terça-feira, 26 de junho de 2012

Pessoas

As pessoas que me rodeiam são óptimas, têm um campo de visão imenso e inúmeras certezas.
A minha condição míope, corcunda e cambaleante não me permite ter tal campo de visão nem tantas convicções. Mesmo assim, permito-me ser feliz às vezes. Gostaria de ser feliz sempre, mas percebo que é melhor ser feliz às vezes do que não ser feliz nunca, não obstante a mão cheia de certezas.
Desconfio que as pessoas que me rodeiam tenham feito o pleno: são felizes sempre e têm inúmeras certezas, por isso é que são óptimas. Nessa medida, olham-me com o desdém das pessoas de barriga cheia que não percebem como é que se pode contentar com tão pouco, arrotando entrementes uma refeição farta, e apontando o dedo.
Eu encolho os ombros. Se e quando o meu limão não tiver sumo, eu pego na casca que me servirá para o martini ou o porto tónico. O prazer é prolongado e eu sou um pouco mais feliz, mas isso não é visível através das lentes das pessoas lambuzadas de salada de fruta.

Sociedade patriarcal

Podem queimar soutiens.
Pode-se mandar as meninas para a escola.
Podem tirar cursos e ser profissionais de sucesso.
Pode-se tirar as meninas de uma sociedade fortemente patriarcal.

Mas quero crer que vai ser preciso muito mais soutien queimado,
para tirar a sociedade fortemente patriarcal da cabeça, dos genes, da pele das meninas.


Istvan Burka, Woman with Light

Se houver alguma dúvida, eu não tenho pelos no peito, mas cá em casa sou eu quem usa as calças.

So true

Li isto no Quadripolaridades e achei uma daquelas pérolas que pode iluminar muitos momentos críticos:

"Entre teres razão em coisinhas menores e seres feliz, escolhe sempre a última."

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O anel

Há cerca de um ano lembro de estar ao telefone com uma amiga minha.
Eu a passar um fim-de-semana prolongado com o Valete numa relação feliz que se adivinhava duradoura.
Ela com dúvidas sobre um mouro que tinha ido dar à sua costa.
Eu a dar-lhe conselhos de pessoa experiente, se tinha resultado comigo tinha de resultar com ela.
Ela ia concordando ou pelo menos dizendo que sim...

Um ano depois o mouro pediu-a em casamento. Ela disse que sim.
A vida pode dar tantas voltas em tão pouco tempo.
Mas são precisamente estas vidas que me fazem crer que tudo é possível.
Não poderia estar mais feliz pelos dois.
E espero mesmo que seja daquelas histórias que acabem com "e foram felizes para sempre".
Assim de repente não me lembro de outro pedido de casamento que me tenha alegrado tanto.

domingo, 24 de junho de 2012

We could be happy together


33º momento cultural: Ai Weiwei - Never sorry

O filme francês foi ao ar pois era à hora do futebol, mas fruto do meu duvidoso jogo de cintura saiu o documentário sobre o artista e activista chinês Ai Weiwei. Nunca teria sido a minha escolha, mas não adormeci e até aprendi qualquer coisa. Como bónus por bom comportamento, fui ver o futebol com direito a paella. O Xabi ali debaixo fez o que lhe cabia fazer e eu também cumpri o meu papel. Um serão inesperado com porto branco e martini rosato nunca poderia correr mal!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Oxímoro

Maria Calíope é uma autêntica caixinha de surpresas... especialmente para si própria. Ultimamente, anda em modo oxímoro, ou seja, diz uma coisa, convence-se da mesma durante 24 horas, às 36 já está titubiante e às 48 o contrário já foi feito.
O cúmulo deste recurso estilístico e desta forma pontual da sua vida foi hoje.
Há semanas que Maria Calíope espera ansiosamente que o Mosqueteiro a convide para qualquer coisa por iniciativa própria. O raio do homem hoje lá se saiu com um filme francês, cabeça de cartaz de um festival que fomos ver e não sei mais o quê e quando o sugere, Maria Calíope diz: "Mas a essa hora dá o Espanha - França e eu queria mesmo ver esse jogo!"

