segunda-feira, 30 de abril de 2012

Nos meus sonhos


Acordei nos braços do amante latino

No princípio da noite tinha o Joey-da-minha-vida a cantar
"You don't have to be alone, I'll be your boyfriend"
direitinho para mim.

Para acabar um dia perfeito, comi uma manga madura à dentada.

Hoje não existiu!


Brian Viveros, Dia de los Muertos

domingo, 29 de abril de 2012

Ilusões

Eu achava que ele devia ter uns 28.
Ele achava que eu teria uns 23-25.
Temos os dois 33.

Poderia parecer o perfect match,
mas já não sei voltei a meter a pata na poça.


Picasso. Mousquetaire à la pipe.

sábado, 28 de abril de 2012

Pessoas

Conheço muitas pessoas. Tenho nos meus círculos muitas pessoas de muitas nacionalidades, tamanhos, feitios e cores. Gosto de poder andar de mãos dadas a tanta diversidade, o que até pode ser entendido de uma forma egocêntrica: ao conhecermos melhor os outros, conhecemo-nos melhor a nós mesmos.
No entanto, gosto especialmente de pessoas que me inspirem a ser melhor, não só pelo que me dizem, mas acima de tudo pelo que fazem e pela maneira como encaram a vida.

Uma amiga minha vai hoje para o outro lado do mundo, pois não estava satisfeita com a vida que tinha. Ninguém vive bem infeliz e melhor do que se queixar constantemente dos revezes do destino é arregaçar as mangas e fazer pela vida. Para se chegar à felicidade é preciso pôr-se a caminho.
E se tivessemos tido medo de andar descalças a -6ºC nunca teríamos chegado às águas termais ;)

Boa viagem!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

"Aperta com eles, Sá Pinto" ou como eu adoro o meu escritório

Hoje de manhã no escritório:

Colega italiano: Epá, Calíope, que pena ontem o Sporting.... Lamento imenso...
Calíope: Não faz mal. Foi uma pena... mas é assim mesmo os tipos de Bilbao também queriam ganhar.
Colega italiano: Pois...
Calíope: Aquele segundo golo é que foi uma treta tremenda. Sabes, é que o Sporting tinha acabado de marcar e foi mesmo antes do intervalo...
Colega italiano: Mas viste os golos?
Calíope: Não, não... mas assim também não tenho de ir a Bucareste.
Colega italiano: Ias?
Calíope: Epá se o Sporting estivesse na final eu ia ficar muito tentada a lá dar um saltinho!
Colega italiano: Mas olha lá o Sá Pinto anda com aquelas cenas no casaco porquê?
Calíope: Quais cenas?
Colega italiano: Umas cotoveleiras brancas...
Calíope: E quem és tu para falar de moda?! ;) Nunca vi cotoveleiras nenhumas, só a camisa branca e o blaser...
Colega italiano: É que o treinador do Benfica também usa um blaser assim... se calhar, é alguma cena lá de Portugal.
Calíope: Pára tudo! Eu não aceito que tu compares o Sá Pinto com o Jorge Jesus!
Colega italiano: Okok, mas vai lá ver...

Calíope bem-mandadinha vai ver imagens do jogo de ontem e para além das cotoveleiras brancas, dá de caras com os suspensórios.

Calíope: Olha, eu com as cotoveleiras brancas vivia bem, agora suspensórios é que não...
Colega italiano: Deixa lá...
Calíope: Eis a queda de um ícone!

Mudar de vida em mais ou menos 3 passos

Parece que a minha vida está em devir não sei porquê...

Talvez tenha sido dos chubby sticks que adquiri há uns 10 dias (e uso)

Ou do festival de cinema francês

Ou então da fruta fresca que agora como ao pequeno-almoço

Ou ainda ter deixado de procurar casa ou por tentar evitar carregar maus fígados

Se não for isso, não estou a ver o que seja!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Prognósticos?! Só depois do jogo!

Resultado:

Maria Calíope: 1 - Homens em geral: 0


Às vezes o factor casa é mesmo decisivo!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Ebulição


Parece-me a palavra ideal para descrever um 24 de Abril qualquer, no meu caso específico, o de hoje.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

1994

Pois parece que o ano de 1994 baixou em mim!

