei com os dois pés atrás, apesar de haver tantas outras vozes que me garantiam que se tivesse ombros e joelhos tapados e não andasse a pavanoear em becos escuros não haveria motivo para perturbação das férias ou distúrbio mental.


Nos primeiros dias ainda andava de mapa na mão e a seguir religiosamente os itinerários predefinidos, já lá para o fim queria mesmo era me perder. Li algures num relato sobre Marraquexe que só quem se perde é que se encontra ou qualquer coisa assim. Passo a citar Gonçalo M. Tavares

"Na medina de Marraquexe é normal brincar-se aos labirintos. Enquanto em algumas cidades se salta e corre, noutras perdemo-nos. Andar para a frente e estar perdido podem afinal ser sinónimos numa medina (como num labirinto). Nunca se sabe no fundo se estamos a andar para a frente ou para trás. De certa forma, podemos dizer que estar perdido é uma forma inconsciente de querer conhecer algo novo."

Eu queria, quero sempre, e conheci.

Mobilidade reduzida

Em Lisboa é assim, tenho metro à porta, carro à porta, pai com carro à disposição, irmã com carro, amigos com carro e claro está o meu belo par de pernas. No entanto, tudo me parece longe... não sei caminhos e não sei calcular tempo de distância. A isso se acresce o meu medo de pegar no "meu" carro. Na verdade trata-se do carro da minha mãe, que passa mais tempo estacionado debaixo da janela da cozinha que noutro sítio qualquer, mas que o meu pai mantém quase religiosamente por ser o único carro familiar que Maria Calíope conduz...
Acontece que na meia dúzia de dias por ano que Maria Calíope vem ao tugo-burgo tem medo de conduzir sozinha, porque nunca conduz em Viena, porque tem medo de se ter esquecido das rotinas implicadas na condução, porque há mil estradas e acessos novos, porque receia os outros condutores, porque tem medo de se enganar no caminho e ir parar a Espanha, etc, etc.
Ninguém percebe este meu medo, talvez eu também não o percebesse se o carro fizesse parte da minha rotina diária. Já fez, mas não faz. Eu também não percebo o medo que pessoas têm de andar de avião e abona a favor do meu medo que a possibilidade de ter um acidente de carro é bem maior que sofrer um acidente de avião.
Enfim, ontem ganhei coragem e peguei no meu toyotinha lindo e fui a Alvalade... fui e voltei inteira.
Hoje vai o meu pai levar-me a Linda-a-Velha :)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quem não tem cão caça com gato

Talvez a Zita seja uma artista, eu concretizaria dizendo que é uma ilusionista. Digo isto pois há uns meses pôs-me de braço dado com o mundo - e o que eu gostei e o que fui gabada - agora foi um tiro certo no coração! Um lenço dos namorados! Eu não o iria bordar, também não acredito que alguém mo desse/dissesse/bordasse... por isso, tratei de encomendar uma mala daquelas à avozinha que eu adoro e cá está ela, linda, linda e com um pendor didáctico-cultural que só ela. Quando quiser ler juras de amor eterno on the go, pronto, pego na mala e lá vou eu!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Status quo

Estimados leitores,

Maria Calíope voltou a pisar solo da União Europeia desde ontem. Por isso para aqueles que profetizaram uma fuga a galope na sela de dromedário, duna acima, duna abaixo, com um homem de turbante e um cacho de tâmaras, lamento confirmar que não se proporcionou, apesar de ter sido uma ideia gira. Desculpem lá o mau jeito, mas voltei direitinha pelo mesmo caminho pelo qual fui, com mais um carimbo no passaporte e umas dezenas de quilos na mala.

