quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Princípios

Friedrich Hundertwasser, Blobs grow in beloved gardens


Deseja muito.


Espera pouco.


Não peças nada.



Era o lema de vida de Stendhal. Parece-me genial e meio caminho para uma (mais) vida feliz. Vou ver se ajusto os meus imensas desejos, reduzo as minhas esperanças e especialmente expectativas e peço menos ainda. Acho que é esta a mais fácil pois detesto pedir coisas.

Há coisas que me enervam solenemente

Hoje acordei com a notícia do tsunami nas ilhas Samoa e a possibilidade de haver dezenas ou centenas de vítimas mortais. Quando cheguei ao escritório abri um site austríaco cuja manchete era qualquer coisa como: "40 turistas mortos". Portanto os outros 60 e tal nativos não interessam a ninguém (são aquela massa anónima das estatísticas), agora os turistinhas queridos que vão para o Pacífico para banhos, esses sim fazem o mundo girar. Sinceramente...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Acasos felizes

Paul Klee, Städtliche Komposition

Encontrar pessoas conhecidas (minhas) pela rua dá-me sempre a sensação de estar em casa. Gosto de encontrar pessoas por acaso e trocar meia dúzia de palavras com elas. Acho piada às caras de surpresa e ainda mais aos sítios mais estranhos onde encontro as pessoas menos prováveis. Caminhos que se cruzam podem ser coincidência ou talvez não.

Hoje encontrei uma amiga dentro de uma vitrine de uma estação de metro! (eu disse que eram sítios esquisitos) Mas mais contente por encontrá-la fiquei ao perceber o quão contente ela ficou por me ver.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Domingo dinamizado

Ontem comecei a minha campanha de enriquecer os meus domingos.

O domingo aqui nestas paragens é aquele dia chato em que nada acontece, já achava isso quando vim cá parar e ao fim destes anos todos não mudei muito de opinião. Por isso, achei que ontem seria o dia ideal para mudar de atitude e animar os meus próprios domingos.

O plano começou por ir tomar um brunch a uma esplanhada soalheira, acompanhada por um livro e milhões de raios de sol. Não correu muito bem, confesso. Às horas que lá apareci ainda eram horas de pequeno-almoço, mas eu seguindo o meu plano à risca, pedi o brunch da casa... Acabou por metade da comida ficar no prato pois o meu estômago àquelas horas não dá para grandes avarias. Para a semana fico-me pelo capuccino, poupo o bolso e o estômago.

Segui andando para o centro da cidade. É impressionante a quantidade de gente a passear de manhã... Eu fui para a missa. Afinal é domingo e tudo! Em latim como eu gosto. Já não me lembrava de que gostava tanto. Mas durante o Verão os padres latinistas vão de férias, a culpa não é toda minha.

Lembrei-me de que há uma livraria aberta em pleno domingo e foi lá a minha paragem seguinte. Fui a pé e ainda bem que o fiz. Cruzei-me com o senhor mais alto do mundo, um turco de 2,43m... Eu acho que mal lhe chegava ao cotovelo. Pareceu simpático. Parava e pousava para as dezenas de pessoas à volta que lhe tiravam fotos. Mas coitado, a vida dele não deve ser nada fácil.

Queria comprar um livro sobre design em geral, trouxe um de política. Foi domingo de eleições e tudo. Durante a tarde devo ter consultado umas dez vezes a internet a ver se já havia projecções. Nada. Mas nos intervalos ainda fiz uma máquina de roupa e estendi-a no estendalito.

Vontade de trabalhar ainda não se vislumbrava, por isso em vez de começar a engonhar e a fingir que estava a fazer alguma coisa de útil e sem querer acabar meia adormecida no sofá... fui para a Staatsoper. Havia ballet e tudo. Mayerling! Nos intervalos lá li o livrinho sobre política que comprei, pois desperdiçar tempo é que não. Não foi com certeza o meu bailado preferido, mas ver o Princípe Rudolfo alternando entre o estado moribundo e as piruetas foi... curioso. As pessoas que escrevem bailados deviam pensar nisso, que não dá muito jeito pôr as pessoas acamadas e tal porque não é nada credível que a seguir entre o leito e a campa, o indivíduo ainda faça três espargatas no ar!

Sem dúvida o melhor acto, o II


Voltei para casa. Era tarde e já havia resultados provisórios... Eu não sei, mas não percebo como. Mas devo ser eu que estou a leste do paraíso e que vejo as coisas distorcidas, deve ser isso.

sábado, 26 de setembro de 2009

Aspirante a mão cheia

Dei por mim a dizer isto hoje:


Pois eu não tenho nada na mão, mas muitas coisas na manga!