Conversar com o Senador, coisa que já acontecia em 1994, não foi uma novidade, mas agora atentem:

Mosqueteiro:  Tenho de sair agora porque tenho um jogo...
Calíope: Jogas futebol?
Mosqueteiro: Eles formaram uma equipa e eu tenho de ir...
Calíope: Ah! És o guarda-redes suplente?
Mosqueteiro: Não, não, sou melhor noutras posições!
Calíope: Ai, sim?! Quais?
Mosqueteiro: Defesa...
Calíope: Tipo Maldini?
Mosqueteiro: Assim mais encorpado...
Calíope: Ah! Baresi!
Mosqueteiro: ?!?!?!?!? Agora estou impressionado!
Calíope: Eu acho que o Roberto Baggio é o melhor jogador de futebol de todos os tempos!


Agora ao voltar da dança peguei numa revista para ir desfolhando no metro para casa e dou com o anúncio da transmissão ao vivo do concerto dos NKOTB no O2 de Londres numa sala de cinema perto de mim!!!! Oba, oba, oba! :D
E quem é que está aqui a ouvir uma playlist do youtube e a cantar pessegadas como I'll still be loving you - coisa de que há 10 minutos não me lembrava - e vai amanhã a correr comprar o bilhete? Quem é? Fixe, fixe era se fosse 3D! Mas como aquecimento para o the real thing.... aaaaiiiiiiii.... está óptimo!


Esclarecimento: Quase 20 anos depois, Maria Calíope percebe por que é que esteve em Boston em 1994 e sabia na altura a Squadra Azzurra de cor!

domingo, 22 de abril de 2012

Afinal


Ia sair com o Canelone e afinal saiu-me um mosqueteiro...
Estou na dúvida entre Athos e Aramis!

Wiwia, tinhas razão, tomatada era uma subvalorização!


Picasso, Mousquetaire à la Pipe

19º momento cultural: Les adoptés


Mais um dia e mais um filme em francês! A última meia do filme passei-a a pensar por que razão se chamava Les adoptés, na minha humilde opinião faria mais sentido se se chamasse Les adaptés... mas pronto é assim que funciona a minha mente turtuosa.
Um filme decididamente feminino, onde o triângulo composto por duas irmãs e uma mãe tem de se ajustar à presença de um homem. A mãe apoia, a irmã ressente-se. No entanto há um twist que faz estas personagens aproximarem-se todas...
O final é o feliz dentro do possível, tal como a vida, que também é feliz dentro do possível.
Acho que o filme teria a ganhar se fosse ligeiramente encurtado.

18º momento cultural: Le mec idéal

Pela primeira vez na vida vi um filme da Costa do Marfim, até poderia dizer africano senão tivesse visto uma vez um mini-filme moçambicano. A senhora que apresentou o filme, sim que isto de ir a festivais de cinema é chique pois às vezes há alguém que apresenta o filme, então a senhora disse que é um filme com o elenco praticamente 100% africano. Upa, upa! Mas então ia ser o quê?! Também curioso foi o facto da população da audiência ser maioritariamente feminina, tal coisa só me aconteceu quando fui ver o Sex and the City...
O filme é super engraçado e gira à volta da protagonista que está em idade casadoira e com quem toda a gente (mãe, amigas) se preocupa por ela não arranjar ninguém. Daí a procura por Le Mec Idéal! Para além disso, ela ainda tem um fã dedicado que sonha com ela. Enfim, gera-se um triângulo amoroso sui generis, mas no fim acaba tudo feliz qual conto-de-fadas.
Foram quase duas horas muito bem passadas, super divertidas, ainda rechedas com umas zouks bem jeitosas. Na verdade, para quem já viu vídeo-clips de kizombas angolanas, poderia reconhecer pontos de contacto com o filme. Outro grande ponto de contacto foi um dos vestidos da protagonista ser igualzinho a um vestido meu! Vai soar péssimo, mas é giro, o vestido com um tecido zebrado e um bocadinho tigreza todo plissado. Bom, acho que terei mesmo de ir a uma festa africana para envergar tanta risca!

Depois deste filme, vou ter de ter muito cuidado no festival de cinema nórdico (daqui a 15 dias) para contornar aqueles filmes pseudo-intelectuais, melancólico-depressivos!

Amanhã há mais!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Aparências

"Ok. Está combinado. Se não me reconheceres, não te preocupes, que eu reconheço-te de certeza!"

