segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A pensar em 2013

Calíope: Olha, passei pela papelaria para comprar a revista das previsões astrológicas para 2013, mas não encontrei nenhuma de jeito.... e estava imensa gente a jogar na raspadinha.
Mãe: Ah! Eu também devia jogar...
Calíope: Queres jogar na raspadinha?!
Mãe: Sim, quero ser jogadora compulsiva!
Calíope: Ahahahahahh! Esse é o teu propósito para 2013?
Mãe: Sim! Ahahahahah...

Passado um pouco lembrei-me de que eu própria ando com fichas de póquer na mala (entre batom, lápis dos olhos, tampões e lenços de papel): Nunca se sabe quando serão precisos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

74º momento cultural: Casa das Histórias

Não sei quantas vezes os planos para este domingo foram mudados... Muitas pessoas, muitas vontades, muitas agendas, contudo a prova que sou uma pessoa flexível e tolerante é que no fim consegui ter um domingo bem rendido.
Um dos objectivos desta estadia em Lisboa era a Casa das Histórias da Paula Rego. A fundação consta da lista das fundações a perderem os financiamentos governamentais e por isso não querendo estar à mercê de que um mecenas se chegue à frente, peguei eu no carro, em papai e mamãe e lá fomos todos a Cascais numa manhã domingueira a erradiar sol por todos os lados. Nunca pensei que eles alinhassem num momento cultural meu, mas nem pestanejaram quando o sugeri. E off we went!
À partida já sabia que a colecção apresentada era parca por si mesma, especialmente já tendo visto outras exposições bastante ricas da Paula Rego. Mesmo assim, acho que também é preciso ver coisas menos boas para saber apreciar as melhores. E não foi assim tão mau. Realmente as peças são poucas e não são com certeza as melhores, mas gostei.


Gostei ainda mais da surpresa que foi Maria João Worm com "A Fonte das Palavras". Gostei bastante das peças em entalhe e ainda mais das obras/quadros/instalações cuja luz acendia mediante um sensor de movimento. (Uma vez que só lá estávamos os três mais um senhor, aquilo só se acendia com a nossa presença - não me lembro de nunca ter visto tal coisa).

sábado, 29 de dezembro de 2012

73º momento cultural: Skyfall

Partindo do princípio de que este é o segundo James Bond que eu vejo na vida, para mim 007 é Daniel Craig e não está nada mal servido. Outra constante que reparei foi o momento "casino", o outro que vi foi o Casino Royal, mas na verdade pouco me lembro tirando o casino no Montenegro, uma cena subaquática em Veneza e o homem a sair do mar possivelmente nas Caraíbas. Bom, não sabendo bem como avaliar um James Bond, por ter parcos conhecimentos na matéria, posso dizer que foi um filme bem passado com surpresas boas como o regresso do Ralph Fiennes ou a ida a Macau (não sei onde andaram a filmar que não reconheci nada daquilo e os casinos onde fui eram bem mais sofisticados). Segundo, a minha amiga o (meu eterno) Heatcliff passará a ser a M. e por isso eu terei de ver todos os James Bonds futuros.
No entanto, o que me entreteve o cérebro durante parte do filme foi como é que o Sr. Silva conseguia recrutar tanta gente para alinhar nos seus planos, não só para participar activamente, mas também para organizar aqueles gadjets todos. Haverá mesmo um clube dos "maus" onde se angaria figurantes?
Pronto, deixo a questão no ar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Marcar cenas


Áustria: Saca-se da agenda e marca-se qualquer coisa com três meses de antecedência sem qualquer tipo de problema.

Portugal: Logo se vê...
 
(Ana, isto não tem nada a ver contigo)


A espera tem um fim...

Após não sei quantas idas à embaixada, depois de outros tantos telefonemas e parecendo a história não ter fim à vista, houve um derradeiro telefonema em que me foi dito: "Mas se a senhora é portuguesa, porque é que não vai à nossa embaixada em Lisboa? Quando é que vai a Lisboa?"

Para mim o caso já estava encerrado, mas ao fechar a mala na semana passada ainda me lembrei de atirar lá para dentro uma série de documentos. Numa destas manhãs soalheiras e de céu azul, lá fui eu com o meu  pai pelo braço ao Restelo tentar tratar das coisas pela última vez. Em poucas dezenas de minutos, já estava tudo entregue, sem perguntas nem comentários surpreendentes. Faltava só um documento que o meu pai foi lá levar hoje e nem sequer houve problema de eu não poder deixar lá o passaporte. Easy, easy.

Daqui a dois meses logo vos confirmo a brevidade e eficiência do processo.
(A brincar, a brincar, andei quase um ano nestas idas e vindas)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sem chaves

O que fez Maria Calíope ao chegar a casa já passando da uma da manhã e aperceber-se de que NÃO tinha trazido as chaves?
a) Volta para o carro e fica lá
b) Toca à campainha de casa
c) Toca à campainha de um vizinho
d) Telemóvel da mãe
e) Telemóvel do pai
f) Telefone de casa
g) Fica à porta a rapar frio pois não se admite uma situação destas
h) Arranja um buraco e enfia-se lá dentro

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Investimentos em Portugal

e veio a pulseira também :)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Uff! Já passou...

Felizmente em Portugal nunca ninguém se lembrou de criar um segundo dia de Natal!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

72º momento cultural: Mude

Lembro-me de querer ir ao Mude há um bom par de anos e nunca tinha tido oportunidade de o fazer. Este foi o ano e também a queda de um mito. Não sei se aquele aspecto de esgoto é propositado ou não, mas confere-lhe uma atmosfera suja e escura. Se calhar o preconceito é meu e quando penso em espaços de moda e design, ocorrem-me espaços amplos, iluminados e de linhas simples...
A colecção permanente é engraçada, havendo peças deliciosas, mas do que gostei mesmo foi da exposição de vestidos de fado. Ainda estou a pensar em que ocasião é que a Amália terá vestido um vestido curto com penas na bainha e nas mangas.Muitos modelos e muito diferentes, uns mais bonitos do que outros. Curiosamente poucos xailes e mais cores do que estaria à espera.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Impressões

