sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Manifesto a favor da abolição do Natal do calendário


Após a minha franca animosidade em relação às festividades de Ano Novo, resolvi agora antipatizar com outra data tradicionalmente festiva, o Natal.
A meu ver o Natal devia ser abolido do calendário porque:
- São poucas as pessoas que vivem verdadeiramente o motivo que deu origem ao mesmo. (Se precisou mais de 2 segundos a pensar em qual era o motivo, só me está a dar razão).
- O comum dos mortais é metamorfizado num monstro (ainda) mais consumista 'porque claro que vou dar uma lembrancinha àquela senhora muito simpática que me ajudou naquele momento blá-blá-blá'.
- É impossível andar no raio de 10km de uma zona comercial sem utilizar os cotovelos para progredirmos e atingirmos o nosso destino.
- Poupamos os nossos ouvidos a melodias atrozes de tão comerciais, repetitivas e lamechas como 'Last Christmas' do George Michael ou 'It's Christmas time' da Band Aid.
- Escusamos de usar o sorriso amarelo e fingirmos que somos todos muito felizes e que gostamos todos muito uns dos outros só porque é Natal.
- Poderíamos ser nós próprios a renovar o nosso stock de velas, meias e coisas afins com as quais somos bombardeados nas trocas de presentes comuns à época.
- E para aqueles que não podem ver doces à frente, escusavam de pôr uns quilinhos em cima...

E acho que chega.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Berg auf! *

Estou a inaugurar um novo capítulo da minha história. Ainda não tem nome, mas para que eu não me esqueça do moto, vai ficando como 'novas experiências a caminho do topo' até arranjar-se qualquer coisa melhorzita. Dois anos é o prazo.

Amanhã vou patinar no gelo... só espero que alguém me agarre!

* Montanha acima!

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

São rosas, senhor, são rosas...

Não devia haver motivos para que se dessem flores
Porque ainda melhor do que dar flores sem motivos
É recebê-las! :)

Obrigado!

domingo, 10 de dezembro de 2006

Polimento

Há dias assim, em que precisamos uma bela escovadela ao corpo e à alma...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Ilusões


Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard

I'm going back to the start

The Scientist - Coldplay




Há coisas que não nos matam,
mas em vez de nos tornarem fortes,
moem-nos,
consomem-nos as energias positivas
e não nos levam a lado nenhum.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Festa de arromba!

Somos nós que fazemos uma festa, mas bons convivas, boas conversas, boa música, boa comida, boa bebida e um bom motivo podem ajudar muito!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Look who came for dinner!


Ter companhia é apurar o gosto do que já é bom... tal qual a rodelinha de limão no gin tónico!

domingo, 26 de novembro de 2006

Casino Royale

A vida é um jogo
E há que ter muita perícia e um bom jogo de cintura
Às vezes um Ás pode não ser suficiente

Por isso talvez não seja má ideia guardar um trunfo na manga!

sábado, 25 de novembro de 2006

Saturday night fever


Afinal já é sábado à noite...
e à noite todos os gatos são pardos!

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Girls just want to have fun!

Lá volto eu a morder a língua e a publicar parte de uma letra de música: É dos poucos 80ies a que eu não sou capaz de resistir. A letra não é profunda nem pretensiosa: simples, alegre e contagiante. E chega perfeitamente.


...that's all they really want
some fun
when the working day is done
girls - they wanna have fun
oh girls just wanna have fun...

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Reticências

"I absolutely like you"



tenho dito.

Equilíbrio

Acho que o Universo tem uma ordem geral qualquer. Frequentemente, eu não a percebo, mas acho que deve primar pelo equilíbrio. Se assim for, os bons são recompensados, colhemos o que plantamos e essas coisas todas.
Mas será que o número de pessoas por quem choramos é igual ao número de pessoas que chora por nós?

Nem precisam de ser as mesmas... pois as estatísticas do Universo são, como convém, anónimas!

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Bizarro

Preservativos falsificados podem ter chegado a Portugal
Alguém tem a bondade de me explicar como e especialmente para que é que se falsificam preservativos?

sábado, 11 de novembro de 2006

Salto partido

O cúmulo de uma semana repleta de escorregadelas, tropeções e tombos foi uma monumental queda... e isto literalmente. O chão estava completamente molhado e eu devo ter posto mal o pé, as solas gastas das botas não ajudaram e lá estava eu espalhada por aquele passeio de pedra fria e especialmente com centímetros de água.
Esfolei um joelho e fiquei com os calções molhados de um dos lados.
Mas a lição que tirei para os eventos da semana toda não podia ser mais óbvia.
Caí e agora não há outro remédio que não seja levantar-me! Peguei nos meus cacos, subi para o meu salto e prossegui caminho. Afinal de contas o autocarro não ia ficar à minha espera.

E para exorcizar qualquer tipo de frustações também já tenho um lindo e roxo par de botas novo!

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Tudo o que eu precisava



...era de uma festa e de um colo.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

O ponto final


Mais uma história
que animou o ano
e que desanimou o coração
arrastou-se mas chegou ao fim.

domingo, 5 de novembro de 2006

Selber Schuld*

Devo ser feia e gorda, mas não o sei, porque os meus olhos narcísicos nunca mo permitiram ver...

Os piores cegos são aqueles que não querem ver, por isso há que atirá-los todos para o caldeirão do esquecimento, da falta de respeito e da falta de consideração!



*Não me lembro como se diz isto em português é qualquer coisa como culpa própria ou auto-culpa... acho que há uma expressão melhor, mas de momento não me ocorre.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Exercício rápido de psicologia


Imaginem o futuro...
Imaginem-se daqui a 5 anos.
Daqui a exactamente 5 anos como estaria a vossa vida?
A nível pessoal, profissional e tudo que possam imaginar.
E como é para imaginar, não nos poupemos, nem nos nivelemos por baixo.
Se tudo corresse pelo melhor e no mais sorridente dos cenários
como estaria a vossa vida daqui a 5 anos?


Já pensaram?


Já está?


Agora
Olhem para a vossa vida presente.
O que estão a fazer hoje concorre e contribui para esse(s) objectivo(s)?

Não?
Então há qualquer coisa que não está a bater certo.

