quarta-feira, 30 de maio de 2012

Disforia


Quando há previsões de momentos eufóricos, tenho pessoas a tentarem entrar em contacto comigo por diferentes meios de comunicação. Quando é a disforia que me bate à porta, também não fico sozinha: sou acompanhada pela minha "doença tropical", que obviamente não me mata, mas que me entretém e acima de tudo mói!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Sal

Acordei de um pesadelo (o confronto com o meu orientador e aquele que deveria ser um work in progress e não passa de um work in stand-by) com a garganta muito inflamada e vestígios de febre. Não comi cereais ao pequeno-almoço porque sentia o céu da boca sensível e não o queria arranhar. Passei o dia a líquidos frios. Cheguei a casa e havia um pacote de batatas fritas aberto mesmo à mão de semear.
O sal arde, queima e purifica, não é?
Está provado que só sofro porque quero.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Histórias de encantar


01:32 - 16:58
Bom comportamento propicia um encore

Pentecostes


Após um fim-de-semana bastante sui-generis, nada como uma segunda-feira de Pentecostes para recuperar energias e finalizar as tarefas que ficaram em stand-by. A piscina às 8 da manhã não passou de uma miragem. A tarde será ocupada alegremente com colocação pronominal entre outros!

domingo, 27 de maio de 2012

Il giro

Terminou hoje em Milão e pela primeira vez da história do certame, foi um canadiano a ganhar a prova. Nunca me passara pela cabeça ver um streaming da final da última etapa do Giro, a comer torradas com queijo de cabra, sumo de manga e tomate-cherry: uma espécie de pequeno-almoço-almoço-lanche. Vou baptizar esta refeição com paal! Cá em casa o desporto-rei é outro. E felizmente faço mais coisas que nunca passaram pela cabeça do que ao contrário.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cenas...

Ele chama-me de "capo".
Eu respondo-lhe com "bastard!".
É uma dinâmica muito própria.

No entanto, ainda preciso que me chegue um chicote à mão.

 E augurio um final feliz... ou nem por isso.

Para amenizar as coisas, uns sons vibrantes e cálidos do ilustre ouvido do Francis, que está obviamente a anos-luz das pessegadas que costumo pôr aqui: Iyeka, Simply Fallin

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Fata morgana

Já por várias vezes comentei aqui que o meu amigo Senador é um homem de parcas mas incisivas palavras, com uma capacidade de análise incrível e um verdadeiro gadjet de memória externa dos últimos 19 anos da minha vida. Comentava com ele o facto de achar que ando a sair com o mesmo tipo nos últimos anos, com a variante de todos os anos ele mudar de cara, nome e nacionalidade. O pior é que eu tenho consciência que há qualquer lição que eu não aprendi para me aparecer immer wieder den gleichen Typ.
Senador poeticamente certeiro: Calíope, tu vês um oásis onde só há deserto. Esse é o teu problema!
Maria Calíope que antes só via deserto onde havia oásis viu uma franca melhoria, mais ainda se se tiver em conta o seu fascínio inenarrável pelo deserto. Rosenrote Brille...
Prost, Senador, amanhã brindo à tua! :)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dumas, pá...

Eu não tinha dito que era eu quem escrevia o fim dos Mosqueteiros?! Vá, de um chegava-me... Uma pessoa aqui a ser paciente, a criar enredos empolgantes, a imaginar cenários melodramáticos e tu não largas essa pena, pá! Assim não dá!
Eu não estou a gostar da história. E pior. Já sei qual é o fim...
Por isso passa-me mas é o Conde de Monte Cristo e assim com open end, ok?
E que isto não se repita!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Como Cronaldo povoa o meu quotidiano

Hoje no escritório:

Colega de Barcelona: Oh Calíope, desculpa lá, mas o teu Cristiano Ronaldo realmente...
Calíope: O meu Cronaldo? Eu tenho um Cronaldo e não sabia?!
Colega de Barcelona: Ele dizer que é melhor que o Messi, enfim... mas dizer que à equipa do Real dá 9 pontos e a ele sozinho 10...
Calíope: Oh! Ele acredita no trabalho dele e tem auto-confiança...
Colega de Barcelona: Sim, sim!
Calíope: Se calhar foi uma piada que ele disse e o jornalista utilizou a frase para manchete (da Marca acho eu).

