terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Hochdeutsch

Estou em Berlim num sítio giro-giro-giro que me faz lembrar Hong Kong :)

60 minutos na Bundesrepublik e já tinha um Deutscheburger giro-giro a dar-me indicações como chegar ao meu hotel. Tendo em conta que estão -6º não era selbstverständlich que alguém tire os phones, as luvas, saque do iPhone, abra o Google Earth ou Maps ou o que era para me mostrar como chegar e ainda se desculpe não estar a ser muito eficiente porque não tinha o telefone há muito tempo. Eu com uma das mãos já congeladas mas cheia de vontade de lhe perguntar por um contacto ou pelo menos ir jantar logo de seguida... mas nem todos os dias acordo com cara de pau ;) por isso limitei-me a Vielen lieben Dank! Schönen Abend! (Que totozona, eu sei!)

Amanhã ponho os meus cartões de visita num sítio pronto-a-dar!


Descolagem

Estou preparadíssima para a 1ª paragem do meu plano para este ano. A 2012 foi atribuído o Plano Erasmus, nome foi escolhido a dedo, dado o Elogio da Loucura ser algo que me acompanha há anos... Na verdade, já dizia Shakespeare que de louco, de poeta e de outra coisa qualquer temos todos. Enfim uns mais do que os outros. Acho que em mim deve ter caído mais a "outra cena qualquer" :)

Bom, estou no aeroporto pronta a embarcar. É do senso comum que a maior parte dos meus planos incluem aeroportos... e gosto especialmente quando o meu toshibinh funciona sem muita ronha e as ligações wi-fi funcionam!

Até mais logo!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Peso

Desde sexta que ando com uma ligeira maleita no pescoço. Não sei de onde veio e muito menos para onde vai, não lhe dei importância suficiente e por isso ela achou que deveria dar melhor o ar da sua graça. Hoje acordei lá pelas 6:30 sem saber o que fazer com a cabeça, com o pescoço, com as almofadas, com o ederdon. Não tinha como me pôr para voltar a dormir. O pescoço doía-me, a cabeça pesava-me, tentei arranjar a almofada, fazer do braço almofada, do ederdon almofada e por aí fora. Esta actividade demorou mais de duas horas e em simultâneo ia praticando a coreografia: rodar sobre si mesmo e parando em todas as posições. Uma animação pegada. Ao chegar ao escritório já não sabia o que fazer à cabeça... parecia que tinha uma bota de esqui atada à parte de trás direita da minha cabeça, o que para além de nada estético, também não é nada prático e pior é doloroso e incomodativo para quem tem uma série de trabalho para despachar. Uma vez que ir ao médico não faria sentido pois não tenho tempo esta semana para um eventual tratamento optei pela farmácia. O gel fez efeito com um pouco de insistência e no fim do dia até fui à dança. Foi divertido dançar sem mover o pescoço. Deu para ver melhor a figura que faço a dançar e não é que o que a imagem que eu tenho de mim a dançar NADA tem a ver com a realidade?! Conclusão: a falta de flexibilidade do meu pescoço e peso na cabeça apuraram-me a visão e o sentido crítico!

(Podia ser um Transformer, mas não, é mesmo uma botinha linda de esqui que deve pesar uns 5 kg)

domingo, 29 de janeiro de 2012

3º momento cultural: esqui

Se o estimado leitor duvida da incursão do esqui nas minhas actividades culturais, passarei a explicar que o esqui na Áustria é cultura. As crianças começam desde o berço com aulas de esqui, torneios como os Quatro Trampolins passam em horário nobre e localidades com nomes parvos como Kitzbühel passam a ser chiques.

