sábado, 27 de junho de 2009

Também eu, Brutus!

Eu bem que me andava a esquivar a um post sobre a morte do Michael Jackson, mas afinal, cá vem ele.

Soube da notícia tal como soube da morte de Jörg Haider, naquela rotina matinal do acorda-não-acorda a ouvir rádio. A notícia intrigou-me ou incomodou-me, não sei. Foi uma surpresa, mas não foi inesperado... afinal, ele cavou a sua própria cova. Ao fim de dois dias de notícias, directos, documentários, vídeos, músicas, tributos e sei lá mais o quê, eu continuo a não conseguir fazer a correspondência entre o miúdo giro dos Jackson Five, o gajo com piada do Off the Wall e aquela coisa cadavérica com peruca e óculos escuros que anunciou há meia dúzia de meses uma série de concertos... Hão-de seguir-se teorias de conspiração, mas foi uma perda. Aborrece-me profundamente o facto de que com todas as sequências directas, indirectas e enviusadas, a história que se anda a escrever no Irão caia para décimo quinto plano...

Enfim, comecei a pensar em quais seriam as minhas músicas preferidas e rapidamente me lembrei da Billy Jean e a Keep it in the Closet.

Depois do atacado de coisas que vi sobre ele, apercebi-me que afinal são muitas mais, algumas das quais já nem me lembrava:

Rock with you: tanto abdominal que eu fiz ao som desta música

You rock my world: a fase africana das minhas noites lisboetas (curioso e irónico, não?)

E a autêntica cereja:
I'll be there: a versão que eu "sempre" conheci ignorando que lhe pertencia, o original e o tributo, que eu confesso ter cantado em plenos pulmões como há 17 anos atrás. Voltem pliiiiiiiiiiiiiiiizzzzzzzzzzz que eu prometo não cometer o mesmo erro pela terceira vez.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A grande caminhada

Não escorreguei, nem me constipei.
Mas por outro lado consegui pela primeira vez ir para a faculdade e ESQUECER-ME de sair na paragem certa...

Adiante, a meta do dia foi conseguida. O segundo passo está dado.
O queridíssimo professor aceitou o meu projecto e caracterizou-o de original e sehr spannend* e, sem querer, tirou-me o jugo que eu andava a carregar há dias/semanas/meses dos ombros.

Eu agradeci e agora tenho de tratar da burocracia.



*muito emocionante, empolgante, promissor

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Onde está a gabardina?


Quem anda à chuva molha-se e quem corre por gosto não se cansa.

Quem corre à chuva é capaz de escorregar ou apanhar no mínimo uma valente constipação...


ou então é o primeiro a chegar ao sítio seco.


Eu corro por gosto (metaforicamente como é mais do que óbvio) e mesmo nuvens pesadíssimas e ameaçadoras não me impressionam...


Só espero que amanhã, não escorregue, nem me constipe.
(Calções com botas e malinha a combinar, só podia ser mesmo eu!)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Para a frente é que é o caminho


Pode ainda ser (muito) cedo para cantar vitória. Mas um passo à frente é sempre digno de registo, especialmente se a engrenagem estava parada há um bom par de anos e o impulso parecia que podia ser dado há meses a fio.

A seguir a um passo veio logo outro. Dois coelhos de uma cajadada só? Até que ponto é que o tiro foi certeiro, só saberei em breve... no fim da semana, no fim do Verão.

Inna, Sailor without Sea

Olhos postos no horizonte.

Quem tende a olhar para o fundo do mar poderá provocar, mesmo que involuntariamente, a sua própria queda.

Olhar para o horizonte cura náuseas.

Eu sei nadar, mas a partir do momento em que se recolhe a âncora,

a única coisa que o marinheiro quer é voltar a pôr o pé em terra firme.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Manias sazonais

Apesar da Natureza andar a brincar às escondidas connosco, pois 30ºC em Abril e menos de 20ºC e chuva, quando o Verão começa, obriga-me a chegar a esse tipo de conclusão. Eu acho que alguns dos ritmos sazonais ainda se mantêm... pelo menos na minha vida.

