quinta-feira, 31 de março de 2011

Ponto da situação

Happy woman with a scarf on the beach

Este Março foi um mês de passos em direcções importantes. Surpreendente. Cansativo. Que puxou por mim. Que me obrigou a repensar ideias. Mas bem-sucedido. Março originou dois projectos bem promissores que me completam, mas que em dias cinzentos podem não ser compatíveis. Eu vou tentar recorrer ao bom-senso enquanto árbitra e principal interessada no curso dos dois. E espero levar os meus intentos a bom porto.

terça-feira, 29 de março de 2011

A Sinhá



Recebi hoje a seguinte tarefa da minha entidade patronal

"Calíope, podes rever este texto em português brasileiro?"

com a seguinte adenda:

"E não sejas colonialista!"

Black is Black Female

segunda-feira, 28 de março de 2011

bučinys [butʃinǐs]



E eis senão quando Maria Calíope começa a falar lituano!

Na verdade o que eu consegui dizer com muito esforço e recorrendo a um volume bastante denso de memória foi bučkis [butʃkis], que é a versão mais corrente dos eruditos butchinhos do título, mas pronto, estou a tentar impressionar o caríssimo leitor com os meus conhecimentos de sinonímia e níveis de língua em línguas bálticas! :)

domingo, 27 de março de 2011

Ballett pela fresca!

Dom Quixote em ballett logo pela fresca, que é quem diz às 11 num domingo cinzento. Eu sugeri e o Valete veio, sem pestanejar :) (Já tinha dito que sim antes de saber qual era o programa). Eu expliquei que não era uma coisa assim cheia de frou-frous como a Giselle ou o Lago dos Cisnes, mas sim um bailado másculo, com pelo no peito: Don Quijote :D
Dom Quijote fez um grande negócio: conseguiu dar o nome ao bailado sem ter de fazer uma única pirueta, nem ponta, nem sequer por os pezinhos em primeira posição. Andou a vaguear pelo palco acto sim acto não e consegue ganhar a vida assim. Nada mau!
Eu gostei do bailado porque acho que a paisagem e a imagética espanhola com touradas e sevilhanas resultam muito bem em palco... O Valete também gostou (aguentou 2:45 sem se queixar ;))

sábado, 26 de março de 2011

Equilíbrio

Ando aqui numa grande ginástica a tentar organizar a minha vidinha. Quem me mandou querer fazer tudo? Quem me mandou a mim ter a mania que era artista de circo? Agora apareceu-me a prova dos nove e eu lá me vou contorcendo com a flexibilidade que Deus me deu. Anca para um lado, ombro para o outro, tronco torcido, até porque a minha coluna ondulada já não tem salvação possível, pelo meio treino os exercícios da dança do ventre, afinal agilidade também é isto! :) Está a correr bem!

Claudio, Balance

Apesar das proezas malabaristas não ando aos pulos e saltos e isso causa estranheza aos demais, que me queriam ver eufórica. Não percebo porquê, pois o meu currículo alonga-se em papéis de flor de papel de parede e não de menina que salta do bolo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Caixa de surpresas

As minhas actividades na empresa para a qual trabalho são sempre surpreendentes (que já chegaram a ter de fazer um inventário de palavrões portugueses... acho que ao fim de 5 palavras dei o inventário por completo!!!). Hoje tive de ir a um estúdio de som, conferir a gravação da locução de um spot publicitário... Mas a surpresa chegou com o locutor encarregado da árdua tarefa de locutar dois blocos de duas frases cada (escritas por mim, mas essa parte ele não sabia). É o indivíduo que é actualmente meu professor de "Português em Contacto" que citei no post dois abaixo deste...