Estando isto esclarecido, concentremo-nos na minha incursão neste fenómeno de popularidade. Se o dilecto leitor se recordar, não se tratou de uma estreia, mas confirmei tudo o que já tinha achado da outra vez.
A grande diferença desta vez foi ter um instrutor que andou connosco a dar-nos indicações passo a passo. Faz toda a diferença. Não caí milhões de vezes como da primeira vez. Ainda estarei longe de ir sozinha para as pistas azuis ou sequer aproximar-me de livre vontade a um teleférico, mas notei progressos e alguma confiançazinha em mim. Sou uma azelha nata nas curvas, não é que não curve, mas são os esquis que decidem para onde vão e eu deixei-me levar. Por outro lado consegui controlar a velocidade e travar bastante melhor. Prefiro o travão às curvas. De qualquer modo, não me parece que seja para mim um momento a ser cultivado com muita frequência. Meia dúzia de horas num espaço não muito oblíquo uma ou duas vezes por ano e eu dou-me por satisfeita, mais do que isso parece-me abusar da sorte. Voltei para casa sem nada partido. Estou mais do que radiante!

Talvez para a próxima tente esqui de fundo :)

2º momento cultural: Esquinas de Alfama

Fiz uns bons 60 km para ir ver os Esquinas de Alfama, uma vez que o concerto em Viena esgotou com mais de um mês de antecedência. Tendo isto em mente (concerto esgotado) esperava mais, mas na verdade foi um serão bem passado. É uma abordagem ao fado, talvez mais autêntica e de certeza diferente das últimas que assisti, menos profissional, menos trabalhada, mais genuína. A partir do momento em que a senhora mais velha alterou a letra toda do meu fado preferido (Barco Negro), cantando a história de uma escrava negra de chibata na mão na sanzala a amamentar um bebé branco, amuei. Foi metade da 1ª parte que me sentei e encostei a cabeça à parede quase adormecendo. Na 2ª parte lá arrebitei e até cantei animadamente a Cheira bem, cheira a Lisboa!

Mas o mais caricato do concerto foi este ter sido num espaço de acesso a uma sala de cinema.... o filme da dita sala começou antes do concerto começar, mas a meio da segunda parte o concerto parou, para que as pessoas do cinema saíssem... Percebem agora o que eu digo quando me refiro à má organização do espaço austríaco?!

Também curioso foi no fim ter trocado algumas palavras com 2 membros do grupo e um deles ter lançado um "Ai, mas fala português tão bem!". Eu fiquei bastante feliz por ao fim 9 anos de Viena ainda me dizerem que falo bem português (o que me dá bastante jeito para as minhas profissões), mas esclareci o senhor que era lisboeta!

A arte da construção austríaca

Se calhar sou eu que sou picuinhas (é bem possível, picuinhas, comichosa, manienta, etc e isto em dias bons, pois pode sempre piorar), mas cozinhas austríacas ultraprassam-me. Ora reparem nas diferentes modalidades:
- cozinha na entrada
- cozinha corredor
- cozinha aberta na sala (cozinha americana)
- cozinha como único acesso para o quarto
- cozinha sem janelas
- cozinha com janela para o vão das escadas

e a de hoje:
- cozinha com janela para o vão das escadas mas com parede falsa por dentro...

O comentário que se me proporciona: eles não sabem cozinhar e são grandes fãs de microondas.
Querem comentar vocês?

(Amanhã se eu voltar ao meu toshibinha numa peça só, o estimado leitor será presenteado com um pacote de momentos culturais :))

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

1º momento de encher chouriços

Não pense o estimado leitor que a vida de Maria Calíope são sequências de dias em modo carnavalesco, nada disso, embora às vezes quase pareça. Os dias de Maria Calíope repetem rotinas já bastante desgastadas ou então deparam-se com momentos bastante enfadonhos, onde de quando em vez lá surgem umas pinceladas de cores. Face a esse quotidiano acinzentado consistiria em distorcer a realidade só apresentar aqui mergulhos coloridos. Por isso, eis que surgem os momentos de encher chouriços e vamos começar já em grande.


Fernando Botero, Bather on the beach

Lá por ter deixado a minha tese a apanhar pó, não quer dizer que não vá às aulas do doutoramento. Vou indo de vez em quando para dar o ar da minha graça, pois sei o que é ter uma sala de aula só com alunos desinteressantes. Hoje era o último dia e eu lá fui picar o ponto, apesar de já o ter feito na semana passada.