Passar um dia na Baixa qual turista russa em cima de saltos agulha foi o que ontem me aconteceu. Para ninguém me confundir com uma Natascha da vida, resolvi usar um salto mais largo que dá mais apoio e não se prende na calçada, caso contrário acho que ninguém notaria que só tenho pouco mais de metro e meio, não tenho feições eslavas, nem cabelos claros e muito menos tez ariana.
Passei o pior teste de qualquer salto: o da calçada portuguesa.Prova superada por isso vamos lá ver outras impressões do dia.
- Há cerca de 3,5 meses que não subia/descia o Chiado e na verdade parecia que lá tinha estado no dia anterior.
- Confirmei uma teoria que já tenho há anos, as mulheres portuguesas andam bem arranjadas, bem vestidas, com cores saudáveis, coisa que não é tão frequente ver no centro da Europa.
- Estranhamente disse propositadamente "as mulheres", pois poucos foram os tipos que me chamaram a atenção para os pôr nesse saco.Vi tipos com bom aspecto sim, mas com uma camada pilosa a querer saltar de dentro da camisa. Ainda estou em modo mixed feelings, não sei como o caracterizar.
- Parece-me que toda a gente agora faz trabalhos manuais. Vi coisas adoráveis e rendi-me a um Santo António em feltro ou alcatifa ou o que é (não vou andar de Santo António ao peito, calma!) e trouxe mais umas coisas, pois resolvi investir dinheiro estrangeiro na economia nacional :)
- Não percebo a loucura das prendas de Natal ou mesmo das prendas de Natal sem loucura. Desisti de entrar em algumas lojas por estarem filas quilométricas na caixa.
- Consegui finalmente ir ao Mude e gosto de poder beber vinho ao copo em Lisboa.
- E muita conversa deitada fora...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Einblick auf die Zukunft


que no caso já é Gegenwart...

(e não posso deixar de estranhar os 21ºC de diferença...)

Em 3:30 de voo


posso:

a) comer se me derem comida
b) levar o toshibinha e despachar tarefas pendentes
c) ler dois artigos
d) escrever o resto da minha tese
e) planear o itinerário na Malásia
f) dormir


se o mundo não decidir ter um chilique pelo meio, claro.


Michael Pukac, The Tower

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Realeza


Ao ler esta notícia, lembrei-me de uma antiga dúvida minha:

Serei monárquica?

Uma monarquia parlamentar não seria uma boa ideia? Cada vez tenho mais dúvidas se a república resolveu algum problema existente durante a monarquia. Ter uma família real seria bem mais simpático do que um PR, parece-me assim de repente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Poço de contradições

Com o passar do tempo acho que estou cada vez mais intragável - não me parecendo que com a idade isto vá melhorar - daquelas pessoas intragáveis cheias de si, arrogantes até à 5ª casa, insensíveis e com ar de que todos lhe devem e ninguém lhe paga.
Depois há uma pequena porção de mim que é um autêntico panhonha. Daqueles panhonhas mesmo bananas, que mal sabe dar um passo em frente sem pedir licença ao chão.

De resto, pareço uma pessoa sensata e afável.... é o que me vale.

MC Escher, Encounter

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Copo meio cheio

Sem dúvida a melhor notícia do dia!

Tirando isso só a lembrança que afinal até sou capaz de conhecer alguém em Bali e a constatação que a trabalhar assim até ao fim do ano tornar-me-ei numa milionária ou mesmo multi-milionária e quem sabe se eu própria lanço uma proposta pela ANA ou TAP!

Não achavam que eu ia ficar um dia sem falar do excesso de trabalho com que tenho sido contemplada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Véu

Nem só do trabalho vive Maria Calíope... e apesar de soar nas últimas semanas como se fosse a única pessoa a trabalhar no mundo, sabe que a vida são dois dias e o Carnaval são três, por isso nada melhor do que treinar uns passos de dança. Que o mundo acabe ou o Carnaval comece, que Maria Calíope estará pronta para o que der e vier.

A aula de dança de hoje correu mesmo bem. Julgo ter sido a primeira deste semestre em que eu não parecia um trambolho no espelho. O caro leitor ainda se lembra de Maria Calíope dançar à moda do Oriente? Ah pois dança, faz oitos com as ancas e fortalece a sua coluna. E o que Maria Calíope gosta de dançar com véus? Um véu ondulante que ora oculta ora mostra e que esvoaça pelo ar... esse sim, o verdadeiro ponto alto de um futuro "The Calíope Show"!

Picasso, Dance of Veils

Plano de fuga

O fim do mundo continua para breve, pelo menos, lá no meu escritório. O sufoco continua e eu, como ainda não sei escrever com os pés desarticulado do que faço com as mãos, continuo a limitar-me a dez dedos e meio cérebro (que resto já deve ter-se esfumado) e assim lá tive de recorrer a uma carta que eu nem sabia ter na manga: o meu revisor de texto. Imaginem pedir à pessoa que me revê os textos para escrever os textos, ele próprio, que eu os corrigiria! Pegou!
O mundo às avessas.
O apocalipse vem aí e eu já estou a arquitectar um plano de fuga.

Michael Pukac, The Writer

domingo, 16 de dezembro de 2012

Aviação

Não sendo esta uma preocupação que me tire o sono, deixa-me de sobrolho ondulado o facto de Portugal estar a ser vendido a retalhos, em saldos e a compradores duvidosos. No caso concreto, a ANA ou a TAP parece estar para ser vendida a indivíduo multi-nacionalidades (colombiano? polaco? brasileiro? burkina faso? ...). Depois de ter ouvido mais algumas achas para a fogueira no Governo Sombra, dei por mim a falar de milhares de milhões, de rotas aéreas e a dizer a amigos meus "Façam lá uma oferta com mais dois milhões e comprem vocês!".
Na perspectiva de alguém que viaja alguma coisa e que nada percebe de economia em geral, prefiro que seja uma grande empresa alemã a dominar a aviação portuguesa e não é só por já ter o meu tacho garantido!

sábado, 15 de dezembro de 2012

De we know eachother?