Os meus colegas em geral detestam o Cronaldo e o Mourinho (tirando o italiano adepto do Inter), mas cada vez que falam mal deles, olham para mim antes, durante ou depois e emitem sempre qualquer coisa como "Calíope, desculpa lá mas...".

Mas mais giro ainda foi há umas semanas a minha mãe:

Mãe: Calíope, viste aquele quadro [O grito de Munch] que foi vendido por milhões?
Calíope: Sim, 100 milhões, não foi?
Mãe: Como é possível dar tanto dinheiro por uma pintura... ainda por cima feia!
Calíope: Não, é assim tão feio. Eu gosto.
Mãe: Hmmm qualquer quadro cá de casa é mais bonito.... mas 100 milhões?!! Por esse dinheiro comprava-se um Cristiano Ronaldo!
Calíope (num misto de estupefacção e riso): An?! Desde quando é que tu sabes o preço dos jogadores de futebol?!! Pois ter um Cronaldo em casa era capaz de dar mais jeito. Ele tem mesmo ar que faz uma boa faxina!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mazagão



Às vezes sai-se de casa com sol e volta-se com céu nublado.

Às vezes as pessoas racionais também entristecem.

Às vezes parece impossível, mas há impérios que caem.
Lembrei-me disso hoje, continuo todavia ao abrigo dos 12,5%.

domingo, 20 de maio de 2012

Cálculos

Amanhã devo ouvir novidades que podem ter um impacto directo na minha vida, por aproximação ou afastamento. Estive a pensar em vários cenários possíveis, combinando as incógnitas desta equação e cheguei a 12,5%. É esta mísera fracção que ilumina a solução optimizada à minha medida. 12,5% não é nada. Estou a torcer pelos meus 12,5%, mas aguardo e espero estar preparada para qualquer variante dos outros 77,5%.

Desta vez, estou mesmo de mãos a abanar, nem faca, nem queijo.

Levantar cedo...

Ontem sempre estive a trabalhar, mas antes disso resolvi ir investir o dinheiro que iria ganhar. Acabei por comprar um biquíni giro, giro, com cornucópias porque o Verão vem aí e sempre poderia servir de motivação extra para voltar a nadar.
Tiro e queda. Hoje de manhã pela fresca lá estava eu na piscina ainda não eram 9 da manhã! A minha ideia era lá estar às 7, mas enfim...
65 minutos e milhares de braçadas e batimentos de pernas que saem automaticamente enquanto eu penso na vida, organizo ideias e faço uma vistoria geral ao meu cérebro! Não sei por que é que não nado desde Setembro...
11 e pouco já estava de volta e resolvi que merecia um pequeno-almoço que almejava há imenso tempo. Scones. Fiz uns de maçã que foram ao forno enquanto eu tomava banho. Uma maravilha! Vamos ver se é para continuar o moto do levantar cedo e fazer coisas úteis!

sábado, 19 de maio de 2012

Freak magnet

Eis a secção que faltava neste burgo! Eis o "Freak Magnet"! E pergunta o surpreendido leitor por que razão fazia falta essa rubrica aqui no Mergulhos e porquê Freak Magnet. Ora bem, Maria Calíope tem histórias do arco-da-velha para dar e vender e nunca lhe ocorreu compilá-las, até este preciso momento. É por esse fantástico distintivo que Maria Calíope é conhecida entre os seus pares, que não se cansam de lhe recordar de quando um estranho lhe ofereceu uma pizza num pub, ou do outro que queria ajuda para formar uma equipa de criquet ou, ou, ou... Este será o 1º freak magnet por escrito do Mergulhos, mas na vida real deveria ser o 5421º. Em relação ao nome, Maria Calíope ainda considerou designar esta secção de "É dificil ser gostosona" mas não queria arrogar-se ao título de gostosona. Por outro lado, regra geral as histórias roçam mais o freak que a gostosura :)