O tema da aula de hoje era (preparem-se) a estandartização do irlandês em comparação com a do occitano. Antes de mais há que dizer que a colega ficou mais de uma hora a falar sobre o tema mas depois ainda houve perguntas E discussão sobre um e outro aspecto abordado! (Lamento mas eu venho de outra área e não consegui acompanhar bem a matéria portanto nem me peçam para fazer um resuminho mas das poucas coisas que percebi é que o irlandês tem quatro normas... é uma bela pena de prisão perpétua para uma língua desta dimensão)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ano do dragão

De há uns anos para cá, aderi ao ano novo chinês! Como o atento leitor saberá, eu só simpatizo ligeiramente com o ano novo (juliano) desde que comecei a detestar o Natal, mas o ano novo chinês é diferente. Tem brinde! Deixa-nos um ano inteiro ao sabor dos humores de um animal. É no mínimo criativo. Mas desta feita, ao fim do ano, roda o palco e sai outra figurinha!
Este ano saiu-nos o dragão, que nem bem animal é, mas parece que para nativos de cavalo, como eu, as coisas não vão ser nada más. Como não li este ano os desígnios da Guia 2012 para os nativos de escorpião, aproveito o horóscopo chinês para orientar o meu ano.


Horse in 2012 will be close in spirit to the general mood of the time. Like the Black Water Dragon, he loves parades, festivals, public processions, and honors, and can withstand any test to become a triumpher at the end of the period. A representative of this zodiac sign need not dissipate his energies on many types of activities - he should just select the most productive for himself, and seek for their deep and careful execution. All Horse's thoughts must not be frivolous in nature - he must be extremely careful and serious so as to be ready to adequately encounter both challenges and successes in his affairs.

Horse will be in the spotlight, he very much likes to communicate, and people around him will help him expand his field of view, look at problems from different angles. A Horse, who is occupied in creativity, organization of cultural events and festivals will achieve maximum success in his work while in his favorite element of communication and creative inspiration. In early 2012, events will not immediately overwhelm him, allowing him to get his bearings in a new period of time, and to carefully plan his activities. The enthusiasm and activeness of a representative of this zodiac sign can carry him forward to conquer the peaks, but now it is especially important to remain calm in his activities, not to try and take things by storm, but carefully work on small details. During this period, Horse may begin to climb the corporate ladder, change his job, and find an additional source of earnings. He will be pleased with his finance, and by spring he will receive a tangible increase in his salary or bonus for active work. In spring of 2012, the favorable position of the planets will give Horse a second breath, he will be able to solve intellectual problems and untangle the complicated web of his own affairs. This period will increase his income and relative financial stability, Horse will be involved in other promising projects, as well as acquire necessary things for the home. In summer, Horse's affairs will acquire a high turn round. He will not have a rest because literally every minute will see the emergence of new problems and affairs that will require his immediate solution. In this race of affairs, Horse may be carried away by forward movement and speed, forgetting to pay attention to small details. Such movement can lead to significant omissions at work, so in summer, a representative of this zodiac sign should slow down his pace even slightly. Horse should pay particular attention to the field of communication, not engaging in confrontation, and trying to cooperate and be as open and attentive to people as possible. In autumn, Horse should watch out for irritability, nervousness - fatigue will accumulate, which may affect the state of his health. This period is good for general cleaning in all affairs and areas of Horse, summarizing and planning for future affairs. Affairs requiring extreme stress and financial investments should be postponed to a later period.


With the advent of 2012, Horse will be full of romantic mood, he will be happy to flirt and meet new people. Spouses will have a favorable period for the development of their feelings, while a single horse can find love just at the brink of 2012. Spring will pass in the wave of agreement and understanding between the spouses, but summer may complicate their relationship, adding tension and irritation. In autumn, Horse will be more flexible, he will want home warmth and comfort, will focus on family communication more than on social connections. Spouses can afford a romantic vacation. A single horse will be ready for a landmark meeting with his/her destiny.
 