Outubro costuma ser eufórico, festas natalícias/de fim-do-ano pseudo-ignoradas na medida do possível, em Fevereiro animo-me, pela Primavera já tenho uma mão cheia de ideias novas para alargar horizonte e chega a Junho ando às avessas com os meus amigos. Acho que os meus amigos não me ligam, não me compreendem e basicamente querem lá saber. Eu, pelo meu lado, apercebo-me que sou eu mais amiga deles do que ele de mim e fico triste, porque as coisas não podem partir sempre do mesmo lado. Em simultâneo, a maior parte do que me dizem aborrece-me, irrita-me ou praticamente me causa urticária. É uma consumição de células úteis que só visto. Conclusão sazonal: preciso de conhecer pessoas novas que estas já não me servem as medidas... ou então outra sarna para me coçar.
Temple of Love, Índia



(Para os meus amigos que lêem este blogue: Isto não é convosco! (pelo menos este ano ;))

Em cima do salto XIII


Os limites da coragem e da irresponsabilidade tocam-se!

Elena Feliciano, Cherry Blossom Stilletos (são flores de cerejeira para festejar o Verão, que aqui ou já passou ou ainda não chegou.)
Hmm... eu acho que não sou corajosa... e irresponsável menos ainda... não sei...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pois... estive a preparar aulas...

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes,

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis


Para quem conhece aqui a residência familiar que aqui sempre brilha uma lua cheia é só querer e abrir as persianas ;)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Strange Love

Há mais de quinze anos que a minha irmã me seringa os ouvidos com músicas destas.


Na altura vivíamos a paredes meias e enquanto eu era mais enjoy the silence ou outras musiquinhas mais comerciais, o raio da miúda couldn't just get enough. A aparelhagem estava no quarto dela e eu que arrajasse something to do. Se a memória não me trai, em troca de ter feito comigo o meu primeiro cursinho de alemão, a minha personal jesus teve direito à cassete de vídeo Route 66 ou a um LP...


Tratou-se de uma question of time e agora a mais de 2000 quilómetros de distância e na viragem das três décadas dela (ai não sei se era para dizer!), lá vamos nós. Na verdade, mais cedo ou mais tarde, everything counts!

domingo, 14 de junho de 2009

Jogo compulsivo

A loucura do TETRIS chegou à minha vida depois de ter desaparecido do mundo inteiro.
Descobri no outro dia que tenho jogos no meu telemóvel... E para meu gáudio havia lá o TETRIS.


Abri o jogo, só para ver...
Esperei pelo metro, nível 2, fiz a minha viagem, nível 4, saí no meu destino, nível 6... Ai, bolas! Onde é que isto se pára... não consigo falar com pessoas e jogar ao mesmo tempo.

Bom, para não ter de me inscrever nos jogadores de TETRIS anónimos, resolvi que só posso jogar quando tiver um percurso superior a 4 ou 5 estações de metro.

Pronto, problema resolvido. (Mas hoje ao ir para o badminton, bem que consegui chegar ao nível 5, não tivesse aparecido uma amiga minha no metro...)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Porque a vida é um bailado

Em véspera de feriado (sim, porque ninguém na Áustria se lembrou de declarar o 10 de Junho feriado também) tive a feliz e espontânea de pegar em mim e ir cultivar-me para a Staatsoper.


Foi a Anna Karenina (com música de Tchaikovsky) que me saiu na rifa e eu no final senti-me uma autêntica feliz contemplada.


Ao longo do bailado, dei por mim a pensar quão interessante seria se os Dimitries e os Vassilies da minha vida também andassem a correr atrás de mim em pontas e a fazer piruetas!!! E eu claro, qual Natacha do circo de S. Petersburgo, era vê-los nestas figuras logo alçava a perna, contornando-lhe as costas, palmilhava o ombro com um pé e já estaria agarrada a uma coxa musculada com um braço e com o outro acompanhava o movimento de plié que a outra perna estaria a fazer (estão a acompanhar?! ;)) Isto tudo obviamente seguido a 3 espargatas no ar consecutivas e em corrida!

Cada vez que assisto a uma bailado clássico tenho mais a certeza que é mesmo disso que gosto, quais modernices, quais óperas.

As palavras podem ser tão acessórias. Mas ajudou muito ter lido o resuminho da história antes.


O final foi trágico, mas grandioso... afinal o romance de Leo Tolstoi tinha de ter uma moral.
Digo sempre isto, mas tenho de ir ver bailados com mais frequência.

When there is a will there is a way


Posso ser uma atadinha para umas coisas, mas para outras, corro atrás como se não houvesse amanhã.

Não mexo em muita palha com muita facilidade, mas às vezes tenho genica para construir uma palhota inteira.


Deve fazer parte da lei das compensações da vida, não sei.


Há certezas que devem ter nascido comigo e uma delas é que os impossíveis só dependem da vontade de cada um.