Bom, estava Maria Calíope de regresso a casa depois de um jantar, quando ao esperar pela luz verde do semáforo, um estranho ao seu lado lança um "wie geht's". Maria Calíope tinha visto o indivíduo 30 segundos antes ao passar pela porta de um ginásio no momento em que o dito indivíduo saira. E agora "wie geht's?"? Contrariando a sua luso-costela, ela não encolheu os ombros, emitindo um "mais ou menos". Disse "gut" e atravessou a rua. O tipo continuou a abordagem agressiva qb, com convite para café, copo, conversa, conhecimento mais aprofundado. Maria Calíope ouvia, recusava e enquanto continuava a andar, pensando que não iria de certeza para casa com um tipo à perna. E ele continuava o choradinho... Estranhamente o tipo tinha bom aspecto, discurso articulado qb (em comparação com os indíviduos que me costumam abordar). Fui literalmente dar a volta ao bilhar grande pois não queria que o tipo soubesse onde eu morava. Ele continuava com a ladainha de que me vio e achou piada (sim, ia com aqueles collants) e queria conhecer-me melhor blablabla nhenhenhe. Não estamos em época de vacas gordas - em geral no mundo - e eu queria era ir para casa e livrar-me do tipo. Por isso, a maneira mais fácil de desbaratar o tipo e resolver a situação a meu favor foi ficar eu de lhe ligar - caso tivesse tempo, estivesse interessada, tivesse oportunidade, me apetecesse - e cá fica o contacto de pronto-socorro. Just in case. Afinal de contas eu sou uma mulher previdente.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Horas extraordinárias

Mesmo bom... chegar às 19h e tal de sexta, desligar o computador do escritório porque já não se vê nada à frente, porque já se tem o rabo quadrado, mas com a impressão de que a pilha do trabalho despachado é menor do que o trabalho a despachar. É uma sensação muito boa, especialmente quando por norma por volta das 16h à sexta se costuma brindar com vinho branco o final da semana. Ainda melhor foi fazer telefonemas a desmarcar compromissos no sábado porque afinal tenho de ir trabalhar!

Menos mal... ir jantar com um italiano - que não o certo - mas que coitado esteve umas duas horas à espera que eu encerrasse o meu expediente. O Senador disse-me que não foram duas horas que o homem esperou, espera já há uns bons 7 anos por Maria Calíope Godot.

Vou mas é dormir que amanhã é dia de trabalho!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Desculpa, Dumas...


Deixa-me dizer-te que deveria ser eu a descrever o decurso desta disputa.
Distintos desígnios determinariam um ditoso Começo, um desenvolvimento deslumbrante e muito mais adiante um Fim.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

24º momento cultural: Vegas

Voltei ao festival de cinema nórdico, pois queria ver um filme norueguês para confirmar a fezada que tenho no cinema local. Vegas. Nem de propósito. Durante grande parte do filme tive dúvidas se tinha sido mais um tiro no escuro ou não... No fim de contas, julgo que não. O conceito do filme é tão realista quanto triste, daí ser um pouco pesado para um dia à noite depois de mais de 11 horas de trabalho e especialmente para uma pessoa com a sensibilidade de uma florzinha de estufa como eu.
A ideia consiste em desmistificar uma instituição que está demasiadamente overrated na nossa sociedade: a família. Família é uma questão de sorte, tal como uma volta na roleta. Família per se não é necessariamente uma mais-valia, pois há maridos que batem em mulheres, há pais que acusam filhos, há sobrinhos que matam tios, há filhos que se esquecem dos pais que não os preferiram e por aí fora. No entanto, eram todos família. Sad but true. É tentador, é confortável, é motivador acreditar que a força dos laços familiares nos aproximam... mas na verdade as relações familiares são como todas as outras: ou se cultivam de parte a parte ou estão condenadas à nascença. A família é como a roleta: não temos o que queremos, temos o que nos calha.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Chamamento divino

Desconfio que Deus queira falar comigo. A minha suspeita reside no facto de  a visita de Isabel (ver post abaixo) ter sido ensanduichada por um mail-convite para uma missa pelo dia da mãe e agora outro para a 3ª novena mariana de não sei do quê.
Oh Deus! Observando melhor essa triologia, num alinhamento cósmico bastante parecido Nossa Senhora imaculada teve um Cristo.
Meu Deus, caso estejais com ideias de re-editar a História, aviso já que há máculas neste corpo e que o meu instinto maternal nulo, relativa vida social, ser nativa de Escorpião, andar a braços com a minha tese e viver num T1 não me qualificam para uma futura mãe de Cristo. Por fim, para Vos facilitar a vida e não me confundirdes com outra qualquer, eu sou aquela que anda com um Buda de jade na agenda e que tem um Lord Ganesh ao lado do Santo António na mesinha de cabeceira. Por isso, não me soprais cenas aos ouvidos!
Muito agradecida, 
Maria Calíope