A vida de artista

Ontem era vedeta de cabaret e capa de revista, hoje estou atirada para um canto sem ninguém querer saber de mim. É duro ser artista de variedades.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gap Year

Estava a ler o post "Sair Daqui" do Pedro Rolo Duarte e claro que me revi nele, tanto à janela como a passear pela rua. Gostava de pegar em mim e ir por aí, assim ao sabor de vento, aprender coisas do mundo e ao fim de um ano voltar ao mundo real. Na verdade, já tinha pensado que quando acabasse o meu doutoramento gostaria de tirar 3 meses para dar umas voltas pelo mundo.


Mas eu sou daquele tipo de pessoa que não vive sem relógio, calendário e agenda. Não sei se alguma vez terei coragem de largar tudo e ir por aí, mesmo que fosse por um tempo limitado, mas que gostava, gostava.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Não é para casar
É só para dar umas voltas

A média de dois casamentos por ano foi ontem inflacionada pelo 3º convite para 2012. (Ok, 2011 contou também com um 3º convite que foi declinado).
O bom ou o mau dos casamentos para os quais tenho vindo a ser convidada é que eles têm sempre lugar algures no mundo. Os previstos para este ano eram um em Galway (Irlanda) e outro em Almeirim. Ontem fui surpreendentemente convidada para uma boda num dos meus destinos de sonho. (A par do Dubai, desde que tenho uns 15 anos, Trás-Os-Montes sempre exerceram grande fascínio sobre mim - não me perguntem porquê - não estou a gozar). Ora o casamento é em Vila Real e eu até gostava de ir, mas não me estou a ver a ir sozinha lá para trás dos montes. Assim, ou alguém se voluntaria para ir dar umas voltas comigo ou eu vou muito possivelmente ter de declinar o convite. Isto de não ter um par fixo para ir a eventos sociais deste nível e fora de portas é uma chatice pegada... igualmente dispensável era ter de apanhar 20 transportes, alugar um carro e sei lá mais o quê para chegar aos sítios. Para quando casamentos em centros urbanos de grandes metrópoles?

sábado, 21 de janeiro de 2012

Piquinhices minhas

Como novo critério de procura de casa (sim, já não basta ser central, ampla, com metro à porta, bem iluminada, 3 assoalhads e barata) resolvi que quero morar num sítio cujo nome consiga dizer de uma vez só, sem me engasgar e akzentfrei.

Assim excluem-se apartamentos em Matzleindorferplatz bem como na Rienößlgasse.

Vou ter de aplicar tanto tempo e dinheiro neste investimento que de momento dou-me ao luxo de arrogar-me a este tipo de pormenor! (É pena que a Zeitgasse - Rua do Tempo - não tenha metro à porta (nem apartamentos à venda) pois seria uma bela morada para mim!)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Heute

Melhor do que ter amigos do ramo imobiliário e/ou arquitectos, é ler o horóscopo do jornal gratuito do metro. Ontem dizia que eu ia sentir-me completamente fascinada por qualquer coisa (e eu achei que era um gajo, que totozona!) e hoje que não devia exagerar acerca da minha estabilidade financeira.
Resultado: ou o preço do patinho feio cai para metade ou eu prefiro um patinho bonito :)

Incredible India - Goair IV



Cumprindo rigorosamente a Lei de Murphy, o dia para o qual ficou marcado o photo-shooting foi um bad hair day... Era triste ficar recordada para toda a eternidade como despenteada, por isso peguei em mim e saí de casa com a missão de encontrar um cabeleireiro para me esticar o cabelo.

Fui a um sítio, onde dois dias antes tinha ido fazer uma massagem, com a ideia de que seria um cabeleireiro. Sim, era um arrançado de cabeleireiro, pois só cortavam... e depois era cada um por si e Deus por todos. O rapaz foi simpático e perguntou se eu não queria outra massagem, mas não, eu queria era mesmo um alisador de cabelo!
Ia a caminho de casa quando dei com um supermercado (ou qualquer estabelecimento comercial que eu identifiquei como supermercado) e mudei de plano. Resolvi comprar um daqueles produtos que definem os caracóis e pronto, lavava o cabelo em casa e sempre ia com o meu ar natural veranil de cão de água. Só havia produtos de alisamento...



