segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Corrida

Pelos vistos
há quem
tenha potencial
e corra
atrás de mim
por mim
vale a pena
vamos ver

domingo, 30 de janeiro de 2011

Rien ne va plus!


As fichas para a roleta macaense já estão na mesa.
Eu apostei no 33!

Agora aguardo que a roleta gire e que a bola pare.

Gato e rato

Rato
Mal distinto e vago.
Aparece, destabiliza e esfuma-se ou enevoa-se.

Gato
Individualista, mas cuidadoso.
Dono de uma paciência admirável.
Observa, esmera-se ronronando e segue passo ante passo.
Aguarda astutamente a melhor altura para pôr as garras de fora.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A congelar medos

Devo ser das pessoas mais medricas que conheço. Tenho medo praticamente de tudo assim em geral. De tectos baixos, de conduzir, de caras feias, de cair, de alturas sem gradeamento, de não fazer as coisas bem, de ser mal sucedida, etc. É uma supresa conseguir de casa todos os dias!

De qualquer modo, acho o medo é uma coisa boa, por ao ter medo uma pessoa fica em estado alerta. Coitadas das pessoas que não têm medo de nada, mais rapidamente caem nos abismos da vida, precisamente por não estarem alertas do perigo.

Drue, Kataoka. Iced Indigo

No entanto, ando em constante batalha face aos meus medos. Uma das minhas últimas aquisições da minha colecção de medos é medo de desportos de Inverno (essa coisa que nem existia antes no meu vocabulário!). Hoje peguei em mim e lá fui eu esgrimar argumentos com o meu medo de fazer patinagem artística. Estive mais tempo agarrada ao ringue do que de mãos livres. Nunca caí tantas vezes como hoje, mas já me levantei sozinha. Nunca tive tanta gente a ensinar-me. Dizer que fiz patinagem no gelo ainda anda a anos-luz do que realmente se passou. Mas no fim já conseguia andar sozinha a uma distância do ringue fora do alcance dos meus braços. Não venci o medo, mas enfrentei-o...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Época de exames

Esta sou eu e a minha turma de Linguística Alemã. Uma amiga minha descreveu a situação de forma exemplar, ao passo que eu me inscrevi e frequentei a cadeira aus Spass, as centenas dos meus colegas fazem-na aus Hass, pois é daqueles cadeirões que despertam sentimentos malígnos a espíritos indefesos.
Não conheço ninguém, mas sei que além de mim, houve mais 77 macacos que se inscreveram na 1ª chamada, amanhã pela fresca...
Neste momento estou a estudar e a ver no que acontece amanhã. O pior que pode acontecer é ter 5 (negativa) mas pelo menos terei uma ideia de como é o formato da prova e como é fazer uma prova em alemão. Há 2ª, 3ª e 4ª chamada. Eu não preciso da nota, mas já que piquei o ponto todas as semanas, gostaria de ganhar uns pontos extra no meu Sammelnzeugnis.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vamos ver um DVD?

Desconfio que a técnica do DVD esteja impregnado naquele Y, só isso é que justificaria que gajos de todas as latitudes e com as mais diferentes bagagens académico-culturais utilizem a técnica milenar de ir ver um DVD lá em casa. E de repente é vê-los esparramados no meio do sofá de braços esticados para que a gente não tenha oportunidade de escapar aos seus tentáculos... ou não.

Está a ocorrer-me a última vez que eu quase caí nas teias do "Vamos ver um DVD" há um bom par de anos. Coitado do tipo, desastrado com pontuação máxima. Vimos o The Queen. Só o facto de eu me lembrar do filme é já um indicador do que não aconteceu. O tipo não só escolheu esse filme que exala sensualidade e momentos calientes em todos os instantes, como também pôs montes de aperitivos e salgadinhos em cima do sofá (!) entre os dois...

O mais curioso é que queria contar um outro episódio "Vamos ver um DVD" e não sou capaz de me lembrar do filme... pior, foram dois!!! Mas vá, lembro-me do gajo esparramado, menos mal.