Em breve, servir-vos-ei algumas impressões de Marrocos, pois imagino estarem fartos dos postezinhos enlatados às 8 da manhã. A emissão ainda não vai prosseguir com a regularidade habitual, mas os motores já estão a aquecer.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aeroporto

Se alguma vez tive uma profissão de sonho seria com certeza trabalhar num aeroporto. A isso não será alheio ter tido/visto sempre aviões lá em casa. Infelizmente nunca cheguei a concretizar esse sonho, mas em compensação a partir de certa idade comecei a frequentar muitos aeroportos. Tantas horas passadas, tantas partidas e tantos regressos, tantas salas de embarque, tantos tapetes rolantes de bagagem, que me apercebi que um aeroporto é uma espécie de laboratório de vida... pelo menos da minha.

sábado, 25 de agosto de 2012

Mírame

Isto de escrever posts com antecedência tem o que se lhe diga... ou melhor não tem o que se lhe diga, por isso, queridos leitores, vou ter de vos alimentar a música: tomem lá o que me tem ecoado nos ouvidos por estes dias e que me apetecia gritar com aquele som melodramático do Orisha-cantador, se os meus ouvidos destinatários não tivessem tapados.

Ilumíname, 
si me pierdo ven a buscarme. 
Ven, cobíjame, como tú lo hacías antes 
De volar, de perderme, de rodar y de esconderme. 
Ay, apriétame.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Freak magnet III - Especial Essaouira (praticamente em directo)

Eis que o freak show voltou a povoar a minha (e a vossa) vida. Se alguma vez Maria Caliope sonhou em ter alguem a gritar por ela por uma varanda.... (nao sei se sonhei ou nao, estou um pouco confusa com tanto sonho e input) hoje foi o dia.

Houve um individuo que em plena varanda e em pulmoes semi plenos gritou:

Caliopeeeeeeeeeeeeeeeeee, mon ami est tombe amoureux de toiiiiiii!!!!

(E o amigo era bem mais giro do que ele - e artista -, fica aqui registado... mas tambem mais muculmano que o iman: o ramadao ja acabou e o homem continua em jejum. Assim nao da, pois Maria Caliope è apreciadora de carne!)  :)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Lovumba

E por esta altura devo estar a rumar à costa atlântica, por isso brindo-vos com um sonzinho estival, daqueles que possivelmente caducarão com as primeiras folhas amarelecidas. Lovumba não promete muito, mas cumpre aquilo que se espera de uma pessegada de Verão: ritmada, alegre, pirosa, letra muito básica, com sabor a praia e extremamente dançável. Na semana passada este Daddy Yankee ft. Pitbull fez a proeza de me fazer dançar (entenda-se abanar as ancas) às 7 da manhã de um sábado, quando o meu despertador soou e eu obviamente a dormir!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Altius, fortius, citius

Michael Phelps anunciou algures nos Jogos Olímpicos que terminaria a sua carreira lá em Londres, com aquela colecção de medalhas que toda a gente já sabe que ele ganhou. Pessoalmente, julgo que o título olímpico é o título mais apetecível de todos os títulos existentes. Paradoxalmente, mal acompanhei os Jogos Olímpicos, se comparar com o Euro um mês antes.
Poderia admirar Michael Phelps por todos os motivos e mais alguns, à excepção do alinhamento dos seus dentes, mas o que para mim foi o mais notável consistiu no facto de ele justificar o fim da sua carreira por já ter atingido todos os objectivos a que se tinha proposto. E isto aos 27 anos! Achei isto tão genial, que quando tiver uns 60 anos gostava mesmo, mesmo, muito de dizer o mesmo: "Cumpri todos os objectivos a que me propus!"
Vamos ver quem está cá daqui a 26 anos para o comprovar!

domingo, 19 de agosto de 2012

LIS-RAK

Abre bem os braços, Atlas! O teu mundo vai a caminho!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Na Portela

Volto hoje a Lisboa. Mais de um ano depois de ter pisado solo luso pela última vez. Nunca estive tanto tempo fora de Portugal... mas pareceu-me um ápice, nem dei pela falta das luso-coisas-in-loco.
A minha irmã vai buscar-me ao aeroporto, uma vez que o meu pai está de férias...
Estou à espera que, se ela estiver efectivamente lá nas chegadas, me dê as boas-vindas com uma das seguintes frases. (Não nos vemos há uns bons 10 meses)

a) Estás mais gorda.
b) Estás meio amarela/esverdeada
c) O teu cabelo está tão comprido/partido/estragado/espigado.
d) Todas as alíneas acima

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Post it no espelho da entrada!