Xabi Alonso

quinta-feira, 21 de junho de 2012

32º momento cultural: Portugal - Rep. Checa

Uma mesa para 15 portugueses, era o que estava reservado. Eu e os meus amigos fomos os primeiros a chegar e viam-se camisolas das quinas. Nenhuma na nossa mesa, mas eu ia de vestido verde. A minha amiga com filigrana de Viana :) Gente chique, o que é que querem.
A parte gira dos jogos, para além do jogo em si, são os meus amiguinhos estrangeiros a dar palpites, a desejar-me sorte, a tecer comentários sobre este e aquele jogador e a dar-me os parabéns pelas minhas quinas! :)
Eu teria apostado que o Nani marcava hoje... acertei ao lado, como o próprio, aliás. Depois de tanto remate ao lado, ao poste e à trave, era capaz de garantir que o miúdo não dava mais uma para a caixa... Deu. E eu nem me importo que as minhas previsões tenham saído todas ao lado. Tinha como certa esta vitória. E agora que venha Espanha!

Vox populi

Andava com as letras emaranhadas umas nas outras, formando um novelo intragável que me bloqueava a passagem do ar. Nem o digeria nem o cuspia para fora. Comecei a desfiar o novelo com as pontas dos dedos e dois dedos de testa. Letra a letra. Hoje saiu em dose dupla e em versão retórica.

What can you really expect from Italians?!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Esta é a minha natureza.


Sim, é.
Mas não sou calvinista.
Não vou ferrar a rã.
Não vou afogar-me.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fábula astrológica

Qualquer nativo de Escorpião reconhece a frase "Sim, eu sei, mas eu sou assim. Esta é a minha natureza". Como acredito que os digníssimos leitores não façam parte dessa corja egocêntrica, obsessiva, vulpina, apaixonada e intensa, passo a relatar uma fábula.

O Escorpião estava à beira de um riacho e queria passar para a outra margem. Era impossível fazê-lo sozinho. De repente viu uma rã e pediu-lhe ajuda. A rã disse que não o transportaria para o outro lado pois tinha medo que ele a ferrasse. O Escorpião disse que não, que não o faria, pois queria chegar à outra margem. A rã acreditou e levou-o. Chegados a meio do riacho, o Escorpião ferra-a. A rã em desespero pergunta-lhe "Porque fizeste isso?!!! Vamos morrer os dois...". E o Escorpião responde que sim, sabe disso, mas que é essa a sua natureza, não a consegue contrariar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Some like it hot!

E eu serei com certeza uma dessas! :) O Verão chegou cá ao burgo e está para ficar, o que é óptimo pois confere um ambiente bastante estival ao escritório. Já não bastava estarmos todos a metermo-nos com todos por causa do Europeu, puxando cada um pelas suas cores. Agora fazemos isso a 30ºC!
É de mim ou este Europeu está muito mais competitivo e os critérios de apuramento em caso de igualdade pontual são muito mais difíceis de fazer? Após a eliminação da Rússia e do exame de matemática de ontem, eu ainda não percebi se é a diferença de golos, os golos marcados ou os confrontos directos o que conta primeiro. Mas sei que a Espanha e a Croácia poderiam pôr a squadra azzurra a ver navios. Giro, giro era o Maggio marcar hoje!

domingo, 17 de junho de 2012

31º momento cultural: Portugal - Holanda

Pois era para ser um momento cultural... mas na verdade a televisão austríaca resolveu transmitir o Alemanha - Dinamarca. Uma vez que os outros canais disponíveis eram alemães... não havia muitas hipóteses de ver outra coisa. E não dava para ir para o bar português porque entretanto já tinha pedido a comida... Assim, o jogo Alemanha-Dinamarca foi interessante e seguir o resultado do jogo que interessa por um marcador tem uma série de vantagens. Uma pessoa nem se chateia, nem sofre, nem está ali "vai, chuta, passa, anda com isso, o que é que estás a fazer, etc" e aproveita para trocar novidades com os outros convivas!
Entretanto já em casa, apercebi-me que a estas belas horas começaram a transmitir o jogo. Não tem piada que já sei o resultado. Mas vou ver porque amanhã de certeza que os meus coleguinhas vão comentar. Pelo caminho, que é como quem diz, pelo jogo, o meu chefezinho lindo e sueco foi o único que deu a mão à palmatória, comentou os golos primorosos do CR7 e me congratulou!

sábado, 16 de junho de 2012

Como amenizar um dia azedo


1. Ir às compras e trazer entre outros fruta, flores, pão de nozes, batatas fritas, entre outros.
2. Preparar aulas sobre a temática camoneana. Ao ler: "Verdade, Amor, Razão, Merecimento / Qualquer alma farão segura e forte; / Porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte / Têm do confuso mundo o regimento." percebo ter meia vida explicada e fiquei até com vontade de acender uma vela ao poeta.
3. Ir para o Danúbio nadar, apanhar sol, deitar conversa fora e comer cerejas.
4. Jantar tostas de pão de nozes com queijo de cabra e alperces fatiados - bem bom e coisa chique. O que me vale é que não tenho apetite e está muito calor, caso contrário seria só entrada!
5. Beber uns martinis e deitar mais conversa fora numa varanda alheia em plena noite de Verão.

