quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estudar ao ar livre

Ando a tentar desenvolver novas formas de estudo que se coadunem mais ajustadamente ao período estival e não me parece estar a sair mal.
1. Ir estudar para a "praia" (= o mar é na verdade um braço tratado do Danúbio, a areia é um relvado com árvores). Dar umas boas braçadas antes motiva-me para quase tudo. O tempo que o biquini leva a secar dá para ler umas boas dezenas de páginas. Chato é ter o cabelo a pingar para cima do papel.
2. Ir estudar para o parque. Eu já ultrapassei o preconceito de que quem se deita em jardins público é vagabundo. E lá estive eu a ler mais uma coisa qualquer super interessante. Só que como não arranjei uma árvore onde me encostar, ler e tirar notas num caderno à parte tornou-se numa tarefa bastante movimentada, pois devo ter dado 50 voltas sobre mim mesma para encontrar a posição ideal não dando cabo da minha fraca coluna. Quando me lembrei que precisava mesmo de ir à casa-de-banho, já não houve leitura que resistisse.



3. Ir estudar em plena cidade. Adoro o Museumsquartier (MQ). A ideia do espaço em si já é fantástica e mais ainda quando povoado de ideias geniais: os enzies (são aqueles blocos da imagem que no Verão servem de banco/mesa/sofá/encosto e no Inverno são todos montados tipo lego e forma bares e espaços que tais). Consegui lá estar hoje umas duas horas a ler descansadamente. E possivelmente será o meu poiso dos próximos tempos. Agora ainda não sei é se consigo ir para lá de biquíni como outros convivas... mas ficar com marcas de peças de roupas com mais pano não me parece especialmente estético.

37º momento cultural


No meio de leituras obrigatórias do foro linguístico, concedi-me o direito de ler qualquer coisa de outro âmbito para desanuviar. Saiu-me na rifa A Fórmula de Deus do José Rodrigues dos Santos. O título parecia-me promissor e o que já tinha lido do autor também já me tinha cativado. O mais surpreendente de tudo foi estar a ler vorazmente explicações físicas e matemáticas, campos esses que para mim sempre foram abstractos demais e equivalentes a basicamente nada. Não sei até que ponto as explicações científicas da física e da matemática se podem conjugar tanto com questões religiosas. Eu, pessoalmente, adorei a combinação. Já o romance que entrelaçou o enredo já me pareceu mais forçado, mas tudo bem.

terça-feira, 29 de junho de 2010

The ONE and only


Recebi a minha primeira nota da Universidade de Viena: um 1 no Privatissimum para doutourantes e mestrandos e mais uns quantos. O 1 é equiparado a 17 - 20 val. segundo os meus alunos Erasmus. Eu fiquei contente, claro, é sempre bom começar bem para acabar melhor ainda, mas no entanto, não me parece tanto mérito meu, mas mais mãos largas do senhor professor. De qualquer modo, se assim for, antes assim do que aqueles agarradíssimos às notas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Barriga cheia aparente

Quem me ouvir falar deve pensar que ganho milhões, o que está completamente desfazado da realidade, mas enfim, há coisas que convém pensar 10 vezes antes de se aceitar, especialmente quando se tem a faca e o queijo na mão.

Estive hoje numa entrevista no Ministério de Educação para um lugar de professora de português a criancinhas da escola básica (ainda não se sabe ao certo). Eu já ia com a ideia de declinar o convite por problemas de tempo, mas quis ir lá para saber das condições (Sei lá se me iriam oferecer milhões para aturar pestes - todos temos o nosso preço).

Bom, dependendo do estatuto que o meu diploma adquira, deveria ganhar cerca de 400€ por mês, por duas horas semanais. Eu torci o nariz. Depois pensei melhor e se assim for acaba por ser mais do que ganho na faculdade. De seguida, lembrei-me que afinal, 400€ a dividir pelos diferentes programas para os vários níveis que a turma iria conter e que seria eu a fazer, pelos nervos gastos pelas criancinhas, mais os pais, mais os sábados estragados, consequentemente as sextas de noite também... hmm acho que não vale a pena.

No entanto, resolvi dizer que para o ano poderíamos voltar a conversar, para este ano lectivo já não.

36º momento cultural

Então não é que me esqueci de dizer que no sábado estive no maior festival a céu aberto da Europa: o Donauinselfest! Queria ver os Culcha Candela, mas acabei a ver a Amy McDonald que tocou num horário mais de feição.