Para colher frutos é preciso semeá-los primeiro.
E se quisermos colher mangas, não vale a pena estar a plantar papaias.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Um doce para quem merece

O dia não poderia estar a correr melhor... Por isso, um pequeno rebuçado para todas as costas largas, todas as costas quentes e especialmente todas as costas sensuais que me apoiaram!
Obrigado a todos!




E agora é party time! :)

Mais uma viagem

Um ano passa no instante e depois de apanhar boleia de tantos outros números cheguei finalmente ao meu tão aguardado 27. (In)Felizmente também o 27 está a esgotar-se porque afinal eu canso depois de tanto contacto! E com alguma (muita) pena minha, faço as malas e preparo a bagagem para mais uma viagem... Uma ligeira ansiedade e um nervoso miudinho natural de quem não sabe ao que parte, mas com certeza será enriquecedor, surpreendente e brilhante! :) Afinal de contas o caminho é para a frente e ninguém na sua plena consciência troca cavalo por burro.

Daqui a um ano apresento-vos contas...

Mas entretanto, desejo uma boa viagem e parabéns a mim!

sábado, 21 de outubro de 2006

Um mergulho a sério

Para quem costumava, às sextas, ir afogar as mágoas nuns copos com os amigos, não custou nada meter um pouco mais de água.

De agora em diante, o programa de sexta à noite mudou ligeiramente. Por meia dúzia de trocos (que curiosamente nem chegavam para uma imperial), vamos dar umas belas braçadas, animar o corpo e o espírito, comentar os fait-divers da semana e ainda queimar umas quantas calorias, em vez de as ingerir em estado líquido!

sábado, 14 de outubro de 2006

Porque o sonho comanda a vida

Ingredientes:

- Meia dúzia de acontecimentos quotidianos
- Algumas memórias do passado
- Uma pessoa muito interessante para além do próprio
- 0,5kg de expectativas
- 200g de ilusões
- 100g de realidade
- 1 confusão qualquer
- Musiquinha de fundo q.b.

Misturar tudo de forma homogénea e levar ao forno pré-aquecido. Quando o preparado já estiver consistente, retirar do forno e polvilhar com açúcar e canela. Servir bem quente.

Se o sonho não comandasse a vida, ainda vivíamos em cavernas...
Se ainda não for hora de ir para a cama, então tentem não perder o The theory of sleep com este senhor, que, a bem da verdade, deve participar activamente nos sonhos de muita boa gente!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Complemento circunstancial de tempo


Depois de ter criticado quem coloca letras de músicas e poemas em posts, lá me calhou a vez de morder a minha própria língua e ser invadida por uma vontade tremenda de postar coisas que outros escreveram... afinal, se já houve alguém que disse algo com as palavras certas, para quê inventar mais?

Uma das minhas Emilys preferidas: a Dickinson.

They say that "time assuages"
Time never did assuage
An actual suffering strengthens
As sinews do, with age
Time is a test of trouble
But not a remedy
If such it prove, it prove too
There was no malady.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Perigosamente real

O perigo está em aguardar um ser idealizado que nunca chegará e de nada construir durante esse tempo.

sábado, 7 de outubro de 2006

A roçar o delírio...

Acho que veemente, alcoól, reúnião e palavras afins deviam escrever-se com um 'h' entre aquelas vogais que não formam um ditongo.

Acho que as pessoas deviam ter pelo menos um braço a mais. Ter três braços ( ou 4 por motivos estéticos) seria o ideal. Penso sempre nisso quando venho do supermercado carregada de sacos e tenho de abrir a porta, quando estou a abrir frascos, quando viajo e noutras tantas situações.

Acho que os dias deviam ter pelo me nos 30 horas. Um dia com 24 horas é muito curto para quem ter uma vida minimanente versátil e interessante, passando por aqueles básicos do costume. Como é que é possível trabalhar, tratar da casa nas suas diferentes modalidades (desde ir às compras, cozinhar e essas tarefas todas), cuidar-se de si tanto em termos físicos como intelectuais e ter uma vidinha numas míseras 24 horas? Eu não consigo... e é a casa que tem ficado para trás! ;)

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Sobre o cosmos e outras coisas

Ando meia à deriva e arranjei umas costas quentes para atirar as culpas. Plutão. Plutão deixou de ser planeta e eu fiquei sem planeta regente.
E agora qual a minha relação com o cosmos? Será que de repente deixei de existir para a conjuntura astrológica?
Preciso de orientação! Quero o meu planeta regente de volta!

domingo, 1 de outubro de 2006

Engate

Acho o cúmulo da pouca originalidade a colocação de letras de músicas ou de poemas em posts, mas com letras destas é impossível ser mais certeiro e por isso passo a citar:

Tu estás livre e eu estou livre
E há uma noite para passar
Porque não vamos unidos
Porque não vamos ficar
Na aventura dos sentidos
Tu estás só e eu mais só estou
Que tu tens o meu olhar
Tens a minha mão aberta
À espera de se fechar
Nessa tua mão deserta

Variações do melhor que há e o resto recomenda-se de preferência com música.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Complicadinha, eu?

Sim, sim... alguém me disse, "ainda bem que não és normal!" Eu tomei isso como um elogio.

Em dias mais complicados pode haver novidades, se tudo correr de feição, também se inventa qualquer coisa... afinal de contas há que exercitar a imaginação!

Um saltinho n' O Complicado não custa nada... afinal todos somos um pouco, especialmente em causa própria!

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Plano B

Planos ou projectos
Rabiscos e rascunhos
Esquemas maquiavélicos
Viagens e mais viagens
Afectos torcidos
Ardor rubro
Solarengo Brasil, Pau-Brasil.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Agora durmo assim!

en
t
a   lad   a
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t     r
e         4

gajos*

*É o resultado das quintas culturais!