Face à mais recente abordagem do género, Maria Calíope contra-argumentou com uma sessão de patinagem artística ou uma horita de natação.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Porque é que a Primavera não se despacha?

Where do snowflakes come from?
 
Lá fora neva e continuamos abaixo de zero. Cá dentro o cinzento domina com nuvenzinhas parvas a perseguirem-me. Se tivesse aqui um bacalhau salgado inteiro pareceria um autêntico bobo da corte ao meu lado. Já estou cansada deste Inverno...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Passos maiores que as pernas...


Sim, sou cromolítica, mas nunca tive em mente seguir e subir os degraus de uma carreira académica... (Muito pó, muitas teias de aranha, muito veneno, muitas rugas, muita pele flácida)

Porque é que eu me meto nestas embrulhadas
e pior do que isso,
como é que eu descalço esta bota?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Termas

Lembram-se de eu ter estado aqui? Pois... O que é bom, é para se repetir, por isso voltei a picar o ponto.
Foi piscina, jacuzzi, jactos de água em diferentes posições e direcções, vapores, banhos turcos, sauna com vitaminas, sal, mel e ainda aromas a ervas alpinas ou citrinos e muita descontracção com a trupe multi-culti do costume.


O que eu não relatei no ano passado foi uma característica centro-europeia das saunas: vai tudo em pelota e é se quiserem. Pois... E como quem está em Roma, deve passar-se por romano, também eu me desposei das minhas parcas vestes e fiquei de toalhita a ambientar-me com aquela paisagem de tamanhos e formas distintas!

Mas os locais estão perfeitamente habituados a estas situações, afinal somos todos iguais, salvo seja, e foi especialmente curioso apreciar 30 a 40 pessoas nuas num espaço limitado e a mais de 70ºC (?), quando alguém com a maior naturalidade do mundo pergunta por quem ganhou a disciplina do slalom em Kitzbühel e depois continuam todos alegremente a conversar sobre esqui...

E antes de ir para o Linsberg Asia, cumpri o meu dever cívico e fui votar.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Showdown

Querido Valete de Copas,

Demorou, mas também eu cheguei ao momento de revelação de cartas.

Ludwig Anton, Jack of Hearts Inv.















Pelos vistos, perdi. Paciência.
Mesmo assim, aceno com uma bandeira branca e sem ressentimentos, apesar de teres sido um bocado infantilóide e medroso (e estou a ser simpático-diplomática pois poderia perfeitamente ter trocado o D e o R, senhor doutor...). Cada um no seu caminho e daqui a uns meses, voltemos a ser amigos e podes voltar a convidar-me para jantar. Para já, ficam musiquinhas que tenho a certeza que irias adorar, mas lamentavelmente para ti, não tas vou mandar!


Jocelyn Brown - Somebody Else's Guy, em best version, club mix e claro está ao vivo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A corrigir provas

Pergunta: Qual foi para si o momento mais interessante da História de Portugal (sécs XII-XVI)? Justifique.

Uma resposta: "Fiquei fascinada com o mito de D. Sebastião. Para mim, ele foi a pessoa mais ignorante que já reinou Portugal. Só pensava nas suas paixões: guerra e religião e nem se preocupou um bocadinho com o povo. (...) Por incompetência sua, morreram muitos dos seus soldados em Alcácer-Quibir. (...) Agora pergunto-me: Porque é que as pessoas esperavam por D. Sebastião? Sei que a situação do povo português ficou muito mal depois da sua morte (...). O Sebastianismo é uma fé. (...) Parece que os portugueses estavam tão desesperados que até esperavam por uma "pessoa ignorante" que levou à sua má situação. (...) A esperança nunca morre, só não entendo porque gastavam o seu tempo a esperar por D. Sebastião".