Mas quem eu queria mesmo mesmo ver era o Prince, mas acho um desaforo os bilhetes mais baratos serem na ordem dos 80€...

domingo, 27 de junho de 2010

Domingo desperdiçado

Dia de sol e com temperaturas acima dos 20ºC... e eu não saí de casa.

Em casa, não fiz metade, nem um terço do que queria fazer.

O melhorzito foi que a papelada dos impostos está despachada.

Alguém me dá dicas de como aproveitar os meus domingos?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Grupo da morte: superado!

Antes de começar o mundial eu achava bastante duvidosa a passagem de Portugal para os oitavos-de-final, pois tenho a Costa do Marfim em muito boa conta. Mas também dizia que no caso de isso acontecer, passarmos a fase de grupos, tudo poderia acontecer. Estou agora nesse pé. Tudo pode acontecer!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dar tempo ao tempo ou desencantá-lo num sítio qualquer


Estava a tentar convencer uns alunos a virem fazer umas aulas comigo no próximo semestre. Um deles sai-se com esta frase genial:


Calíope, qualquer coisa que comece com "se tiver tempo" possivelmente vai acabar mal. Ou não acaba de todo!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Secas escritas ou orais

Às vezes há coisas que leio e enquanto leio penso que se tivesse dizer do que tratavam as páginas anteriores não teria o que dizer. Dependendo do objectivo da leitura há 3 hipóteses que se colocam: 1, fecho o livro. 2, volto a trás a ver se pego no fio da meada. 3, continuo a ler como se nada se fosse.

Hoje isto aconteceu-me numa palestra, que acho que era sobre literatura em língua alemã na Argentina. Ao fim de 15 minutos, a palestrante disse "Pronto, isto é sobre o que não vou falar" e continuou mais uma hora a falar sobre qualquer coisa. Eu ouvi tudo e até estava com atenção, mas não percebi patavina... pior do que isso, das coisas que percebi (a elaboração de catálogos de bibliotecas, as funções laborais de pseudo escritores, ...) fiquei a pensar em quem é que se pode interessar por estas questões. E o que é que isto pode contribuir para o desenvolvimento do mundo?... Bom, obviamente não tive qualquer resposta.

Física mística

A história de que os opostos se atraem e os semelhantes não sei o quê (estão a reparar no conhecimento de causa?!!) é matéria científica mascarada de sabedoria popular. Os opostos não passam de um grande mito. Não há opostos. Há coisas interligadas entre si que sem o seu item parceiro perderiam todo o seu valor. Sem sombra, a luz não faria sentido. As férias não saberiam a nada se não houvesse trabalho. A páginas tantas, descobri que a física e a matemática e o misticismo oriental têm bastantes pontos em comum e surpreendam-se: estou fascinada com a descoberta! (Eu que nunca tendi nada para ciências exactas do ramo científico natural, é importante explicar isso.)
Esta imagem tem qualquer coisa de Lolita... mas não faz mal, é mais engraçada que o Einstein de língua de fora.

domingo, 20 de junho de 2010

Conversas soltas XXIX

S/T, Luiz Martins

E não é que enquanto me acomodava já com o meu 1/8 de vinho branco para ver o jogo oiço isto:

Artista: Oi! Você não é a prófêssôrá?!
Calíope: Sim...
Artista: Oiiii! Eu sábiá! Eu sou o ártissstá! Nóis nos cônhêcêmôssss ná cásá dá Cárôliná!
Calíope: Ah pois foi... Olá! Bem me parecia que se a sua cara me era familiar.
Artista: Poissss! Eu ágórá tou com os óculussss...
E pronto, na 5ª vou à vernissage da nova exposição do artista :)

35º momento cultural

Andava para aqui a ver em que termos abordaria o mundial sem ter de fazer grandes relatos futebolísticos e até quis parecer uma pessoa normal, civilizada, não rancorosa, neutra e passiva quando rejubilei a bom rejubilar com as derrotas da França e da Alemanha. Entretanto, o Brasil - Costa do Marfim prestou-se mesmo a ser catalogado de momento cultural. Porquê perguntam vocês! Porque houve um clube culinário onde tiveram a brilhante ideia de associar o mundial da África do Sul a um mundial gastronómico. Assim sendo, o jantar de hoje foi:

Mafé x Xixim, Frango com variação de molhos com couscous

Quindim

Uma delícia que só visto: o molho marfinense era com amendoim e coco e o do Brasil com camarõezinhos secos. nham!nham!