Caríssimos leitores de mi corazón,

Deixei-vos uns tupperwares no frigorífico com comidinha para a semana. É só tirar pela fresca e deixar à temperatura ambiente ou utilizar o microondas ali ao canto!

Até breve!

A vossa Maria Calíope

P.S.: Há um pacote de batatas fritas na segunda gaveta em caso de emergências!

Urgente! Ir de férias!

Alguém disse: blabalabla bet slip blabalablaba
Maria Calíope ouviu: blabalabla bad sleep blabalablaba
Maria Calíope responde: Yeah, true, I slept quite bad this night!

Sonhei que a minha mala de viagem tinha desaparecido do porta-bagagens e encontrada aberta perto de um caixote de lixo de um parque de estacionamento subterrâneo. Amanhã levo uma muda de roupa na mochila não vá o diabo tecê-las!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Montar a barraca

Isto de ir trabalhar num dia feriado tinha tudo para dar errado, indo eu logo de biquíni vestido para o escritório... sem o cartão que me permite aceder às instalações do mesmo. Um telefonema e prova superada. Café tirado e computador ligado. O computador funcionou à primeira, coisa que não tem acontecido durante a semana, mas o café tinha leite azedo... Segundo café tirado e apercebi-me que estava sozinha no 6º andar todo. Hmm... "Então vamos fingir que estou em casa!", pensei eu e melhor o fiz: montei a barraca, o que significa: pus daquela música pessegosa que eu de vez em quando ouço a altos berros e comigo a dançar e a cantar por cima. A única variante é que no escritório em vez de colunas tenho auscultadores e como estava a trabalhar, tinha de me manter sentada. Foi um autêntico regresso à dobragem do milénio! Ultra pessegadas tão a propósito dos meus dias actuais: Water Runs Dry e Fallin' dos Boyz II Men. Depois o nível subiu um bocadito com Runaway e Dreams dos The Corrs. E eu feliz da vida a considerar ir trabalhar mais vezes aos fins-de-semana e feriados!
Ocorreu-me que a minha vida (e a de toda a gente) vem relatada em canções! Fui tãããoooo feliz a ouvir a Runway que pensei na altura que se morresse ali morreria feliz. Tantas ilusões dissipadas que agora me deixam de sorriso terno nos lábios. Se lá tivesse morrido tinham-me escapado tantas outras coisas fantásticas... Ai, Maria Calíope que naïve! sempre naïve! Já esta Dreams é tão escandalosamente real e actual que me faz rir!

5 ou 6 horas e muito trabalho despachado, peguei na minha mochilinha e segui para o Danúbio. Talvez o último mergulho fluvial do ano, talvez não! Por via das dúvidas, margem a margem três vezes!
Vida de luxo, de certezinha!

Hundertwasser, Pavilions und Bungallows

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Lanche


Não havia iogurte grego no supermercado e eu não quis comprar o natural (!), trouxe um de ruibarbo e rosas... (o ruibarbo estava muito bom, agora rosas nem vê-las...) para acompanhar estou a comer batatas fritas. Vou chamar-lhe de lanche de fusão!

E hoje parece que é dia de regar o jardim... pelo menos ouço a mangueira a correr!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cabelos nos olhos

Não sei se os meus pensamentos se agarram ao passado, se prevêem o futuro. Só sei que projectam imagens diante dos meus olhos completamente desfazadas do presente, embora surpreendentemente felizes... A serem visionários os meus pensamentos, o meu futuro sorri-me, estende-me o braço e veste fato :)

A possibilidade de daqui a algum tempo perceber o que eu me referia é tão baixa que me sinto na obrigação para comigo própria de deixar alguma dica, mas não há mnemónica que me valha entre altares, rosas-dos-ventos e bússolas. A franja vai continuar nos olhos.

Cortar a relva

Não é que tenho um gajo a cortar a relva aqui mesmo do lado de fora da janela?! E não é destes!