Estás com o período?!

Foram precisos cerca de 20 anos de ciclos menstruais para que as minhas hormonas se manifestassem. Já sabemos todos que eu sou lentinha, agora sabemos igualmente que as minhas hormonas também o são... possivelmente vasos linfáticos, papilas gustativas e nervos cranianos também.

Qualquer coisa que eu diga, tão simples como "sou uma estúpida, só me apetece dar-me um par de tabefes!" e as hormonas desatam a cortar cebola. Claro que os olhos reagem em aguaceiro!

Picasso, Les Demoiselles d'Avignon

Com tanta cebola e aguaceiro, já dava para fazer um belo refogado... com molho. É só pena só ter maus fígados.
.

Qual Marte, qual quê!



Há vida dentro da minha cabeça!
O que não é uma coisa necessariamente boa...

Imagino um agregado familiar de 6 num T0.
Depois dos tropeções iniciais, estamos a sufocar.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

16:50

Por gula, decorei os nomes da squadra azzurra por ordem alfabética. O último nome memorizado foi o Maggio...
O mosqueteiro achou que isso era motivo suficiente para apostar que ele marcaria o primeiro golo do jogo de ontem. Ele perdeu dinheiro e eu ganhei um prémio! Parece que eu tenho olho para o negócio e ele uma precisão de alarme despertador dos diabos!
A ver se no fim-de-semana vou reclamar o meu prémio :)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

30º momento cultural: Portugal - Dinamarca

Ando há dias (semanas?) a ver-me obrigada a justificar o penteado, as manias, o estilo, os comentários, a falta de golos do pobre Cristiano Ronaldo. Com a prestação de hoje, amanhã com certeza virarei Dona Dolores. Não há amigo meu estrangeiro que ao falar comigo sobre futebol não saque do bolso da bandeirinha do cristianito. Coitado, é miúdo... queria tanto, mas tanto marcar que acertou tudo ao lado.
O Portugal - Dinamarca de hoje teve estranhamente na minha memória muitos pontos de contacto com o Portugal - Angola de 2006. Não necessariamente pelos negões em campo, mas pelo que se passou fora das quatro linhas... no meu campo de jogo e na minha caixa de mensagens. Jogo visto no mesmo bar português com compal manga na primeira parte e vinho verde na segunda tem outra categoria. Houve azeitonas boas a acompanhar. A companhia agradável e nada de gente mitrosa no mesmo espaço. O jogo animado e sofrido. Há muito que não ouvia o coração a bater por um jogo de futebol (tirando aqueles minutos finais do Sporting - Manchester City em que basicamente deixei de respirar). Mas é por isso mesmo que gosto de futebol (concretamente do Sporting e da Selecção) porque joga com aquela percentagem mínima de mim sobre a qual não tenho controlo. Ali eu reajo por impulso. Ergo os braços, levo as mãos à cabeça, não quero ver, não quero acreditar, falo com o ecrã, salto e (quase) grito. E olho constantemente para o relógio! É nestas ocasiões que me lembro que só posso ser portuguesa e nem queria ser outra coisa.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Túnel


Tropeço, dou cabeçadas nas paredes, engano-me no caminho, dou uns passos atrás, vejo luzes de presença, sigo para a frente, umas vezes mais confiante outras tacteando o chão, as certezas são quase nulas, mas eu vou progredindo, convencida de que estou a ir bem.
Posso ir claudicando, mas enquanto achar que a luz lá no fundo vai iluminando o meu túnel, vou seguindo as sombras feliz da vida. Vou cantando e espantando os meus males.
O túnel tem de me levar a qualquer sítio e quando lá chegar, levo já uma coreografia preparada :)
A felicidade são também estes bocadinhos.

Plantas, animais e crianças

Como é que a minha colega de Mainz passou a ser minha amiga.