A frase saiu espontaneamente, mas não poderia ser mais verdadeira. Rara é a vez que não tenho uma ou mais cartas na manga, mas aquele último passo de mágica falha (quase) sempre. E ela, a carta, nunca chega vitoriosa à minha mão...

Se calhar, deveria investir num curso de magia. O último passo era-me mais do que suficiente. É isso ou um curso de finalização numa qualquer escola de futebol: rematar à baliza E MARCAR!


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dia inútil

Foi hoje com certeza o dia mais inútil de que há memória.
Não saí de casa, o que desencadeou uma série de sentimentos macambúzios e passivantes.
Uma autêntica modorra que até foi coroada com uma longa sesta...

Que isto não se repita!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Meta

Estou um passo mais próxima do meu próximo objectivo (de vida, pourquois pas?)
As rédeas (in)felizmente já não estão nas minhas mãos.
Daqui a 6 a 8 semanas, saber-se-ão resultados.



Eu sem alvos, nem marcos, nem fronteiras, nem limites não vou a lado nenhum...
E se não começar aí é que não acabarei nunca!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Estranho...


Às vezes parece que os dias têm tudo para correr bem...


... e dão para o torto!
(Nem o solzinho de Outono parece inverter a ordem das coisas)

Adenda: O Sportingzinho acabou de ganhar por 3:2. Pronto, nem tudo dá para o torto. ...nunca me falha!

sábado, 19 de setembro de 2009

Rituais matinais de sábado


Um post a estas belas horas só pode ter um único significado.
Ontem houve pelo menos um copo a mais!
Mas, vá, cá estou a fazer uma das coisas de que mais gosto, beber o meu cafezito com leite e ler o jornal ainda em pijama!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Louvor ao multilinguismo

Uma das coisas de que eu gosto mais no(s) meu(s) local(/is) de trabalho é a pluralidade linguística. Hoje no meio de uma conversa corriqueira fui brindada com o elogio do dia.

Estava eu em amena cavaqueira com o colega francês sobre assuntos de foro interno da empresa e sobre o qual não podemos falar fora de portas (era isso ou sobre uns vídeos do youtube), quando o colega argentino do outro lado lança:

- Calíope, du spricht französisch?! (Falas francês?)
- Oh, non, non. Nein. Pas de tout. Du hast falsch verstanden... (... não deves ter percebido bem, disse eu)
- Aber du spricht französisch! (insistia ele)
- Ja, sie sprich ganz gut sogar (esclareceu o colega francês dizendo que eu me safava bem)

- Calíope, du bist voller Geheimisse!!! (Tu és uma caixinha de surpresas!)
- AHAHAHAHAHAHHAHAHA. Danke. Das ist aber sehr schön! (Eu perdida de riso. Agradeci tamanho elogio!)


By the way, lembram-se do exame das baleias... ou melhor, de alemão? Soube hoje da nota. Passei com bom!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Jornada de trabalho


O meu dia de trabalho foi tão produtivo, que eu consegui

chegar atrasada (sem ninguém dar por ela),

despachar o trabalho da parte da manhã,

ir à faculdade assinar o meu contrato,

voltar e fazer mais umas coisitas,

ver o programa do Gato Fedorento (com fones porque sou super discreta),

comentar o programa que estava a ser visto simultâneamente por uma amiga minha que trabalha num escritório a algumas centenas de metros do meu),

desligar o programa porque não conseguia estar a rir discretamente,

almoçar e fazer mais umas traduções,

resolver que consiguia resistir ao riso e ver o resto do programa (a minha amiga controla-se melhor e conseguiu ver o programa de uma enfiada só),

despachar o trabalho de amanhã e ainda tive de tratar de mais umas burocracias da faculdade.

Com esta loucura toda acabei por me esquecer de que hoje havia champanhota comemorativa lá no escritório e tive de sair para uma reunião com a minha gestora de conta (epá, tenho de dizer mais destas coisas que soam sempre muito bem!)


É para compensar a minha falta de msn e os outros dias que trabalho como uma condenada!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Desinfestação mental bem-sucedida!

Acabei de marcar a minha passagem de ano. Até aí tudo normal.

Acabei de exorcizar o meu último grande trauma. Uff! Já era sem tempo!



Acabei de reservar o meu voo para Amsterdão depois de um embargo à Holanda de mais de três anos.