Então, desde quando é que se trabalha a estas horas? Onde estão os tipos que normalmente tratam do jardim às 7 ou 8 da manhã? E a porteira foi de férias?
Parece-me que um tractor pode entrar-me em casa a qualquer momento... neste preciso pela cozinha...
Eu que vinha toda motivada para trabalhar no meu projecto, claro que não consigo fazer nada com este ronronar de dinossauro à porta. Nem me atrevo a ir mudar de roupa, fico aqui quietinha até o tipo desandar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Em cima do salto XIX

Há uns anos eu andava indecisa diante da bifurcação: amigo vs. amante sofrível em potência. E achei-me super adulta por ter optado pela esquerda. Com o passar dos anos, parece que passei vários níveis, mas deparei-me com uma nova bifurcação com um nível de dificuldade acrescido: amigo vs. amante fabuloso. O que eu queria ter-me desdobrado em duas... Voltei a subir a rua e no fim virei novamente à esquerda. Sozinha. Acho que fiz bem. Devia estar orgulhosa. Estou um bocadinho porque provei - a mim e a ele - que consigo separar as águas. Mas confesso que me apetecia mesmo ter escorregado para o chinelo da direita!

Elena Feliciano, Primroses Flower Power Stiletto Glicee

41º momento cultural: Café de Flore

Já tinha visto o poster e acabei de ver o trailer: nenhum deles me teriam convencido. No entanto, entre Café de Flore, uma comédia familiar e um filme catalão, optei pelo primeiro. E que bela escolha, apesar da sugestão não ter sido minha :)
Café de Flore fala de amor, de obsessões invisíveis ou bem-intensionadas, da perenidade/caducidade das coisas. (Poderia ter mais a ver comigo?!). No entanto, as histórias estão tão bem tricotadas, com avanços e recuos, histórias paralelas, personagens novas, que passada uma hora de filme eu ainda estava meia perdida no enredo: era capaz de perceber as duas histórias paralelas, mas havia uma personagem solta que parecia o intruso. Não fazia ideia com que ziguezague é que as duas se iriam coser. Foi um ziguezague rebuscado: uma médium!
A dedicação exclusiva pode esgotar é o que deduzo do filme. O paralelo da história entre mãe e filho portador de trissomia 21 e a do casal que está junto desde os tempos da escola é tão surpreendente quanto significativo. A introdução da menina loira nas duas histórias já seria para mim menos óbvia, especialmente na segunda. Mas porque não? Nos dias de hoje, não há situações definitivas nem relações eternas e não querer ver, aceitar, conviver com isso é viver na ilusão de um paraíso perdido. Há que saber jogar com cartas ímpares, mesmo quando um par melhor nos conviesse.

Gosto de filmes franceses porque me ancoram na realidade, tal como ela é e não naquela que eu gostaria que fosse! E este foi mais um deles: grande filme!


sábado, 11 de agosto de 2012

Um processo sem fim (a educação, obviamente...)

Sim, já tenho a mesa coberta de livros, dossiers e fotocópias. Voltei a abrir O caderno do doutoramento, para articular ideias e fazer um plano de trabalho. Curiosamente já tinha um plano feito... mas devo tê-lo feito há tanto tempo que nem fazia ideia. Foi uma sorte saber onde estava o caderno.


De qualquer modo, não se preocupem comigo pois não voltei a envergar os trajes de eremita, de manhã houve tugo-brunch e de noite há cinema em francês. Há que fazer as coisas com peso e medida!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Xadrez

A minha cabeça é tão fantasiosa e consegue imaginar tantos cenários possíveis com respectivas justificações, consequências e tudo a que tem direito, que às vezes se lhe escapa que também há respostas simples imediatas e conclusivas e claro está, surpreende-se, mas não perde a onda. :)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Este é o meu mundo

De tarde, contava a um italiano (sim, esse) dos meus receios acerca da viagem a Marrocos, ele serenou-me os ânimos e pediu-me dicas sobre Barcelona.
De noite, conheci um persa que vivia em Barcelona antes de se mudar para Viena e que discorreu longamente sobre as maravilhas da arte italiana de viver, de comer, de gozar a vida, etc, etc, etc (vivera anos em Roma, Nápoles e Sicília) e por fim disse-me que não temesse Marrocos, que com o meu ar seria tratada como uma rainha!