Coitado do Didier Zokora e restantes amiguinhos com corpos portentosos que não tiveram assim muitos motivos para risota...



Já o melhor jogo até agora: Camarões-Dinamarca foi acompanhado de hambúrgueres, queijo espanhol, chouriço português e uma espécie de profiteroles dinamarqueses... Foi só pena que os Camarões tenham perdido.

Mergulhos bilingues VIII

Se calhar alguém me poderia explicar que o facto de encomendar livros, requisitar livros, fotocopiar livros, imprimir artigos, procurar autores em bibliotecas, escrever a professores da área não consiste propriamente a estar a avançar com a tese. Ler o milhão de cópias que entretanto tenho vindo a acumular aqui em casa seria um princípio, digo eu, mas acho que ainda não estou dentro do assunto...
Egon Schiele

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O chaffeur

Vamos lá voltar a falar de coisas que interessam verdadeiramente e deixar o choradinho que foi esta semana toda...

Acho imensa piada às companhias de taxis que aqui em Viena não se chamam companhias de taxi, mas sim empresas de transportes privados. Logo os senhores que conduzem os veículos não são taxistas, mas sim chauffeurs (assim mesmo em français!).
Então na semana passada recrutei os serviços de um chauffeur e do seu respectivo carro para transporte privado para levar papai e mamãe ao aeroporto.

Faltavam alguns minutos para as 5 da manhã e nós já arrastávamo-nos e às malas para a entrada principal e o senhor já lá estava. O meu pai achou melhor eu ir à frente porque sabia o caminho (!) e poderia ajudar em qualquer coisa (!!!). Bom, para não adormecer lá fui conversando com o senhor chauffeur e a páginas tantas lá lhe explico que eu não ia de viagem mas que só estava a acompanhá-los. Ele perguntou como viria de volta para Viena e eu disse prontamente que o faria de comboio-rápido. Quando chegámos ao aeroporto ele disse que ia tomar o pequeno-almoço e que se eu me despachasse antes dele e se o carro ali ainda estivesse que me traria à boleia para Viena.

Estranho. Estranho. Eu devo ter sido muito bem ensinadinha. Não falo com estranhos. Não recebo coisas de estranhos. Não deixo estranhos entrar em minha casa. E não entro em carro de estranhos, especialmente se os estranhos tiverem um ar de John Lennon.

Bom lá acompanhei papai e mamãe até eles entrarem na zona reservada a passageiros e lá ia encaminhada para a estação de comboio-rápido. No preciso momento, cruzo-me com o senhor chauffeur. Eram seis da manhã... e o meu cérebro ainda não estava acordado o suficiente para identificar o senhor chauffeur como estranho, mas perfeitamente alerta para saber qual era o caminho mais rápido para a minha caminha.

Dito e feito. Em 20 minutos e depois de uma conversa relativamente interessante fui estava aqui à porta de casa sã e salva e sem qualquer arranhão físico ou psicológico! E tudo a custo 0!

Conclusão: Voltei a acreditar na humanidade! Ainda há pessoas normais e decentes

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não metam mais moedas!

... porque eu sou só uma e não aguento mais...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Carrossel


Não sei bem se o que preciso é relativizar. Talvez seja. E especialmente não encarar tudo como se fosse Cristo e se tivesse de ser eu a pagar pelos males do mundo. Já pago pelos meus e já não são poucos.

Kees Van Dongen, Un Carroussel

Às 3 da tarde, dou conta de determinada situação.

Às 6 da tarde, culpabilizo-me pelo que fiz, pelo que não fiz, pelo que deixei por fazer, pelo que mandei fazer.

Às 9 da noite, ainda martirizada começo a pensar em soluções.

À 1 da manhã, caio de sono.

Às 8 da manhã, acho que afinal podia ter sido bem pior.

E vai mais uma volta no carrossel!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Peso nos ombros

O mundo voltou a rolar para as minhas costas. É cíclico. Já devia estar mais habituada. Mas não. Volta e meia e é isto.

Acho que hoje teria preferido que me tivessem dado um tiro do que me perguntado como estou. Estou mal, obrigado, e prefiro não falar no assunto. Não respondi e fiquei com os olhos baços e a suster a respiração para que não houvesse nem som nem líquidos. Consegui quase todas as vezes. Houve uma, perante uma insistência, que me refugiei na casa-de-banho. Voltei impávida e serena. Desencantei uns auscultadores e o Rodrigo Leão fez-me companhia e evitou que mais perguntas me fossem direccionadas. Menos mal. Sobraram apenas as via msn que não poderiam adivinhar a minha mudez.

