sexta-feira, 30 de abril de 2010

O negão do momento II: Slaï

Numa jogada muito espontânea resolvi passar o espanador no meu cébero e desempoeirar musiquitas que foram cunhadas com os momentos errados. E o que é que eu fui fazer... Há dois dias que não páro de ouvir zouk para compensar a animação do meu trabalho de escritório. Bom, nem é zouk em geral é mesmo o sr. Slaï. Com o calor que cá veio fazer uma perninha foi mesmo só preciso um piscar de olhos para me imaginar numas Antilhas quaisquer (que eu para ilhas nem sou muito esquisita). O amigo Slaï nem imagina como de me sacudiu a alma e até teria sacudido o corpo se houvesse algum negão que me tivesse tirado para dançar... ok não dava muito jeito face às milhões de coisas que tenho de escrever mas pronto.

E é impressão minha ou ele é super parecido com o Usher?
Ah! Acho que esta Leçon Particulière tem qualquer a ver comigo!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Tempo rancoroso

Suspeito que o tempo está desavindo comigo. Como não tem conseguido deixar marcas em mim, ao longo dos anos passados, quer vingar-se. E da pior forma possível. O tempo anda a tentar enlouquecer-me. Acabei de o descobrir. O tempo procura criar-me ilusões e fazer-me crer que tenho um cabelo branco e deixar-me desiludida!

No outro dia pareceu-me ver um cabelo branco no espelho. PÂNICO! Ilusão óptica. Era um reflexo. UFF!

Antes de ontem estava um cabelo branco (ou loiro?) no meu pente. Aiiiiiiiiiiiiii! Podia ser meu. Podia ser de uma amiga minha. uff! Eu tive a preocupação de o medir com outros cabelos meus... e batia certo. NÃO PODE SER! Eu tentei procurar mais e nada. Pedi a umas amigas que me catassem a parte de trás da cabeça e nada.


Raios partam o tempo!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Coaching

Nos caminhos desejados, tortuosos, singulares, fartos, emocionantes, sonolentos, abundantes e às vezes desesperados ou perdidos na senda do meu doutoramento, tenho de vez em quando a impressão que quero dar um passo maior que a perna porque é muito trabalho, porque não tenho tempo suficiente, porque pode ser que tenha de ser em alemão, porque a fasquia está alta, porque eu sou só uma e por mais um milhão de razões.

No meio destas constelações que normalmente terminam naquele beco sem saída chamado pânico, apercebi-me de que tenho claque de apoio...

Quase ninguém me leva a sério nas minhas queixas, desabafos ou inquietações. Não me levam a sério porque acham que nunca falhei. Não me levam a sério porque o meu percurso não lhes permite pensar que eu fosse capaz de parar na berma depois da viagem ter começado. Não me levam a sério não sei porquê. O facto de agora ser tudo diferente não entra para os cálculos deles.

Descobri que alguns dos meus amigos não são meus amigos, são meus fans :) porque acreditam em mim, porque sabem que eu não jogo para perder, porque têm a certeza que eu tenho os olhos postos na meta e que só pararei quando a cruzar.

Eu gostava de ter essas certezas todas, mas enquanto não as tenho, agradeço-vos pelo coaching :) Mesmo! E agora lá vou eu voltar para os livros.

Conversas soltas XXVII

Ontem:


Calíope: Nem imaginas quem é o outro negão que voltou a mandar postais...
Amigo: Quem?
Calíope: Vá tu consegues...
Amigo: O gajo que 'teve no Togo?
Calíope: 'Tás a ver como sabias ;) Bom mas finalmente descobri que o tipo fala alemão e francês... é que a gente sempre fala em inglês.
Amigo: Ena! É daqueles multilingues mesmo ao teu gosto!
Calíope: ahahahahhaahha hahahahahahaha por acaso...