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Futurologia domingueira

Os horários austríacos diferem bastante dos portugueses em muitos campos da vida. Por exemplo, é bastante legítimo ligar para alguém a partir das 7 da manhã mas impensável fazê-lo a partir das 8 da noite. O mesmo deve aplicar-se às campainhas das portas. O telefone eu não ouço, mas é impossível não ouvir a minha campainha. Já não se contam pelos dedos das mãos a quantidade das vezes que me tocaram à porta pela fresca. No entanto, eu adoptei a política do "deve ser engano" ou "isto não são horas de me baterem à porta" e virar-me para o outro lado e continuar a dormir, não obstante o susto inicial de acordar com o bezouro da campainha da porta da entrada. Quando insistem, lá salto da cama estremunhada a convencer-me nos 10 passos que dou até à porta que deve ser algo importante. (Acho que nunca foi).
Ontem foi precisamente isso o que aconteceu e à terceira tentativa lá fui eu atender o intercomunicador:

Calíope: Hallo?
Isabel: Bom dia (em português!)
Calíope: Wer ist es?
Isabel: Olá, bom dia!
Calíope: Quem é?
Isabel: É a Isabel!
Calíope: Isabel?! [Não conheço nenhuma Isabel e muito menos em Viena]
Isabel: Sim e venho para lhe falar sobre o futuro!
Calíope: O futuro?!
Isabel: Não tem interesse em saber o que...
Calíope: Não, não estou nada interessada em saber algo sobre o futuro. Obrigado e bom dia.
Isabel: Espere, espere... mas a senhora é de onde? De Portugal, do Brasil, de Angola?
Calíope: Desculpe, mas também não estou interessada em responder. Obrigado e adeus.

Voltei a correr para a minha cama a pensar que estava bastante animada com o meu presente para agora me preocupar com o futuro. Há anos que acho duvidoso ter o meu apelido na campainha da porta e agora já sei como é que as Testemunhas de Jeová fazem a triagem das suas vítimas aqui.


domingo, 13 de maio de 2012

Bipa

Ao ouvir recorrentemente as minhas ladainhas, uma amiga minha cita-me repetidamente Vinício de Moraes: "Mais vale sofrer de amor do que nunca ter amado". Pedi-lhe que continue a relembrar-me disso quando voltar às ladainhas, mas para já fruo com deleite covers brilhantemente aproveitadas para a publicidade do bipa (drogaria local) e mais umas cenas minhas.

Girls just want to have fun


Kiss me

Afinal de contas a vida são dois dias e o Carnaval são três.

23º momento cultural: Stiilipidu

Há um par de anos que não perco o festival de cinema nórdico, estando completamente rendida ao cinema norueguês. Este ano não foi excepção e comecei a corrida com um filme estónio: Stiilipidu ou a Loja dos Sonhos. A descrição do filme levou-me ao engodo. O filme não tinha grande conteúdo, nem interresse, nem qualidade de imagem, nem nada. Uma chatice pegada. O pobre do meu acompanhante que nem com a descrição estava satisfeito, apercebeu-se que nem sequer tinha espaço suficiente para pôr as pernas, tendo no fim as mesmas dormentes.

Após tão malograda experiência estou a sentir algum receio em voltar a este festival...


(Si, capo... ai suoi ordini - adenda: sim, fui eu quem escolheu o restaurante)

sábado, 12 de maio de 2012

Si, capo... ai suoi ordini

Calíope: Como é o fim-de-semana? Queres vir a uma festa comigo hoje à noite?
Gajo em questão (GEQ): Ontem estava morto, hoje estou semi-morto, preciso de uma noite chill-out para amanhã estar em condições. Tu amanhã estás o dia todo ocupada?
Calíope: Tenho um almoço e o filme do festival de cinema nórdico.
GEQ: Hmmm...
Calíope: Podes vir connosco ao filme se quiseres...
GEQ: Então, estás disponível de manhã ou de noite.... O que preferes?
Calíope: Sugere tu!
GEQ: Pequeno-almoço...
Calíope: Bastard!
GEQ: ... ou um copo à noite!;)
Calíope: Ao sábado de manhã faço as compras para a semana, por isso não está com nada. O filme termina por volta das 19h, podíamos ir jantar.
GEQ: Jantar também é uma boa ideia.
Calíope: Onde?
GEQ: Lá ao pé do cinema não há...
Calíope: Não! Vá escolhe uma cena concreta.
GEQ: ...
Calíope: Manda-me a morada do sítio, caso contrário eu ligo-te quando sair do filme.