Oh meu Deus! Ando a criar monstros! :D

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sol

Tenho uma série de amigos e conhecidos que decidiram povoar o mundo no ano passado. Foram uns mil bebés que devem ter nascido... Eu como não sou nada dada a essas cenas e não tenho muita paciência para conversas de choros e fraldas, tive de aprender a lidar com a situação.
Mas hoje não pude deixar escapar um oooooooooohhhhhhhhhhh sentido perante o pequeno Kyian Rá. Sim, o rebento do meu amigo francês tem este nome fabuloso. Julgo mesmo que o nome é magnífico-divinal e comove-me o facto de ele ter vindo à baila num belo repasto cá em casa. Kyian já estava escolhido e dizem as más línguas que fui eu quem avançou com Rá, depois de me ter apercebido que Kyian-Osiris não ficava muito bem. Só me lembro de às tantas da manhã, já com outras tantas garrafas vazias e de uma leitura em voz alta de poemas de Pessoa, o meu amigo liga à namorada a perguntar o que achava de Kyian Rá. Nós, à volta da mesa, fazíamos claque...
Se a vida me correr bem este ano, hei-de ir a Hamburgo visitá-los!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Regresso ao passado

Como o prezado leitor sabe, Maria Calíope tem uma alergia crónica a largos elogios ao passado. Saudosismo e nostalgia são termos que dificilmente entram no meu dicionário, simplesmente porque julgo que ao estar a olhar longamente para o passado, estamos de costas para o futuro. E lá está, o tempo não volta para trás.
Mas claro que sempre que lanço estas cuspidelas para o ar, passa um pombo aponta a sua cagadela para mim.
Num mesmo dia (hoje) fui convidada para uma festa de anos/reencontro com a turma da preparatória e no facebook apareceu uma foto da minha turma da 2ª classe... São turmas diferentes. Não vejo essas pessoas nem tenho contacto com elas há 20-25 anos.

Quero mesmo actualizar essas memórias?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Metáforas didácticas (qb)

Na aula de dança oriental, estivemos a aprender a ondular o tronco e estava tudo a correr bastante bem até à professora se lembrar de lançar uma metáfora para explicitar melhor a técnica que tinha acabado de explicar:

Imaginem que não têm braços (an?!!!), que têm um cântaro preso à cintura (what?!!!) e querem ir buscar água à fonte (wie bitte?!!!!). Assim atiram a barriga onde está preso o cântaro para apanhar a água da fonte e depois contraem-na e retraem-na para atrás e repetem este procedimento.

Para mim foi o princípio do fim. Como é que eu me posso imaginar sem braços? E sem braços e com uma vasilha amarrada à cintura?! É quase tão bom como sem braços com um pincel na boca ou giz nos dedos do pé. E eu não tendo braços, não teria ninguém para me ir buscar água? E eu estava a viver onde para não ter água canalizada?!
Depois destas dúvidas conceptuais, passei a outras de foro mais prático. Então lá ia eu à fonte de cântaro alinhado ao umbigo. Até aposto que a fonte tinha um murinho mais alto que a altura das minhas ancas, ou seja, para eu conseguir ondular o tronco e que o jorro de água acertasse no meu cântaro, teria de saltar para dentro da fonte: o que com mãos já não seria fácil, sem mãos quase impossível. Mas imaginemos que eu conseguiria encostar-me no murinho, passar as pernas para dentro da fonte sem escorregar, nem danificar o cântaro e enchê-lo de água. Como é que eu sairia da fonte sem entornar a água nem partir a cantarilha? E tenho a certeza que por essa altura já estaria completamente encharcada.

Claro que com estas dúvidas todas, não consegui serpentear-me mais...

Nevoeiro

Foi-se o fim-de-semana, foi-se o sol, foram-se todas as minhas certezas.

Hoje o dia esteve enevoado. Nevoeiro cerrado como acho que nunca vi em Viena. E o que eu adoro nevoeiro! Não competindo com dias de sol em Viena, adoro nevoeiro onde quer que ele esteja, mesmo quando estive em Agra e não dava bem para ver o Taj Mahal...