Estou radiante de ir passear por sítios novos e revisitar outros já conhecidos (por favor, todos menos Utrecht! :D), ver amigos e conhecidos e comer aquelas mixórdias que eles para lá chamam de comida... hmm acho que também abundam sandes! (Vá, estou a ser mazinha, pois a cozinha indonésia - ex-colónia- é bem boa!)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Jantaradas

Lembram-se deste jantar?

Ontem houve nova ronda. O senhor espanhol cozinhou e o senhor italiano foi o anfitrião.


De manhã no escritório, enquanto acertávamos a hora do jantar, as seguintes palavras vieram ter aos meus ouvidos.

Italiano: Apareçam a partir das 19:oo. Hmm, ao Francês I, eu disse às 18:00 para ter a certeza que ele aparece a horas...


Francês II: Eu tenho de ir ver um apartamento por isso sou capaz de aparecer mais tarde.


Italiano: Epá! Vê lá se consegues estar lá às 19:30. É que há 2ª Bundesliga. O Cottbus recebe o Kaiserslautern! (e disse isto entusiasmado!)


Calíope: Vocês estão a gozar comigo, não? Mas ainda bem que avisam... eu levo um livro!



Não era bem assim, mas estava bem boa!


Não levei e quase não vimos o fantástico jogo de 2ª-feira à noite da 2ª Bundesliga alemã... mas, havia final do US Open!!! Já com a paelha no papo e outras tantas garrafas vazias, fotografias antigas e muita risota à mistura, lá estivemos nós os cinco a conversar sobre temas fundamentais para a Humanidade, alternando-os com o 2º set entre o nervoso Federer e o esforçado Del Potro.

A próxima deve ser cá em casa, caso o francês II não fique com o apartamento que ontem foi ver.

domingo, 13 de setembro de 2009

Local de trabalho

Estava entusiasticamente a ler um livro (O Sétimo Selo do José Rodrigues dos Santos) e eis que senão quando:

"Foram a pé desde o magnífico edifício da Bolsa, onde deixaram o carro. Atravessaram o jardim do Parque Gmeider, em plena Börsenplatz (...)."


É onde eu trabalho! :)
É simplesmente fabuloso ser surpreendida com descrições com adjectivos deste calibre de sítios tão familiares e que nos acolhem todos os dias.

Provas


De há uns anos a esta parte, sou responsável pela elaboração da prova de acesso ao curso de português da faculdade onde dou aulas. Não é tarefa de que me gabe pois dá mais trabalho do que fama. De qualquer modo, aquando da composição da mesma, a minha preocupação consiste em encontrar textos actuais, acessíveis e dentro do possível interesse dos alunos. A título de exemplo, na última prova saiu um texto sobre a família Obama, numa outra sobre a origem da Caipirinha e nesta haverá um texto sobre a participação da Carla Bruni no próximo filme do Woody Allen.

Neste fim-de-semana, os papeis inverteram-se e lá fui eu prestar provas de língua alemã. Os factos não sei quais são, nem sequer consigo estimá-los bem. A confiança que abunda noutros domínios treme neste como varas verdes.

daqui



1ª prova - Leitura e compreensão: Não é que os sacanas que elaboraram a prova puseram um texto sobre... o ECOSSISTEMA DAS BALEIAS????? E não era das baleias em geral, era uma especial de corrida qualquer...

2ª prova - Audição e compreensão: Narcolepsia, vulgo, doença do sono...

3ª prova (a mais temida, mas depois dos belos exemplares anteriores que viesse o diabo e escolhesse) Escrita: Pessoas que nos marcaram e que mais nos influenciam. Dentro do género poderia ter sido pior e face à panóplia de temas criativos das outras, acabou por ser a que me correu melhor.


Ontem foi a parte oral. Já sei que a passei. Acho que sem brilho, mas com o conforto de ter usado os melhores argumentos e de ter um vocabulário muito vasto (quem diria?! eu própria não dei por ela. Mas ainda mais estranho foi ao saberem que eu (também) era professora, me perguntarem se era de alemão... WHAT??? ). Daqui a uma semana sai o resultado.



Conclusão: se alguma vez me lembrasse de fazer uma prova com textos sobre a fotossíntese, a dinâmica do fermento de padeiro ou sobre a teoria do caos, seria meio caminho andado para me arriscar a ter 100% de negativas e ficar um semestre sem alunos...

sábado, 12 de setembro de 2009

Animal social

Depois de um convite para o Baile dos Bombeiros, hoje à noite devo seguir para a Festa dos Jogadores de Futebol... (e se for é mesmo com o selo VIP, ah pois!)

daqui


Antes jogadores de futebol, do que a cimeira dos treinadores de bancada ou o congresso dos homens do apito!!!