Hoje:


Calíope: Olha ontem nem acabei de te contar a história...
Amigo: Chuta!
Calíope: Acho que não vais gostar muito de ouvir ou pelo menos hás-de torcer o nariz e franzir a testa.
Amigo: Já me sentei. Estou preparado.
Calíope: Ok. Agora a montanha vai parir um rato. Então o gajo lá me esclarece da cena do alemão e do francês, mas eu já estava à espera que se saísse uma ave rara qualquer, até lhe perguntei se não sabia reto-romano. E ele lá no meio da conversa lança assim nas entrelinhas, se eu não queria ir lá...
Amigo: Espera lá... PÁRA TUDO!
Calíope a pensar: Aiiiiiiiiiii! Lá vem ensaboadela do género: tu já conheces essa história ou o conto do vigário é sempre o mesmo ou esse erro tu já cometeste.... e afinal:
Amigo: TU PERGUNTASTE SE ELE FALAVA RETO-ROMANO?!!!!!!!!! Que raio é isso?
Calíope: Sim! aahahhahahaha ahahhahaahhahaha
Amigo: Outro freak de línguas como tu...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Desiquilíbrios

Deveres vs. Prazeres

Albert Fennell, Between Friends

terça-feira, 20 de abril de 2010

Claustrofobia

Pronto... agora que o espaço aéreo austríaco já voltou a estar aberto na sua totalidade posso dizer a aflição que me causou a nuvenzona de cinzas islandesas. Subitamente e de forma tão imprevisível como incontrolada/incontrolável temi pela minha liberdade de movimentos. Pior. Senti-me enclausurada no centro da Europa (e não me venham com a história de ir de comboio até Roma e de lá apanhar outro transporte qualquer (barco/avião) para outro sítio qualquer - porque isso não é prático, é moroso e nunca poderia ser uma decisão espontânea). De repente Portugal pareceu-me lá longe, muito longe, os mais de 2.000 quilómetros pareceram-me infindáveis e pior do que isso impercorríveis.

Uff já passou! Mas foi um sufocozinho...

Vulcõezinhos queridos, quando se lembrarem de fazer puff puff outra vez, importam-se de virar a cara para o outro lado, sff?

Conversas soltas XXVI

M.C. Escher, Bond of Union

- Olhem, conheci um tipo nas férias da Páscoa quando estive em casa.
- A sério? Então?
- Acho que ele nunca saiu do país...
- Hmm...
- Ele pensa que eu estou a fazer uma viagem aqui na Áustria...
- 'Tou a ver...
- Como é que eu explico que já não lá vivo há 5 anos, que tirei o curso num outro país, trabalhei para o Parlamento Europeu e agora estou aqui... que possivelmente vou 'seguir viagem' e não me importaria nada de ir para a Ásia?
- Não explicas. Ele não ia perceber.
- A minha relação com aviões deve ser proporcional à dele com autocarros. Não havíamos de ter assunto nenhum...
- A diferença de horizontes é abismal... O que é que viste nele?!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mergulhos bilingues III

Podia ter-me saído o euromilhões, mas neste momento nada me teria deixado mais contente do que ter encontrado o artigo:
"Sometimes I start a sentence in Spanish y termino en español"

E a seguir deste vieram uma fiada de outros como:

"Cross-linguistic influence - Influence to nowhere?"
"Towards a better understanding of code-switching"
"Cross-linguistic transfer in word order: evidence from L1 forgetting and L2 acquisition"

Como se isto não chegasse descobri o infindável mundo das bibliotecas da Universidade de Viena. Como o mundo mudou desde a última vez que entrei numa biblioteca. Agora faço a pesquisa toda online e se correr bem é só lá ir e levantar o material. Estou radiante!
Egon Schiele, Girl Croutching

domingo, 18 de abril de 2010

28º momento cultural

Está a decorrer o Festival de Cinema Nórdico e ao ler o programa houve 3 filmes que me chamaram a atenção. Face ao meu programa de estudo aplicado, tive de reduzir o leque. Fui hoje ver o norueguês Appelsinpiken* (baseado na obra de Jostein Gaarder, que é como quem diz A menina laranja.

É daquelas histórias com todos os ingredientes que eu adoro: um minuto e tudo muda, procuras, encontros, desencontros, reencontros, fronteiras, esperas, flores, estrelas cadentes, flashes-back e um final feliz dentro do possível. Adorei :) e agora quero ir para a Noruega, acho que o meu futuro pode estar lá.