E Maria Calíope respondeu que levaria uma rosa amarela para qualquer eventualidade.
Não é o que parece.
Não há rosa amarela.
Não se trata de um blind date, apesar de qualquer ocorrência igual ou parecida lhe causarem um estranho fascínio. Maria Calíope conhece o indíviduo que proferiu tais palavras, no entanto, estas não lhe poderiam ter caído melhor. Memória e atenção são cada vez mais raras nos dias que correm. Por isso, há que desfrutar enquanto duram.

Russ Mills, Booooom!

17º momento cultural: Tomboy

Eis o festival de cinema francês e com ele comprei pela primeira vez na vida um passe para ir ao cinema!
Tomboy relata a história de uma menina que recusa o segundo X dos seus cromossomas, comportando-se e agindo como um rapaz. A história poderia ter sido melhor contada e poderia ter ido um passo além do que foi, mas vale pelo tema e por uma série de pormenores deliciosos da irmãzinha de seis anos.
Parece-me indescritível o sentimento que deve ser o de se estar no corpo errado... e para uma criança pior ainda pois a avaliação e julgamento constante dos seus pares é uma pena pesadíssima.

A páginas tantas a mãe pergunta-lhe: "Mas que solução é que tu tens?"
Não sei se essa pergunta tem resposta.

Ainda na mesma secção consular

Liguei para a secção consular:

Calíope: Boa tarde! O meu nome é Maria Calíope e há uns meses estive aí para pedir o cartão X, disseram-me na altura que entravam em contacto comigo, mas como nunca o fizeram, eu gostaria de saber em que pé está a situação.
Senhor: Boa tarde! Quando é que pediu o cartão?
Calíope: Foi em finais de Janeiro ou princípios de Fevereiro, não sei precisar bem...
Senhor: Ah! Então passe por cá para o levantar.
Calíope (surpresa): Mas já está pronto?
Senhor: É só passar por cá para o levantar...
Calíope: Mas como?!! E eu tenho de levar...
Senhor: Terá de trazer o seu passaporte austríaco, que ficará connosco durante uns dias, mas depois entrega-mo-lo de volta.
Calíope: Desculpe, mas eu não sou austríaca, eu tenho o passaporte português...
Senhor: Ah! Português?!! Como é que se chama?
Calíope: Maria Calíope, C-A-L-I-O-P-E
Senhor: E quando é que esteve cá?
Calíope: Eu estive aí em final de Janeiro e falei com o seu colega para ver se era possível eu requerer o cartão X e entreguei os papeis todos e o seu colega ficou de me ligar quando o meu caso tivesse sido aprovado.
Senhor: E já pagou?
Calíope: Não, porque o seu colega disse-me que esperasse...
Senhor: Pois, o meu colega de momento não está cá, mas ele liga quando vier. Hoje mais tarde ou na segunda.
Calíope: Ah, ok.... obrigado.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Oh mundo cruel

Acabei de receber um e-mail de um agente imobiliário. Estou fora de mim ao ponto de postar durante o horário de expediente...

Tomo isto como uma provocação com o golpe mais baixo de todos os tempos. Tentação pura. Estão a tentar pegar-me pela minha fraqueza pelas banheiras antigas com pés bonitos?!

Eu resisto estoicamente, concentrando-me no facto de a casa ser num bairro de que não gosto e ter uma cozinha em pleno corredor...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quiromância

Disseram-me que nas linhas das minhas mãos havia uma tomatada daquelas boas com queijo e manjericão ou orégãos, que um canelone era a minha sina.

Estou na dúvida se era mesmo um canelone ou um resto de lasanha que fiz no outro dia.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Milagres em 90 minutos

Numa horita e meia mal contada vou fazer o milagre de contar as proezas da dinastia joanina:

- Como é que um mestre de uma ordem religiosa sai do mosteiro e se torna no patriarca da família que dominou o mundo.
- Destino África: escapadinhas ou férias de luxo?
- Principe Perfeito, o visionário! A prova de que os genes de Afonso Henriques continuavam em terras lusas.
- Tordesilhas: como dominar o mundo sabendo contar até 370.
- D. Manuel, o totalista do mais chorudo jackpot do Euromilhões avant la lettre.
- Crianças obsessivas e manientas: os malefícios da coroação aos 3 anos de idade.
- Como erguer um Império e dar cabo dele em três passos
etc, etc, etc.
(não constará da aula o golpe de marketing do Infante D. Henrique)
e levantando a pontinha do véu, eis um belíssimo portulano de 1339

Teorias minhas



Desconfio um pouco de pessoas que ouvem recorrentemente música melancólico-depressiva...

isso e tipos cujo cabelo está puxado para trás!