Sejam bem-vindos ao meu mundo!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Escalada

Quando me foi proposto fazer escalada, eu nem pensei duas vezes e devo ter sido das primeiras a marcar presença. Nem sei no que estava a pensar pois até andei a mandar mails a tentar convencer outros a participar. Hoje chegou o dia e lá fui eu curiosa, expectante, mas com a frieza do costume: se gostar faço, se não gostar páro. Tenho três viagens marcadas, um casamento para o qual já tenho vestido e uma tese por escrever, por isso não tenho tempo para partir membros nem para me armar em parva. Lá fui eu animada pela ideia de experimentar uma coisa nova. Ao ver a parede, percebi que não ia jogar em casa, não era com certeza nadar calmamente de uma margem à outra do Danúbio... e voltar. Já toda equipada, não me dei tempo de inventar cenários catastróficos e lá me cheguei à frente para subir à parede. Não parecia difícil e o instrutor foi bastante abrangente: "Pode subir por onde quiser, não se preocupe que eu estou aqui e eu sou profissional!". Logo a 50 cm do chão, confirmei que aquilo não estava mesmo feito à minha medida como cruzar o Danúbio, era-me requerido força de pernas, braços, agilidade, elasticidade e ainda por cima saber distinguir a esquerda da direita. Lá fui eu subindo muito a medo e esforçando-me para me equilibrar nos minúsculos apoios (e eu calço o 36...) e agarrada aos outros apoios como à vida. O facto de ter unhas vermelhas e possívelmente as únicas que não estavam rentinhas aos dedos, entre todos os participantes, não me facilitou a vida. Provavelmente também seria a única de pulseiras. Se há pessoas capazes de sair de casa em calças de fato-de-treino, eu também sou capaz de fazer actividades desportivas de pulseiras e unhas pintadas. Pelo menos sou estética. Não sei se cheguei a escalar mais de três metros, não faço a mínima ideia, e na verdade pouco me interessa. Acabei por pedir para descer pois para mim aquilo já não se encontrava no domínio da diversão. Eu estava com medo. Não sei exactamente do quê, se de subir, se de descer, se de cair, se de outra coisa qualquer. Se calhar as outras pessoas chamam a isso de adrenalina e nesses momentos convocam todas as suas forças para se superarem a si mesmas. Eu chamo a isso de desconforto e se puder parar páro. Foi o que fiz. Cá em baixo e a apreciar os outros colegas, voltei a questionar-me. Se eu em pé em cima de uma mesa não consigo saltar para o chão, o que me passou pela cabeça para tentar ir fazer escalada?! Bom, tentei e não gostei, mas fica já anotado que preciso de arranjar maneira de treinar a força dos braços, que de momento é nula.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A queda de um mito

Há que tempos que queria provar iogurte grego. Já tinha ouvido falar, já tinha lido maravilhas, já tinha visto receitas. Esta semana comprei um boião meio desconfiada. Acabei de o comer e surpresa, surpresa: o iogurte grego é iogurte natural! Com a ligeira diferença de vir com mel e nozes anexados. Para a próxima vez compro logo o pacote triplo.
Qual será o próximo mito grego a cair? Que o Atlas não é um deus, mas um mortal e que os nossos destinos hão-de cruzar-se na sua montanha homónima?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mergulhos bilingues XIX

Um exclusivo para os mais dilectos leitores do mundo: acompanhem a redacção da minha tese a par e passo! Depois de meses (um ano?!) de lamúrias, de choradinhos, de ai-eu-tenho-de-escrever-a-tese, de falta de tempo, de falta de vontade, de muito peso na consciência e de tudo e mais alguma coisa: a minha tese começou a escrever-se aos seis dias do oitavo mês deste abençoado ano de dois mil e doze.
Título já havia há coisa de 16 meses e a partir de agora, o meu belíssimo projecto científico conta também com a dedicatória e o prefácio. Coisa pouca, bem sei, mas tinha de começar por algum lado.
Estou orgulhosa o suficiente por não me ter posto a ver salto à vara dos Jogos Olímpicos, nem ter ido tirar os lençóis da corda, nem ido arrumar os armários, nem ido à procura de gambuzinos no jardim - pois sempre que é para trabalhar a minha criatividade para fazer outra coisa não tem limites.
Acho que vou buscar um martinito para celebrar a redacção da primeira página. Agora só faltam 199!

