quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Fonte da juventude

Pelos meados dos anos 90, comecei a usar aparelho nos dentes, entrei na faculdade e comecei a usar óculos.

Em 2010, continuo míope mas desta feita alternando lentes de contacto com os meus fabulosos óculos vermelhos, voltei a ingressar na faculdade como aluna (acumulando este papel ao de leitora) e agora a grande novidade é que a partir de hoje voltei a usar aparelho.

Cuidar do corpo e da mente mantém-nos jovens, digo eu.

Não bater no ceguinho!


Ia queixar-me dos 10ºC e do ventinho gélido que se faz sentir na rua, mas tendo em conta que há pessoas que vão passar a pagar 23% de IVA, não me julgo no direito de me queixar do que seja.

Não fui eu que disse, mas não acho má ideia: Revoltem-se ou Emigrem!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Moi sunse*

Em determinados círculos, a empresa para qual trabalho tenta vender a imagem de casa de jogos, mas para mim ela equipara-se mais a parque de diversões. Ok, já não temos o mini-golfe, nem os dardos, nem os matraquilhos, nem sequer a máquina de coca-cola.

Em compensação para a rapaziada, há bolas de diferentes tamanhos que lá saltam de pé para pé... e para outros tantos (eu inclusive), há aulas de servo-croata ou bósnio. Eu e o colega francês somos decididamente os mais interessados, sob o olhar atento das colegas búlgaras e eslovena. A senhora (da minoria sérvia na Bósnia) que nos vem recolher as canecas já nos repete as mesmas frases há meses (anos?) (Do-ber dan! Ka-ku-si? Dober hvala. Ka-kus-te-vi? Dober! Vi-di-m-sé --> Bom dia! Como está? Bem obrigado! Como está? Bem! Até à próxima) Mas de há umas semanas para cá, passamos de classe e começámos a aprender frases novas.

As nossas frases são necessariamente limitadas, mas esta foi a forma ideal de nós comunicarmos sem mal-entendidos. Em francês e/ou alemão estamos sempre a implicar um com o outro.

Uma das conversas possíveis:
Ele: Tenho fome!
Eu: Vai trabalhar! (radimô)
Ele: Coitada de ti, Calíope! (iadna Calíope)
Eu: Não. Feliz Calíope! (sretna Calíope)
Ele: Oh meu deus (moi bogé)
Eu: Cala-te! (shu-ti)

Mudando a ordem das frases temos pano para mil mangas e se a senhora ou as outras colegas estiverem lá para nos darem mais vocabulário então não nos calamos.

*Meu sol.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mergulhos bilingues XI

Tenho passado os últimos dias a conceber um questionário para fazer uma pré-selecção e organizar os meus eventuais futuros informantes de alguma forma. Como não encontrei nada que fosse exactamente o que queria na literatura disponível, tratei de fazer uma coisa por mim mesma, tendo em conta os meus próprios objectivos. Até aí tudo bem.
Mandei-o ao meu professor e ele respondeu-me a dizer que estava muito bom...
Estava muito bom e não havia nem sequer uma virgulazinha a ser alterada?!
Eu acho estranho...

Autárquicas

As eleições autárquicas estão ao virar da esquina, pelo menos aqui ao Leste do Paraíso. Eu vou votar, claro! No entanto, não posso deixar de expressar a minha desilusão em relação aos partidos de extrema direita locais. Normalmente, eu fico chocada com o que essas pessoas dizem. Coisas do género "Viena não é Istambul" ou "Viena para sangue puro" ou sangue vienense ou sangue não sei de quem. Mas agora estou desiludida. Primeiro, foi ter recebido em casa panfletos dirigidos a mim do FPÖ (Então os senhores de extrema direita, tão espertos, tão perspicazes para detectar sangue vienense não conseguem notar que eu tenho nome estrangeiro?) e hoje voltei a receber mais outros quantos. No sábado, num mercado houve uns miúdos do BZÖ (ainda mais ultras que os de extrema direita) que me deram uma caneta, mais uma vez, não reparando no meu ar super exótico.
Será que estão a tentar angariar votos em terreno alheio?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Agora é a sério!