Igor Lünden, Melancholia

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Imprecisão vocabular

A minha mãe consegue surpreender-me e nem sempre é pelas melhores razões:

Mãe: Estive a falar com o X e ele perguntou-me porque é que eu não lhe apresentava a Y.
Calíope: Quem?
Mãe: A Y, mas a Y não é para ele... e a tia Z disse que ela tinha um tipo, que andava com um homem casado...
Calíope: An?!!!!
Mãe: Pois por isso não dá para ele e ele também tem uma namorada...
Calíope: Casado com quem?!
Mãe: Sei lá... foi a tia Z que disse que ele era casado.
Calíope: Mas a tia Z sabe que a Y anda com um homem casado?!!!
Mãe: Sim, foi o que me disse... casado ou mais velho, agora já não me lembro bem...
Calíope: Oh mãããeeee! É a mesma coisa ser casado ou ser mais velho?!!!
Mãe: (Perdida de riso com as próprias parvoíces)

Qualquer dia desencanto um tipo de 40 e tal anos e digo lá para casa. Este é o Markus Johanssen, um tipo com quem ando a sair, sueco e casado... (entretanto com o meu pai já desmaiado e a minha mãe emudecida, corrijo:) ah! enganei-me queria dizer é que ele nasceu em 1967... mas confundi a data de nascimento com a do casamento... sabem que já não falo português há muito tempo!

Provas à prova de bala jurídica

A minha faculdade é tão fixe e tem uns processos de selecção tão claros e acima de tudo justos que se borra de medo que os alunos entrem na justiça por causa das notas das provas de selecção/entrada/exclusão dos respectivos cursos. Para isso, as provas de cultura têm de ser feitas em alemão... para que o departamento jurídico possa perceber do que se trata, em caso de necessidade!
A minha prova é linda porque fala do König Afonso Henriques, do Grafschaft Portucalensis, da Eroberung Ceutas, dos Lusiaden, da Nelken Revolution, etc, etc. Mais lindo que isso só o sol e o facto de não ter tido muitos erros na redacção da mesma!

domingo, 15 de abril de 2012

Rendidíssima

Encontrei surpreendentemente Bran Flakes no supermercado, encontro que já não se proporcionava desde os idos do final dos anos 90 num Continente qualquer à beira-mar plantado. Bom, para além da versão normal, ainda há um upgrade com maçãs e figos frescos desidratados (parece esquisito, mas é óptimo).
Se isto assim já seria fabuloso regado com 10 pingas de leite (que eu tenho horror a cereais afogados... ou moles) ainda fui brindada com saldos de morangos num outro supermercado. (Possivelmente são de origem escrava numa estufa qualquer no sul de Espanha, mas seria melhor deixar a comida apodrecer ou comprar morangos ao preço da chuva?). Toca a cortar meia dúzia de morangos e deitar para a tigela de cereais (obviamente antes das 10 pingas de leite para não correr o risco dos flocos amolecerem).
E eis o melhor pequeno-almoço dos últimos tempos!

sábado, 14 de abril de 2012

Cara-de-pau

Numa festa encontrei surpreendentemente um (antigo?) colega do meu ex-namorado. Da última vez que nos vimos, eu ainda estava com o Valete, ele andava com uma amiga minha (relação igualmente gorada). Julgo que agora eles já nem colegas são.
Depois de ter conseguido evitá-lo por uma boa meia-hora, o tipo viu-me e eu não tive como fingir que não o tinha visto. Pus o meu melhor sorriso e após "Ah-Olá-tudo-bem-sim-e-tu-também-também" claro que não houve mais conversa possível da minha parte. Não me interessava saber dele, não tinha interesse em contar-lhe da minha vida, os assuntos que tínhamos em comum desapareceram das nossas vidas (quer dizer, a minha amiga continua minha amiga mas por isso mesmo ela deixou de ser assunto).
Ainda tive de ouvir à queima-roupa "Ah! Lamento imenso que o Valete..." que foi logo interrompido por "Não quero falar desse assunto. Não me interessa!" e ele continuou à minha revelia "Mas eu quero que tu saibas que eu lhe disse que devia ter falado contigo..." Pois, bom para ele...
Sacrista!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Escadas



Tinha um encontro marcado nesta escadaria amanhã de manhã. Mas afinal Deus é um porreiraço e mandou alguém comprar a casa antes (ontem) para me poupar a visita. O tempo escasseia e eu esbocei um novo plano de ataque. Se calhar deveria ter seguido arquitectura.