Um amigo meu veio passar um fim-de-semana em Viena e organizou um jantar para os seus amigos cá do burgo. Eu fui e fui a segunda a chegar. Ao chegar estava o meu amigo e um outro tipo.
Lá ficamos os três à conversa e eu a pensar, "olha que tipo tão giro", "ainda bem que vim", "é alemão e tudo", entre outras coisas. Continuámos os três à conversa até que plim! Fez-se luz!
Eu conheço este tipo. Até saímos uma vez, tinha a sua piada, mas ao segundo encontro já não tínhamos assim tanta conversa. Como é que ele se chama mesmo?! Desconfio que me refira a ele aqui.

Jane Bellows, By Chance I

Passado uma hora, diz ele: "Ah espera lá, a gente conhece-se!" e eu "A sério?!" disse eu fingindo a minha surpresa, afinal de contas a pessoa marcante e inesquecível sou eu :) Quando deixar de acreditar piamente nisso corto os pulsos!

Cama

Só me falta ter uma cama AQUI no escritório, pois sala, cozinha, casa-de-banho, terraço e varandas já cá tenho.
Pode ser uma destas...

Já sei que não combina com as linhas modernas aqui do ambiente de trabalho, mas para quero lá saber...

(Sim, porque poderíamos rentabilizar ainda mais o tempo: ir a casa num instante dormir e voltar para cá não está com nada).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Festa de fim do ano

Acho muito bem que uma empresa que se orgulha em ter funcionários de 34 ou 47 nacionalidades organize uma festa de fim do ano e não uma festa de Natal. Há colegas que não celebram o Natal e outros, como eu, que preferiam ignorá-lo.

Maria Calíope apresentou-se cerca de 7 cm mais alta no evento que se realizou num barco e que foi Danúbio acima, Danúbio abaixo.

A comida foi escapatória, a animação também, valeu o passeio sem enjoos, dois dedos de conversa aqui e ali e um fogo de artifício maravilhoso coordenado com banda sonora.

Maria Calíope em cima do seu salto viu atirado para o canto do seu olho quem estava à espera. Engoliu a seco e depois um gole de vinho branco fresquinho. Mais dois dedos de conversa ora sobre a problemática das aplicações móveis, ora "Gdje jest stacia benzinowe?".

Sem olhos baços, nem dores de barriga, nem idas corridas ao wc. Já nem sequer enjoo no barco

Antes das 12 badaladas, Cinderela estava em casa.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Contas à vida

À hora que cheguei hoje ao escritório, a minha colega romena disse-me que tinha 63 tarefas pendentes para amanhã. Eu ri-me dizendo que as minhas arredondadas também deveriam dar ela por ela. Tendo em conta que já não não me lembro da última tarefa que despachei em 10 minutos e que ainda tenho bem presente as 8 horas de sábado que passei a resolver uma única tarefa, 63 coisas para fazer para amanhã parece-me assim demasiado... mesmo tendo eu hoje ficado até às 20h e tal. (Aqui isso é mesmo muuuuuiiiiito tarde). Ando há anos a virar frangos, mas não me lembro de uma sangria desatada destas... Uma vez que o mundo não acabou hoje, amanhã vou ter de fazer o milagre da multiplicação do tempo, mesmo que tivesse acabado, um colega avisou-me que o Céu e o Inferno têm wireless, por isso não me escaparia às minhas tarefas.

Estrela aziaga


Eu deveria ter adivinhado que ler logo pela fresca que o Ibrahimovic dissera que também poderia ter marcado tantos golos como o Messi, se lhe tivessem assinalado tantos penalties como ao Barcelona, não seria um bom presságio.

E ele não vinha nestes preparos na notícia do jornal, pois poderia auguriar má fortuna, mas pelo menos arregalava-me a vista pela manhã!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antevisão de 12.12.12

Mandei hoje um mail aos meus supervisores a dizer que estou a torcer para que quem quer que tenha interpretado a profecia Maya se tenha trocado nos números e que a data verdadeira do fim do mundo seja 12.12.12. Assim ficaríamos todos muito mais felizes por não ter de cumprir as centenas de prazos que temos para o dia 13 e posteriores. A gente já mal respira no escritório...

Terapia

Há cerca de mês e meio que ando a fazer uma terapia para as costas e sempre que me ocupo a observar os outros frequentadores da clínica surpreendo-me. Ora de pessoas com ancas na diagonal a outras que andam todas desengonçadas com ou sem gadjets há de tudo, tendo todas essas variantes o denominador comum velho/flácido/gorducho. Face a este panorama, cada vez que subo aquela escadaria, sinto-me uma autêntica diva, não só por ser muito mais nova do que toda aquela gente, mas essencialmente por ter melhor aspecto. (Imagino que eles pensem "Ai coitada da menina! Tão novinha e já com problemas de osteoperose/artrite/articulações/etc.") Imagino igualmente que os massagistas fiquem mais contentes quando têm de me massajar as costas do que as de uma senhora de 58 anos com ar de 65, 1.60 e 80kg que pendem nos braços e que transbordam do elástico da cinta-cueca e das meias-de-descanso em todas as direcções.

Hoje lá estava eu deitadita de costas nuas na marquesa, enquanto o 2º melhor massagista de todos os tempos terminava o serviço, até que ouço: "Que bela vida!"
Eu ergo a cabeça e olhando para ele: "Para si ou para mim?"
Acho que ele não respondeu e foi buscar a aparelhagem para as ondas curtas.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Costura



Cada vez tenho mais a certeza que só vemos os outros pelo reflexo que temos de nós mesmos.

As linhas com que alinhavamos a imagem dos outros sai do mesmo carrinho com que temos as nossas costuras feitas... e bem arrematadas.



Óscar Dominguez, La máquina de coser

domingo, 9 de dezembro de 2012

Dentro de água

Há cerca de dois anos disse-me uma vez a mim mesma "Enquanto estiver dentro de água não faço asneiras" e lembro-me pontualmente desta frase em momentos críticos. No caso, não havia asneiras para fazer... mas a apatia estava a apoderar-se de mim. Por isso, resolvi fazer qualquer coisa de que gosto muito, que me faz bem e de que preciso muito: nadar. E lancei-me nas águas da Theresienbad.

Apesar de continuar na "no talking mode", uma amiga minha conseguiu arrastar-me para uma caminhada ao frio e ainda me dar um puxão de orelhas :)  Regozijo-me pelas pessoas atentas.
Iroko, Mermaid Swimming

71º momento cultural: Love is all you need

Ou no original dinamarquês "Den skaldede frisør" que me parece significar outra coisa qualquer...