Depois de uns quantos workshops, enveredei para o curso semestral.

Marty, Flame dancers
Dança oriental.

Não nos deixa fazer construir castelos no ar (ballet).

Não nos subjuga à vontade do par masculino (danças de salão).

Mantém-nos com os pé na terra e faz-nos descobrir muitos pormenores femininos algures em nós.

Duas amigas minhas também lá estão e lá pela quadra natalícia já estaremos possivelmente em tour com o nosso espectáculo!


(Daqui a um mês é o melhor dia do ano!)

domingo, 26 de setembro de 2010

O peso da idade


Pawel Mendrek, Uniform -  ji min and her friend on the way to school, wearing school uniform, accurate hair cutting was required stringent
 
Uma das minhas amigas preferidas esteve cá de fim-de-semana e eu do primeiro ao último minuto devo ter estado com olheiras ou com os olhos a arder ou a cair de sono ou cansada ou a espirrar ou a doer-me a cabeça ou não sei bem o quê. Coitada. Houve uma altura que ela me perguntou se eu estava triste. Não, nada disso. Antes pelo contrário. Tive muito gosto de a receber cá, mas não sei onde está aquela parte de mim que ficava hiper-activa com visitas (das boas) e que desencantava mil e um programas e que não descansava enquanto não tivesse cumprido os requisitos de melhor guia da cidade (sem contar com as dores nas pernas e as bolhas nos pés dos meus amigos)! Terá de ficar para a próxima.

58º momento cultural

La Forza del Destino de Verdi na Staatsoper numa versão bastante moderna. A música valeu a pena, o resto assim-assim. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Não fui eu que disse...

Mas não poderia ter expressado melhor.

Portugal é uma espécie de extensão europeia da América latina à beira mar plantado.

E só não concordo na totalidade porque a minha imagem  dos portugueses em geral melhorou imensamente, quando 43 tugo-alminhas me contactaram a querer contribuir com o meu trabalho de investigação, sendo que 25 +4 (excluídas) das quais foram diligentes o suficiente para se manifestarem no espaço de 24 horas depois da solicitação. Ah eram emigrantes, é isso!

 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Some Romance? Yes, please!

Fui buscar ao baú dos meus ficheiros o meu currículo em inglês. A última actualização datava de 2005, por isso havia muito para escrever.

De repente, dou por mim a consultar Romanistik no dicionário e dou com Romance Studies!!! (Estão a ver porque é que eu adoro dicionários? Contemplam-me sempre com fantásticas surpresas destas) Que coisa tão extraordinária para se dizer. Já estou a imaginar:

- What is your field of work?
- Romance!

Alfred Gockel, Romanze in Rot II

E o mais fabuloso é que são parvoíces destas que me fazem ganhar o dia.

Inventário de vocábulos VI


Nem sei bem a que cor corresponde concretamente o termo

escarlate

diria que será um vermelho alaranjado, mas poderá também encorpar outro encarnado qualquer. No meu imaginário, escarlate rima com lagarto e seria o nome ideal para uma salamandra, assim gorducha, peganhenta mas lustrosa e simpática. Curiosamente só depois da salamandra fugir a correr é que me ocorre a Scarlet Letter, mas assim de repente, parece-me ser outra cor completamente diferente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Posso trabalhar menos e ganhar mais?

Ontem mandei um e-mail ao meu chefe a dizer que queria uma reunião hoje.


Eu comecei assim:
Olha, preciso de apoio. Parece que eu sou a luso-bombeira cá do sítio. Tudo que há para fazer em portuguêm cai-me em cima...

E acabei assim:
Claro que nem tu nem a empresa têm culpa de eu ter outras 300 actividades, o problema é meu, eu sei. Mas teres aqui uma funcionária infeliz, aí sim, será um grande problema para ti.

Não consegui tudo o queria, mas o resto há-de vir.