Tenho os hemisférios enevoados e não sei o que fazer. Não sei estabelecer prioridades e por isso não sei que trilho seguir. Dou uma no ferro e outra na ferradura e só espero não estar a fazer asneiras.

Do meio do nevoeiro chegou a melhor notícia do dia. Até podia ser D. Sebastião, se não tivesse aparecido na semana passada, mas sim D. Rodrigo, o Leão! Rodrigo Leão e Maria Calíope estarão no mesmo dia em Lisboa. E eu não quero perder o concerto por nada pois uma constelação destas não sei quando se repetirá!

domingo, 16 de janeiro de 2011

44 curvas

Este foi o mote da festa de anos de uma amiga minha, que veio confirmar as últimas ideias que se têm passeado na minha cabeça. O mito da eterna juventude é a ideia mais absurda que poderia existir e só deve cativar pessoas propensas a implantes de silicone, lipo-aspirações e afins, com graves problemas de confiança e auto-estima.
A minha alergia saudosismos baratos e a minha implicância com nostalgias parvas são sobejamente conhecidas. E talvez agora tenha descoberto o ovo de Colombo. As pessoas têm medo de envelhecer. Mas a perspectiva face à passagem do tempo está completamente deturpada. Há quem efectivamente envelheça e à aqueles que acumulam bagagem ao longo dos anos. Trata-se apenas de uma questão de perspectiva. A passagem do tempo é incontrolável e em vez de se tentar parar o imparável, em vez de se tentar retroceder o que já foi avançado, o segredo consiste em acumular o máximo de experiências, vivências e conhecimentos para enriquecer a bagagem que vamos carregando ao longo dos anos. Só essa bagagem nos permite viver uma vida mais plena, na medida em que através dela conseguimos relativizar problemas, analisar questões e até mover a luz do fim para o meio do túnel ou ainda criar túneis iluminados em toda a sua extensão. Sem bagagem não teríamos ferramentas para poder tratar do presente e preparar o futuro.

Já me estou a imaginar com 44... curvas! Vai ser a loucura!


Vénus de Willendorf

sábado, 15 de janeiro de 2011

E o mundo volta a fazer sentido...


Pezinho de dança e animadas conversas na friday night fever regadas com um vinho verde fresquinho.

Cabeça perdida nos saldos, onde comprei uma série de coisas de que precisava mesmo! Por exemplo, este vestido perolazinha, este verde ou estes sapatos!

De noite, voltei a ir nadar e quero voltar a fazer disto um hábito (a minha coluna agradece)!
E as estas belas horas, vou ler mais um maravilhoso texto fundamental para o estudo das línguas em contacto: Haugen!

Sinto-me poderosa (mesmo que algumas partes do meu mundinho ainda esteja às avessa!) :)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Combinado literatura

Literatura de viagens + manual de instruções + histórias das mil e uma noites + crónicas d’el rei + guia de qualquer coisa para totós = A vida de Maria Calíope.

Crónicas de El- Rei



D. Sebastião apareceu-me numa manhã cinzenta (ontem) na recepção do meu escritório novo. Não me perguntem nem como nem porquê. Não sei, não estava à espera e tenho dificuldade em lidar com imprevistos. Voltei atordoada para o meu posto de trabalho, mas agora só vejo duas possibilidades:

1ª opção: D. Sebastião esfuma-se entre os desaparecidos em combate.

2ª opção: D. Sebastião volta à batalha, pega na espada e cumpre os seus desígnios (desde que não seja para repetir a tontería que foi Alcácer Quibir para isso, que escolha a opção 1)!


Mil e uma noites



 Voltei da Turquia com um lindo candeeiro para a minha sala e ao colocá-lo no devido lugar, segui meticulosamente a recomendação da BcS de esfregar o candeeiro (uma espécie de duplex para génios das lâmpadas) e ter uma conversinha com o génio e eventuais amigos génios que lá coabitassem.