Azulejos

Gosto da palavra azulejo, gosto de azulejos em si, o mais tradicional possível e, apesar da relação óbvia, nunca associaria de imediato azulejos a casa-de-banho.

Ontem em conversa com a minha médica russa, ela dizia que gostava muito de Lisboa, mas que tinha achado curioso "haver aquelas coisas da casa-de-banho em todo o lado". Numa fracção de segundo: coisas da casa-de-banho são sanitas e banheiras. Na fracção de segundo seguinte: ela explicou do que estava a falar.
Enquanto me fazia o tratamento, pus-me a pensar o que era ter um painel de azulejos da Batalha do Salado ou do Milagre da Rainha Stª Isabel na minha casa-de-banho... Não dava porque não tenho assim tanto espaço livre, ao que se acresce o facto de ter a casa-de-banho separada por duas divisões...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Toma lá, dá cá

Na segunda fiz (wanna be) areias de Cascais, que levei para o escritório no dia seguinte. O meu chefe sueco e a minha colega eslovena não tiveram dúvidas que pareciam aquelas bolachas escocesas com muita manteiga! Mas o que eu gostei foi de ver o meu colega italiano a armafanhar-se às bolachas e a encher a boca como se fosse o fim do mundo e ele tivesse de armazenar tanta energia quanto possível.
Hoje o colega escocês trouxe bolachas escocesas originais (daquelas boas que eu comi na Irlanda) como quem diz "vocês não se confundam. Isto é o original, aquela mistela de ontem não passava de uma falsificação barata". Claro que eu preferi o original, mas ainda vi os meus coleguinhas a lambuzarem-se pelas minhas bolachas home made.
Hoje fiz tâmaras com bacon, assei uma alheira de marisco e ainda havia pão de azeitonas e pão de nozes e balchão para entrada. O prato principal foi um arroz de marisco que me saiu como nunca. Para terminar um crumble de maçã banhado em vinho do Porto. Tudo isto regado com vinho verde e água!
Vamos ver o que há amanhã para me compensar :) 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Guarda-roupa

Ontem estive a arrumar o meu, pois as montanhas aos pés da cama poderiam ruir a qualquer momento . Fui bem-sucedida praticamente a 90%.
Se pudesse ter o guarda-roupa de alguma pessoa da minha família seria o da minha avó (apesar de durante anos ter surrupiado camisas, cintos, cachecóis e talvez até uma gravata ao meu pai). A minha avó era sem dúvida um ícone de elegância. Não havia roupa casual para sair de casa. Se era para sair de casa era para ir aprumada, com o pó passado pela cara, com sapato de salto, com casaquinho a combinar com o vestido, tudo feito à medida por uma costureira. Na Missa do Galo, o casaco de peles era presença obrigatória.

Ainda hei-de ter de calcorrear muito caminho para chegar aos calcanhares da minha avó, até lá o meu estilo singular vai manter-se ao nível dos artistas incompreendidos. Eis algumas conversas que me fazem tirar essa conclusão:

Amiga: E como foste vestida (a um casamento)?
Calíope: Levei um vestido azul simples com umas rendas e missangas bordadas na parte do peito. Mas queria porque queria levar uma coisa qualquer na cabeça. Acho que um casamento em terras anglófonas obriga a um adereço qualquer na cabeça. Acabei por descobrir um penacho simplezinho mas engraçado.
Amiga: Tipo pássaro morto?!

Calíope: Epá que frio... Devia ter trazido o meu chapéu...
Conhecido: Hmm...
Calíope: No Inverno costumo andar sempre de chapéu.
Conhecido: Gorro...
Calíope: Não é um chapéu de feltro, assim normal, mas mais masculino... (e mostra uma foto)
Conhecido: Ah! À Michael Jackson?!