Ontem ao sair do escritório às 18.30 acho que teria cometido um erro crasso ao vir directa para casa. Nestes momentos em que me sinto um cachorro abandonado, os 53m2 da minha casa multiplicam-se por mil e perco-me nos diferentes espaços. Então fui directa ao cinema. Love is all you need parecia mesmo estar a falar comigo. Já tinha visto o trailer por isso sabia que tinha o selo do cinema escandinavo, um Pierce Brosnan e que seria uma comédia. Pensei que durante hora e tal estaria entretida naquele mundo e esquecer-me-ia do meu. Quase. Apesar do filme ser dinamarquês, ele passa-se na sua maioria em Itália... onde haveria um casamento, sendo que toda a banda sonora passava por todas aquelas pessegadas italianas como "That's Amore" e coisas que tal que agora me assombram. Parece que todos os filmes que eu vejo ultimamente ou se passam em Itália ou têm um amante italiano e o raio que os parta a todos.
O filme até foi engraçado, apesar de todas as relações amorosas ali terem sido um fiasco, até o casamento que os reuniu a todos em Itália. A única excepção foi mesmo o Pierce e a mãe da noiva, que numa cena muito bonita no fim do filme me levaram às lágrimas (não era preciso muito no estado em que eu estava).
Saí do cinema com o chapéu enterrado na cabeça, a gola do casaco subida. Não queria que ninguém me visse, não queria ver ninguém. Via os pés das pessoas e já era mais do que suficiente. Cheguei a casa com lágrimas a correrem-me pela cara, um nó na garganta e o estômago embrulhado. Só podia seguir para um sítio. Enfiei-me na cama e tentei dormir o sono dos justos. Tristes, mas justos.

 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Tudo em um

Não sei o que é pior:

- Ter tanto trabalho que passei um sábado inteiro no escritório
- Sentir-me qual cachorro abandonado
- Estar um frio desgraçado
- Poder chorar a qualquer momento

Pelo menos, estragou-se um só dia.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Regressado do mundo dos mortos


- Quem és tu, Romeiro?
- Ninguém.

Ninguém que me reavivou uma série de fantasmas e que me escureceu o semblante.
Queria que ninguém fosse ninguém, mas os fantasmas e o meu semblante carregado provaram-me que não.
Queria ir para casa, enrolar-me no sofá e adormecer assim triste e quieta.
No entanto, houve termos e condições que me pregaram à cadeira. Não sei se foram a minha tábua de salvação ou se foram um obstáculo para o meu plano de fuga.
Isolei-me no meu mundo com uns auscultadores, Djavan e o olhar perdido no ecrã dos termos e condições. Felizmente os meus dedos já traduzem de forma automática, pois a minha cabeça lembrava-se das histórias de Moscovo que nunca me foram contadas e de todas as cenas para as quais Djavan fez banda sonora e nunca soube.

Preferia que o Romeiro não tivesse voltado. Eu sei que o império caiu e não tem volta a dar.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Escova

A minha ida mensal ao dentista resultou hoje em compras, para além do habitual aperto do arame. A assistente da minha dentista impingiu-me uma escova de dentes preta com efeito branqueador. Eu não sou adepta de gadjets milagrosos, seja para emagrecer, limpar panelas ou cortar azulejos, mas a escova era toda estilosa... e a um preço acessível. Como fui na cantiga da escova, a assistente continuou a cantoria "Megasmile" louvando a "neve dentífrica", uma espuma que substitui a pasta de dentes, criado por um médico suíço, tal como a escova-maravilha. A neve era mais carota, mas com a vantagem de ter a minha cor preferida de acessórios não usáveis. Trouxe tudo. Vamos ver agora se daqui a uns tempos as pessoas têm de usar óculos escuros quando eu sorrir.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Calling friends


Inconscientemente meço os meus amigos pelas horas a que lhes posso ligar... normalmente faço-o a horas decentes, mas sei que são aquelas pessoas que em caso de necessidade poderia ligar às 3 da manhã.
Agora ocorreu-me outra medida.
Os meus amigos são aquelas pessoas com quem mesmo não tendo assunto, a gente fala de não-assuntos, podendo gerar-se inclusivamente uma não-conversa, mas nunca há falta de conversa.

O valor da língua portuguesa

Para mim é muito obviamente, não apenas por motivos afectivo-culturais, mas também porque é na verdade quem me paga as contas...

Muitos sub-temas, muitas opiniões, muita conversa.

Desde quando é que se diz "acento" em vez de "sotaque"?

Pronto, não sei como pôr o vídeo do Prós e Contra desta semana aqui, nas fica o link.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

70º momento cultural: Paco de Lucía

Acabei de chegar e estou morta de cansaço. O dia foi longo e muito trabalhoso e para animar as coisas entre as horas extras do trabalho e o concerto ainda fui a uma festa de anos num mercado de Natal. Com um  ponche e um Glühwein no bucho com os restos de uma pêra que ainda lá deviam andar consegui embebedar a pêra e deixar Maria Calíope tonta. Cheguei ao concerto num estado aparentemente sóbrio, mas não estava não. Gostei de ouvir o Paco e os outros muchachos, mas do que gostei mais foi mesmo do encore, onde ele tocou a única música que eu reconheci de todo o concerto (Dos águas?) e assim pude ir a correr para a casa-de-banho porque a minha bexiga não aguentava mais e já estava há quase duas horas em sofrimento.
Acho que a temporada de concertos terminou por este ano.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Época festiva

Há dias em que mal dá para respirar,

é ver tarefas a cair na caixa de tarefas como se não houvesse amanhã e como se já não tivéssemos mil coisas para fazer;
é as quezílias sazonais da faculdade com novos contornos;
é uma série de encontros sociais que se amontoam nos próximos dias;
é mais uma série de assuntos pessoais por tratar;

e de repente recebemos um e-mail:

Cara Profª Calíope F., 
Olá! Seja bem vinda à Malásia!
 