Feito!


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Solidez

O projecto que me tem pesado no lombo e consumido grande parte das minhas energias (dos últimos meses) está quase pronto... todo escritinho em alemão, onde utilizei mais do que três verbos!
O meu professor já viu o rascunho: fez alguns reparos mas disse que argumentação era sólida!
Os músculos entre os meus ombros e o meu pescoço ficaram ligeiramente menos tensos, mas com certeza que há coisas a melhorar. Receio que ele diga coisas agradáveis mais por simpatia e amabilidade... Mas se eu fizer figura de parva em frente do júri, enterro-me eu e o nome dele, não é?
Bom, tenho de me concentrar na solidez dos meus argumentos e colmatar as lacunas ainda presentes. Já tenho uma listinha de livros para requisitar na biblioteca... e daqueles bons, cheios de poeira e teias de aranha! :)

Para já e para celebrar a solidez dos meus argumentos, mereço ir aos saldos pela primeira vez este ano :D injectar dinheiro na economia deste país! :) (Os sacrifícios que uma pessoa com o armário a rebentar pelas costuras faz...) e até ao fim-de-semana posso ler um livro que não seja de Linguística.

Xan Sinclair Koonce, Solidity

Puzzled


e mesmo com esse arzinho macilento. (Não se vê mas também estou de braços cruzados).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Epifania

Dois meses de silêncio quebrado, por três vezes, por sintéticas respostas evasivas torna-se ensurdecedor e dão cabo de ouvidos habituados a composições melódicas, alegres e dançantes.

Epiphany

A lentidão do meu cérebro só permitiu a transmissão e decodificação da mensagem epifânica por estes dias (sim, aquela mensagem que é exclusivamente epifânica para mim, pois TODA a gente já sabia menos eu), mas pelos vistos, devo ter alguns genes messiânicos, que me tentaram salvar desta espera, mas eu nada: cega, surda e muda a aguardar o possível redentor, passei eu própria a Cristo, apesar dos benditos genes visionários cá continuarem.

Sim, ele não está assim tão interessado em mim :( (pronto já me verguei à verdade e crueza dos factos)
Sad, but true :(
Mesmo muito triste :(

11.1.11


É impressão minha ou este ano que ainda mal começou já desatou a correr?

Eu confesso que estou com alguma dificuldade em acompanhar o ritmo... mas vou socorrendo-me dos meus altos índices de flexibilidade e resistência.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pamukkale

Este foi sem dúvida outro ponto alto da viagem à Turquia. O sítio em si é magnífico, mas os contornos que envolveram a nossa chegada ao mesmo tornaram-no num daqueles episódios anedócticos inesquecíveis.

Depois de ultrapassar o problema de comunicação com a senhora da lojinha dos autocarros percebemos que teríamos duas escalas numa viagem de 250km que nos ocupou mais de 5 horas em cada direcção.

Os problemas de comunicação eram bastantes por isso não nos teríamos admirado se não tivessemos chegado ao destino: Pamukkale.

A BcS por distração e pelo adiantado da hora (6 da manhã) enganou-se a ver a temperatura. Ainda me lembro de a ouvir gritar que ia estar calor e 24ºC. Fomos lindas e primaveris para a viagem, sendo que a 2 horas de caminho, numa qualquer estação de serviço ela me diz que estavam 3ºC lá fora e que devia levar o cachecol. Passado algum tempo percebemos que afinal não era 24ºC... mas sim ºF... (na altura não convertemos a mínima de 24ºF e a máxima de 44ºF para não nos assustarmos, dado não haver mais nada a fazer, mas agora conferi que a máxima era de 6ºC e a mínima de -4ºC).

O serviço de autocarros turco é mesmo cinco estrelas, para além de pontualíssimos ainda havia televisores individuais, bebidas, snacks e comissários de bordo. Correu tudo lindamente.