Estávamos num restaurante português local, já as duas sentadas a escolher a ementa. Maria Calíope apercebe-se entre bacalhau no forno e carne de porco à portuguesa que lhe tinha aparecido um cão ao seu lado e lança: "Está aqui um animal!". A colega olha em seu redor e replica "Ah! Pensei que estivesses a falar do bebé. Esse é o Figo!". Maria Calíope nunca tinha pensado referir-se a um bebé como animal, mas riu-se a bom rir acompanhada pela colega até termos as duas lágrimas nos olhos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

27º - 29º momentos culturais: Mainz

27º momento cultural: Vitrais de Marc Chagall na igreja de S. Estêvão
 Sem a devida explicação os bonecos de Chagall não passam disso mesmo, bonecada de inspiração bíblica gravada em vidro. Já havia visto em tela e não tenho bem a certeza se tinha ido assim tanto à bola com ele. Devia ter ouvido o guia com mais atenção, mas de qualquer modo, parece-me que gostei mais dos vitrais acabados pelo Charles Marc, o ajudante de Chagall, que viu-se obrigado a terminar a obra quando o seu mestre foi desta para melhor.


28º momento cultural: Museu Guttenberg
Como é que eu fui para Mainz sem saber quem era o filho mais famoso da terra. Fiquei mesmo imenso tempo a olhar para as máquinas, para os carimbos das letras, para as imagens gravadas em placas e a pensar como por ali tinham passados momentos tão significativos do curso da história da humanidade. Com tanto suporte onde hoje em dia se pode escrever, uma folha de papel que começa com "in principio erat verbo" parece não ter importância nenhuma, mas era o princípio e era o verbo!

29º momento cultural:  Portugal - Alemanha
Fui para uma fan mile ver o jogo, antes tinha havido piquenique, com salsichas grelhadas, saladas típicas, pão e tudo regado com muita cerveja em edições especiais Europeu. Eles vivem a coisa muito a sério, diz-se que desde o Mundial em 2006 voltou-se a ter orgulho nas cores alemãs sem temer análises políticas e é vê-los apetrechados até aos dentes em preto, vermelho e amarelo. Enfim, o jogo foi bom, mas faltou a estrelinha da sorte para as cores lusas. Já temos equipa, pode ser que para a próxima venha também o resultado.

domingo, 10 de junho de 2012

Erasmus

No final do ano passado, delineei o plano Erasmus.* Se não lhe tivesse feito o elogio à loucura, talvez o caminho tivesse sido menos sinuoso. Mas se tudo tivesse sido fácil não teria tido tanta piada. O plano Erasmus deu o seu primeiro passo em Berlim no início de Fevereiro e agora o passo do meio e o passo final (?) tiveram lugar. Mainz foi a universidade anfitriã que me recebeu de braços abertos, havendo ainda Giessen, onde fui fazer uma perninha. O feedback à minha prestação foi igualmente bastante positivo tanto de colegas, de outros professores e dos alunos. Apesar do ano ainda ir a meio, dou pelo meu plano Erasmus terminado com distinção.

* O Erasmus era uma pedra que tinha no sapato há uns 15 anos. Lamentava-me e arrependi-me por ter deixado passar os anos da faculdade a adiar o ingresso num semestre no estrangeiro. O curso terminou e eu não fiz Erasmus. Uns anos passados e uma experiência tão feliz no programa Comenius só fez inflamar a memória da falta do Erasmus. Agora na condição de professora claro que o Erasmus tinha de ter outros contornos, mas como não dá para correr atrás do que já lá vai, dá pelo menos para agarrar o que se apresenta no alcance dos meus braços.


Progresso

Há um mês que não aterrava em Viena. Aterrei hoje num novo terminal, achei-o moderníssimo e dei como bem investido o dinheiro dos meus impostos. Se calhar até dá para me tornar sócia cativa daquelas chaises longues com mesinha e ficha para o computador. Ao chegar à zona de recolha de bagagens, eu não reconheci o espaço de todo e por uma fracção de segundos ocorreu-me ter apanhado o avião errado, até porque desde que saíra do avião nada tinha sido familiar. Fora da zona de passageiros ainda continuei surpresa com tanta novidade: espaços amplos, bonitos, bem decorados, rampas em vez de escadas, etc, etc. Vi o belly dancer da festa da semana passada. Pronto. Afinal estou mesmo em Viena!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Gestão de recursos

Uma semana na Alemanha. Um toshibinha na mala. O cabo em casa.
5 horas e 3 minutos de bateria para gerir...