Palavras-chave

Por motivos profissionais tenho de ter um sem-número de passwords para aceder a uma série de sites, páginas e tools. O pior é que as passwords têm de ser regularmente alteradas e não recicláveis, ou seja, não posso usar a mesma de tempos a tempos.
Para resolver este pequeno problema e dado eu não utilizar aquelas sequências aleatórias de maiúsculas, minúsculas, números e outros caracteres, para não me tornar a vida ainda mais difícil, tive a brilhante ideia, ou melhor, duas brilhantes ideias.
Para sites e afins de alta-segurança, nada melhor do que introduzir uma palavra com uma gralha. Sim, isso mesmo, uma palavra com um erro de ortografia, por exemplo, *assucar, *cimpatia, *chadrez e por aí fora. O importante será mesmo decorar o erro da palavra.
Outras passwords possíveis e de preferência aquelas que tenham de ser introduzidas constantemente, nada melhor do que injecções de auto-estima. Exemplos práticos: glamorosa, eloquente, cintilante, magnética, brilhante, poderosa etc, etc. Obviamente que coisas como gira, fofa e afins não servem, pois as palavras têm de puxar mesmo para cima e quanto maior a palavra melhor...
Mefistofélica, eu?! Hmm... acho que não, mas faço por isso!

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Há dias assim

"A diferença entre o possível e o impossível depende da vontade de cada um" adoro esta frase e sempre tentei orientar a minha vida por ela, mas hoje sinto-me de pés e mãos atados...

sábado, 2 de setembro de 2006

Eu não queria... eu não queria...

Só um argumento de peso me faria pôr um vídeo aqui nos mergulhos. E este é forte o suficiente.
Há momentos que nos marcam para o resto da vida e este foi um deles. A qualidade da imagem não podia ser pior, mas o que é que isso interessa se mais ou menos 15 anos depois eu consigo lembrar-me desta sequência ao pormenor (até para meu próprio espanto).
Descobri que os NKOTB continuam ter um lugar na minha vida, desta feita, contra melancolias e outros males de alma. Quando dei por mim, no outro dia, aos pulos a cantar e a rir feita parva apercebi-me que é muito melhor do que batatas fritas (escuso de ingerir calorias desnecessárias), ir às compras (escuso de comprar trapitos ou outros gadgets completamente inúteis) ou fazer outra parvoíce qualquer. Por isso e por muito mais, ei-los!

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Bloguices!

"Quando fores etiquetado tens que escrever seis informações aleatórias sobre ti. Depois escolhes seis pessoas para etiquetar e lista os seus nomes."

Ai Senador! Só tu é que me pões a fazer uma coisa destas... Há tanta coisa gira e aleatória na minha vida que era capaz de escrever umas 60 informações que não interessam a ninguém.

1. Vivo em Viena porque adoro a ordem da cidade e a sua rede de transportes públicos.

2. Tenho sempre no frigorífico tomate, beringelas e/ou courgettes. Ah! Queijos também há sempre!

3. Tenho muita dificuldade em distinguir a esquerda da direita...

4. Adoro banheiras com pé e cadeiras de baloiço (redes também servem).

5. Estive a aprender polaco porque sim! (Spoko!) E a minha viagem de sonho tem como destino Dubai! (Salam aleikum!)

6. Acredito que todas as coisas que nos acontecem são para nosso próprio bem!

Assim se fecha o livro de coisas que todos precisavam sobre mim.
E passo a designar os senhores que se seguem:
0. Ana Dulce
1. British Cashew
2. Borboleta
3. Ladyboo
4. Gimli
5. Homem estupendo
6. Outro: _________

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Stolzes Herz


Mit einer Träne im Gesicht
Einem Lächeln auf den Lippen
Und der Hoffnung tief im Blick

Para os germanófilos que expressaram o seu desagrado pela inexistência de uma versão bilingue, aqui fica este rebuçado lacrimoso, providenciado pelo sr. Gimli.


Coração orgulhoso
Com uma lágrima na cara
Um sorriso nos lábios
E a esperança num olhar profundo

(tradução livre)

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Gambling evenings















O telefone toca
e o coração não explode
mas ecoa pelo prédio todo.

Tu gostas de desafios
Que te puxem pela cabeça
Eu só não sou uma exímia jogadora de xadrez
Porque não sei as regras.

Precisas de um jogo de cintura?
Eu faço dança do ventre.
Mas no fim quero a tua cabeça!


P.S.: Dispenso a bandeja.

domingo, 27 de agosto de 2006

Luz no fundo de quê?


As surpresas mais inesperadas são as melhores...

Eu não sei, mas o certo é que,

Apesar de nada o fazer crer:

Ele anda por aí!

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

(Des)ocupar espaços


Fazer umas arrumações nunca fez mal a ninguém. Se há espaços mortos a precisarem gritantemente de ser reanimados, há muita parafernália que já devia estar a caminho da reciclagem.
Os espaços ocupam-se, desocupam-se e ajustam-se com o passar do tempo.
Evergreens não têm razão de ser e se tiverem, das duas uma, é bolor e estão podres (logo a merecer um honroso lugar no caixote do lixo mais próximo) ou então porque são leoninamente do Sporting. Não há mais opções!

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Importa-se de repetir?

"This doesn't affect her, believe me," he said earnestly. "It's not an affair. We're both happily married. We just have a common interest in recreational sex."

sábado, 19 de agosto de 2006

A não esquecer!

Good girls just never got caught!

sábado, 12 de agosto de 2006

Será que devo preocupar-me?

Acabei de chegar do cabeleireiro. Enquanto uma menina me lavava o cabelo trocámos meia dúzia de palavras:
- Olhe, o seu cabelo está a cair muito... mas também está a nascer.
- Pois... eu já tinha notado que ele estava a cair muito, mas ainda bem que está a nascer também... desde que venha mais forte.
- Pode vir mais forte... pode vir mais fraco...
(- Há mais alguma opção? pensei eu e ela continuou:)
- Nunca ouviu dizer que o cabelo costuma cair todo aos bebés? Pois, é isso mesmo... também está a atravessar uma mudança de idade...

Eu fiquei estupefacta. Mudança de idade??? Tipo a caminho da menopausa?!!! Mas eu ainda nem tenho 30...

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Amanhã vou para CASA

Caras sorridentes a dar as boas vindas e que se alegram por me ver
Calorzinho que anima, bronzeia e que (nos) faz beber umas e outras
Comidinha boa (Cardápio do almoço: Camarões)
Compinchas de sempre
Conversas brilhantes
Carrito à porta
Corte&Costura
Compras&Colombo
Contentamento Crescente
Contagem decrescente
Amanhã vou para Casa

sábado, 5 de agosto de 2006

Atitudes positivas


"Ela sabia que se ele gostasse dela acabaria por ligar-lhe.
Se não lhe ligasse... era ele quem ficaria a perder!
Assunto enterrado e venha o próximo!"