Calíope: Olha viste os meus collants novos?
Irmã: Sim.
Calíope: O padrão é igualzinho ao da saia, reparaste?
Irmã: Sim.
Calíope: E que tal?
Irmã: É um bocado apalhaçado...

Calíope: Oh mãe, lembras-te daquele vestido que comprámos em Goa?
Mãe: Sim.
Calíope: Como é fininho e curto, estava a pensar usá-lo com um outro vestido por dentro, que é tipo camisa comprida. Assim aproveitava a gola e as mangas...
Mãe: Mas não ia parecer que saiste de casa com o pijama vestido?

Pai (ao ver-me no skype): Olá! Estás com um pijama castanho e azul com florinhas?
Calíope: Olá Pai! Não é pijama... é um vestido com cornucópias...



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Update - Propósitos de 2012

A Páscoa marca o início de um novo ciclo, de uma nova vida para qualquer pessoa que, em vez de enfardar amêndoas e ovos de chocolate, pense um bocadito mais no motivo e no significado destes feriados e na tradição judaico-cristã onde estamos inseridos. (Cá não há amêndoas e eu não gosto de chocolate, mas a Páscoa estende-se até segunda e eu estive a pensar nestas coisas enquanto dava belas braçadas na piscina ali abaixo). Nessa medida, julgo que seria uma boa altura fazer um balanço dos propósitos do ano novo com direito à respectiva actualização, se necessário.

Então vamos lá:

Coisas que dependem de mim:

- Apartamento: Já devo ter visitado uns 30 apartamentos. Apesar de alguns serem fantásticos ainda nenhum fez full house para ser a minha próxima casa. Ainda há muito caminho pela frente, mas já levo uma bagagem que não tinha em Janeiro. Até já sei o preço do metro quadrado de cada bairro e dos meus preferidos de cor!

- Tese: Zero! A grande falha... nem há o que apanhar pó ou ganhar teias de aranha.

- Plano Erasmus: Berlim foi genial e já está a dar frutos. Agora que venham Mainz e Giessen! Há outras movimentações em curso (nem que seja mental). Está a sair melhor do que o previsto!

- Concerto NKOTB: Faltam 3 semanas, tudo marcadinho. Nem acredito...

Coisas que não dependem de mim:

- Aumento: Na verdade foi um mini-aumento, mas já cá mora!

- Gajo: Hmmm... prefiro não falar desse assunto por agora para não agourar.

- Dias de sol: Têm estado cá. Confere!

Clássicos:

- Viagens: Uns dias em Berlim, outros na Irlanda e agora um fim-de-semana na Hungria não me enchem o olho... mas ainda vamos em princípios de Abril.

- Saúde: Que eu saiba anda toda a gente riginha!

- Cultura: Curiosamente tem sido um ano so far bastante cinéfilo, vamos ver se a tendência se mantém ou varia.

Adenda:
- Que o meu freak magnet seja desligado ou que eu consiga passá-lo a outrém.
- Que os projectos (extra) em que me meto sejam bem sucedidos.
- Que tenha saúde e bom senso para ultrapassar obstáculos.

Negão do momento VII: Rachid Alexander

E olhem o coelho de Páscoa que me surgiu saltintante pela frente - o outro, que me apareceu no prato, marchou que foi uma maravilha - assim do nada: Rachid Alexander

Depois de ver este tipo, reflecti e cheguei à conclusão que afinal pé de valsa já não me chega (entre todos aqueles outros critérios de selecção de gajos que eu tenho e que têm sido tão úteis que eu julgo ser necessário acrescentar mais parâmetros à lista), quero um tipo destes cá para casa, que ondule os braços, que ondule a coluna, que abane as ancas disciplinadamente e que faça um schimi melhor do que eu (estático e em movimento)... que se mexa assim, pois não quero ser a única a artista de variedades cá de casa!

domingo, 8 de abril de 2012

16º momento cultural: Et maintenant on va oú?

Este filme não poderia ter feito mais sentido em dia de Páscoa.
Muitas vezes olho para o passado e penso quão absurdo foram todas guerras religiosas, Cruzadas inclusive, no instante seguinte ocorre-me que ainda hoje se mata em nome de Deus e que as guerras religiosas mantém-se, só que se tornaram mais sofisticadas.