Voltei ao meu caminho para casa já quase convencida que seria recordada em toda a posteridade como "a despenteada que apareceu no jornal", quando pára um indivíduo de mota à minha beira vindo sabe Deus de onde e me pergunta: Quer alisar o seu cabelo?
Eu completamente incrédula disse que sim, já à espera de ver abóboras a transformarem-se em riquexós. O rapaz disse-me que fosse ter ali com um outro tipo que sabia onde poderia alisar o meu cabelo. Eu fui. O segundo tipo acompanhou-me até uma tabuleta que anunciava um cabeleireiro e depois eu segui a seta sozinha.


Patinho feio


Encontrei uma casa assim um bocado feia em comparação com as 8 ou 10 outras que já vi, mas num sítio muito melhor. É maior e com as divisões em sítios normais e plausíveis. É mais cara do que eu queria e a ficar com ela vai requerer obras. No entanto, entre alcatifa gasta e papel de parede, eu vi ali muito potencial...

Vamos começar a angariar fundos para a casa e para as obras? Todos juntos, vá! Quem participar tem direito a ajudar-me nas mudanças :)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

1º momento cultural - 2012 (Incredible India: Goair III)

Tal como prometido, eis o regresso dos momentos culturais. Regresso em grande com uma grande produção dos estúdios de Bollywood: Players!

Fui logo ver no dia da estreia para não perder tempo e confirmei as impressões que tinha ficado com o Don 2. As produções de Bollywood vão muito além dos filmes de 3 horas onde de 10 em 10 minutos há uma cena de dança colectiva. Se Don 2 passava pela Tailândia, Índia e Alemanha, este Players começa em Amesterdão, tem como cenário principal a Nova Zelândia, sendo que a Rússia e obviamente a Índia tem importância no decurso da história.


Tive pena de não perceber hindi para perceber algumas das piadas, mas isso não foi impedimento para perceber o que se estava a passar... Possivelmente o filme teve quase 3 horas, no entanto eu nem dei pelo tempo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Gente de nível

Julgo que as pessoas também se classificam pelos seus pares. Se conhecerem os meus amigos e as pessoas dos meus círculos mais próximos (sim, é plural) podem tirar um retrato praticamente fiel à minha pessoa.
As estrelinhas atraem-se... e a minha em particular repele a mediocridade.

Indredible India - Goair II

Omiti por completo o facto de ter ido a um casamento. Assim num ranking repentino poderia classificá-lo como o pior momento da viagem. Na igreja eu estava toda divertida a observar toda a gente e respectiva vestimenta. Cheguei rapidamente à conclusão que o bom dos casamentos - ou qualquer evento social na Índia - é que não há pessoas underdressed. Se há coisa que não me cabe na cabeça é pessoas irem para casamentos de calças de ganga ou como quem vai para um piquenique. Isso não existe em Goa, pois até as crianças vão de fato ou vestido.
Acontece que a páginas tantas já na boda propriamente dita, comecei a desfalecer psicologicamente. As memórias do Valete e do último casamento a que fui com ele como acompanhante começaram-me a aterrorizar, a musiquinha com juras de amor eterno até poderiam fazer pendant com a ocasião, mas não ajudaram em nada a melhorar o meu ânimo. As lágrimas quase me saltaram dos olhos quando a minha mãe vinda da pista de dança sai-se com "Oh Calíope tu não dançavas tango?! Vai lá dançar com o pai!". O meu esforço foi hercúleo para manter as minhas trombas e não desatar num choro sem fim.
Felizmente papai e mamãe estiveram mais tempo a rodopiar na pista de dança do que sentados na mesa - alguém que se tenha divertido - por isso nem repararam no meu estado lastimoso.

(Adenda: Na verdade este post foi escrito há dois dias, mas acaba por se enquadrar tematicamente com o que acabei de escrever, o post de 17 de Janeiro às 23:54... Eu sou mesmo visionária...)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Bolas... pá...