E é para continuar...

domingo, 2 de dezembro de 2012

69º momento cultural: De corpo e alma

Confesso que pensei duas vezes se queria mesmo levantar-me às 9 da manhã para ir ao cinema... O facto de ter lugar marcado e de haver pessoas à minha espera e a contar comigo pesou e ainda bem que assim foi.
"De corpo e alma" é um filme de Matthieu Bron rodado em Moçambique. Na verdade, trata-se mais de um documentário do que um filme sobre o dia-a-dia de 3 pessoas com deficiências físicas em Maputo. Poderia ter caído facilmente no choradinho do coitadinho, mas não, o filme apesar de retratar uma realidade bastante difícil foi muito inspirador. O rapaz tinha a parte inferior das pernas atrofiadas e não podia andar, gatinhando para se deslocar com umas luvas e umas joelheiras. Ele dizia que uma cadeira de rodas faria com que perdesse rapidez e mobilidade. Uma das raparigas não tinha pernas, mas isso não a impedia de fazer a lida da casa, de ir para a escola, sair à noite e dançar na discoteca. A outra não tinha um braço, mas dizia que não era o braço que fazia dela pessoa. Realmente, três histórias repletas de uma energia contagiante, de uma alegria e vontade de viver e de uma lição de vida.
Enquanto via o filme lembrava-me do rapaz só com uma perna que dançava alegremente no Cirque du Soleil e simultaneamente do marido de uma amiga minha que não podia tomar conta do bebé e cozinhar ao mesmo tempo...

Os actores e o realizador estavam lá e eu tive a possibilidade de falar com as duas actrizes, que foram uma simpatia e que falaram comigo como se fosse uma velha conhecida.

Ainda bem que levantei o rabo da cama! Às vezes preciso destas chapadas da vida para pôr ordem no meu mundinho.

A corrigir TPCs II

Tenho alunas brilhantes e regojizo-me quando me deparo com frases geniais como estas:


E eu não sendo dona de mim mesma dizia sim.

É melhor dizer o que sentimos, senão muito mais Felipes vão esperar na minha esquina ou em outras esquinas do mundo.

Quando caem, levantam-se, ajeitam a coroa e continuam a caminhar como se nada fosse.

Continuo a ler: cada frase é uma esperança perdida. Cada sombra que aparece é uma esperança recuperada. Chegarás, de certeza que chegarás.



sábado, 1 de dezembro de 2012

68º momento cultural: Cirque du Soleil - The Immortal World Tour

Quando estive em Macau, vi o espectáculo Zaia do Cirque du Soleil e fiquei suficientemente bem impressionada para querer ver mais. O mais chegou agora com este espectáculo ao som de Michael Jackson. Inicialmente estava perdida sem saber onde encontrar os elementos de circo no espectáculo de música e dança. Lembrei-me de uma conclusão que tirei na minha pós-graduação em cultura moderna, que as fronteiras da arte são muito ténues e muito facilmente entram em campos alheios. Eu achava que ia ver circo e estava a ver um espectáculo de dança e isso na minha cabeça não fazia sentido, até ficar completamente deslumbrada com os efeitos especiais de uns trapezistas. Sabem aquele momento em que a criança vai ao circo e fica boqueaberta ao ver magia. Pois essa criança era hoje eu: imagino que os trapezistas tivessem um fato com leds que piscavam de acordo com a música. O facto de estar tudo escuro dava a ideia de haver estrelas a voar. Foi muito bonito.
Outras coisas impressionantes foi a mulher do varão ou a contorcionista, mas talvez o melhor de tudo - apesar de eu ter ficado mesmo maravilhada com os fatos leds dos trapezistas e dos dançarinos - foi um bailarino coxo de canadianas. O rapaz tinha mesmo só uma perna, mas dançou, saltou, mexeu-se que só visto. Um exemplo claro de que não há impossíveis.
Não foi bem circo, foi muito mais do que isso.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

67º momento cultural: Paradies - Liebe

Eu sabia que o filme tratava de turismo sexual feminino mas surpreendeu-me constatar que a linha que separa o cliché da realidade é muito mais ténue do que alguma vez imaginara. Se de início lidei bastante bem com a temática do filme a páginas tantas o conteúdo chocou-me ao ponto de pensar estar diante de um filme porno... Há coisas que ultrapassam a minha imaginação.
O enredo é basicamente este: mulheres cinquentonas austríacas, gordalhufas e com muita falta de afecto (independentemente de serem casadas ou não) vão para o Quénia de férias engatar uns negões... É um negócio praticamente vantajoso para ambas as partes: elas ouvem promessas de amor eterno que gabam a sua beleza e sentem-se amadas, eles recebem dinheiro e ainda há regabofe para todos.
Foi decandente ver mulheres com aquela idade a prestar-se àquelas figuras simultaneamente altivas e naives. Os rapazes eram muito novos... uns contavam o conto do vigário outros pareciam bonecos amestrados por umas quantas notas.
Foi doloroso ver. O pior é que eu sei que isto acontece.
No início, olhava para elas e via as mulheres de Botero... a partir de certa altura nem Botero me valeu.

Várias horas, vários problemas

10:04 - Ganhei ou não ganhei bilhetes para o cinema?
12:10 - Afinal quando começam as férias de Natal e quando terminam as aulas?
15:43 - O texto vai sair em Portugal ou no Brasil?
16:06 - Ainda consigo levantar o vale da Promod ou vou directa para casa?
16:35 - Mudança de planos: em vez de irmos ao Wine Bar, vamos ao cinema? Ganhei bilhetes...
17:18 - Visita de médico a amigas com filhos bebés. Ai que curioso, não temos conversa!
18:40 - A caminho do cinema liga-me a minha empregada a dizer que a tinha trancado em casa. "Tenho de voltar para casa."
18:43 - Lembrei-me de uma chave extra que tenho em casa, mas a minha empregada não fala alemão nem inglês o suficiente para perceber a descrição "no cabide dos casacos na entrada". "Tenho mesmo de ir a casa. Ainda bem que usei os saltos mais altos que tinha..."
18:57 - "Desculpe lá, saí e como reflexo tranquei a porta. A chave estava aqui" "Mas esse cabide não tem casacos..."
19:04 - "Desculpa, estou atrasada... Já estás aí? Podes levantar tu os bilhetes?"
19:05 - Fiquei presa no metro...
19:20 - Vamos lá ver o filme... Começou às 19:00?!! Então nao era às 19:30.
20:48 - Tirem-me daqui... eles não vão mostrar isto... isto não está a acontecer... eu não quero ver isto.
23:36 - Quero ir dar aulas para a Malásia ou não?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nervos em franja