Egon Schiele, Woman Undressing

Constatações

Segunda-feira de manhã ainda estremunhada ocorreu-me que não tinha proferido uma única palavra durante o domingo. Como é possível passar um dia inteiro e não abrir a boca... Depois respirei de alívio, afinal tinha trocado duas ou três palavras com a vizinha ao sair para o Danúbio, a minha mãe ligou-me a avisar que já tinham chegado ao Algarve e tive meia hora ao telefone a deitar conversa fora com a minha amiga de Singapura. Pode parecer inacreditável mas ao fim-de-semana parece-me que a pessoa mais próxima vive no extremo da Ásia, contrariando aquele mito urbano que eu tenho imeeeeensos amigos.

domingo, 5 de agosto de 2012

Negão do momento IX

Na verdade não é um negão, são vários! Este fim-de-semana foi extremamente musical. Desde o final da semana ando deliciada a ouvir Cro: Easy e especialmente Du, que é das coisas mais estivais que tenho ouvido. A música sabe-me a praia, a areia nos pés, a sal na pele, a maresia, a calor, a sol de fim de tarde, a bebidas frescas, etc. Ouçam, ouçam, ouçam! Sim, os alemães também fazem hip hop.
Ontem numa loja, as minhas ancas, os meus ombros e o meu rabo foram brindados com o velhinho e esquecido Perdono do Tiziano Ferro. É uma pessegada, sem sombra de dúvida, mas o certo é que as partes do meu corpo acima referidas começaram a agitar-se como se tratasse de um trommel solo... Enfim... Basicamente, qualquer coisa que o meu corpo ouça é interpretado como música de dança-do-ventre e eis-me a sacudir ombros, fazer oitos com as ancas e abanar o rabo como se não houvesse amanhã. Ainda hei-de fazer o movimento do camelo com essa mesma espontaneidade.
A cereja no topo do bolo foi igualmente ontem na tal discoteca latina. Orishas! Já nem me lembrava deles, nem da música, nem de que os tinha ido ver ao vivo. Que bela surpresa! Dancei a bom dançar e hoje foi pôr a playlist no youtube como banda sonora.Tomem lá outra: Mística!

Cabelo molhado

Ontem não houve incursão num clube de strip masculino porque aparentemente não há clubes desses em Viena, (havia um mas fechou por falta de clientela!) mas houve ingresso numa discoteca latina. Já nem sei quando foi a última vez que saí à noite para dançar e muito menos de dançar até ficar com o cabelo molhado! A meio da minha própria performance e observando a fauna local, ocorreu-me que nunca será de noite numa discoteca latina com tipos de metro e meio que encontrarei o homem da minha vida! Às 2 e tal já estávamos a caminho de casa, eu e as meninas, claro está!

Hoje em vez de preguiçar a manhã toda, peguei em mim e fui preguiçar ao sol e dentro de água. Ai, Danúbio! Há com certeza uma atração mútua entre nós! Eu não te largo quando o sol brilha - e que bem que me sabes - e tenho a certeza que tu terás um fraquinho por mim! :)