*Para ver o trailer, têm mesmo de clicar em "trailer"

sábado, 17 de abril de 2010

27º momento cultural

O serão indo-persa contou com histórias, contos, música ao vivo e danças tradicionais indianas e persas.

Não era bem o que eu estava à espera quando reservei os bilhetes, no entanto só a música já valeu a pena. Se calhar a acústica do local ajudou imenso, pois se os tocadores de batuque e de uma espécie de viola típica tivessem a tocar num corredor do metro, o impacto não seria com certeza o mesmo. Música de mil e uma noites autêntica e eu, claro está, já me via a correr em medinas desertas e a regatear em bazares!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nuvenzona


A notícia acompanhou-me o dia toda. As cinzas que formaram uma super nuvem e que estão a cobrir os céus do norte da Europa e a causar o caos em todo o tráfego aéreo. A Áustria não foi afectada. Mas uma amiga minha devia ir amanhã para a Dinamarca. Outra que está na Holanda devia ir amanhã para a Irlanda. A minha prima está na Irlanda e devia voltar também nos próximos dias para Portugal...


Eu tive alguma dificuldade em compreender o que se passava e até ver fotos não entendi a dimensão da coisa... e é bem grande.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mais alegria no trabalho

Não resisto a partilhar isto com os meus caríssimos leitores.

Acabei de descobrir que há uma palavra em português que significa a ausência de um ou dois testículos:

Criptorquídico

Para além de tudo o que disse ali abaixo, ainda aprendo palavras/conceitos fantásticos e óptimos para quando jogar Trivial Persuit ou se for ao Quem quer ser milionário?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Trabalhar com gosto

Não é por viver onde vivo. Não é por ter a profissão que tenho. Mas a atmosfera do meu local de trabalho é de luxo.

Alte Börse

Há quem traga bolachas, bolos, doces e mais raramente salgados dia sim dia não. Em dias de festa há champanhota! Houve tempo em que fazíamos ginástica para as costas... Tentámos criar um clima mais exótico e levámos plantas, a última foram trevos de quatro folhas. Os meus colegas estão a tentar fazer com que eu faça as pazes com as plantas e sou eu uma das pessoas que as rega. É a boa acção deles do ano e a minha vai sendo.

Para além das infrastruturas serem mesmo muito boas, o ambiente entre colegas é bastante sadio, amigável e divertido.

A semana passada foi um horror em termos de quantidade de trabalho. Hoje marquei uma reunião com o meu chefe e expus-lhe a situação. Solução da parte dele: "Se não puderes fazer tudo, avisa que a gente manda fazer". Solução da minha parte: "Quando eu estiver atrapalhada com os prazos e as quantidades, vou recorrer à ajuda de um colega da redacção". Ambas as soluções ficaram como plano de emergência prontos a ser implementados a um grito meu.

domingo, 11 de abril de 2010

Mergulhos bilingues II




A palavra do dia:




Solilóquio




Egon Schiele, D'après moi

sábado, 10 de abril de 2010

Mergulhos bilingues

A desvantagem de passar dias inteiros a estudar é que não há muita margem de manobra para que aquelas situações caricatas que só me acontecem a mim me encontrem (bom, é isso, e deixar de conviver com pessoas) por isso passo a encher o Mergulhos ao fim-de-semana com o melhor que me ocupou os dias.
Egon Schiele, Krumau - Crescent of Houses

O ponto alto do dia foi a seguinte constatação do Prof. François Grosjean:

People rarely make conscious decision to become bilingual; it happens because their interaction with the world around them requires the use of two [or more, digo eu] languages. (...) Bilinguism is neither a problem nor an asset but quite simple a fact of life that should be dealt with in as unbiased a way as possible.