Acabei de saber que o raios-partam-do-valete tem uma gaja qualquer...
Eu não queria que o teor dessa informação me incomodasse, mas o certo é que estou aqui em corrosão interna... e ainda pior foi a falta de tacto com que mo foi transmitido, assim entre vírgulas numa oração principal qualquer.
Que o gajo exploda,  mais a gaja e que a Lituânia toda exploda ou pior, nunca mais seja campeã de basquetebol ou pior ainda que volte a pertencer à Rússia....
Raios os partam aos dois e vivam no subúrbio para todo o sempre numa casa pindérica e mal decorada e com comida insossa! Bolas!

Incredible India - Goair I

Depois dos dias atribulados em Bombaim, Goa poderia ser o contra-balanço perfeito. E foram dias bastante mais brandos em relação ao ritmo alucinante dos primeiros 4,5. Quando o ponto alto do dia é ir buscar uma certidão ao notário, há algo a revirar-se nas vísceras de Maria Calíope. De qualquer modo, já ia preparada para este tipo de acontecimento e tentei aproveitá-lo de forma sociológica, quando não havia maneira de o combater.

O certo é que Goa serviu para muitas coisas, não só para um re-encontro familiar, (feitas bem as contas não via papai e mamãe há quase 6 meses e há já muitos anos que não nos encontrávamos num sítio que não fosse Viena ou Lisboa), mas também para "papas e descanso" dentro do possível, uma vez que como sabem, Maria Calíope sofre de bicho-carpinteiro. Houve ainda espaço e tempo para outras dondoquices: compras étnicas, um fato de 4 peças (mais um sonho concretizado) feito à medida, aquela maravilha em forma de praia chamada Colva, passeios à beira-mar, sumos naturais, comida, comida, etc.

Os últimos dias foram um reboliço por causa da minha palestra. Como contei ainda in loco a minha presença foi muito bem-vinda, bem-vista e quase desejada. Senti-me um verdadeiro D. Sebastião com melhores cores numa manhã de sol.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ano novo, cenas novas

Para a comezaina de ontem fiz arroz de marisco, que sobrou e foi direitinho para o tupperware do meu almoço. Hoje tive a tarde toda a arrotar.... bacalhau (!) e até era capaz de dizer que era bacalhau com natas.

Voltei às aulas de dança. No balneário enquanto me vestia ia fazendo conversa de ocasião com uma colega que a páginas tantas me pergunta se eu era francesa (!). Eu expliquei-lhe que se tiver distraída não digo os h em alemão, o que pode levar o interlocutor a tirar ilações erroneas.

Salão de dança

Ainda não tenho casa, mas não páro de pensar nas vantagens de uma que vi ontem... nas vantagens e na decoração. Lembrei-me de uma obra de que gosto bastante e que se tivesse de enumerar o meu quadro preferido possivelmente seria o escolhido. A Dança de Matisse.
Entretanto por estas bandas ainda não se dança, mas já se come em conjunto. Aos 15 dias do ano novo houve repasto grupal cá em casa, sem uma nacionalidade que se repetisse. Éramos cinco.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Incredible India - Bombay Saphire VI


Finalmente passei as fotos para o computador: o que cá em casa é sempre um processo bastante moroso.

Estou surpresa com as capacidades que tenho estado a desenvolver para tirar fotos a mim mesma a parecer que tinha sido outra pessoa a fazê-lo (e logo à primeira ou segunda).

(E para quem não me conhece, a cabeça + pescoço de tartaruga a sair da carapaça é mesmo a minha)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Concentração de cérebros

Caríssimos leitores,

Apelo à concentração e iluminação dos vossos cérebros para auxiliar a minha pobre e pequena cabeça a desvendar a arte da construção austríaca.

De ontem para hoje decidi que afinal quero uma casa com 3 assoalhadas (sendo que 2,5 também me satisfazem). Dei com este objecto imobiliário que teria tudo para me agradar (localização, andar, zona da cidade, preço, etc.), até ter dado com esta maquete e questionado o seguinte: porque é que o único acesso para o "meu" quarto seria pela cozinha? Mesmo que transformasse o quarto em escritório e vice-versa, quem quisesse aceder ao escritório teria de passar pela cozinha...
O que para mim É um problema porque não consigo ter a cozinha em condições mais do que dois ou três dias seguidos...