Agora que descobri a rebelde e contestatária que há em mim, estou sempre a reclamar e, surpreendam-se, tenho ganho com isso. Custa-me imenso, pois eu preenchia mais um outro perfil qualquer. Mas quem não se mexe e está sempre satisfeito com o que tem, passa a vida a ser calcado.

O cd

Pedi ao meu pai que me comprasse um cd e ele bem mandadinho lá foi à fnac. Imagino que a conversa deva ter passado por isto:

Pai - Olhe, pode ver se tem este cd aqui. Chama-se Mozamverde de Tito Paris e Otis.
Empregado - Sim, sim, vou buscá-lo.
Pai - Obrigado!
Empregado - Cá está!
Pai - (Depois de examinar minuciosamente a embalagem, o título, os intérpretes) Sabe, isto é para mandar para fora... E se estiver estragado?
Empregado - ...

De noite ao telefone comigo:
Pai - Olha Calíope, já tenho o cd que me pediste. Mas e se estiver estragado?
Calíope - Mas estragado como? A caixa está partida?
Pai - Não, não, mas sei lá como está o cd dentro. O cd é para ti?
Calíope - Deve estar bom, não te preocupes. Sim, é para mim. Mas se preferires, podes abrir e ouvir a ver se se ouve tudo.
Pai - Está bem.
Calíope - Se não se ouvir tudo, podes ir trocar.

Um dia depois:
Pai - Calíope, o cd estava bom!
Calíope - Estás a ver...
Pai - Mas a maior parte é instrumental.
Calíope - Sim, o Otis é saxofonista. Olha, se quiseres e se gostaste podes fazer uma cópia...
Pai - Se quiser?!!! Já fiz!!!! Até havia algumas músicas escapatórias!
Calíope - (Perdida de riso)
Pai - Ia pedir à Caju que me ajudasse, mas ela tinha ido não sei onde e eu lá fui carregando nos botões e consegui. E no fim, estive a conferir se batia certo com o teu cd!!!
Calíope - (Ainda mais perdida de riso)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Mergulhos bilingues X


Se eu na semana passada já estava hiper motivada com os 15 minutos de conversa com o professor, hoje estou eufórica. Mandei um e-mail, através da Embaixada de Portugal, à comunidade portuguesa residente na Áustria, a saber quem não se importaria de participar na minha investigação. E foi ver respostas a cair o dia todo na minha caixa postal. Pessoas de quem nunca tinha ouvido falar e todas dispostas a colaborar. There is no way back now!
Até ver foram 22. Não chega, mas não faz mal. Estou radiante!

Se não tivesse visitas cá este fim-de-semana, era já agora que acabava a tese! :D

Egon Schiele, Die Tanzerin

O tipo da embaixada é um querido, mas possivelmente nada dado a conhecimentos internéticos. Não podia dar-me os contactos (e-mails) das pessoas porque eram dados confidenciais e não sei o quê, mas mandou o meu e-mail para toda a gente (eu inclusive) sem recorrer ao BCC, ou seja, todos os portugueses registados na embaixada dispõe agora de todos os e-mails de todos os outros compatriotas!

Adenda às 00:30 - Depois 28 e-mails respondidos, já me fartei de rir com as coisas que me escreveram. Até tenho um wanna-be-informante com nome de estrela porno. Tenho algo por que me queixar? Não! :D

domingo, 19 de setembro de 2010

57º momento cultural


A vernissage da exposição Estados de Espírito - Estado de Alma de Filipa Apolinário foi o evento ideal para um final de tarde frio. Para animar as hostes, para além dos quadros (os meus preferidos são os do flyer) ainda havia pastéis de nata e companhia lusa :) (Ai! Socorro que estou a soar a emigrante!!!! Quando eu suspirar por bacalhau, retirem-me o B.I.!!!!) e de outros convivas igualmente simpáticos