Pragmatismo é necessário, pois caso ninguém tenha reparado o tempo voa e não pode ser desperdiçado com maus humores, maus fígados e afins de quem não tem olho para pedras raras... como nós!

sábado, 29 de julho de 2006

Prenúncio (provavelmente de nada)

O dia não poderia ter acabado melhor. Fui jantar à beira do Danúbio com uns amigos, nem todos meus, mas não interessa. Numa mesa de 4, havia um casal de gays: lindos os dois. Um deles já conhecia e o outro conheci hoje. É genial e fazem um par tão bonito. Dois homens lindos e nem por um minuto pensei "que desperdício". Sem mariquices nem bichonices foi um jantar super agradável. A única coisa que me lembrei foi da conversa que tive com uma outra amiga ainda esta semana. Ela fora a Inglaterra na semana passada para assistir a um casamento gay. Aí, no copo de água a mãe de um dos noivos disse emocionada: "Estou muito feliz no dia de hoje pois a partir de agora ganhei mais um filho!". Se eu tivesse lá de certeza que deixaria escapar uma lágrima no canto do olho.

Vá lá saber-se porquê, tomei este jantar como um bom indício das minhas férias que amanhã começam. Torçam para que seja verdade e eu volte com as malas recheadas de historinhas ou outras coisas boas!

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Perguntas que ficam no ar

Como é que é possível que um drama pessoal alheio possa servir de luz no fim do túnel?

Todos evoluimos...

Com banda sonora (cronológica) de Nelly Furtado, vamos lá atentar a esta gradação progressiva ou regressiva, isso fica à mercê de cada um.

- I'm like a bird
- Try
- Força
- Man eater
- Promiscuous

domingo, 23 de julho de 2006

Confessionário

Hoje enquanto estava na missa, não pude deixar de reparar que durante uma boa meia hora houve 5 pessoas que foram confessar-se, 3 senhoras e 2 homens.
A confissão é um conceito que me ultrapassa. Fico sempre a pensar no possível conteúdo desses 'desabafos' e na necessidade óbvia que essas pessoas tiveram em ir descarregar algum peso na sua consciência com um padre. Conversar com um amigo não seria melhor?
Para mim a confissão é algo completamente despropositado uma vez que o conceito de pecado é, a meu ver, uma construção completamente artificial. Há o bem e o mal. Andar a assustar as pessoas com repressões de qualquer tipo para actos moralmente condenáveis é absurdo. Já agora, o que é um acto moralmente condenável?
Repito, normalmente qualquer cidaão tem noção de estar a agir bem ou mal... para quê estar a acrescentar zonas nublosas para confundir as mentes menos esclarecidas?

sexta-feira, 21 de julho de 2006

É tão bom...

- andar com os ombros descobertos e não ter frio.
- passear de saltos e os pés não doerem, sem cair nem sequer tropeçar e ainda ter uma mala a combinar.
- refrescar um corpo em brasa com um martini, um panaché ou um vinhozinho branco geladinho.
- espairecer entre duas ou três braçadas, dar a volta, boiar e olhar para o céu.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Close your eyes, make a wish!

Está sol, está calor e eu não trabalho amanhã. Quero ir à praia. Discorri os nomes todos que estão no meu telemóvel. Não há pessoas disponíveis: umas trabalham, outras estão de férias, há quem esteja doente e ainda quem se encontre a mais de 2000km de distância. Não quero ir à praia sozinha.

Adormeci no sofá à frente do televisor. Acordei com Chopin (ou melhor Szopen) o som do telemóvel e um número que não corresponde a nenhum dos nomes inseridos.

- Olá! Trabalhas amanhã? Não?! Óptimo! E se fôssemos à praia?

terça-feira, 18 de julho de 2006

Adeus Maxinho!


Foi o que andei a dizer nestas últimas duas semanas antes de bater a porta e sair. Muitas vezes mais do que uma vez por dia.
Hoje as férias do Max acabaram e ele voltou para casa... dele.
Não sei se fico triste ou contente por ele se ter ido embora... Já não tenho companhia, mas também já não tenho mais fios puxados do meu lençol. Já se acabaram as festas no pêlo preto sedoso, mas também as miadelas por volta das 5 da manhã...
Adeusinho Max-bebé!

quinta-feira, 13 de julho de 2006

(Co)Memorar (00:08)

Lembrar-se de coisas é bom, mas às vezes esquecer-se delas também pode ser benéfico.

Tenho alguma facilidade em memorizar coisas, pelo menos aquelas que conseguem passar os criteriosos trâmites da minha memória. Recordo, trecordo, policordo...

Lembro-me de muitas coisas boas, mas apesar das boas recordações o vazio que fica no espaço entre elas e o presente não é tão recomendável, especialmente quando esse vazio poderia estar preenchido, se tudo dependesse da nossa vontade.
É triste.

Sei o que fiz no Verão passado, tal como sei o que aconteceu há 20 meses ou ainda pelo que passei 4 semanas atrás.
Que saudades!

(Co)Memorar (23:54)

Lembrar-nos de coisas é bom, mas às vezes esquecer também.Eu tenho alguma facilidade de memorizar coisas... pelo menos aquelas que conseguem passar os critérios da minha memória selectiva. Não sei se isso é sempre positivo... lembro-me de muitas coisas boas, mas a memória de algo que já não tem volta não é propriamente agradável, especialmente quando era não exactamente isso que se queria... que eu queria.

Sei exactamente o que fiz no Verão passado, tal como sei o que aconteceu há 20 meses ou pelo que passei 4 semanas atrás.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

A-fi-nal

Oh baby when you talk like that
You make a woman go mad
So be wise and keep on
Reading the signs of my body


O melhor da final do campeonato do mundo foi sem dúvida a exibição da Shakira. A miúda de burra não tem nada (daí as raízes escuras) e em menos de um ano tem um dueto genial com o Alejandrito e agora o caliente Wyclef Jean dá o ar da sua graça e do seu charme no hit do Verão. É o delírio! O Alejandro tem aquela voz de encher a alma e agora este mexe-se com uma sensualidade ritmada que só visto. No meio disto tudo a D. Shakira não se sai nada mal com aqueles movimentos impossíveis e com música dançável, contagiante e animadora de espíritos. Então pergunto eu, para quê escrever coisas medonhas como o 'Underneath your clothes' quando ainda há para aí tanto muchacho pronto a participar com os seus talentos em potenciais nºs 1?

