quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Peso e medida

Será que temos bem noção das proporções do que fazemos?

Quando é que um prazer se torna num vício?
Quando é que um hábito se torna num comportamento crónico?
Quando é que um passatempo se torna num acto compulsivo?
Quando é que o bom passa a ser excessivo?

Pode haver um momento em que a barreira do bom-senso é ultrapassada e sem querer entra-se no campo da demasia. Até que ponto é que uma pessoa consegue ter a distância de si mesma para opinar em causa própria e especialmente ter discernimento para parar antes da barreira?

Seja bebida, compras, trabalho, cigarros, jogo... Muda-se o objecto, mas o problema pode ser o mesmo.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Rugas de conhecimento

Acho que quando for velha queria ser uma espécie de roteiro de viagens com pernas. Daqueles mesmo muito credíveis que falam das coisas com conhecimento de causa e com informações experienciadas em primeira mão. Gostaria de emitir juízos sobre ilhas longínquas e culturas distantes. Manifestar-me sobre os gostos, cheiros e visões de outras perspectivas.
E ter essas marcas todas impressas (mas compactadas) nas (poucas) rugas.

Disciplina a quanto obrigas

Se a ideia de ter um dia livre é muito reconfortante e poder sair da cama quando me dispuser a isso ser melhor ainda, um dia sem compromissos e sem obrigações desnorteia-me sempre. Poder fazer tudo o que me apetecer e especialmente quando me apetecer é meio caminho para não fazer nada... exactamente porque posso fazê-lo mais daqui a bocadinho e agora entreter-me com outro nada. O tempo escorre entre os dedos e esgota-se. Chego a um fim de dia cheio de nadas, preenchido apenas no momento em que comecei a marcar horas e dar-me prazos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

1º mundo

Quando me perguntam porque razão vivo em Viena, eu hesito sempre e depois incrédula com a minha própria resposta emito: 'A rede de transportes públicos é fabulosa'. A partir de agora essa resposta estará na ponta de uma língua cheia de orgulho.
Como os caros leitores sabem, perdi o meu telemóvel em situações um pouco inexplicáveis no dia 9 de Fevereiro. Assim que dei pela falta dele, tratei dos procedimentos básicos: ligar para bloquear o cartão e pedir uma segunda via. E pronto, quase 40€ depois (porque os procedimentos básicos têm os seus custos) dei o assunto como terminado.
Hoje, exactamente 13 dias depois, recebo em casa uma carta (datada de 15.02.) com a indicação de que o telemóvel estava num depósito e que eu deveria ir buscá-lo ao endereço devidamente mapeado, munida da respectiva carta que incluia um código de barras.
Assim o fiz e num piscar de olhos tinha o meu telemóvel na mão... (sem ter feito qualquer participação da perda do mesmo)
Alguém encontrou-o no metro!

Ossos do ofício

Ontem cheguei a casa já passavam das 21.00 das aulas, liguei a televisão para ver o Barcelona-Liverpool (sem som) e liguei o computador para ouvir o relato do Porto-Chelsea. Ainda consegui comer qualquer coisa e dar um jeito às unhas. No fim dos jogos, ainda oiço as flash-interviews e os vários comentários enquanto despacho os mails da faculdade. Com um timing fabuloso, volto para o sofá para ver o resumo dos jogos do dia da Liga dos Campeões. Não aguentei, confesso, e adormeci a meio...

Se calhar esta dedicação profissional está a ir longe demais.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Conversa de elevador

As conversas de elevador passam-me ao lado porque moro num rés-do-chão. Se tiver de me cruzar com alguém terá necessariamente que ser ao atravessar um jardim ao entrar ou ao sair do meu prédio.
Como é que é possível que neste percurso de menos de dois minutos eu ficar a saber uma série de informações úteis sobre o vizinho (giro +) que teve a gentileza de abrir e agarrar a porta da entrada enquanto eu trancava a minha própria porta?
Pois, não sei… deve ter havido qualquer coisa que se me meteu no sangue… porque foi mais do que espontâneo. Fiquei a saber o nome, possivelmente onde trabalha e qual a profissão e ainda que é amigo do meu chefe. E mais! ELe mandou-lhe cumprimentos!!!
Se tivesse tido 5 minutos o que é que eu não conseguiria?

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Entre Eva e Escrava Isaura

O grito do ipiranga da Escrava Isaura que vivia em mim foi largado hoje. A ordem de soltura foi dada logo às 9 em ponto quando a campainha tocou e apareceu-me a Eva.
A Eva faz aquilo que eu não sei, não tenho jeito, nem tempo para fazer: limpezas. Esteve aqui horas e eu vi-a a limpar coisas que nem me passavam pela cabeça passar o paninho. Um talento nato e um investimento seguro? Ou um luxo desnecessário e um requinte de dondoca?
O tempo irá tratar de esclarecer esta dúvida.

La pasión sigue...