O tipo da t-shirt vermelha

Pelos vistos isto começou a ser moda no meu modus vivendi. Falo longamente com tipos giros e no fim chego à conclusão que não sei o nome. Mas afinal de contas, para que é que serve um nome? Não será muito mais giro contar às minhas amigas qualquer coisa como: "Epá conheci um tipo fascinante. Vamos chamá-lo de tipo-com-uma-t-shirt-que-lhe-ficava-super-bem-blaser-e-um-cachecol-ou-lenço-ou-o-que-era-aquilo porque não tivemos oportunidade de perguntar como nos chamávamos." Obviamente que é muito mais informativo do que "Chama-se Yves!" (Embora o nome Yves, assim com Y, tenha os seus encantos, confesse eu). Então quando eu falar do tipo que conheci hoje pode ser o tipo-loiro-com-óculos-arquitecto-que-nasceu-em-Tóquio-mas-é-alemão-apesar-de-ter-passaporte-austríaco-acho-eu.

A vantagem deste em relação ao tipo-do-comboio-para-Bruges-que-trabalhava-no-ministério-da-justiça é que é amigo de amigos e eu sei onde ele mora... mais ou menos!

sábado, 18 de setembro de 2010

56º momento cultural


Ontem de noite resolvi ir ao cinema ver um filme cujo trailer tinha visto e achava que tinha a ver comigo. Mary and Max: uma miúda que tinha um tipo mais velho como penfriend. (A parte que tem a ver comigo é o penfriend* e não o tipo mais velho ;))
Os bonecos estavam super engraçados, mas para o trapo que eu estava ontem, a história não foi a melhor. Na verdade, tratava-se de duas pessoas com problemas de sociabilização, que não tinham amigos e que também por isso iam trocando correspondência. A meu ver, o filme acaba mal.
De qualquer modo, para além dos bonecos que já referi, outra grande surpresa foi um bocadinho de Prokofiev que eu adoooooro.

*Eu tinha dezenas de penfriends quando era adolescente. Na altura não havia internet nem e-mails.

Pela noite dentro




Eu achava que o pior de viver sozinha era ficar doente e não ter ninguém para nos trazer um chazinho.

Agora julgo que estar triste e chorar compulsivamente e ter apenas consolo na almofada mil vezes pior :(


Picasso, Crying Woman

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Herzliches Beileiden




Eu achava que ir sozinha a um casamento era muito triste.

Hoje acabei de descobrir que ir sozinha a um funeral é mil vezes pior :(

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hora de atendimento

Depois de quase duas horas de espera, lá entro na sala do professor, sento-me e abro o meu caderno.

Calíope - Olá! Então deixe-me lá contar o que andei a fazer no Verão!
Professor - Diz lá então o que fizeste para além dos banhos de sol!
Calíope - Foi só uma semanita de férias e ao fim de dois dias já tinha esta cor...
Professor - Sim, sim...

Resumindo: vou mesmo escrever a tese em português (yeah!), mas o homem franziu ligeiramente a testa. Apresentei-lhe um rascunho de proposta de projecto e ele concordou. Fiquei de lhe apresentar um plano o mais tardar em Novembro. Em Março há a primeira prova oral... vai ser bonito e em alemão! Lindo! Lindo!
Devia ir à hora de atendimento mais vezes, saí de lá com vontade de escrever a tese já agora no fim-de-semana. A par do plano e das leituras, vou começar com as entrevistas... que é como quem diz encontrar entrevistados!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A cantina

Uma ida a Itália onde não se fale em comida, não é uma ida a Itália. Por isso falar de pizzas e pastas não é nada de novo. Agora, ir à Eslovénia comer é que acaba por ser curioso. No meu imaginário, Liubliana é uma imensa cantina: estive lá duas vezes. Por duas vezes saída de Trieste, fui almoçar a Liubliana, dar uma voltinha e seguir viagem para Viena.

Giulio Romano, Banquet of Amor and Psyche

O fim-de-semana correu de feição que é coisa para ser repetida com sol ou neve que quem quer rambóia não pode ser muito esquisitinho. Além do mais com boa companhia até Wienerneustadt parece um programão!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Animais de carga


Com uma capacidade de resistência fenomenal, um poder de encaixe imenso e necessariamente esforçado.
Esta definição tanto se aplica a uma besta, como a mim... Só que até ver, deixei de fazer fretes. Ou por outra, troquei as cargas pesadas por um epicurismo light.