Depois surpreendo-me que haja um rol de pessoas que me considere bossy.
Nunca tinha reparado que falo com imperativos, mas no fim sou eu que decido!
Continuo a achar que quem precisa de rédea curta sou eu.



Pontaria

Nas duas fotos que me tiraram numa festa a que fui hoje, saí acompanhada pelo tipo mais velho do evento. Não sei quem era, mas colou-se ao sítio onde eu estava no preciso momento em que me tiraram uma foto para registar a minha presença. Se fosse um tipo como o Richard Chamberlain mesmo com os seus 345 anos eu nem me queixaria. Aborrece-me é aparecer em fotos com um indivíduo com o ar do António Calvário a imitar o Roberto Leal em modelito étnico.
O fotógrafo ao ver as fotos veio elogiar-me a fotogenia, eu agradeci, pensando que qualquer um ao lado de uma cena com um tufo de palha artificial na cabeça é fotogénico, não obstante eu hoje estar bastante recomendável...
Richard Chamberlain no início do século XIX fotografado pelo neto do Vasco da Gama

quinta-feira, 10 de maio de 2012

De braço dado com o mundo


O mundo veio-me parar aos meus braços e decorado com balões de ar quente. Poderia ser mais um acaso feliz, mas não, foi mesmo uma encomenda que a Zita aviou com rapidez, eficácia e simpatia. Se calhar o mundo não agradece ter-me vindo parar às mãos, mas eu sim!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Concretizações linguísticas

Uma manhã, três horas a dar aulas, telemóvel desligado.

Três chamadas não atendidas: Dois italianos, uma russa: um convite para almoçar, uma proposta de trabalho, uma consulta desmarcada.
A caminho do escritório, cruzei-me com o único italiano que conheço falante de russo (e giro que se farta - como é que eu não me tinha apercebido bem disso?).

Realmente tenho uma vida fácil e repleta de acasos felizes. Esqueçam lá o outro post! Fiz o resto do caminho a acumular raios quentes de sol e a cantar a Summertime.

Coroação de uma carreira!

À medida que os anos vão passando e eu vou aprendendo mais coisas sobre línguas convenço-me cada vez mais que é praticamente impossível dominar uma língua estrangeira (e mesmo a materna tem dias) pois há sempre bordados que me parecem virtualmente impossível um estrangeiro pontear.

No outro dia, falava em português com uma colega alemã (que vive na Alemanha) e, por diversas ocasiões, ela começou frases com "Epá!" ou em versão alargada "Epá Calíope!". Eu fiquei maravilhada!
Eu já me considero a melhor professora de PLE que conheço, mas no dia que ouvir um aluno meu a dizer "Epá Calíope!" acho que os meus olhos ficarão baços e rolarão lágrimas sem fim.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vidas fáceis

 Li isto em segunda mão num blogue amigo e fiquei a pensar que eu sou igualzinha. Também acho que conheço mil pessoas com a vida mais fácil do que a minha porque têm a quem dizer olá/adeus ao chegar/sair de casa, porque têm a quem telefonar a dizer "olha, compra pão que me esqueci!", porque não têm de cumprir vários horários e viver a vida ao cronómetro, porque têm mais dias de sol, porque não têm de trabalhar de noite e aos fins-de-semana, porque podem comer bacalhau ou lulas quando lhes apetece etc., etc., etc.
Mesmo assim gosto muito da minha vida difícil: de ficar a preparar aulas até às quinhentas para depois me aparecerem dois gatos pingados, do caos da minha cozinha, de não encontrar aquele par de meias/a mala/a camisola no meio das outras todas, de perder imenso tempo em aeroportos, do meu toshibinha não aceitar ligações em usb, das ondulações do meu humor, dos pincéis que tenho para traduzir, dos meus (a)casos e (des)encontros amorosos, de enfardar um pacote de batatas fritas por semana, de ser eu a tratar dos impostos/banco/burocracias e dessas porcarias todas que eu invento e em que me meto, mas que pautam a minha vida ao meu ritmo e que a timbram com o meu selo!