Estou a convencer-me que se me tivesse esquecido do trabalho em casa teria sido pior.

domingo, 3 de junho de 2012

26º momento cultural: Das Buch der Unruhe

Já ia atrasada, não dei pelo tempo passar. 10:45 ponto de encontro em frente do teatro. 10:40 e vejo o metro a partir, próximo comboio dentro de 5 minutos. Vasculho a mala e os bolsos e nem o telemóvel tinha para me desculpar pelo atraso. 10:45 entro no metro, 10:55 saio do metro, 10:56 entro no eléctrico, 10:57 saio do eléctrico e vou o resto a pé, no passo de corrida possível em cima de saltos. 11:00 e estou no teatro, dei logo com a porta certa e subo os dois andares a correr, ouço aplausos, suponho que seja pela entrada do leitor, menos mal que não estou assim tão atrasada. Finda a escadaria o chão em madeira ecoava os meus saltos. Eu tentei andar de bicos de pés, mas já estava em saltos, não dava, o som ecoava por todo o lado e toda a gente deu pela minha presença. Leitor inclusive que fez uma pausa para eu entrar. Teria morrido de vergonha se não estivesse ofegante a dizer "Entschuldigung" e a tentar ser menos trapalhona e simplesmente me sentar. Sentei-me, fechei os olhos e respirei fundo várias vezes. Como é que é possível estar a transpirar tanto?
Pronto, tinha conseguido chegar à leitura do Livro do Desassossego.

Sono tossegoso

Acordei com os olhos vermelhos, inchados com olheiras até aos pés.
Se não vivesse comigo 24 horas por dia, a certeza de uma noite em claro regada por muitas lágrimas era ali manifesta.
Como vivo comigo 24 horas por dia, sei que até teria motivos para humedecer a almofada.
No entanto, não o fiz, dormi o sono dos justos e com os anjos.
Com anjos justos. Com tosse. De cão.
Talvez fizesse melhor ter dormido um Schönheitsschlaf.
Se beijos me rejuvenescem e animam, a tosse envelhece-me, entristece-me e cansa... de que maneira.

Estiquei o cabelo, compensei com maquiagem e usei uma saia colorida. Ninguém há-de reparar.

sábado, 2 de junho de 2012

Regime

A minha mão é demasiado branda comigo.
Se quero comer manga, daquelas doces, amarelas, que já se cheiram a 20 km de distância, sumarentas, que escorrem pelos cantos da boca, não vou ficar satisfeita com maçãs, mesmo que tenham a casca polida ou que coma cinco. Posso até comer uma ou duas, mas a manga não me sai da cabeça.
Por isso, a partir de hoje declarei guerra ao meu regime alimentar. Acabou-se com o encher de chouriços. Acabou-se com o tapar o sol com a peneira. Quero manga e vou comer manga e das boas. E nem quero ouvir que a carne é fraca. Nem de sobras. O meu estômago nunca teve olhos, mas de repente vai virar gourmet. Custe o que (me) custar. Demore o tempo que for preciso.

Rédea curta em mim!
A ver quanto tempo aguento.

25º momento cultural: Salmon Fishing in the Yemen

Uma qualquer brisa estival me fez trocar o Sei Venezia por este filme piscatório e uma outra qualquer força da (minha) natureza não me permitiu trocá-lo por um filme qualquer mais tardio. Sem dúvida um dos melhores filmes que vi este ano. Gostei dele no início, durante, no fim, depois. Talvez devesse ver mais filmes com o Ewan McGregor, que desde o delicioso Beginners caiu-me no goto. Se calhar identifiquei-me com o "Bastard!" que a Emily Blunt deixou escapar duas vezes. Fiquei rendida a homens de turbante ou pelo menos ao Amr Waked de turbante. E até a Kristin Scott Thomas deu o ar da sua graça, mas não tanto como naquela estonteante banheira do Paciente Inglês. Adorei o texto e o sentido de humor refinado. Mais ainda da moral da história: quem tem fé tem tudo.

Só lamentei ter tido vários ataques de tosse tão fortes que me vieram as lágrimas e quase estive para pedir desculpa às pessoas por estar a incomodá-las.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sei schlau!

No fim de uma semana desgastante e macilenta, nada melhor do que me enfiar nas calças do aladino, iluminar a cara e subir para o tapete.
Estou pronta para chocalhar as ancas e para a friday night fever!
Ok,ok, falta o rímel!

Cynthia Ekere