Pior do que pensar que as nossas opções de vida não foram as melhores é verificar que aquilo que julgávamos saber fazer é também uma nódoa.

Já disse isto aqui por outra ocasião, em vez de Atlas preferia ser o Apolo...

domingo, 13 de junho de 2010

Perguntas ao Universo


Porque é que eu teimo em desperdiçar o meu precioso tempo com os tipos errados?


Já agora, ó Santo António, já que não me orientas um tipo certo, pelo menos, poderias desbaratar-me os errados, não?

sábado, 12 de junho de 2010

De regresso ao Danúbio Azul

O Verão começou a fazer sentido.


Hoje foi o dia das primeiras braçadas do ano no Danúbio. Resultado: Eu radiante e a minha pele lisinha, lisinha!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

34º momento cultural

O 10 de Junho comemorou-se em Viena a 9 de Junho... é como eu gosto, a despachar. Só que desta vez, saiu-me o tiro pela culatra, para poder ir à recepção dada pelo senhor embaixador, tive de cancelar uma aula e não ir à festa dos 65º anos do meu orientador...


Enfim, ossos de alguns dos meus ofícios. Papai e mamãe também foram e conheceram milhentos pais de antigos alunos meus, agora acham que eu sou super popular aqui no burgo.


Estes convites são mesmo meus, só não são é da presente festa, pois já havia fotos da última a que fui. Só muda a data e o nome do embaixador, o resto é igual.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

33º momento cultural

A Orquestra Filarmónica de Viena num concerto de uma noite de Verão em Schönbrunn.

Nós e mais umas 100.000 pessoas estivemos lá. Na verdade foi uma espécie de concerto do Tony Carreira de apoio à selecção, mas sem selecção e sem Tony Carreira. Em compensação houve um espectáculo de laser condizente com o tema "Lua, planeta e estrelas" para além de muita música. O tempo cooperou: uma verdadeira noite de Verão.



sábado, 5 de junho de 2010

Sagrada Família


Papai e mamãe estão cá no burgo. Ainda não fez 2 horas e eu já estou perdida de riso...

Mãe no metro: "Mas as pessoas ainda andam de casaco..." Eu tratei de explicar que até ontem esteve frio, na ordem dos 12ºC e o facto de hoje terem estado 20ºC é mera coincidência.

Pai cá em casa mostrando orgulhosamente uma ampliação (!)tamanho A3 (!!) com sublinhados a caneta flurescente (!!!) das instruções de um gravador que me ofereceu (para eu fazer as minhas entrevistas e formar o meu corpus de trabalho).
Acho que trouxeram-me comida para o Verão inteiro. Partindo do princípio que a minha mãe não ficará cá uma semana inteira sem cozinhar qualquer coisita, desconfio que para a semana quando eles forem eu estarei abastecida até ao Natal.
Kazuya Akimoto, Holy Family in Egipt

quinta-feira, 3 de junho de 2010

32º momento cultural

Sex and the City 2 - está visto!

Gostei.

As vidas normais não dão 50 voltas em 2 anos. Aquelas também não, mesmo mudando de latitude e especialmente de fatiota a cada 2 horas. O público do cinema, 99% feminino, viveu intensamente todos os momentos do filme. Pois. A conclusão que eu tiro do filme é que cada um tem o que merece à sua espera, sendo um diamante negro ou um Lawrence da Arábia.
Este vestido da Miranda foi o meu preferido dos milhões de trapos que elas exibiram. E aqueles dias em Abu Dhabi e o meu fraco pelo deserto fizeram-me lembrar que ainda não me inscrevi no curso de dança oriental. Vai ser já amanhã.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Prendas


Ontem recebi uma prenda com a desculpa: 'Ooops! Não resisti!' que consistia num lagarto adorável.
Adorei a prenda, a surpresa, especialmente por não haver nada para comemorar, ainda mais por a pessoa que mo mandou, o ter feito e saber que o tiro era certeiro. Realmente era a minha cara, especialmente agora que ando assim meia esverdeada (tipo-mete-nojo). Na verdade, o que recebi era metalizado (ou seja, cinzenta apagadita como eu ando).