Chegámos à vila de Pamukkale que fica no meio de uma povoação minúscula e lá fomos ver as piscinas de sal esculpidas pela encosta... quando o segurança nos diz que temos de nos descalçar (nós tentámos pedir para ir de meias ou de chinelos, mas o senhor foi irredutível). Eu pensei que iria congelar. Andar descalça sobre chão de terra gelada deve ter sido o desporto mais radical que alguma vez pensei fazer. Julguei que não fosse capaz. A pobre da BcS achava que os ossos se iam partir... Foi penoso,  mas a recompensa veio a seguir: águas termais quentinhas. Melhor que aquilo, impossível! Adorámos. A paisagem é fabulosa, o efeito magnífico e único.
O pior foi o caminho de regresso.... Maria Calíope, a tentar pousar para uma foto criativa, molhou uma manga e tendo em conta que não tinha casaco... Eu já não sentia os pés nem a mão direita... Foi mesmo duro. Mas conseguimos e que bem que soube voltar a calçar as botas :)

No longo caminho de volta, ainda houve um Hassan que simpaticamente me emprestou um casaco e um Moustafa que sugeriu que eu fosse aquecer as mãos ao pé do espeto gigante dos kebabs.
No fim de contas, não virámos pedras de gelo bem giras nem sequer ficámos doentes :)

Gandre dica, sim senhora!
Depois de Pamukkale, ver ruínas gregas e romanas nos arredores de Antália em tamanho familiar já não impressionou nada.

A sirene

O meu fascínio pela cultura árabe perde-se no tempo e o que sei sobre a mesma é quase nada. Ir agora a um país de orientação muçulmana foi um autêntico achado.

Um dos pontos altos da viagem para mim era a chamada para a oração. Aquele chamamento que se faz 5 vezes por dia para os muçulmanos irem rezar. Muito honestamente os meus níveis de religiosidade nunca estiveram tão baixos como agora, mas acho a ideia de se ouvir os cânticos pela cidade toda para reunir os fiéis e rezarem em conjunto muito louvável e de uma grande generosidade e de um sentido de unidade bastante marcado. Eu não faço ideia o que era ali cantado, suponho que cânticos ou versículos do Corão, mas nunca o cheguei a ler e também nunca consegui aprender árabe, logo não percebia nem formas nem conteúdos. O certo é que mesmo assim para mim era como o canto da sereia que encanta (e talvez leve ao abismo), mas uma autêntica delícia para os ouvidos. De qualquer modo, não vi qualquer reacção pública ao chamamento (a meu ver, a sim que a sirene tocasse todos deveriam ajoelhar-se no chão e rezar, ou correr para a mesquita mais próxima, ou sacar das contas do bolso e começar a entoar versículos, mas não, nada...)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Conversas soltas XXXI

Aeroporto de Antália, controlo e carimbo de passaportes:

Funcionário: O próximo, por favor!
Calíope: Hello!
Funcionário: Hmmm (a examinar o passaporte). Pode tirar o chapéu?
Calíope: Sim, claro!
Funcionário: Vai para onde?
Calíope: Para Viena.
Funcionário: Vive em Viena?
Calíope: Sim...
Funcionário: (Desfolha o passaporte e confere a origem) É de Espanha?
Calíope: Portugal
Funcionário: Desculpe, Portugal, mas vive em Viena.
Calíope: Sim. Sou portuguesa. Há agora muitos portugueses no futebol turco.
Funcionário: (Olha para mim meio incrédulo)
Calíope: No Besiktas, há agora muitos jogadores portugueses...
Funcionário: Besiktas?! Eu sou Fenerbahce!
Calíope: Ahahah! Fenerbahce!
Funcionário: Conhece o Fenerbahce?
Calíope: Sim, claro! E o Galatasaray também... Na verdade, a selecção turca não se saiu nada mal no último Europeu... O guarda-redes... Como é que ele se chama? Hakkan?!
Funcionário: Qual guarda-redes? De que equipa?
Calíope: Da equipa nacional...
Funcionário: Ah! O Volkan?
Calíope: Isso, Volkan! Ele é um óptimo guarda-redes!
Funcionário: E é bonito, não é? Muito giro...
Calíope: (Encolho os ombros e tento não fazer o meu ar enjoadinha, concentrando-me no belo tronco do Volkan: se bem se lembram, ele tirava a camisola no final dos jogos...)
Funcionário: E eu sou mais giro que o Volkan? (a rir)
Calíope: Muito mais! (perdida de riso e já com o passaporte na mão)
Funcionário: Foi um prazer conhecer-te, Calíope, faz uma boa viagem!
Calíope: Obrigado! Adeusinho! :)