Incredible India - Bombay Saphire V

As perguntas mais frequentes (tanto estranhos como conhecidos):

- É indiana?
- Não é indiana?! É que parece mesmo...
- Está sozinha?
- Está a viajar sozinha?
- Veio sozinha?
- Foi sozinha?
- É estudante?
- Onde estão os seus pais / o seu marido?
- (Depois de saber a minha idade) Porque é que não casou?

(Para a próxima hei-de passear-me assim, mas na variante com guizos a ver se dou menos nas vistas)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Arregaçar as mangas

Arrumada na minha cabeça a questão de uma possível mudança de emprego (apesar de ainda não ter uma resposta oficial, a entrevista correu mal que eu própria sentir-me-ia incomodada se ficasse com o cargo), virei-me para o projecto do ano. Comprar casa.

Para comprar, tenho de visitar, examinar e comparar, por isso tenho de começar por algum lado.
Custa-me crer que vou ter de decidir tudo sozinha. Vou ter de acreditar em mim... e na verdade eu nunca me deixei ficar mal (a entrevista de ontem não conta, pois eu queria concorrer mas não queria o lugar - don't ask).
Amanhã vou ver dois apartamentos e vamos lá ver como corre a experiência. Não é para comprar é só para ver. (O da maquete está na minha lista de espera).

Incredible India: Bombay Saphire IV


Ir a Bombaim é ir à Meca de Bollywood e eu fui ver o grande blockbuster do ano: Don 2… foi em hindi, mas não interessa nada. Percebi tudinho o que havia a perceber e gostei especialmente de ver membros do Banco Central Europeu a falar hindi perfeitamente!
 
O filme não fica atrás de um Mission Impossible ou de um James Bond da vida. Bollywood não é só aquelas pessegadas em que se canta e dança a cada 5 minutos, tem muito mais a oferecer e Don 2 foi um belo exemplo disso. O Shah Ruhk Khan vale mesmo toda a fama, dinheiro e poder que tem. E eu comprei o dvd do Don 1 para ver quando tiver tempo.

Observações sociológicas: A ida ao cinema começa com um controlo e revista de segurança. Mala revistada e eu fui revista de detector de metais em punho. À entrada do cinema volta-se a revistar a mala e desta feita, não é permitida a entrada de máquinas fotográficas. Bateria confiscada e a ser levantada no fim. Mas o mais surpreendente é o hino nacional antes do filme começar, sendo projectada a bandeira indiana. Parecia que havia molas nas cadeiras e toda a sala se levantou enquanto o hino tocava. Eu também claro… não me fossem confiscar mais qualquer coisa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Onde é que há lojas de cds?


Ou lojas virtuais que não cobrem milhões de portes para a Áustria?

Ando deliciada a ouvir a Ária do meu negão de todo o sempre (desculpa Tito Paris, mas o Djavan já fazia bandas de telenovelas nos anos 80...) e gostava mesmo muito de ter o cd físico (nada de iTunes e essas coisas não palpáveis).

Oiçam este "Sabes Mentir" e derretam-se...

Incredible India: Bombay Saphire III


Se toda a gente de todo o mundo acha por defeito que eu sou indiana, indianos inclusive (à excepção do cobrador de bilhetes de Elephant Island diante do meu bilhete para nacionais – fui recambiada para a bilheteira e comprei o bilhete para turistas), porque é que muita gente ficava a olhar para mim e vinha falar comigo enquanto eu andava a cirandar de um lado para o outro. Eis as minhas opções:
a)      a) Por andar sozinha (vêem-se muitos mais homens do que mulheres nas ruas e elas costumam andar acompanhadas)
b)     b) Por não ter um sari vestido (seja sari clássico, seja estilo Punjab, sejam velhas ou novas, toda as mulheres andam de sari – eu ia de calças e uma t-shirt sem mangas, bastante low profile)
c)     c) Por não ter cabelo liso e preso num rabo-de-cavalo descaído (eu tenho caracóis e costumo andar com o cabelo solto)
d)      d) Por andar de óculos escuros (estranhamente não vi assim tanta gente de óculos escuros… tendo em conta que estavam mais de 30ºC e o sol em brasa).