Este filme mostra como é que de forma ora divertida ora dramática como nos poderíamos abstrair das pequenas diferenças que nos distinguem (mesmo que sejam religiões com mais de mil anos de história) e concentrarmo-nos em tudo o resto que nos une.

Erróneo seria pensar que estas coisas apenas acontecem em sítios longíquos, pois parece-me que, numa medida menor, situações destas povoam o nosso quotidiano.

Termas húngaras

Parece que esta aguinha termal e os mil graus da sauna fizeram maravilhas pela minha pele. Quem me viu é que mo disse, pois eu não sou assim tão sensível a essas diferenças! :)
O tiro no escuro que foi esta escapadinha de Páscoa foi mais certeiro do que se tivesse olhado para o alvo. O sítio não poderia ser mais imperial. Majestoso mesmo! A comida foi de bradar aos céus! E até marchou um belo coelhito, o que não poderia ser mais a propósito, coisa que o meu paladar nunca tinha degustado, por eu achar os coelhos animais queriduchos. Mas este soube-me a frango, mas numa versão mais requintada!
Outro pormenor delicioso foram as espreguiçadeiras em ferro à volta da piscina, com rodinhas  na parte de trás. Como é que nunca me tinha ocorrido que poderia haver uma alternativa às espreguiçadeiras de plástico?!

Isto tudo ainda regado pela simpatia dos empregados e connosco a passear de robe e chinelos por salões do palacete. Estávamos em casa...

sábado, 7 de abril de 2012

Amizade eterna

O meu toshibinha e o hotéis com wireless nos quartos!

Cenas imperiais

Isto de viver num sítio que ainda respira ares K&K* entranha-se.
Portanto, fazendo de conta que o Império Austro-Húngaro ainda existe, vou ali a(os) banhos (possíveis) à província!

 Szidónia Manor House

K&K = kaiserlich und königlich = real e imperial

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lei das compensações

Não vou escrever uma carta de recomendação assim umsonst*, mas parece que vou trabalhar à borla para um filme... A vida é mesmo assim... poupa-se na farinha gasta-se no farelo.
E parece que o Universo está a piscar-me o olho. Parece. Mas hoje é Sexta-feira Santa e por isso não se fala de carne!

* sem sentido, gratuitamente, ...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um dia hei-de conhecer um tipo giro que me vai mostrar uma casa

Hoje foi o dia.

Se calhar vi demasiadas comédias românticas com a Meg Ryan, mas desde que comecei à procura de casa, ocorreu-me que também poderia conhecer um tipo giro assim tipo pacote! Conheço um caso assim...
Ao fim de 3 meses e se calhar quase 30 casas visitadas, apareceu-me o tal. 
Mas a dona da casa também lá estava, assim com o ar de mãe-sogra-e-porteira-em-simultâneo.

No fim ele deixou a senhora à porta do elevador e foi acompanhar-me até fora, dizendo que afinal o preço era negociável e mais uns extras!

Pronto essa parte já está, agora que venha a casa!
 
Nick Carter

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Honestidade

Foi no 2º semestre em que dei aulas na faculdade que me deparei com o drama de ter de chumbar uma aluna. Drama porque para mim é sempre um drama dar uma má nota a um aluno meu. Se o aluno tem má nota significa que eu não fui grande professora. Melodrama porque a miúda chorava e dizia que se tinha esforçado e estudado e feito e acontecido... e eu por fora impávida e serena (por dentro a comover-me) a dizer que não dava. No caso concreto a miúda teve azar de ter como colegas a turma mais genial que eu alguma vez tive... e assim a fasquia estava muito alta. Bom, por essa ocasião, aquela parte de  mim que se comovia com o choro, baba e ranho, pensava que era um rabisco que eu teria de fazer que não me iria mudar nada na vida. Escrever 4 ou 5 era igualzinho para mim, mas para ela significaria chumbar ou passar. Era injusto para mim ser um número (qualquer) e para ela ter valor. Eu ali tinha o poder para a salvar da choradeira. Mas pensei que mais do que ser poderosa, eu tinha era de ser honesta comigo e com a minha profissão e a miúda tinha feito uma prova miserável, mal falava português e não tinha ideia nenhuma de lírica. Teve 5. Chumbou. Nunca mais a vi. Talvez tenha mudado de curso.