Cancelei uma ida ao teatro por achar que precisava de ficar uma noite em casa sossegada. Cheguei a casa e aparentemente tinha ganho bilhetes para a ante-estreia de um filme... que começava duas horas depois. Aí começou o meu drama.
O facto de ter de sair de casa outra vez nem me transtornou tanto pois queria ver este filme, mas tinha ganho DOIS bilhetes e o filme começaria em duas horas... Liguei a SEIS pessoas (eliminando previamente pessoas fora do país, pessoas doente e pessoas com relações siamesas)... normalmente quando quero/preciso mesmo de companhia páro ao 3º número já irritadíssima. Também sei que passar a lista de contactos de A a Z é meio caminho para me desanimar. Pois liguei a seis pessoas incluindo a quem não devia. Não me custa nada ir ao cinema sozinha, só me estava a chatear ter dois bilhetes e deixar um caducar. Na verdade aprendi a fazer uma série de coisas sozinha sem carecer de companhia... vou a Bali, não vou?
A caminho do cinema uma amiga minha ligou-me a dizer que se sentia mal por me deixar agarrada. Eu disse que não havia problema pois tinha sido super em cima da hora e afinal ela já tinha o serão combinado com o marido. Mais uns minutos de conversa e ela mudou de ideias e ia ter comigo ao cinema. Fui ao cinema e levantei os bilhetes... mas não era o filme certo. O filme que eu queria ver tinha estreado na terça. Eu que já estava irritada com a situação toda não poderia crer que me tinha enganado no cinema... e em 15 minutos começaria o filme. Liguei à minha amiga a avisar que estava no cinema errado. Resumindo a história: passei por mais dois cinemas, ninguém sabia de ante-estreia nenhuma, liguei à minha amiga a dizer que fazia melhor em ir ter com o marido e voltei para casa com o rabo entre as pernas e numa pilha de nervos que só visto.

Fui confirmar o mail e não me enganei no cinema (o primeiro) mas o filme não estava lá.
Já seguiu a reclamação.
Vou para debaixo do chuveiro a ver se me acalmo e segue um White Russian duplo. Hoje mereço.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pedicure


Uma das coisas que queria fazer quando fosse para o sudeste asiático era este tipo de pedicure. Se o Padre António Vieira dava sermões aos peixes, se Jesus Cristo os multiplicava, eu posso alimentá-los e era capaz de apostar que os peixes, podendo escolher, optavam pelas minhas peles saborosas, mas claro que isto sou eu a ser tendenciosa. Fui mais pela curiosidade do que por outra coisa, mas receava fazer-me impressão, até porque eu não gosto que me toquem nos pés... Mas digo-vos que a sensação é óptima e na verdade não muito diferente do tratamento de ondas curtas que faço às costas... mas sem electricidade! Foi um rico banquete o que eu apresentei àqueles peixinhos, eles comeram, lambuzaram-se e pareceu-me ouvir chorarem por mais, quando tirei os meus pezitos do tanque uma meia hora depois. Agora só me faltam os sapatinhos de cristal! 

E o senhor-dono/funcionário-perito-em-pés foi uma simpatia e ainda me gabou a mala!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Being John Malkovich


A meio do concerto lembrei-me disto. Será que continuo na saga dos mosqueteiros? Será que me enganei entre Aramis e Athos? Será que Dumas continua a dar cartas na minha vida? Ou será que sai um White Russian para a mesa do fundo?

66º momento cultural: Carminho

Hoje foi dia de ir ver a Carminho à Konzerthaus e eu estava bastante curiosa. Não consegui ouvir o último cd de fio a pavio porque me cansei e aborreci a meio e à segunda tentativa desisti. Mas eis a magia dos eventos ao vivo: ao vivo tudo parece muito melhor. Nestas ocasiões, lembro-me sempre do meu orientador do estágio de inglês que nos dizia que nunca deveriamos contentar-nos a ver arte em livros da Taschen, impressa em canecas ou souvenirs vários. Tínhamos mesmo era de ir aos museus e olhar para a obra em si. Na altura, não percebi qual era o problema dos livros da Taschen e o meu guarda-chuva tinha vindo do Fine Arts de Boston com um belíssimo Monet. No entanto, hoje dou-lhe toda a razão, tanto para arte pictórica, dançável ou cantável. Estar lá diante da obra é impagável! E assim foi a Carminho.
Pela primeira vez, fui a um concerto de fado onde não reconheci canção nenhuma, nem a Casa Portuguesa, nem Maria Lisboa nos encores, nada! Houvesse Perdoname com o tipo espanhol... Pelo contrário, reconheci o hiper talentoso Luís Guerreiro que faz maravilhas com uma guitarra portuguesa nas mãos. A Carminho impressionou-me quando se sentou e continuou a cantar. Não sei como é possível emitir aquela voz sentada. E no último encore ela cantou sem microfone e continuou a encher a Mozartsaal todinha com a sua voz, não lhe escapou um canto. Simplesmente magnífico.

De qualquer modo e apesar de ela ser uma simpatia e ver-se que ela estava radiante por ter casa cheia, podia investir um bocadito numas aulas de inglês... é que não houve uma terceira pessoa do singular do Present Tense que ela acertasse...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Calíope, dona de casa


Ao fim de quase 10 anos a viver sozinha, redescobri o conceito de "amaciador de roupa". À segunda tentativa, acertei na caixinha da máquina. As diferenças entre as minhas toalhas e folhas de lixa já eram bastante difíceis de identificar. Como é que nunca me ocorreu comprar amaciador, se até era prática comum lá em casa (em Lisboa)? Se servir de atenuante, uso Calgon desde que tenho uma máquina de lavar só para mim (= há uns 7 anos).

Questões respondidas

Tudo tratado!