Oh I know I am on tonight and my hips don't lie
And I am starting to feel it's right
All the attraction, the tension
Don't you see baby, this is perfection

Afinal, a França não ganhou e a Itália pôs o título no bolso, enfim, um mal menor!

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Amigos da onça

Mais uma vez um penalty, mais uma vez Zidane...
E nós é que éramos os grandes actores...
(In)conscientemente todos temíamos a maldição do galo. Pensar que os nuestros hermanos ou os brasucas nos podiam dar uma mãozinha é a mesma coisa que esperar pelo príncipe encantado... Se não nos ajudam nestas coisinhas, não nos peçam depois para simpatizarmos com eles.

domingo, 2 de julho de 2006

What goes around comes around

A minha (conhecida) ingenuidade faz-me crer em conceitos se calhar um pouco demodés como fazer o bem e ajudar os outros. Não sei bem como, mas tudo isto é compatível com o meu (ainda mais conhecido) egocentrismo. Pode ser uma visão simplista das coisas mas acho que se fizer o bem aos outros também vou receber o bem de volta. Uma mão lava a outra. Temos de ser uns para os outros.
Mais ou menos sem querer, aceitei tomar conta de um gato. Exacto, gato igual a animal! Os donos foram de férias e não tinham onde o deixar. Eu não os conhecia, nem ao Max, mas aceitei ficar com ele aqui em casa por 15 dias, porque sim, pois não há mais razão nenhuma.
Pode servir para eu limpar e organizar o meu chacra dos animais. Pode fazer-me companhia. Posso fazer-lhe as festas que eu quiser e ele ainda pede mais (porque é um animal perspicaz e inteligente)!

P.S.: Continuo a dizer bom dia ao senhor dos jornais porque acho que umas palavras tão simples como estas podem alegrar-lhe o dia.

Conversas soltas

A: O teu apelido é tão curioso, qual é a origem dele?
B: É russo... do meu ex-marido.
A: Russo? Eu pensei que estivesses casada com um músico grego.
B: Não, era um músico russo, mas realmente eu tive um namorado grego antes, muito antes...
A: Não sei de onde fui buscar essa ideia, então...
B: De qualquer modo, agora eu vivo com um indiano! Mas então e o teu apelido?
A: Também é do meu ex-marido. Ele é iraniano...

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Cardumes

Por motivos de força da natureza humana fui brindada nos últimos dias milhentas vezes com a bela frase "há mais peixe no mar". No entanto, houve uma variante desta ideia que me surpreendeu pela sua expressividade caricata "há mais mães com filhos bonitos".
Eu deixo a questão no ar: onde andam eles?

Cartas extraviadas

Caro Marco,

Após o galardão de treinador mais cool do Mundial, podes pegar nas tuas coisitas, ajudar os teus 'piquenos' a pôr as tralhitas nas mochilas e vão lá para casa!

Os melhores cumprimentos

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Onde é que está o espremedor de citrinos?


Vamos espremê-los todos... até à última gotinha! Nem um gomo vai sobrar! Nós também precisamos de vitamina C! E é a despachar! Podemos começar já com este senhor cor-de-laranja, com aquele nome meio chato...

A minha perdição

Para aqueles que conhecem muitas das minhas fontes de perdição, eis uma listagem de algumas delas... e por ordem alfabética:

ESTILÍSTICA
Alegoria
Aliteração
Anacoluto
Anáfora
Anástrofe
Animismo
Antítese
Antonomásia
Apóstrofe
Assíndeto
Assonância
Comparação
Elipse
Eufemismo
Gradação
Hipálage
Hipérbato
Hipérbole
Imagem
Inversão
Ironia
Metáfora
Metonímia
Oxímoro
Paralelismo
Perífrase
Personificação
Pleonasmo
Polissíndeto
Prosopopeia
Quiasmo
Sinédoque
Sinestesia
Zeugma

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Coincidências

Por algum acaso do destino, chega-se a esta altura do ano e eu fico sempre com a impressão que a minha vida vai mudar completamente.
O ano passado houve tiro, mas não a queda... ou seja, passado alguns tempos, apercebi-me de que estava tudo na mesma.
Este ano, assim sem nada o prever, fui abordada em campos diferentes da minha vida e eis-me de novo na corda bamba!
Pode ser que para a semana haja respostas ou talvez não...

sábado, 3 de junho de 2006

Meia garrafa cheia!

Na Newsweek desta semana li um artigo que me deixou a pensar, não pelo artigo em si, mas pela conclusão de um estudo(já com alguns anos e anterior a 2002) sobre o qual se baseia.
A probabilidade de uma mulher com habilitações universitárias se casar aos 30 anos (caso não o tenha feito antes) é de 20%, aos 35, esta mesma probabilidade cai nos 5%. Agora o factor preocupante: as possibilidades de esta sofrer um ataque terrorista é muito maior!

Assim, caras amigas e leitoras, caso caminhem a passos largos para esta faixa etária ou já estejam na mesma, façam o seguinte: quando o terrorista competente vos abordar, não hesitem e convençam-no que vocês são uma bomba!!!

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Em directo de Uppsala

Se há muito peixe no mar...
Eu quero o meu salmãozito!!!

domingo, 28 de maio de 2006

Código da Vinci

Li o livro há uns meses e neste fim-de-semana fui ver o filme.
O único comentário que me apetece fazer é:

E quem és tu, mordomo?

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Silogismos

Há muitos muitos anos eu e uma amiga minha fizemos as brilhantes conjecturas:
Em Portugal, há muitas morenas.
Em Portugal, há poucas loiras.
As poucas loiras fazem furor em Portugal.

Assim:

Na Suécia, há muitas loiras.
Na Suécia, há poucas morenas.
Logo, vamos emigrar para a Suécia!!!