O luso-mundo em Viena é assim: constantemente a tropeçar em si mesmo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Como as coisas andam cá em casa

Terça-feira passada já a uma hora bem adiantada da noite encomendei este livro na Amazon.
Sexta-feira a meio da tarde já ele estava na minha caixa do correio e mudou-se rapidamente para cima de um dos móveis da entrada... até hoje.
Ainda não consegui abrir o raio do pacote.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Preparar textos

Há umas tantas vezes em que acho que devia e podia ser melhor professora. Devia já ter as coisas preparadas com antecipação, podia preparar materiais e aulas muito mais ricas e tal se fizesse as coisas com tempo, não é tipo hoje estar a preparar as coisas para amanhã. (Mas também facilitaria a minha vida se não criasse programas novos e super interessantes todos os semestres). No entanto, surpreendo-me com a atitude de alguns dos meus colegas de profissão. Ando a frequentar umas aulas de Português em Contacto e atentem neste diálogo no fim da aula passada:
Aluno: Professor, qual é o texto que vamos ler na próxima aula?
Professor: Não sei...
Aluno: Mas é suposto lermos os textos em casa ou lemos aqui na aula todos juntos?
Professor: (rumina qualquer coisa imperceptível)
Aluno: É que assim sempre podíamos preparar o texto em casa...
Professor: Mas quer preparar o quê? Só vamos ler!

Eu pensei: "Preparar o quê?!!" Eu peço sempre aos meus miúdos que leiam e preparem textos em casa... para agilizarmos a aula e tal... mas isso sou eu e os meus métodos antiquados...

terça-feira, 22 de março de 2011

Sombras

Criar uma identidade, organizar círculos de amigos, entrelaçar tarefas laborais, resumindo: montar uma vida não é uma tarefa fácil nem rápida. Somos pessoas pelo que somos, mas também pelo que fazemos e por quem nos relacionamos.
No entanto, tenho vindo a observar que há pessoas que abdicam do que são, do que eram em nome de outrem. Não sei se devo classificá-lo como generosidade ou abnegação, não tenho de o fazer, mas observo e penso. Conheço pessoas que deixaram de ser eu para passarem a ser nós, que deixaram de poder decidir por si e que agem de acordo com uma vontade comum ou negociada. Eu estranho porque nunca tive de me regular pelas horas de amamentar um filho nem de me sujeitar às férias do marido. Parece-me que estar dependente de outrem acaba por ensombrar quem somos, quem éramos. Se calhar pode desenvolver outras facetas. Se calhar trata-se de uma escala de prioridades. Não sei.
Eu já era uma pessoa e já tinha uma vida antes da pessoa X aparecer na minha vida e não me parece que vá abrir mão disso.

Lembrando os momentos culturais

Foi uma parvoíce ter dedicado este ano às ciências... devia ter continuado com os momentos culturais, pois agora saberia onde enfiar os 3 filmes que vi no fim-de-semana (Alice do Woody Allen e dois filmes atípicos de Bollywood: Black e Paheli).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cultura livre do corpo

Como o perspicaz leitor já pode ter aferido nas entrelinhas de uns quantos posts ao longo destes anos, o povo austríaco e o seu corpo são muito dados. A relação entre os austríacos e os respectivos corpos e corpos alheios é o mais desligada possível e com isto vou citar uma antiga aluna minha numa zona FKK: "Oh Calíope, mas somos todos iguais!", claro que concordei, mas mantive o meu biquíni.
Recapitulando as entrelinhas para leitores mais distraídos, os austríacos não se incomodam de estar todos nus, todos misturados em zonas (públicas e) próprias para esse efeito. Eu já passei por zonas de FKK (cultura livre do corpo, que é como quem diz, nudismo, que me fez lembrar o Jardim das Delícias de Hyeronimus Bosch e questionar o porquê das delícias) e não foi há tanto que estive naquela sauna...
Isto tudo para dizer que a piscina que eu frequento tem balneários mistos, mas mais do que isso, tem duches mistos. Então lá estava Maria Calíope a fingir que estava a tomar banho, que tomar banho de biquíni vestido é só estar a livrar-se do cloro da piscina, quando se dá conta de dois jovens bem apessoados em amena cavaqueira nos dois chuveiros ao seu lado... mas nus... e bem apetrechados (que estava sem lentes, mas o rabo do meu olho não é míope).  A situação foi meio constrangedora, pois eu não sou austríaca, nem acho que sejamos todos iguais, até porque nunca tinha visto até essa ida ao chuveiro uma coisa qualquer (não tinha lentes!) tatuada na parte frontal da anca de um indíviduo! De qualquer modo, fiquei a pensar no ridículo da situação: estar grosso modo a tomar banho com dois gajos...
Eu despachei-me primeiro e saí de cena!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Piquenique no escritório