Podia ter uma vida fácil, mais fácil, podia, podia sim, mas no meu caso ficava a ver a vida a passar-me ao lado e isso eu não quero!

"Os portugueses têm o hábito triste e mesquinho de diminuírem a vida do outro. Se nuns isso é sintoma de arrogância, noutros é a inveja que leva ao menosprezo. Mas para quase todos (e tenho-o visto à minha volta todos os dias em todas as horas, feitios e estatutos), a vida do outro é sempre redondinha, simples, a bater certo com as necessidades, cheia de confortos e conveniências, com poucas e brandas dores e ainda com vantagens extra caídas do céu, entregues de bandeja. A vida do outro é, portanto, fácil. Pedro, por exemplo, acha que a vida de António é fácil, porque António tem um contrato de trabalho e um salário ao fim do mês e salário, como se sabe, é sinónimo de independência. Mas António acha a vida de Pedro fácil porque Pedro é estagiário, ninguém o pressiona e pode sair às seis horas em ponto e também acha fácil a vida de Marta, que é contabilista e a única coisa que tem de fazer é organizar papéis e dedilhar na máquina calculadora. Marta acha fácil a vida de António, parece ser divertido passar o dia a fazer desenhos e a escolher cores, afina aqui, retoca ali, e depois o orgulho de ver tudo exposto na rua e nas revistas, assim como acha fácil a vida de Augusta, que limpa e varre os escritórios de fio a pavio enquanto canta canções de amor, concentração zero, responsabilidade nula. Augusta acha fácil a vida de Marta, que trabalha sem levantar o rabo da cadeira e não chega ao fim do dia com o corpo moído e doente, assim como acha fácil a vida de José que, com o cargo que tem na direção, ganha que chegue para passar férias decentes em paraísos orientais, como nos filmes. José acha fácil a vida de Augusta, que consegue tirar os dias de férias a que tem direito e esparramar-se ao sol, pensando em nada, no relvado da praça ou na varanda de casa, e também acha fácil a vida de Carlos, o dono da empresa, que beneficia do luxo enquanto os outros dão o corpo ao manifesto para que o barco se aguente. Mas Carlos acha fácil a vida de José, que só não desliga ao fim de semana porque não quer nem tem às costas a vida de vinte famílias, assim como acha fácil a vida de Rogério que goza, no espírito e na carne, uma vida de solteiro, livre, independente, sem horas marcadas nem mensagens para responder. Rogério acha fácil a vida de Carlos que, quando regressa a casa, tem juras de amor, mimos e afagos, uma mesa posta e uma cama morna e acha ainda fácil a vida de Bela, a última mulher com quem dormiu por acaso, que se conseguir meia dúzia de sessões fotográficas ganha que chegue para três meses. Bela acha fácil a vida de Rogério, que tem trabalho certo e previsível e em quem, pelo menos, veem mais do que um corpo bonito e também acha fácil a vida de Mariana, que não tem um filho para sustentar e para lhe dar cabo da paciência ao fim do dia. Mariana acha fácil a vida de Bela, que não tem de se injetar com hormonas nem fazer sexo em dias certos para despistar a infertilidade mas também acha fácil a vida do irmão Miguel, que num golpe de sorte e talento se tornou um escritor mediático. Miguel acha fácil a vida de Mariana, porque uma dona de casa não faz ideia do que é a crítica e o quanto podem pesar a pressão e o reconhecimento do público e também acha fácil a vida do filho Francisco, a quem a adolescência não exige mais do que tempo para ir às aulas e outro tanto para matar em noitadas e miúdas. Francisco acha fácil a vida do pai Miguel, que não tem já de esforçar para mostrar o que vale e, de resto, encontrou o seu lugar no mundo e também acha fácil a vida da irmã Laura, cujos grandes dilemas diários giram em torno da roupa das bonecas e não tem os pais nem o universo inteiro contra ela. Laura acha fácil a vida do irmão Francisco, que já tem a chave de casa, entra e sai quando quer e vai de férias com os amigos e acha mesmo muito fácil a vida do primo recém-nascido João, que repousa tranquilo no peito materno e não faz ideia que cantarolar a tabuada pode chegar a ser o inferno na terra. Mas João, que acaba de rasgar as entranhas da mãe, que com ela trabalhou violentamente durante oito horas seguidas para vir ao mundo, que num repente lhe foi arrancado batendo de frente, indefeso, contra o frio, a luz e o barulho, que foi remexido, vasculhado, aspirado, medido e revirado por três pares de mãos, que na brevidade dos sessenta minutos seguintes teve de aprender a respirar, a chorar, a cheirar, a comer e a digerir, João talvez saiba que nada, nunca nada na vida será fácil para ninguém. Infelizmente, João esquecerá tudo isto porque a memória tem misteriosos caprichos. E um dia também achará fácil a vida de António, que acha fácil a vida de Marta. (...)"