O plano não foi cumprido por nenhuma de nós, apesar de eu me ter posto a caminho, mas ter ido parar ao país 'errado'... O certo é que na semana eu vou tirar as dúvidas!

domingo, 21 de maio de 2006

Direito de propriedade

Partindo do princípio que nenhum de nós tem uma profissão como padre, médico ou qualquer outra que exija segredo de justiça, até que ponto temos o direito de difundir uma história que nos foi confiada?

Cacos

Uma amiga minha partiu um espelho de uma dimensão considerável, cerca de 70cmx70cm. Quando me disse isso ao telefone a associação imediata foi aos 7 anos de azar. Ao chegar a casa dela e ajudar a apanhar os cacos, ocorreu-me a duvida de se os anos seriam para contar a partir da data ou para trás.

domingo, 14 de maio de 2006

Prendas de Deus

Por motivos de educação, normalmente ninguém recusa prendas. Mesmo que não gostemos muito (ou nada), limitamo-nos a agradecer a atenção que alguém nos prestou e se for preciso trocamos por outra coisa que mais nos convém. Até aqui nada de extraordinário.
Achei bastante curioso no sermão de hoje, o padre ter se apoiado nesta mesma ideia. Todos os dias recebemos prendas de Deus e não podemos/devemos recusá-las, pois são prendas sempre úteis, mesmo que na altura não percebamos bem para quê... Um exemplo elucidativo são as meias e as cuecas que são sempre mais úteis que as barbies e os kens! Este exemplo pode ser um pouco limitativo, uma vez que Deus não se preocupa apenas com a nossa roupa interior, mas
para mim esta ideia faz bastante sentido, mesmo sendo eu das pessoas que tem tendência a trocar mais de 50% dos presentes que recebe!
A mensagem do padre era bastante clara e simples: aceitemos e agradeçamos as prendas que Deus nos dá e tiremos daí os melhores frutos. Eu ainda acrescentaria, se não gostarmos muito da prenda e se Deus insistir em não nos dar o talão para a trocar, então nada mais simples do que aplicar um exercício de criatividade: reciclemos a nossa prenda e tornemo-la numa coisa mais com a nossa cara e só com isso já estamos a tirar frutos!

Nota: Entre o baile de ontem e a missa de hoje houve várias horas de sono! Nada de andar a correr as capelinhas!

sábado, 13 de maio de 2006

Modelos de (bom) comportamento

Mudam-se os tempos, mas há coisas que ficam. Quando ainda andava pelos bancos de escola era frequentemente apontada como modelo de boa aluna, estudante aplicada e comportamente praticamente irrepreensível. Para mim nada de extraordinário nem de menção honorífica, limitava-me(limito-me) a agir de forma recta e de acordo com os meus princípios.
Ao longo dos anos, estes não mudaram muito.
Mas fui inesperadamente surpreendida quando ontem, na rodada de copos de 6ª-feira, uma das presentes diz: "Sim, sim. Estive a falar com a Judith e ela diz que o que quer é ser uma party girl como a Calíope!". Engasguei-me e emiti um "Desculpa?!!!" inquiridor.
Conheço a Judith há dois ou três meses. Devo ter trocado mais do que meia dúzia de dedos de conversa de ocasião pois por motivos profissionais encontrámo-nos nos mesmos eventos... mas daí a ser uma 'party girl'? Sou presença assídua em festas e reuniões de amigos, mas nada de escândalos, espalhafatos (esta palavra existe?) e muito menos beber até cair...
'Party girl' faz-me sempre lembrar a totó da Paris Hilton e amigas afins, por isso apesar de ter sido dito no bom sentido, a mim não me soe especialmente como um elogio, daí que agradeço que não haja qualquer tipo de ponto em comum.
É engraçado verificar a impressão que os outros têm de nós... enfim, para fazer jus à pseudo-party girl que (não) sou, vou arranjar-me para ir ao baile de salsa de hoje à noite. Qual cinderela exótica, qual quê? E para evitar qualquer tipo de surpresas, o melhor é mesmo levar sapatinhos com fivela não vá lá ficar um!

terça-feira, 9 de maio de 2006

Baú de memórias


Muito sem querer numa busca de imagens, encontrei esta laranjita. Não pude deixar de sorrir... andava à procura de laranjas e encontrei a minha laranjita.
Quando era pequena tinha uma boneca igualzinha a esta de quem gostava muito. Passados este número infindável de anos, julgo que estou a precisar de outra presença assim tão... vitaminada!

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Dias de sorte II

Uma amiga telefonar-te e dizer que tens a receber uns 20€ por um favor que lhe tinhas feito e que não tinha sido favor nenhum (ir assistir a uma das tuas aulas). Ires comprar uma coisa já com medo do stock estar esgostado e não só encontrá-la, mas ainda ter direito a 10% de desconto do dia. Seres convidada para ir a um baile. Pode ser só impressão ou então é um dia de sorte!

CCC* apresenta Cornélia e Clarisse

Explicar a relação entre Cornélia e Clarisse não consistia na tarefa mais fácil do mundo. Amigas não seria bem o termo, mas eram bem mais do que conhecidas.
Ambas tinham o mesmo homem nos seus currículos, a quem tratavam 'carinhosamente' por testemunho! Afinal de contas tinha sido uma autêntica estafeta!!!
Clotilde queixava-se de ter ficado com a corrida de fundo: quatro anos tinham exigido muito de si, que agora via que deveriam/poderiam ter sido reduzido a muitos menos. A Clarisse coube a prova de velocidade: dois meses que ela preferia ter esticado por mais uns quantos.
O testemunho saira de cena, mas elas mantiveram-se. Ambas sempre estiveram a par da existência da outra, apesar dos seus relacionamentos não terem sido simultâneos.
Agora testemunho ultrapassado, saíam juntas, trocavam algumas confidências e falavam do testemunho com desdém. Enfim, autênticas comadres ou como chamar a este tipo de relação?