Paul Klee, Flamboyant Devil

Posso até ser louca, não ter aprendido com antigas pedras em sapatos e outros tantos calos, mas cada um vive como sabe e eu não sei viver de outra maneira.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Companhia

Houve um vírus qualquer que resolveu assentar arraiais em várias partes de mim... por isso só tenho a agradecer a companhia constante de algo que não perde a oportunidade de dar o ar da sua graça.

Sejam arrepios, espirros ou dores de garganta, ele não se cansa de me mimar. Há dias que andamos nisto e com sorte nem preciso de telefonar a ninguém nos feriados, vésperas ou no fim-de-semana... já tenho com quem me ocupar!
Lenços de papel e antigripes compõem o plano B.


domingo, 7 de junho de 2009

Dever cívico


Wer wählt, entscheidet!
Não quero tornar-me maçadora com este tema, mas era precisamente isto que dizia no boletim que recebi em casa: "Quem vota/escolhe decide!".
Decidi-me, escolhi e votei. (E correu tudo bem. Frau Calíope constava das listas eleitorais!)
Fiquei surpresa porque o partido vencedor contou com a minha cruzinha.

sábado, 6 de junho de 2009

Vida em mosaico




F. Hundertwasser, The Blob Grow in the Flower Pot

Eu vejo rebuçados e uma bela chávena de chá (a fumegar) :D
Foi assim que acabou a minha semana com uns doces e um sentimento acolhedor de conforto.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cá-tá-plás! Cá-tá-plás!


Mais do que ter um chicote na mão, eu queria era ser capaz de o usar no momento certo.

Podia ser, por exemplo, já amanhã na reunião da faculdade com as dilectíssimas colegas e o ainda mais prezado Conselho Executivo ou Directivo ou sabe lá Deus o que é eles lá fazem... (Pedagógico é que não é de certeza)

E agora cuidado. Não posso morder a minha língua nas próximas horas senão morro envenedada! (Também podia ser e assim não ia à reunião). É o que dá trabalhar em ninhos de cobras, aprendemos destas coisas!
Lajos Gulacsy, Woman with Riding Whip

terça-feira, 2 de junho de 2009

Europeias

Há muita coisa que eu não percebo nesta vida, uma delas é porque é que as pessoas adoram dizer mal do governo (de onde quer que ele seja) e da classe política em geral, mas quando chega a altura de fazerem qualquer coisa (= votar) para alterar a situação, retraem-se, encolhem os ombros e pouco ou nada fazem, com a desculpa mais do que esfarrapada: o que é que me interessa ir lá?
Interessa sim, nem que seja para depois ter o direito de dizer mal de quem chegou ao poder com ou sem o nosso voto. A política do 'sacode a água para o capote alheio' enerva-me porque toda a gente sabe que a culpa é sempre do vizinho, caso não morra solteira e encalhada. Não fazer nada para mudar e manter o choradinho de auto-comiseração é lamentável no que se crê ser uma sociedade moderna.
Li algures na imprensa que as eleições europeias são as que menos atraem as populações às mesas de voto. Eu sou tendenciosa pois sou adepta confessa da União Europeia e não consigo perceber perspectivas míopes de falar dos 'eles' contra 'nós'. Afinal eles também somos nós. Eu, pelo menos, não sou grega nem troiana, mas uma cidadã do mundo!
Estou radiante por poder novamente votar e por votar pela primeira vez na Áustria! Se correr tudo bem a 7 de Junho lá estarei na minha Schule der Stadt Wien para fazer a cruzinha numa quadrícula.
Desenho de Raul Pederneiras de 1914 retrata o movimento sufragista, por meio do qual as mulheres brasileiras reivindicavam o direito de votar

Andaluz ao fundo do túnel

Granada
Depois de tantos anos a comungar religiosamente no ditado
'De Espanha, nem bons ventos nem bom casamentos'
(claro que lojas de roupa e calçado fintam airosamente a expressão),
começo a desconfiar que

até gosto de Espanha!

Será que serei amaldiçoada por Afonso Henriques e arderei eternamente no inferno por tão escabrosa confissão?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pontaria para o coração da Europa


Eis-me de volta!
Não me foi o Sinbad quem me calhou na rifa, mas sim um mosqueteiro!
E não é um mosqueteiro qualquer, mas o Mosqueteiro com Espada!!!

Está agora para ali atirado, mas a ver se lhe dou uso!
Não foi este digníssimo senhor contemporâneo do meu mosqueteiro quem eu trouxe, mas parece impossível não haver na internet o senhor da espada...


Pablo Picasso, Tête d'homme du 17ème siècle de face