Pode parecer esquisito, mas eu chamo-lhe de... vida social diversificada!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Deserto pessoal... ou alheio

Li No teu deserto com a surpresa de ao fim de um par de horas já ter lido metade do livro e na segunda ida para a cama acabei o livro. Ler como se não houvesse amanhã sucede-me infelizmente poucas vezes, pois muito mais comum é adormecer com o livro na mão.


Sahara, Declan McCullagh


Comprei o livro pois achei que teria a ver comigo e não me enganei. Apesar de toda a arrogância de Miguel Sousa Tavares simpatizo com ele. E fiquei satisfeita por ter gostado do quase romance, mesmo que a forma de escrever não me tenha impressionado. O deserto obriga a ser terra-a-terra o que não se compadece com floreados linguísticos... Mas nesta frase, eu senti a aragem do oásis e as tâmaras frescas:


Escrever é usar as palavras que se guardam: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Indecisões

Apercebi-me recentemente do quão indecisa sou. Não sou capaz de decidir nada sozinha, só se as circunstâncias me obrigarem mesmo a tomar uma decisão é que eu me chego à frente. (Isso ou quando estou convencidíssima de alguma coisa, facto cada vez mais raro nos dias que correm). Quando as consequências só me afectam a mim, tenho necessidade de pedir pelo menos mil opiniões, mas não tenho assim tantos amigos disponíveis. Se por outro lado houver implicações que involvam outrem, eu sacudo a água do meu capote e possivelmente o mais definitivo que sairá da minha boca será um talvez.

Poderia o caríssimo leitor pensar que se tratam de decisões fundamentais e irreversíveis, mas nada disso, podem ser coisas tão simples como comprar um vestido ou um par de sapatos, que eu preciso de horas para me decidir. E o mais seguro é vir para casa de mãos a abanar.

Não gosto de tomar decisões, mas pior ainda é quando me empurram para opções, soluções, escolhas pré-fabricadas (Mas eu tinha algum problema?!) sem eu sequer ser consultada... ah pois! Lá por não me conseguir decidir bem não quer dizer que não tenha opinião.

Complicadinha, eu?!


sábado, 5 de setembro de 2009

Zug fährt ab!*

Um amigo descreveu há uns anos a minha vida como uma estação de combóios. A razão era simples: havia sempre movimento com partidas e chegadas.

Hoje essa descrição não podia ter feito mais sentido.

O curioso é que nesta estação as partidas são sempre mais marcantes que as chegadas. Raramente damos pela chegada das pessoas na nossa vida, no entanto, os carris são construídos e o caminho percorrido em conjunto.


As partidas deixam espaços abertos e a de hoje dificilmente encontrará substituto à altura.



Pronto e agora vou ter mesmo de arranjar uma vidinha ou alguém que me entretenha aos fins-de-semana...

* O comboio vai partir!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Acabou-se a rambóia!

Daqui a algumas horas volto a Viena, o que acaba por ser sinónimo do fim do meu período estival. Tenho pena de que nos próximos tempos não possa encontrar-me com os meus amigos para entornar uns copos e deitar conversa fora até mais não (claro que posso com os de lá, mas aí é mais alcoól do que latim), ir ao cinema e às compras com a minha irmã ou ir para casa da minha prima e fazer nenhum.

De qualquer modo, alegra-me a ideia de voltar para casa. O regresso ao meu espaço e às minhas rotinas para mim são sempre tão promissoras como a partida para férias. (Mesmo que incluam preparar aulas e pagar contas).

Até à vista Lisboa!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Apoio moral

Há mulheres que me rodeiam que não vêem obstáculos, vêem metas.


Se calhar são míopes, mas acho que não ;) traçam objectivos que são para serem cumpridos, independentemente das barreiras que se colocam ao longo desse percurso. Têm desenvoltura, independência e brio para garantir que as rédeas dos seus destinos não fica em mãos alheias e por isso mesmo as mantêm presas com pulso firme. Porque lá está, todos os nós são para ser desatados e um problema só pode ser encarado como o primeiro passo para a solução.
Gosto de estar rodeada de pessoas assim, pois mais do que amigas para mim, são autênticas lufadas de ar fresco e fontes de inspiração.