*Cadela Com Cio

segunda-feira, 24 de abril de 2006

A arte de esperar

Se há coisa que qualquer mulher que se preze ignora é saber esperar. Não por ser nenhum orgulho, mas sim por falta de aptidão e de capacidade.
Esperar não é o mesmo de ser paciente. Ser paciente é apenas aguardar a sua vez. Pelo contrário, esperar é contar minutos, é corroer-se, é consumir-se, o tempo não passar e não acontecer nada.
Muito comum é fingir que não se espera pela chamada, pela mensagem, pela campaínha, pelo postal, pelo raio que o parta... E então nada melhor do que se entreter com qualquer coisa que por mais interessante que seja não consegue absorver o cérebro na sua totalidade. Pode-se fingir imersa em determinada actividade, mas por mais interessante que a actividade seja, o objecto da espera continua a tilintar no cérebro, torturando-o... Não mata mas moi e muito!
Conselho a dar: Não sei, eu sofro desta doença... mas acho curioso ver o que se passa na variante masculina.
Se calha o acaso de um homem estar à espera de qualquer coisa, ele não espera, mas sim vai fazer outra coisa (que pode ser tão interessante e profundo como: o jogador X sofreu uma lesão e não vai poder ir ao Mundial ou acho que aquele arranhão na porta do meu carro não estava ali ontem) e esquece-se que está à espera do que quer que seja. Daí que quando o objecto da espera apareça é uma grande surpresa, se não o fizer, também não há problema nenhum pois ele já se esqueceu por completo!

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Dias de sorte!

Depois de uma não muito longa, nem muito profunda reflexão decidi que o meu frigorífico estava extremamente necessitado de ter uma garrafa de martini rosé nas suas prateleiras. Se três foi a conta que Deus fez, um rosso e um bianco não chegavam para preencher as medidas.
Toda contente porque até há uma promoção dos mesmos num dos supermecados locais, eis que me pus a caminho no sentido de aliviar a tensão do meu frigorificozinho.
Já com a garrafa debaixo do braço (- 1,50€, + um copo muito giro da série limitada deste ano), qual não é a minha surpresa quando vejo na prateleira dos cereiais... CLUSTERS!!!
Eu nem podia acreditar nos meus olhos! Os Clusters são uns dos meus cereais preferidos, mas há cerca de seis meses sairam de circulação... não havia sítio onde os encontrar... e agora assim de repente... tal como um passe de magia e a preço competitivo! Peguei logo em dois pacotes e vim para casa radiante da vida com as minhas belas compras!

domingo, 16 de abril de 2006

SMS

Olá X!
Tudo bem? Planos para hoje à noite? Se não tiveres, encontramo-nos para beber um copo, ok? Pode ser às 21h e tu escolhes o sítio. Até mais logo!Beijinhos, Y

Qual a resposta possível?

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Qual o seu grau de magnetismo?

De acordo com um estudo da Universidade de Idaho, grande parte das mulheres não sabem utilizar a sua capacidade magnética, simplesmente por desconhecerem o facto de possuir tal faculdade. (Os resultados para o mesmo estudo, mas referente à versão masculina serã apenas publicado no Outono de 2006). Aqui nos mergulhos fonológicos, estamos sempre com um olho no burro e outro no cigano e não nos poupamos no sentido de melhorar a vida dos nossos leitores. Assim, concebemos um teste* de rápida execução, para que possa descobrir que afinal há e sempre houve poderes mágicos em si.
Responda com sinceridade (sim/não) às seguintes perguntas limitando-as temporalmente a um período específico da sua vida (max. 1 mês).
1. Recebeu flores.
2. O seu ex-chefe resolveu flirtar um pouco consigo.
3. Um colega seu veio dizer-lhe que esteve a comentar com outro colega (que concordou) que a sua versatilidade lhe imprime um charme fora do vulgar.
4. Subitamente tem vários conhecidos a oferecerem-lhe bebidas.
5. Um desconhecido (normal +) passa por si no metro, volta atrás e convida-a para sair com ele.
6. Parte alguns corações ao sair de uma festa sem se despedir.
7. Um antigo projecto de conquista convida-a para a inauguração do seu novo apartamento.
8. Os seus amigos dizem-lhe que está óptima, super fashion e a emitir energias muito positivas.
9. Em várias ocasiões dá por si rodeada e a conviver com uma série de tipos giros, bem-humorados e eloquentes.
10. Num espaço de um minuto cumprimenta 6 tipos (++) com o total de 18 beijinhos!

Contabilize os seus resultados, contando o número das respostas positivas. Confira os resultados:

1-4: O seu iman está um pouco fora de uso, mas não se preocupe pois há soluções. A primeira é concentrar-se em si mesma. Trate-se, mime-se e não poupe esforços, pois você vale a pena!
5-9: Linda, maravilhosa e vitaminada! Com certeza que o seu clube de fans já tem pedidos para abrir filiais. Continue a emanar energias positivas, pois já sabe que what goes around, comes around!
10: Jackpot! Melhor ainda, floreada-magnético-poderosa!!!Palavras para quê?! Você sabe que pode e pode mesmo! :)

* Este teste teve o patrocínio de Cadela Com Cio.

terça-feira, 4 de abril de 2006

E se um desconhecido lhe oferecer flores...

... pode ser eventualmente um anúncio para um desodorizante qualquer, mas o mais provável é que não seja. Por isso, aproveite o momento!
Se há coisa que toda a gente gosta é de receber flores e o quanto mais inesperado for, melhor!
Ontem fui presenteada com um lindo ramo e obviamente não estava nada à espera e nem acho que tenha feito nada de especial para o ter merecido (não que seja preciso um motivo para que sejam oferecidas flores).
Não foi só o facto de ter recebido flores que me deixou contente, mas parece-me que andar com um ramo de flores de um lado para o outro nos dão poderes mágicos. As pessoas olham e ficam a pensar por que razão determinada pessoa anda com flores debaixo do braço, com certeza terá feito qualquer coisa de extraordinário ou será simplesmente especial...
Enfim... se um desconhecido (ou não) lhe oferecer flores, aceite-as!

sexta-feira, 31 de março de 2006

Arrumações

À sexta-feira é o dia em que me transformo em dona-de-casa. Vou às compras, comparo preços, cozinho, lavo a loiça, aspiro o chão, dou um jeito à casa... ok, estou a exagerar, não faço isto tudo todas as sextas-feiras! Mas sempre que chego a casa com um saco a tiracolo a transbordar de legumes e fruta e provavelmente ainda com um pacote de leite na mão ainda antes das 10 da manhã, receio estar a transformar-me numa dona-de-casa profissional...
Adiante.
Já que estava com a mão na massa, resolvi também dar uma escovadela aqui a esta casa! A meu ver está mais acolhedora, por isso continuam todos a ser muito bem-vindos!

sábado, 25 de março de 2006

Às vezes

Às vezes gostava de ser forte
Ser forte de modo a não ter medo
Não ter medo de perder o que não tenho,
nem o que nunca tive.