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vira o disco e toca o mesmo

Este título poderia aplicar-se a muitos aspectos da minha vida há 7 anos, na semana passada, hoje ou em 2019.

Só vou pôr algumas fotos do evento do ano e vou deixar de falar de quem cobriu as paredes todas do meu quarto anos a fio para desespero do meu pai, a não ser que os digníssimos senhores voltem a marcar nova tournée num complemento tempo-espacial compatível com a minha agenda.





domingo, 6 de maio de 2012

Baden-Württemberg

Estou de volta e com direito a equipa de hóquei sobre o gelo como comissão de boas-vindas. Agora percebo que aqueles fatos gigantes servem para tentar ocultar o cheiro manhoso que aquela gente exala... Não sei se era suor, hormonas ou outra coisa qualquer, mas para eu notar, cheirava mal!

Adiante. Um passeio rápido pela Alemanha foi no que se resumiu este fim-de-semana. Como de costume, nas minhas visitas por terras germânicas as expectativas são sempre nulas e depois fico sempre surpreendida positivamente. A regra voltou a confirmar-me.
Ulm foi a primeira paragem. Que cidade encantadora! E teria sido ainda mais se não tivesse chovido copiosamente. A Pimpas serviu amavelmente de guia e de baby-sitter de Maria Calíope por um dia :) Foi óptimo! (Obrigado!). De Estugarda não deu para ver muito mais do que a Schleyer Arena, pois o domingo resumiu-se a um repasto familiar, deitando conversa entre as garfadas do almoço.

22º momento cultural: NKOTBSB em Estugarda

video
Nem sei por onde começar.
20 anos à espera disto e as centenas de euros que dei foram mais do que bem empregues. Cantei, dancei, gritei, fiz vídeos, tirei fotos, respondi pelo nome de Estugarda, suei, senti-me feliz e esqueci-me da vida!
Adorei, adorei, adorei! Se houver mais concertos, vou.

Fica aqui a abertura com a Single :)

sábado, 5 de maio de 2012

21º momento cultural: O Livro do Desassossego

Há semanas que um manto de serenidade me envolve, disfarçando a minha inquietude. Esta intranquilidade tem origens várias e reflecte luzes distintas: umas vezes brilhantes outras vezes trémulas.
Não sossego, mas escondo.
Ninguém merece as minhas ladaínhas.
Nem eu.

Peguei no Livro do Desassossego.
Li-o de fio a pavio. Encontrei o que me consome.
"Pensar destrói."
Estou perdida.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Bandarilhas

É triste reconhecer que se falhou.
Necessário, mas triste.

É-me dificil envergar uma bandarilha...
Mas se vislumbrar uma reacção do animal
ultrapasso os meus medos e empunho a haste.

No entanto, espicaçar o animal
produz reacções e não acções.
E isso não é suficiente.

Infelizmente a minha bandarilha não faz milagres!