O meu guia dizia que os homens jovens turcos eram de extrema simpatia para meninas avulsas e que primavam pelo galanteio fácil :)

Voltei, voltei!

Começar o ano a viajar foi uma grande ideia*!

Estive nos últimos dias em Antália na Turquia e em zonas adjacentes, o que me soube a romãs, laranjas e a "turkish delight" (que são as ginjas locais).

Durante quatro dias mais uns trocos nem me lembrei que ainda não acabei de redigir o projecto, que tenho provas para corrigir, que tenho de elaborar um teste, que amanhã começam as aulas e que já irei para o escritório novo...

Estou a voltar lentamente ao mundo real...

Para já, terminaram os posts agendados e logo que possível haverá mais detalhes sobre estes últimos dias.

* Muito agradecida à BcS que foi a entidade proporcionadora desta magnífica ideia :)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Reconhecer erros que cometemos é meio caminho andado para sermos melhores.
Custa, claro está, pois ninguém gosta de admitir que agiu mal especialmente quando foi qualquer tipo de intenção. Mas acaba por ser como aquela velha estratégia do um passo atrás para dois à frente. Se há um bem maior em causa, dar o braço a torcer pode ser difícil, mas necessário.
Infelizmente já vi muita loiça partida por preciosismos idiotas. Eu também já fui uma das idiotas preciosistas que partiu loiça. Mas agora queria deitar os cacos fora e comprar um jarrão novo.

Jarrão chinês para vinho Fa Hua

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Partes baixas

O meu grande amigo no processo de redacção do meu projecto tem sido o dicionário de alemão. E as coisas que eu descubro... "After" em alemão quer dizer "ânus"... 


E o que é que isto activou no meu cérebro, para além de um chorrilho de jogos de palavras ordinarotes? Um comentário que uma das minhas alunas me fez acerca dos palavrões em Portugal. (Ela está a fazer Erasmus no Porto). Então fez ela a brilhante constatação que a orientação dos palavrões em português e em alemão é bastante díspar. Enquanto os germanófilos preferem a via anal, os lusófonos recorrem mais à zona genital.

E a propósito do "ânus" ainda acrescentou que é por isso que qualquer falante de alemão acha divertidíssima a palavra "afta".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Valete de Ouros vs. Valete de Copas

Rasgo, Braço-de-ferro

O Valete de copas fala (nas minhas soalheiras memórias) de aquisição de língua, da origem da linguagem, do volume dos cérebros, das sequências musicais dos pássaros.
O Valete de ouros surpreende-me com a recomendação de um curso de chinês (remember Tordesilhas?) e um convite para umas férias... para dar uso ao curso, claro está!

Valete de Copas: 0,5 (por simpatia e pela minha totozice)
Valete de Ouro: 1

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Check-raise

O Valete de Ouros não quer sair da mesa de jogo.

Eu mandei um email de 43 palavras .