- Nem 5 nem 7, fico 6 dias em Bali e já vou cheia de sorte! Está marcado!
- Mala feita, mala desfeita e roupa lavada e pronta a estender.
- White Russian Mistress, that's my middle name!
- Unhas pintadas: sempre!

domingo, 25 de novembro de 2012

65º momento cultural: Stedelijk Museum

Para imprimir alguma cultura a este saltinho a Amesterdão, lá fui eu ao recém-inaugurado Stedelijk Museum após 12 anos encerrado ao público. Enquanto lá me passeava pelos imensos, luminosos e amplos espaços comecei a duvidar da minha veia artística, quero eu dizer, gosto de ir a museus mas não paro muito tempo diante de obras de arte. Na verdade, eu vejo por norma exposições em movimento, isto é, sempre a andar, sendo o meu objectivo encontrar alguma obra que me faça parar diante dela. Uma das primeiras paragens foi este magnífico baile:

Jan Sluijters, Bar Tabarin

 Foi pena não haver em poster, pois adorei a energia que este quadro transmite, se na parte superior luz, cor, fogo de artíficio e um bocadinho de Van Gogh, em baixo há música, dança, alegria e movimento. Ficaria bem aqui na sala.


 Nola Hatterman, On the Terrace

É um quadro de 1930 e fez-me pensar no papel das pessoas de cor na sociedade holandesa. Eles também tiveram colónias em zonas exóticas do globo que se reflecte hoje na sua sociedade. No entanto, o que me fez parar diante deste quadro foi o facto de não só em 1930 um indivíduo do Suriname ter direito a estar numa esplanada a beber a sua cervejita como ser objecto de uma obra de arte, sem qualquer pormenor pejorativo. Tirando o retrato de escravos não me lembro de ver pessoas de cor em quadros e muito menos em primeiro plano.


Gino Severino, Train blessé

Ao olhar para aqui só me conseguia lembrar de (mais) uma grande falha na minha cultura portuguesa. Não sei nada de arte portuguesa... muito pouco, quase nada. Uma vergonha. Olhava para o quadro e lembrava-me de Amadeo Souza Cardozo... mas não sei porquê. Sei nomes e depois não os sei enquadrar...

Deixem-me fazer a ressalva que não sou grande fã da Rembrandt e companhia e que dado viver entre Klimts e Schieles, a escola de pintura flamenga parece-me sempre hiper realista e muito sombria.

Cachorrinho

Seguindo inconscientemente uma tendência da blogosfera, também eu me tornei amiga dos animais neste fim-de-semana. Não dos animais em geral, que eu não sou de dar muitas confianças a estranhos, mas de um cão em particular. Não estou habituada a interagir com animais (nem plantas, nem crianças... e pessoas é o que se sabe...) por isso a ideia de ter de lidar com um cachorro por uns dias formou-se no meu horizonte com alguma curiosidade. (Até porque não sendo an animal person de todo, sou mais uma cat person do que dog person). A interacção foi bastante bem sucedida ao ponto de já ter ouvido que ele anda lá por casa à minha procura, sendo que eu voltei à casa de partida (a minha). De qualquer modo, tivemos direito a muita brincadeira e até uma ida às emergências veterinárias. Apesar do pequeno Louis ser adorável, ter um cão não é nada para mim. Apercebi-me de que é mesmo uma mão cheia de emoções e que para ter um cão é preciso muito tempo disponível.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Encontros imediatos no aeroporto

É tiro e queda. Venho para o aeroporto e acontece-me qualquer coisa. Desta vez, a rifa que me saiu continha o nome do meu antigo namorado austríaco, que não via há um largo par de anos.

Ele disse-me "Calíope, tu estás na mesma!" querendo dizer "estás linda maravilhosa como sempre" e eu pensei primeiro "será que ele tem um casaco insuflado debaixo do blazer ou engordou imenso", depois pensei "não, totó, ainda estou mais gira do que antigamente e esperta como nunca: os meus três cabelos brancos são prova de sabedoria" e por fim pensei "pois, não posso dizer que ele está na mesma... pergunto pela mulher?!"

Vou embarcar!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Questões

Se estão a lidar com problemas graves, não leiam o que se segue, pois vou enumerar uma série de maleitas que me atordoam de momento o espírito e acredito que possa ser insultuoso para os demais.

- Não sei se quero praia ou campo, 5 ou 7 dias em Bali. (Ajuda do público?)
- São quase meia-noite e eu ainda não fiz a mala para amanhã.
- Tenho tudo para fazer um White Russian e ainda não consegui fazer o dito, quanto mais bebê-lo.
- E ainda há unhas por pintar...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mergulhos bilingues XXI

Sim, porque a minha tese não está a ganhar pó! Estava eu a escrever mais umas linhas quando me senti qual coelho duracel a bater contra a parede. Não sabia como continuar, não via como contornar o obstáculo e continuava a gastar a pilha e a tocar tambor. Felizmente enquanto continuava a tocar tambor e a gastar a pilha, tive a presença de espírito de recorrer a terceiros, mais concretamente ao autor do artigo mais próximo do meu computador. Escrevi ao excelentíssimo senhor professor pedindo o esclarecimento possível às minhas dúvidas. No espaço de algumas horas (3 ou 4), tinha uma resposta simpática, elucidativa e com mais uns artigos anexos.

Reacção da minha mãe: "Ah! É bom... mas só espero que esse professor não se transforme em ministro como o outro a quem pediste o outro artigo".

Reacção de uma colega minha: "Realmente essa gente é mesmo desocupada e não faz nada na vida... Quem é que no domingo à noite responde a e-mails?!"

Egon Schiele, Prozession

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Encarregados de educação

No fim de uma aula, um aluno veio falar comigo:

Aluno: Calíope, eu queria perguntar uma coisa que não tem nada a ver com a aula. Não tens de responder...
Calíope: Diz lá...
Aluno: A minha mãe queria saber porque é que tu vieste para Viena?
Calíope: ?!! Foi no âmbito de um programa de intercâmbio europeu para professores.
Aluno: Ah! Mas porquê a Áustria com tantos países? É que o meu pai veio para a Áustria por causa da minha mãe e a minha mãe lá em Portugal também dava aulas de alemão...
Calíope: Pois... Viena é muito bonita e eu já cá tinha estado antes... e adeus, até para a semana!