É tão óbvio que é genial.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Procura-se

ACOMPANHANTE para casamentos e outros eventos sociais

Requisitos:

- Bem apessoado
- Bom conversador
- Boa companhia
- Mais de 1,70m
- Domínio de 3 línguas
- Capacidade de encaixe generosa
- Urbano
- Raciocínio rápido
- Sentido de humor sarcástico qb

Oferece-se:


- Companhia promissora, sentido de humor singular, bom gosto, paladar aventureiro, conversa versátil, disciplina ondulante, fotogenia exótica, atenção ao detalhe, truques de magia e circo


Isto tudo porque a história de um casamento por ano continua a compor-se. Fim deste Verão Le Havre, no início do próximo provavelmente Lisboa. No ano passado o de Málaga foi divertido, mas o de Cantanhede... hmm... acusei a falta de companhia e resolvi que não voltava a um casamento desemparelhada.

Se aqui o amigo James Caviezel quiser vir de Conde de Monte Cristo eu não me importaria nada de armar o cabelo e ser a sô-dona-condessa ;)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Problemas de pele

Voltei ao dermatologista. E ainda fiquei mais impressionada do que da outra vez.

Entre chegar marcar a vez, ir para a sala de espera, ler quase dois parágrafos, ser chamada, ser atendida, ainda fazer umas perguntas adicionais e pedir-lhe que soletrasse parte do que me afectou foram uns... DEZ MINUTOS.

O que é que me atacou? Schuppenröschen (foi o Röschen que ele soletrou) que é como quem diz literalmente rosinhas com caspa!

O que é isso? É uma espécie de uma alergia que me apareceu assim sem mais nem porquê, causava comichão e pior de tudo: deixou manchas. Mas não tipo padrões trigreza ou girafa, são mesmo umas manchas feias.

O senhor doutor dermatologista ainda me explicou que estas coisas aparecem e desaparecem sem que se perceba bem porquê. Não é alergia. E eu dei-me por feliz por não ter sido atacada na cara, ao que ele me respondeu que curiosamente as borbulhas só aparecem da linha do pescoço para baixo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

26º momento cultural

Foi a melhor decisão do dia ter ido assistir a um bailado. Deslumbrou-me o suficiente para querer lá voltar na próxima temporada e quase me desenmaranhou o novelo de pensamentos que me circulam pela cabeça.

Um Sonho de uma Noite de Verão com encenação do finlandês Jorma Elo



O bailado só por si já me arrastara duas horas para a Staatsoper mas eu não estava à espera de ser contemplada por extras:

- Cenário da floresta mais do que encantado
- Mini-bailarinas com luzinhas na fralda e na cabeça
- Coro com solista
- Burro a cantar
- Um Puck delicioso com movimentos estonteantes (não foi este da imagem, mas não encontrei o Puck certo)

E quando eu julgava já ter visto o suficiente para me encher os olhos...

Tan tan tan tan! Tan tan tan tan!

- A marcha nupcial versão orquestra e com o corpo do bailado todo em palco. Impagável.

domingo, 4 de abril de 2010

Regresso a casa

Independentemente de onde tenha ido passar uns dias / fim-de-semana / férias /pseudo-férias gosto sempre de voltar a casa, a Viena.

Desta vez voltei de Lisboa incólume e fico muito contente por ter passado uma semana sem sofrer uma única mossa... bom, mais ou menos. Há coisas de que já não me lembro bem, mas que me aborrecem um bocado, mas estou a tentar minimizar.

Por exemplo, combinar qualquer coisa com amigos em Lisboa é sempre uma surpresa: nunca se sabe ao certo a que horas é (ok, é sempre mais tarde do que se achava estar combinado), também nunca se sabe quem aparece (tanto há coelhos a saltar da cartola como ilustres convidados do público a desaparecerem dentro de caixas misteriosas) e o que mais me espanta, dizer que vamos jantar na X-feira no sítio Y não é suficiente para o encontro estar marcado.

Adiante, Lisboa também tem pessoas interessantes e sítios bonitos. E eu agradeço a essas pessoas por me levarem a esses sítios. Eu sozinha nunca lá chegaria.

E por falar em agradecimentos. Acho que esta foi a primeira vez em muitos anos que não me senti de pernas cortadas em Lisboa. Agradeço então ao meu pai por me deixar o meu lindo toyotinha pronto a utilizar, ao metropolitano de Lisboa por me pôr uma boca do metro a uns 100 metros de casa (ok, já deve ter sido há uns 5 anos) e à minha irmã e demais amigos que andaram comigo para cima e para baixo de carro :D