Pelo menos a minha coluna estar-me-á eternamente grata.

sábado, 11 de setembro de 2010

Cenas combinadas

Uma "delegação" portuguesa veio a Viena tratar de uns assuntos da empresa. Um dos colegas conhecia. O outro não. Em conversa comentei com o colega 'novo' que na verdade sou professora...
E o meu colega adianta-se dizendo: "Sim, a Calíope é professora de português... tipo de cenas portuguesas... cenas de Portugal!"

Grande ideia para o semestre de Verão:
Novidade!!!!
"Cenas de Portugal" por sôdôtôra Maria Calíope.
Inscrições abertas. Vagas limitadas!!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pé na estrada

Foi preciso a diaba-mor torcer-me os braços, arrancar-me as unhas, puxar o cabelo, fazer-me cócegas nos pés, ameaçar os meus entes queridos, etc., etc. Vê-se que tinha prática neste tipo de abordagem, pois fez isso tudo em minuto e meio, sem se comover com toda a minha fundamentada e sentida argumentação. Eu em prol da felicidade alheia e do bem-estar da minha família e amigos, sacrifico-me e vou para Itália. Afinal de contas, o bom-senso continua a imperar.


Eu sou aquela ali de risco ao lado!

É só passar a fronteira e a gente tira os fatos-de-macaco... e as perucas!

Vai ser bonito. Uma lituana, três portuguesas (uma nascida no Brasil, outra criada na Suíça e a terceira com ar indiano) e um romeno para pôr ordem no galinheiro ou achincalhá-lo ainda mais.
Promete!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Carta aberta ao Rei da Suécia

Caro Sr. Rei Carl XVI Gustav,

Depois de hoje ter contribuído activamente para a manutenção do estado democrático na monarquia sueca, testemunhando que o seu súbdito A. Barla participou no presente acto eleitoral de forma correcta, venho por este meio solicitar um pequeno agradecimento no formato de um simpático vale H&M ou eventualmente um do IKEA. Se as finanças suecas se permitirem extravagâncias, então terei todo o gosto em voltar a dar umas voltas por Estocolmo, a convite da sua casa real, claro está! Se estava a pensar mandar-me um saquito de lacritze, agradeço-lhe imenso, mas poderá ficar com o meu, que com certeza desfrutará mais do que eu própria.

Hejdo!

Com os melhores cumprimentos,

Calíope

Infelizmente tinha razão

O filho ligou-me agora... Detesto ter razão.


Ellis Wilson, The Funeral Procession


Uma vez numa das muitas aulas sobre as aventuras de Vasco da Gama no mundo apareceu a palavra "mulato". A Eva não a conhecia. Eu tratei de explicar. E a explicação foi tão boa que ela disse logo de seguida toda orgulhosa: "Senhora Professora, também EU sou mulata!". Eu não pude deixar de soltar uma gargalhada e ela continuou: "Eu sou mistura de judeus e de austríacos... por isso é que Hitler me mandou prender!".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Momentos culturais do 51º ao 55º

Bom, antes de embarcar noutra aventura, deixem-me lá enumerar os momentos culturais deste periplozinho.

51º Bruges em si por ser também Património da Humanidade e o concerto de sinos que ouvi lá na catedral central.

52º Cap Blanche Nez: Pode ser ignorância minha mas falésias com relva e silvados com amoras e framboesas (eu apanhei e comi claro!) sobre o mar e com a Inglaterra ali a umas dezenas de quilómetros é novidade. O pôr-do-sol e o mar prata completaram o cenário. (Também lá havia um Bunker da 2ª Guerra Mundial).

53º Valérie sur la Somme: Um estuário com imensos pássaros e uma mini-marginal com hoteis e restaurantes pitorescos.