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Proud

É com certeza a palavra que mais ouvi nos últimos dias.
Que eu sou uma ave-rara já todos sabíamos, mas surpreendeu-me (mesmo) a reacção de pessoas de quadrantes tão diferentes, desde a minha colega da frente, à mulher do filho do primo da minha avó lá em Goa, passando pelos meus amigos de sempre, ao verem um artigo sobre mim (com foto gigante) no Herold.
(Papai e mamãe, então, estão inchadíssimos e não se calarão com certeza até 2038, quando se aperceberem que eu terei 50 anos e à pala destas e de outras esqueci-me de reproduzir os meus / nossos fantásticos genes de aves-raras)

Eu não sabia que aquecia tantos corações :)

Mark Melnick, Proud as a Peacock

Incredible India: Bombay Saphire II


Para evitar o aborrecimento por que passei em Hong Kong de estar a fazer imensas refeições sozinha e não ter com quem conversar arranjei dois contactos:
- O colega de um estágio de um antigo aluno meu.
- O irmão (e família) da mulher do neto do primo da minha avó.
 
Touché nos dois! Curiosamente conheci-os a todos no dia de Natal.

- O primeiro chegou a tirar um dia de férias para andar a fazer de turista comigo.
- O segundo e respectiva família acharam uma escandaleira eu estar num hotel e sozinha tendo família (!) lá. Resultado: fui adoptada e disputada por dois ramos de uma família indiana.

Calma, calma, o Hritick Rosham não foi nenhum dos meus contactos, mas achei que servia bem de ilustração.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Workaholic!

Regresso ao escritório.
Regresso a um ambiente saudável e animado.
Regresso às rotinas do daily business.
Ano novo, máquina de café nova e ainda melhor que a anterior :)

Feliz da vida por voltar a trabalhar.
A vida sem trabalho seria uma chatice pegada.

Incredible India: Bombay Saphire I


A chegada a Bombaim foi na noite de Natal. Se no aeroporto havia cheiro de caril a dar-me as boas-vindas, o percurso de uma hora até ao hotel foi acompanhado por fogos de artifícios e muitas estrelas brilhantes, “Happy Christmas” desejou-me o motorista depois de se certificar da minha religião. “Merry Christmas” desejei-me eu a mim mesma assim que me atirei para a cama. 
O hotel era fabuloso e nada a ver com a semi-espelunca onde fui parar há um par e meio de anos. E eu estava radiante por estar finalmente de férias.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Propósitos 2012

Para 2012 eu planeio muita coisa... e assim de repente só lá para o Verão terei tempo para extras! Vamos por partes.

Coisas que dependem de mim:

- O projecto mais ambicioso para 2012: encontrar um apartamento lindo, central, espaçoso, iluminado, comprá-lo e mudar-me para lá.

- Começar efectivamente a escrever a minha tese, que com a brincadeira de participar em conferências foi atirada para um canto e já deve ter teias.

- Plano Erasmus: participar em mais eventos internacionais, que me façam conhecer pessoas interessantes e aprender coisas novas.

- Concerto NKOTB: é uma espera de mais de 20 anos.
 

Coisas que não dependem de mim:

- O aumento que o meu chefe me prometeu que chegaria em 2012.

- Um gajo que me faça voltar a acreditar que vale a pena acreditar num homem.

- Mais dias de sol.

Clássicos:

- Viagens: curtas, longas, perto, longe... Maria Calíope vai a todas desde que tenha tempo e dinheiro disponível. (Tenho já umas ideias em mente...)

- Saúde: para mim e para os meus familiares e amigos.

- Cultura: ver muitas coisas bonitas e novas e estéticas e poéticas que me façam sorrir e alargar os meus horizontes. Para os meus caríssimos leitores, voltarão os Momentos Culturais, acompanhados do seu revés os Momentos de Encher Chouriços.

Acho que de repente é tudo... Segundo o horóscopo da revista de bordo da Spice Jet, 2012 será um ano bem próspero para os nativos de escorpião. Eu daqui a um ano já vos digo se era verdade ou não.