Ontem no escritório:
Colega: Calíope, não consegui fazer o teu patê de azeitonas porque não tive tempo. Mas trouxe hoje tudo o que disseste, para tu poderes fazer aqui... Até a varinha...
Eu estive o dia todo atarefada e não pude entre as minhas incumbências pôr-me a fazer o patê. No fim do dia, dei conta que as minhas colegas tinham tentado fazer o patê, mas como a varinha fazia muito barulho, acabaram por cortar as azeitonas... regando-as com azeite e orégãos... esqueceram-se do alho e depois surpresa:
Colega: Calíope, o teu patê estava muito melhor!
Calíope: Mas o teu também está bom, só que não é patê, são azeitonas com azeite e orégãos. Em Portugal é muito popular.

Hoje no escritório:
Calíope: Vou lá abaixo ao supermercado. Alguém quer alguma coisa?
Colegas: Hmm... Não...
Calíope: Preciso de comer batatas fritas!
Colega: Ah! Traz cabanossi... e daqueles pacotes com muitos!

Isto de termos salgados no escritório é novidade. Normalmente são bolachas e chocolates que por lá abundam.

terça-feira, 15 de março de 2011

Negão do momento IV: Kanye West

O ideal olímpico: citius, altius, fortius pode ser perfeita e metaforicamente um dos meus ideais não só pela sonoridade clássica latinista, mas também pelo ritmo irresistível do Kanye West! (Tirando isso não estou a ver assim mais nada de especial! ;))
A minha celebração de ontem passou por ouvir um inspirador Stronger a que se seguiu uma playlist do indivíduo supramencionado. E que belas surpresas. Estou rendida a este Love Lockdown.
Façam o favor de aumentar o volume ao máximo e clicar no link. Sintam a batida, os tambores e o coração. E agora vou arrumar a minha secretária ( e o chão à volta), que já não tenho desculpas para ter mil papéis amontoados assim...

Kanye West

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mergulhos bilingues XIV

Há um ano que estive a preparar-me para o dia de hoje.
Devo ter vacilado umas mil vezes, começando logo a tremer como varas verdes e a achar que andava a dar passos maiores que as minhas pernas. Tenho pernas curtas. Acho eu.
Há um ano estava a ter um ataque de pânico e só queria não ter de passar pela provação de ter de defender o meu projecto em alemão diante de um júri.
Há um ano julgava impossível o dia de hoje ter-se concretizado.
Hoje foi o dia de dissipar medos e de provar a minha flexibilidade enquanto vara verde: vergo, mas não parto.

O meu projecto foi viabilizado.

Ouvi muitos sehr spannend e até o meu alemão foi elogiado (sim, também foram feitas critícias construtivas no sentido de fundamentar melhor determinadas opções ou definir melhor o objecto de análise, mas isso agora não interessa)
A partir de agora podem tratar-me por Frau Doktorantin.

Egon Schiele

domingo, 13 de março de 2011

Quem é visionária, quem é?

O estimado leitor ainda deverá ter vivo na memória alguns acordes dos tangos que eu ouvia avidamente na semana passada.
O que o dilecto leitor não sabe é que o senhor Valete de Ouros gostaria de aprender a dançar tango!!!

Nem o caríssimo leitor nem eu! Caiu-me tudo quando ele disse isso e eu só ouvia a ecoar na minha cabeça "Bingo!". Como é que eu poderia imaginar que o indivíduo que eu facilmente acreditaria ter aversão a pistas de dança me perguntaria com a maior naturalidade "Não conheces Astor Piazolla?"

sábado, 12 de março de 2011

Ocupando a tarde de sábado

Professor: Ora muito bem-vindos! Ainda bem que vieram em tão grande número para uma cadeira com o enigmático nome "Linguística Intercultural", cujo conteúdo e significado possivelmente desconhecem. Corajosos! Na verdade este tema foi cunhado por mim e por isso só eu é que sei o significado desta combinação de palavras e o conteúdo deste seminário!