54º Bayeux: Como é que eu estudei História da Língua Inglesa e nunca ouvi falar da Tapeçaria de Bayeux? Uma grande lacuna colmatada agora pela examinação de perto aos 70 metros da mesma: decímetro a decímetro. Mais um filme e outras tantas ilustrações, documentários e maquetes. Uma preciosidade cheia de preciosismos: luxo puro.


55º Bayeux: A catedral. Eu estava à espera de uma paróquia da aldeia e dei com um espaço com três naves, muito maior a meu ver que aqui a St.Stefan.

55º Amiens: Depois de ter ficado deslumbrada em Bayeux, a maior igreja em França - a Catedral de Amiens - soube-me a pouco. Valeu-lhe um fantástico labirinto que tinha na nave central.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bifurcação

Posição actual: Acabada de chegar de viagem, constipada e meia adoentada.


Esquerda: Semanas antes do início do semestre, o que significa que há muitas aulas e outras tantas maricadas para preparar. Os programas já estão feitos e uma das cadeiras já está organizada para o semestre inteiro. Em 10 dias tenho hora marcada com o meu orientador de tese e tenho de lhe apresentar o que andei a fazer no Verão (ou o que deveria ter feito) e o plano de trabalho para o resto da tese...

Direita: As diabas de umas minhas amigas vão passar o próximo fim-de-semana a Trieste. E convidaram-me. Eu já não ponho os meus pezitos em Itália há uns bons 7 anos, nem sequer umas horitas em Malpenza. Elas têm carro da empresa com gasolina paga, por isso querem dar-lhe uso. A diaba-mor ainda me disse que pusesse os livros na mochila e que não me preocupasse com mais nada, pois a vida são dois dias e o Carnaval são três. Eu ia dizendo que tenho de estudar/trabalhar, mas ia perguntando quem ia, quando era para sair, etc..

Aiiiii! Heeeeelp?

A boda


Possivelmente o casamento mais autêntico a que já fui. Em plena Baixa Normandia, numa tarde repleta de sol e de alegria. Os meus amigos trocaram votos emotivos, mas sem frases feitas, nem fórmulas repetidas. Cada um à sua maneira, mas ambos em discursos sentidos e nervosos. Foi tudo repetido em francês e alemão e ambas as famílias já estavam entrosadíssimas e estávamos todos radiante. Não houve macacadas, nem parvoíces só porque sim e o protocolo assim o obriga. O essencial estava lá, sem artifícios nem pretensiosismos. Lindo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sem nome

A viagem já ia longa mas o destino ainda não tinha sido atingido: Bruges. A paragem em Bruxelas obrigara a uma mudança de comboio. Apesar de falar francês ainda não estava familiarizada ao facto de estar em região flamenga... Entrei no comboio, perguntando a um tipo que subia o degrau se eu estava no comboio certo. Ele confirmou e sorriu. Pergunta parva, eu sei, mas o meu holandês não é brilhante, o seguro morreu o velho e não me dava jeito ir parar a Moscovo :)
Já acomodada, voltei a perguntar-lhe se sabia quanto tempo era o caminho até Bruges. Disse que não. Ok...Uma hora depois estávamos a passar em Gent e eu lá mandei outra das minhas questões hiper essenciais, pelo menos, para o estado da minha vida naquele momento. A seguir é Bruges, é isso? Sim. Eu começo a pôr o cachecol. Mas olha que ainda falta uns 20 minutos... Rimo-nos os dois. E eu volto a tirar o cachecol. Foi como puxar a ponta de um novelo. Eu num banco de dois lugares. Ele num banco de quatro lugares simétricos sentado na minha direcção. Uma passageira que tinha subido em Gent e que estava sentada literalmente num dos dois lugares entre nós, deve ter ficado meia incomodada, pois a páginas tantas perguntou-nos se estava a interromper alguma coisa!
Num piscar de olhos, ele já estava a ocupar o lugar ao meu lado e a amena cavaqueira continuou até Bruges. Há químicas surpreendentes.
Eu hesitei em lhe dar o meu cartão de visita...
Mas fiquei a saber de onde era, onde trabalhava, o que fazia, que tinha estado em Lisboa e sido assaltado no Parque Eduardo VII, que já tinha estado em Viena há muito tempo, mas que tinha gostado, coisas imperdíveis a ver em Bruges e que ia para lá visitar a namorada.
Vacilei por completo e pensei que era rídiculo dar-lhe um cartão.
Ao recordar-me deste episódio, ainda não sei se devia ter dado o meu contacto ou não, mas apercebi-me de que não sei o nome dele. Nem ele o meu. E que estranho é não saber o nome das pessoas, especialmente quando o enquandramento cósmico parece perfeito.