Bom este motivo da pasión latina está a dar pano para mangas. Mas de forma a dar um pouco de corpo a estas ideias, surgiu-me hoje a oportunidade de ir aprender catalão. Como não sou pessoa de desperdiçar oportunidades, agarrei-a e vou tirar o maior proveito possível. Afinal de contas trata-se de consubstancializar com muitos anos de antecedêcia a uma preparação já pensada para uma eventual mudança para terras catalãs.



E para aqueles que lançaram boatos que eu no futuro voltaria a Portugal para comprar a vivenda e montar o café "O Danúbio Azul" por baixo... desenganem-se! Vou mas é para Barcelona ou eventualmente para as Baleares (Ibiza excluída)!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

La mala suerte

Já que ando numa de pasión latina, aproveito o embalo em castelhano para pôr ao corrente dos caríssimos leitores uma tradição de nuestros hermanos.
Desgraciadamente que hoy es martes 13, que é como quem diz, terça-feira 13!
Os nossos vizinhos de península acham que a pior coincidência do calendário consiste na sobreposição do 2º dia útil com o 13º dia do mês. Qual sexta-feira 13, qual quê? Os azaritos ficam logo todos despachados à terça, para que en el viernes nosotros posamos comer unas tapas y beber unas copas! Venga! Venga!

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Pasión latina...


Depois de um longo dia de trabalho (este sábado foi muito mais longo do que muitos dias úteis) e no meio das lides domésticas, apeteceu-me dançar um tango.
Aquele ritmo que nos entra pelos ouvidos, que se apodera do corpo todo e que é exalado por cada um dos nossos poros. O bater do tacão no chão, o entrecruzar de pernas, o deslizar do corpo.
Era mesmo o que me apetecia... os curso intensivo de Buenos-Aires começam a delinear-se no meu horizonte! Enquanto não há nada em traço contínuo e pintado a cheio, faço melhor em ir estender a roupa!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Darf ich...?

Os meus muitos genes e costelas linguísticos fazem com que nutra especiais sentimentos (ou nem tanto) por determinadas palavras, expressões ou construções sintácticas. Em vez de rejubilar por escrito com a sonoridade melódica de palavras que encantam os meus ouvidos, vou transmitir o meu repúdio por um verbo alemão: dürfen.
Dürfen é um verbo modal que nessa condição auxiliar precisa sempre de um verbo principal para lhe completar o sentido. Uma vez que os verbos modais não povoam a língua portuguesa como o fazem em línguas germânicas, passo a explicar o seu significado, pois como parece claro, não há um sinónimo 1:1. Dürfen significa 'poder' mas no sentido de 'pedir autorização para', ou seja, há sempre uma noção implícita de permissão, de licença. Só por si, parece uma questão que espelha a educação germânica em contraste com a espontaneidade latina e não parece alvo de motivo de ódio de estimação. Mas os meus maus fluidos começam a correr pela frequência com que este verbo é usado. Não há dois passos que se dêem sem se dizer o 'Darf ich...?' (Posso = Tenho a autorização para/Tenho a licença de...?' É simplesmente intragável.
Como prova desta alergia linguística, atentem à seguinte frase: 'Wir freuen uns Sie wieder begrüssen zu dürfen' (= Temos todo o gosto em ter a permissão de o poder cumprimentar outra vez'). Isto é dito em situações comuns como a despedida num restaurante, avião ou afim.
O caro leitor poderia pensar que se tratava de uma situação formal que obrigava a uma certa cortesia, mas quanto a isso eu posso contrapor uma situação mais do que informal onde um sacrista não me era capaz de começar uma frase sem o nauseabundo 'Darf ich...?'. Só me apetecia pregar-lhe dois pares de estalos sem qualquer tipo de permissão prévia e perguntar-lhe se precisava de pedir autorização para tudo e se não era capaz de se mexer, ao invés.
Este tipo de comportamento linguístico pode muito bem revelar boa-educação que é sempre vista com muito bons olhos, mas ao mesmo tempo, há quem se escude numa pseudo-boa-educação para evitar que se note a falta de tempêro.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Pazes feitas

Entre uns motivadores raios de sol e uns estridentes flocos de neve, eu fiz as pazes com Paris.
A desilusão que me tinha invadido há 7 anos foi substituida pela grandeza clássica de uma cidade multicolor. Cadeiras Louis XIV e pessoas com muita cor em lugares de destaque, pontilismo e pixel, crepes aux choix e croissants. Tudo isto regado com artísticas brisas frescas para que o quentinho nos soubesse melhor.
Um aplauso para quem andou quilómetros e subiu milhares de degraus e ainda foi capaz de dizer uma piadinha qualquer e rir-se dos calos nos lugares mais incríveis.
A bientôt!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Só mais uma coisinha...

Já estamos em Fevereiro!!!

Devo rever-me um bocadito neste mês, talvez por ser pequenito, despachado e não chatear ninguém... mais ainda, de vez em quando até traz surpresas: um dia extra!
Os meus meses de Fevereiro sempre marcaram momentos digníssimos de registo. Caro mês de Fevereiro, acabaste de ser eleito o meu segundo mês preferido do ano!

Vou ali, já venho


A mercredi... ou à jeudi!
Je ne sais pas encore!