sábado, 4 de agosto de 2012

Previsões

A minha capacidade de fazer previsões para o futuro é praticamente nula, sempre que acho que x vai acontecer, vejo x a acontecer ao lado da minha previsão! É a este nível que a minha futurologia funciona e não vale a pena tentar apostar ao lado, pois não funciona na mesma!
No entanto, há algumas situações em que me parece ter um bauchgefühl mais apurado. É raro, mas já aconteceu. Uma das poucas previsões de sucesso que fiz para mim mesma foi a que passo a contar.
Vim viver para Viena em Janeiro de 2003 com uma bolsa miserável por seis meses. Na verdade, eu estava contente com a minha situação, nunca me ocorreu que a bolsa ou o período eram curtos. Quando os mesmo acabaram, a situação debilitou-se um pouco, pois aliada à perda da minha fonte de trabalho e consequentemente rendimento, foram-se também o meu alojamento e os poucos amigos que eu tinha. Foi um período difícil, mais uma vez, eu só reparei nisso muito pontualmente. O primeiro emprego que arranjei era medíocre e o quarto na casa onde vivi deixava um pouco a desejar. No entanto, tinha na minha mente que iria precisar de dois anos para poder ter uma vida em condições - o que quer que isso significasse. Não sei no que me baseei para fazer estes cálculos, possivelmente em nada... O certo é que em Janeiro de 2005, comecei a trabalhar no meu emprego actual e data, igualmente, o início do contrato da casa onde moro, apesar de me ter mudado um mês e meio antes. Daí para a frente tem sido uma escadaria em sentido ascendente.
Isto tudo para dizer que há uns tempos estava a pensar que há uma crença geral de que no fim do arco-iris há um pote de ouro e eu desenvolvi a minha crença particular em que no fim da minha tese a minha vida melhorará em muito. Homem. Casa. Viagens. Dinheiro. Etc. Etc. Acho que virá tudo agregado ao meu futuro título de Phd. A minha grande dúvida é "e porque é que eu não me ponho a caminho?". Fica a questão no ar.

Freak magnet II

Desde que inventei a secção "Freak Magnet" não me aconteceu mais nenhuma situação do arco-da-velha, por isso tive de reverter essa situação. No outro dia vi um indivíduo que reconheci como sendo o bailarino de dança do ventre de uma festa a que fui, ainda fiquei na dúvida e não disse nada. Passada uma semana voltei a ver o homem num cenário completamente distinto, o aeroporto, e dessa vez não hesitei...
- Olá! Não é o belly dancer?! Sabe quem eu sou, lembra-se de mim? [na tal festa o homem tinha ido buscar-me ao público para dançar].
- Olá! Sim, sim... Tudo bem?
- Sim, olhe, por acaso dá aulas privadas? E dança em festas?
- Sim.
- Ok, dê-me o seu contacto, sff.
O homem lá me dá o telemóvel e o e-mail.
- Obrigado. Eu depois logo lhe digo qualquer coisa.

Fui embora a pensar que parecia mesmo um engate do mais baratucho possível.
Ainda não tive oportunidade de lhe perguntar pelos honorários.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Importa-se de repetir?

Um stripper de vão de escada cobra 162€ por 15 minutos de actuação?!!!!
Um part-time de 20h/semana e estava a vidinha feita...

Bolas! Se tivesse investido mais no ginásio, hoje poderia duplicar ou triplicar a parada, afinal tenho mais argumentos... Agora já não vai lá com dança-do-ventre começada aos 30 anos...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Coberturas

Se calhar estou a levar a sério demais a viagem a Marrocos, mas já decidi que não vai haver joelhos, ombros nem cotovelos de fora, mesmo com as possíveis temperaturas abrasadoras. Algures li que seria de bom tom ter o cabelo preso e um lenço na cabeça seria visto como respeito pela cultura local e eis que ontem me lembrei de experimentar usar os meus lenços em modo turbante. Entusiasmei-me a tal ponto que já combinava turbantes com camisas, com as calças do Aladino, com outras blusas decentes e longas (que normalmente uso como vestido) e no fim os grandes óculos de aros verdes. Ri-me a bom rir com o meu look Jackie Kennedy meets Casablanca.

Toby Boothman, Katia with a Turban

Vidas de luxo III

Só pode ser a minha!
Ir trabalhar envergando umas calças de Aladino e sair às 15h e tal rumo ao Danúbio, já com o trabalho de amanhã despachado. Com um termómetro a querer beijar os 30ºC e sol a minha pele, eu não me fiz de rogada e lancei-me ao rio. Dois dedos amigos de conversa e o prato estava composto.
A salada grega e o pão de rosmaninho já devem estar a sair do esófago e tenho ali um Martinito com duas pedras de gelo à minha espera.
Parece-me que são pormenores destes que trazem luxo à vida, pelo menos, à minha!