Nos próximos dias haverá mais episódios da viagem.

sábado, 4 de setembro de 2010

Natal


Acabei de marcar a minha ida para Lisboa no Natal.
A minha mãe tem férias nessa altura. Assim, tornou-se prioritário confirmar que ela e o meu pai estariam em casa no período da minha futura estadia. Se já foi insuportável estar lá em casa sozinha no Verão, em pleno Inverno seria fatal! Bom, eles estão e eu já marquei a passagem.
A minha mãe já está cheia de ideias para preencher as nossas férias. Hmm... mas eu não vou estar de férias. Nada que a mãe não resolva: Trabalhas das 5 às 8, depois às 9 tomamos o pequeno-almoço e saímos! Estou a gostar de ver planos que não incluam telenovelas da TVI non-stop, mas não sei porque é que a minha mãe acha que eu trabalho 3 horas por dia... Mas sim, vamos andar de eléctrico pela Baixa!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ite, missa est!

A minha aluna preferida tem 88 anos. Desde Fevereiro já não vem às aulas porque adoeceu e tendo em conta as condições adversas do Inverno vienense deixou de ter tanta facilidade em se movimentar, segundo um dos seus filhos.

Em Junho fui visitá-la ao lar e ela ficou radiante com a visita. Eu também. Ainda conversámos mais de uma hora e ela ainda me deu conselhos acerca da minha tese e tudo!
No fim-de-semana voltei à casa de repouso de Francisco onde ela está e a perspectiva foi bastante diferente. Ela ficou radiante com a visita. Eu também. Mas desta vez ela estava acamada e deve ter perdido algum peso. Espero ter conseguido ter mascarado o choque de a ver naquele estado com a conversa. Acho que nunca tinha sentido que alguém diante de mim estava a morrer. É desolador. Mesmo assim ainda ficámos à conversa uma série de tempo. Ela própria dizia que já não sabia quanto tempo iria viver. Eu tentei dar à volta à conversa dizendo que não era assim pois ainda teria de celebrar os 90 com uma grande festa. Ao que ela respondeu ter apenas 88 e eu desculpei-me dizendo que julgava que ela tinha 89.
Curiosamente ela continua a chamar-me de Frau Professor, disse-me vezes consecutivas Frau Professor, nie aufgeben! e Wir bleiben in Verbindung! e continuava a expressar a preocupação com a neta em Portugal, o sentimento de culpa por um dos filhos ir no terceiro casamento, que tinha querido fazer coisas demais na vida, etc.

Quando ainda tínhamos aulas, eu disse-lhe vezes sem conta que gostaria de chegar à idade dela assim lúcida, dinâmica e cheia de vontade de aprender como ela.

Desconfio que foi a última vez que vi a Eva :(

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Jantaradas


O colorido da minha vida em Viena passa também pelos meus amigos:

Jantar de sexta passada: uma lituana, uma belga, uma cazaque e eu.

Jantar de sábado passado: uma dinamarquesa, uma romena, um espanhol, uma colombiana, uma bebé austríaca e eu.

Dois serões muito agradáveis!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Novidades


Lá por eu ter de me ausentar por uns dias, não vou privar os caríssimos leitores de um mergulhito por dia. Nessa medida, activei essa maravilhosa invenção que são os posts programados. Em breve voltarão os posts em tempo real!