A duvida existencial do momento é se quero mesmo fazer esta cadeira por desporto (uma vez que inclui um trabalho escrito de 25 páginas) ou se dedico as mil horas de que ia precisar para esse efeito a outros prazeres mais mundanos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A loucura de sexta-feira quase de noite

Ando aqui a braços com a minha apresentação para a viabilização do meu projecto de doutoramento. Devia estar também a pernas, a tronco e a cabeça metida no meio da papelada, mas inacreditavelmente não estou muito preocupada, muito pouco ansiosa e quase nada angustiada. Isto é novo para mim: não sei se se trata de excesso de confiança ou de hiper inconsciência.

De qualquer modo, convidei uns quantos amigos para brincarmos às apresentações. Eu faço de doutoranda e eles fazem de júri. Para agilizar a aceitação da brincadeira, avisei que facultaria comida a quem assistisse à minha prestação. E pronto lá vou eu fazer um patê de azeitonas (estreia na minha cozinha) e um carilzinho de coisas que ainda havia no supermercado a uma sexta-feira de tarde! O resto é só abrir ou cortar!

quinta-feira, 10 de março de 2011

The Calíope Show

É fantástico ter (antigos) alunos que têm um furo ou que andam perdidos pelos corredores (ou que vêm de propósito à faculdade) e passam pelas minhas aulas com esta conversa: "Calíope, a aula de hoje é sobre o quê? Posso ficar a assistir? É que não tenho nada para fazer...".
É menos fantástico não ter praticamente alunos inscritos que precisem mesmo de fazer as aulas...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Jantar


Hoje à noite há fusili.

Sai queijo Feta com espinafres
ou
courgettes com tomate e azeitonas?

Façam as vossas apostas!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Boa pescaria!

Foi sem dúvida o comentário mais fixe aos ecos do fim-de-semana. Julgo que alguém deve ter dito que havia muito peixe no mar...

Como se deduz pela imagem, eu recorro a uma técnica especial, ultra-sofisticada, que concentra a atenção do peixe e fá-lo vir na minha direcção.

Anos de aulas de Magnetismo Teórico, Concentração Aplicada, Metodologia Científica de Pôr a Minhoca no Anzol!

domingo, 6 de março de 2011

Serões circenses


Este é o meu típico post encriptado. Daqui a uns anos, hei-de ler este post e não fazer ideia ao que me estava a referir. Por isso e para avivar a minha futura memória: fui ver o Discurso do Rei :)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Roda o disco e toca o mesmo

Continua-se a ouvir tango aqui no burgo. Agora clássicos como Por una Cabeza de Carlos Gardel.


Misha. Tango Moonlight

quinta-feira, 3 de março de 2011

É proibido pestanejar

Já que ninguém veio tirar-me para dançar, estou aqui a preparar aulitas boas para a criançada. Neste semestre, vai falar-se de século XX: vai falar-se de censura. E a censura começa aqui mesmo em casa: é proibido pestanejar, pois há muitas aulinhas para preparar (e a apresentação pública...)

It takes two to tango!

Estou deliciada a trabalhar a ouvir El Choclo, em versãozinha chill out, que eu sou assim muito cool :) mas esta mais clássica também não está nada mal.
Vá, enquanto ninguém pega em mim e me leva para Buenos Aires para o curso de tango (sim, tem de ser na Argentina), apareça pelo menos lá em casa, que eu até uso um saltinho jeitoso e afasto a mesa de centro.
Pode ser?

terça-feira, 1 de março de 2011

O postal

Sem dúvida o ponto alto do dia:
Teal Trigger

É que não estava mesmo nada à espera...

(E quem é visionária, quem é? Se tiverem dúvidas, olhem para o post aí de baixo!)

De resto começam as angústias melo-dramáticas do costume...