Hoje recebi um email de um colega (de escritório) meu que foi aluno na faculdade onde dou aulas. Não nos dávamos bem nem mal, era uma relação cordial mas não diria próxima, tirando o facto de ele ter conhecido aquela que veio ser sua esposa numa festa de anos minha. Tínhamos conversa de ocasião. O indivíduo mudou-se para fora da Europa há um ano e hoje escreveu-me a pedir que lhe escrevesse uma carta de recomendação, na minha qualidade de leitora da Universidade de Viena. Não sei sequer para o que era, mas que queria envelope timbrado e assinado por mim.

Eu fiquei parva. Ele deve ter tido pelo menos uns 20 professores diferentes... Eu nem sei o curso que ele tirou na minha faculdade, nunca o vi lá, pouco falávamos sobre temas académicos e ele quer que eu o recomende?! Já devo ter escrito dezenas de cartas de recomendações para os meus alunos, umas mais recomendáveis do que outras, mas a alunos meus, a pessoas cujo trabalho eu conhecia e nunca para fazer um jeitinho ou encher chouriços.

Não estou com certeza a competir por ser a pessoa mais honesta do mundo, mas pretendo ser honesta no trabalho que faço e acima de tudo comigo mesma. Não vou escrever carta de recomendação nenhuma.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Glendalough

No domingo fui passear a Glendalough, em irlandês: vale dos dois lagos. Supostamente ia fazer uma caminhada, após uma hora de andar e de uns 10-15 minutos a subir, desisti do percurso curto e fácil de duas horas e resolvi voltar para trás. Sentei-me imenso tempo à beira deste lago a apreciar as vistas e toda a movimentação de pessoas ao seu redor.
Pelo caminho e a pensar se enumeraria este como um momento cultural, decidi que etimologicamente não era o mais apropriado.
A cultura surgiu como oposição à natura. O natural aparecia e o cultural era trabalhado por mão humana. Assim, no meio do nada apercebi-me que sou mais dada à cultura do que à natureza, não são campos verdes, não são lagos profundos, não são vistas de cortar a respiração, nem árvores estonteantes que me fazem correr o sangue nas veias.

Por coincidência ou talvez não as poucas fotos que tirei deste passeio foi à capela de St. Kevin. Fiquei impressionada por ser toda feita de pedra, telhado inclusivé.

Outra coisa fantástica e digna de menção foram as bolachas que comprei meio ao calhas num supermercado qualquer a pensar que no meio da caminhada iria precisar de qualquer coisa doce.

Até estou tentada a tentar fazer as bolachas aqui mesmo em casa, a ver se saem iguais!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

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Tenho estado a reparar nestas últimas vezes que tenho ido aqui e ali por mais ou menos dias que chega a uma altura e só quero voltar para casa.

Não sei se é do sítio onde estive, não sei se será de mim ou até da própria casa, mas devo ser a única pessoa que parte tão entusiasmada quanto regressa!

domingo, 1 de abril de 2012

15º momento cultural: Wrath of the Titans

Digamos que mitologia grega e filmes em 3D não é uma combinação provável ou expectável. No entanto foi o que se passou ontem. Fui ver o Wrath of the Titans, sem saber bem ao que ia. Confesso que passei o filme divertida a ver o Perseu e a lembrar-me do Lottar Matthäus e a olhar para Zeus, Poseidon e Hades e a pensar que qualquer semelhança com Gandalf, Saromon(?), Moisés ou Deus, o próprio, não poderia ser coincidência, não obstante alguns cenários-senhor-dos-anéis. Ainda no âmbito das personagens ainda havia o Ares com uns chumaços em penas geniais, pena ter de ser ele o mais asseadinho de todos a fazer de mau da fita. Além disso passei o filme todo a cismar que conhecia Hades e conhecia mesmo antes de lhe terem passado o ferro de alisamento no cabelo: ele era o Heathcliff há 2 décadas atrás (Ralph Fiennes).

A história não era grande coisa, não contribuindo para o facto eu não ter visto o filme da triologia(?) e desconhecer a sua existência. De qualquer modo, os efeitos 3D são do outro mundo. Nunca me tinha ocorrido sentir-me enclausurada num filme (sim, sou claustrofóbica) nem ter vertigens (sim, tenho medo de algumas alturas). Nessa medida, achei que os efeitos especiais fantásticos.