Picasso, Citando al Toro a banderillas sentado en una silla

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Medusa

A cabeça fervendo
de serpentes, eu sou a bela,
a pérfida, a contracorrente,
a vagabunda de Netuno,
a escorraçada do templo.
Eu sou a que vos convoca
em pedra e vos come a nojo
a vida que em nojo vestes.
Digam de Perseu os ouros
de caçar-me pela Floresta,
eu que sou continuadamente
só uma cabeça em suspenso
que a vêm devorando os séculos
- cada cabeça, uma sentença.
Esta, a minha vingança.
Wilson Bueno
 
Hoje disse que entre Medusa e camaleão teria forçosamente de escolher o segundo... 
Se calhar amanhã reformulo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Leoa

Por motivos linguisticos e culturais aprecio bastante Mia Couto, por motivos clubisticos admiro leões, por motivos femininos (feministas?) nutro especial simpatia pelas leoas. Esta conjugação resulta de uma entrevista que o Mia Couto deu ao Mário Crespo a propósito do lançamento do seu último livro: A confissão da leoa. Acho o título muito feliz, acho a capa do livro magnífica, mas não percebi ao certo do que se trata a história. As palavras de Mia Couto encantam-me sempre que me entretenho de tal maneira com elas que me esqueço do seu conteúdo.
Mesmo assim, "até que os leões inventem as suas próprias histórias, o caçador será sempre o herói" foi um dos provérbios africanos que mencionaram. E eu já estava em extase! Digo frequentemente aos meus alunos que a história é escrita pelos vencedores e que a história que lhes conto é só uma versão dos factos...
Adoro as pontes que Mia Couto faz entre o mundo conhecido e desconhecido, entre o que existe e o que não existe, entre o humano e o animal. Se calhar nunca hei-de ler este livro, mas até ver fiquei bastante impressionada.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Linhas


Tenho um fascínio qualquer por mapas, globos e planisférios. Se calhar gosto de registos cartográficos porque nos apresentam limites e fronteiras. Ali sabe-se até onde se pode ir.
Descobri há uns tempos a Linha do Equador e não consigo ouvir outra coisa. É curioso ver que meridianos e paralelos são linhas que não existem mas que nos orientam. As linhas com que me coso são mais ou menos a mesma coisa: não existem, no entanto, não parece que me orientem grande coisa.

Auto-disciplina

Devo ser a pessoa mais naba a lidar com emoções...
Os anos passam, os cães ladram, a carruagem passa também e Maria Calíope não aprende nada. Mas é que nada. Só à chapada... e mesmo assim nem estou certa que vá lá.
Agora resolvi pôr a cabeça a funcionar, já não sei se vou a tempo de apanhar a carruagem e calar os cães.
No entanto, estou num limbo. Nunca me tinha apercebido que havia uma linha tão ténue entre uma mulher emancipada e empreendedora e uma chata de galochas.
Estou a tentar fazer-me de morta. Pelo menos não faço asneiras. E rédea curta comigo!

20º momento cultural: NKOTBSB em Londres

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Na verdade foi num cinema perto de mim e serviu de aquecimento para a semana que vem. 
Não teve o impacto que teria tido há 20 anos, mas mesmo assim, está tudo cá dentro.
E eu ia munida de lenços de papel e tudo, pois sabe lá Deus para o que é que me poderia dar. Deu-me para dançar na cadeira, fazer vídeos e cantar. E eis Maria Calíope a fazer 5 vozes e a interagir com o ecrã sem qualquer tipo de pudor :) Não fui  a única :)
Foi bonito de se ver.

Constatações várias:
Os BSB estão balofos, mexem-se bem, mas engordaram uns valentes quilos cada.
Os NKOTB envelheceram lindamente.
Eu achava que só havia 3 músicas dos BSB, mas afinal elas são mais que as mães... e surpreendam-se, eu sei as letras todas! Basta me dar o primeiro verso e eu canto o resto.
O Jon estava a a fazer um frete monumental de lá estar e possivelmente desertinho de se pôr a milhas.
O resto da rapaziada (igualmente os rechonchudinhos dos outros) estava a curtir bué lá estar.
A música dos NKOTB vai lá vai. Letras então de fazer chorar as pedras da calçada. Pior do que isso é continuarem a fazer sentido na minha vida (eu queria pôr aqui o vídeo da If you go away/Please don't go mas é para lá de pesado - por isso levam com uma das minhas músicas preferidas mesmo que só uns segundinhos: Didn't I blow your mind).
Pode ser parvo, mas estava a olhar para o Joey e ainda me lembro porque é que há 20 anos queria casar-me com ele!

Enfim, para a semana há mais!