Qualquer dia organizo uma reunião de pais...

Eternamente grata

O meu country manager está de visita ao burgo e trouxe-me um quilo de castanhas portuguesas, daquelas deliciosas, daquelas lustrosas, daquelas saborosas, daquelas cujo cheiro consola, daquelas que me fazem comer dez quilos e chorar por mais, daquelas que me fazem sonhar com o Outono todos os dias, daquelas que me aquecem a alma, daquelas que o meu pai me ofereceu (20kg) quando eu fiz 20 anos, daquelas quentes e boas.
Adoro castanhas!

domingo, 18 de novembro de 2012

Ó pai, ó pai!

Normalmente as conversas ao telefone com o meu pai, a existirem, não estarão muito longe disto: "olá-tudo-bem?-chegaste-agora?-já-contaste-tudo-à-mãe?-okok-vai-lá-estudar/descansar!" E eu mal tenho tempo de articular o que quer que seja.
Hoje estivemos quase uma hora a conversar.
Há coisas impagáveis e esta é sem dúvida uma delas.
E nada gratuito.

sábado, 17 de novembro de 2012

Incognito



Tenho um estranho fascínio por blind dates: tanto dos descaradamente blind dates aos pseudo-blind-dates passando ainda por aqueles que nem sequer blind dates são, mas que eu os embrulho nesse pacote.

Gosto especialmente quando a encomenda sai melhor que o previsto!

É uma conjugação planetária rara, porém também acontece!

White Russian in the house


привет!

Kahlua e vodca já cá moram!
Os restantes tinham cá presença assídua.

ваше здоровье!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aluna do ano

O senhor embaixador do Brasil teve a amabilidade de me convidar para a comemoração da independência do Brasil, que por motivos de calendário não pôde ser celebrado no 7 de Setembro da praxe e que ficou adiado para a proclamação da república brasileira. Hoje (de um ano qualquer).
O coquitéu estava bem lêgau: não vi pãozinho de queijo, mas os salgadinhos e o frango com farofa e arroz de dendém estavam supimpas. Em termos de bebidas, o suco de goiaba fez-me largar o cálice de vinho branco.
O ponto alto da noite e na verdade o motivo da minha presença foi a entrega do prêmio do melhor aluno do ano do mestrado do curso de tradução de português. A vencedora foi minha aluna quando ingressou na faculdade. Fez comigo o semestre mais difícil de todos os semestres que leccionei naquela casa, onde obriguei as pobres crianças a saber o que eram anáforas, epíforas, oxímoros e quiasmos. Tiveram de ler canções de escárnio e mal-dizer que foi a pior maldade que fiz sem saber. Um ano depois, cruzei-me com esta aluna no corredor e em conversa ela disse-me que tinha pensado em desistir do curso porque os textos líricos da minha Kulturkunde eram extremamente difíceis para quem tinha aprendido português em cima do joelho no sertão brasileiro. Não desistiu, nem da minha aula, nem do curso. E possívelmente a nota máxima que mereceu, viu repetida na pauta vezes sem conta. Hoje a aluna ganhou uma viagem para o Brasil e eu acho que o prémio não poderia ter sido melhor entregue.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Constatação

Prefiro trocar prendas do que ficar, por simpatia e educação, com objectos de gosto duvidoso a apanharem pó, a ocuparem espaço ou perdidos numa gaveta qualquer.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O choradinho

A minha colega de Mainz mandou-me hoje um mail a perguntar se já tinha visto o vídeo do momento. Logo que pude fui ver o dito e senti vergonha. Só consegui ver ali uma chantagem emocional ao nível de um curtiço de telenovela: Ai-coitadinhos-de-nós-que-trabalhamos-tanto-e-somos-tãoesforçados-e-melhorámos-tanto-e-tão-rapidamente-e-se-não-fosse-a-porcaria-do-VISA-estaria-tudo-bem-e-quem- sabe-estaríamos-todos-a-ganhar-500 000€-por-ano-como-os-alemães-sim-porque-nós-ajudámos-os-alemães-quando-eles-precisaram...

Ela ficou de discutir o vídeo com os alunos dela...
Eu tenho uma aula sobre Deus, Pátria, Família e os FFF, estou tentada a pôr o vídeo pelo meio a ver se alguém dá pela diferença...

domingo, 11 de novembro de 2012

64º momento cultural: Tabu


Já queria ter visto este filme na Viennale mas os bilhetes esgotaram antes que o diabo esfregasse o olho. Felizmente o filme estreou no cinema depois do festival e lá fui eu.
Tabu é um forte concorrente ao meu filme preferido de todos os tempos, saí do cinema a pensar que vou escrever ao Miguel Gomes por ter realizado uma obra prima (pelo menos para mim) e lamentar o facto de não ter visto o filme antes para o ter podido congratular pessoalmente na semana passada.

 Adorei o filme, não sei se será preciso dizer. O texto é maravilhoso, a fotografia é lindíssima, a história é triste, mas muito bem contada com avanços e recuos, o título faz sentido e até a banda sonora não fica atrás. Além disso, ainda há muitos fios soltos pelo meio que apelam à capacidade e à imaginação do público. Talvez o facto de ser a preto e branco torne as personagens mais expressivas, não sei.

O grosso da história passa pelo flashback da vida de uma senhora, que na primeira parte do filme morre sozinha com a empregada, a fortuna estourada no casino, possivelmente louca, seguramente triste. Nessa primeira parte ainda aparece a vizinha, o senhor que gosta dela, a fiel empregada e a ausência da filha é mais do que presente.
O flashback é uma incursão em África nos anos 60 quando já se sentiam tensões que terminariam com a guerra. Uma família rica, uma filha emancipada, um casamento feliz, um crocodilo, um amante italiano que muda o carril da história.
A páginas tantas o italiano profere uma frase genial... que não vou conseguir reproduzir com a exatidão querida, mas vai com a memória possível: "Quebrei muitos corações, nunca me preocupei muito com isso, mas também não fui mais feliz assim".

 No fim não foram felizes para sempre, apesar de viverem o fim dos seus dias em Lisboa... sem saberem um do outro, até ela morrer. Às vezes, a vida é assim mesmo, nem jogo, nem amor.