Ele respondeu em menos de 24 horas com 439 palavras. Eu tive a preocupação de as contar: QUATROCENTAS E TRINTA E NOVE! Pior, faz jogos de palavras (adoro) com as minhas próprias palavras (o gajo sabe jogar)! E ainda pior, fala nas tais 439 palavras de arte, da minha tese e da minha próxima viagem, recomenda-me viagens e cursos de línguas(!), que ele próprio já fez porque ia para determinado país...Temas que, como o caro leitor está cansado de saber, me interessam grandemente. Só faltava discorrer um bocadinho sobre a carácter visionário de Afonso Henriques, mas acredito que lá no quadrante onde ele fez a primária, ensinaram Hochdeutsch mas escapou-lhes a fundação do Reino de Portucale.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aufiderzinho!

Faz hoje 6 anos que trabalho para o departamento mais internacional de uma renomeada empresa austríaca. Se o meu emprego de sonho era no aeroporto, o meu segundo emprego de sonho era num open-space qualquer com colegas simpáticos e divertidos num ambiente amistoso, saudável e descontraído. Não passei um dos testes na Austrian Airlines há 7 anos, mas em compensação fui recrutada para esta empresa. Em Abril (2005) mudámo-nos para o antigo edifício da Bolsa. E hoje foi o último dia em que fui trabalhar e entrei no edifício mais bonito de todos, onde alguma vez trabalhei. Vamos mudar-nos para um edifício moderno, sem história, nem carácter (nunca lá estive, mas já estou a ver o género). Hoje foi o último em que entrei no escritório como quem entra num museu.
Para a despedida, juntámo-nos todos e fizemos um enorme cabaz para a senhora que nos vinha buscar as canecas dos cafés, que para além de limpar as nossas porcarias, ainda nos (pelo menos me) ensinava servo-croata e que lá se ia metendo connosco. Ela chorou e nós queríamos que ela viesse connosco. Até porque é funcionária da casa há bem mais tempo do que nós. Paciência!

Adeus Bolsa!
E adeusinho leitores (vou arejar o cérebro à Turquia)!
Mas vão passando por cá que há postinhos quentinhos a fumegar a sair logo pela fresca!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

8 anos


"Emigration is voting with your feet!"

disse um senhor muito perspicaz, atento ao mundo e possivelmente a roçar o brilhantismo que dá pelo nome de Aristide Zolberg no longínquo ano de 1983.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Mais arte...

 Van Gogh à procura de inspiração
 As primeiras obras de Miró
 A dúvida de Hopper

Este é o ano das ciências, mas eu continuo muito dada às artes, como vocês sabem, e fui ver hoje uma exposição de cartoons de Gerhard Glück a convite do Valete de Ouros. Parte da exposição era dedicada... à arte. Eu ri-me imenso, divirtam-se vocês também!
Depois de ver o Grito de Munch

sábado, 1 de janeiro de 2011

Propósitos para 2011

Este ano para mim será dedicado às ciências.

Ciências geográficas: Quero cruzar meridianos e latitudes onde nunca estive. Tenho de arregaçar as mangas para pôr o plano Tordesilhas em prática.

Ciências linguísticas: Quero ler muito e escrever mais ainda para o meu doutoramento.

Ciências psíquicas: Preciso de equilíbrio, clarividência e serenidade no meu espírito (o que quer que isso implique).

Ciências cognitivas: Preciso de saber analisar melhor o que me rodeia e aprender a ser um bocadito cabra ou pelo menos melhorar o meu jogo de cintura (isto encaixar-se-ia melhor nas ciências motoras ou físicas...)

Ciências biológicas: Espero que o meu organismo não me faça perder tempo com dores e maleitas. Espero que os organismos dos meus familiares e amigos funcionem de feição.

Li no jornal do metro de ontem que parece que 2011 será o ano dos nativos de escorpião. Eu cá estarei para o comprovar…
Neste preciso momento estou a comemorar a passagem do ano com 6 foliões. Eu sou a 7ª conviva. Parece-me um bom pronúncio para um ano em cheio.

Feliz Ano Novo!

(Alguém reparou que com o meu comportamento quase fanático anti-Natal quase que já simpatizo com a passagem do ano?)