O medo do vazio é tanto que cria realidades ocas
Tão ocas e tão fictícias.
Eu sou fraca porque acredito nesta realidade que sei não existe,
Mas queria tanto que fosse verdade...
E que eu estivesse errada.

Mas não estou.

Às vezes, gostava de ser forte...

terça-feira, 21 de março de 2006

Pódio-cidades-para-viver

1. Lisboa
2. Viena
3. Barcelona

Amores à primeira vista:
1. 24 anos de convivência dão azo a muitos enamoramentos
2. Transportes públicos
3. Varandas

Diabo a fugir da cruz
1. Desorganização a todos os níveis
2. Tempo e pessoas cinzentas
3. Língua

A grande novidade deste pódio é Barcelona. Barcelona surgiu no meu horizonte de forma muito espontânea e não poderia ter-me surpreendido mais, por tudo e mais alguma coisa. Uma cidade viva, cosmopolita, à beira-mar plantada, limpa, com metro, a transbordar cultura, cheia de lojas e com certeza com mais um sem número de atributos. Adorei Barcelona e nem sequer estava bom tempo, isso é que me espanta!!! Enquanto deambulava pela cidade, nunca me ocorreu de estar numa cidade europeia como outra qualquer, que é o que me acontece com frequência. Gostei tanto de Barcelona que resolvi que se não mudar de planos antes, daqui a mais ou menos 30 anos, quando me reformar, mudo-me para lá de armas e bagagens!

quinta-feira, 16 de março de 2006

CCC* apresenta Celeste

16h Bip bip! "Olá Celeste!Espero que não estejas muito zangada comigo. Desculpa lá a cena de ontem... mas não deu mesmo. Vou-te buscar hoje às 8 para irmos jantar. Até logo! Beijinhos. Hugo"
"Desculpa lá a cena de ontem?! Não deu mesmo?! Mas que parvoíce é esta?! E eu deixou-me comprar por um jantareco de meia-tigela... que falta de respeito...." resmungava Celeste.
Estava zangada, mas essencialmente triste por ele não ter aparecido e especialmente por não ter dado sinal de vida, quando tinha dito que o fazia... Celeste detestava isso, às vezes era preferível não dizer nada... mas Celeste dava importância às palavras tanto as que proferia como as que recebia e se ele tinha dito que ligava, tinha mesmo de ligar. Celeste já tinha passado por alguns temporais feios, para que esta gota de água lhe causasse tanta mossa, mas a sua paciência tinha limites e parecia que os seus contornos já se delineavam no horizonte.

19.55 Dling dlong! "Olá! Sou eu..." Ouviu Celeste no intercomunicador. "Dá-me 5 minutos que eu já desço!"
Já estava pronta e esmerara-se com a escolha da roupa, dos acessórios, da maquiagem... estava perfeita e melhor do que isso, decidida. Pegou na mala e saiu.

- Marquei uma mesa naquele restaurante que fomos da última vez...
- Ainda bem.

Esta tinha sido a conversa possível no carro. Celeste não queria amansar pois se começasse com um "Olá! Estás bom?" o fim da conversa ia ser numa cama qualquer (entenda-se a sua ou a dele!), por isso não baixou a guarda. Ele também devia estar a sentir alguma culpa no cartório, por isso não insistiu na conversa de ocasião... talvez já estivesse a preparar a sua cota de armas para o chumbo grosso que deveria vir a caminho. Chegaram ao restaurante e não podiam ter melhor mesa à sua espera: recatada e dispersa do confusão de cheiros, sabores e vozes que se entrelaçavam por ali.

- Eis o menu. As sugestões para hoje são filetes com molho de limão e nozes e rolo de porco com castanhas e ameixas. Posso trazer-lhes entretanto um aperitivo?
- Um martini para mim, por favor. - pediu Celeste.
- São dois então.
- E para mim pode ser já os filetes.
- Então eu peço também já, mas a carne sff.

- Agora se calhar já podemos conversar, não? - lançou Celeste com um tom irónico - Queres começar tu?
- Ó Celeste desculpa. Obviamente que não foi de propósito... mas sabes como são os jantares da empresa... Eu disse-te que te ligava e ia fazê-lo... mas....
- Hugo, poupa-me a essas tretas. Está à espera que eu te diga o quê? "Oh coitadinho... esteve num aborrecidissimo jantar de trabalho entre gravatas, charutos e galdérias..." Tem lá paciência...
- Não estou à espera que digas nada, mas apenas que te comportes como uma pessoa razoável que és e não uma adolescente a ter uma crises de ciúmes!
- Crise de ciúmes?! Ciúmes de quê? De ti?. Mas eu digo-te, tu ontem só provaste o que eu sempre soube. Eu não valho nada para ti...
- Ó Celeste, não digas isso... sabes que não é verdade.
- Claro que não é verdade, eu só adquiro algum valor, quando não compito com nada... pois tudo o resto parece ter uma mais valia sobre mim. A situação é insustentável... Eu nunca te pedi nada, mas exijo o mínimo de consideração e isto para mim não chega. E o que eu vi ontem foi falta de respeito e má educação.
- Mas para quê este Carnaval? Explica-me...
- Carnaval para ti que sempre foste o galo do poleiro. Para ti está tudo óptimo porque és tu quem dá as cartas... As pessoas têm prioridades na vida, Hugo, e obviamente eu não tenho peso nenhum na tua...
- Estás a exagerar...
- Não, não estou. Se tu quisesses ter aparecido ou ligado ou tido qualquer tipo de comportamento recto, tinha-lo feito. Mas não, foi por opção... As pessoas têm de assumir as opções que tomam. Eu não sou tua mãe para ter de saber o que andas a fazer, no entanto exijo o respeito que mereço. Não me parece que seja pedir muito.
- Tu continuas a exagerar... e nem sequer me deixas dizer o que se passou. Eu esqueci-me do telemóvel no carro do João e quando voltámos obviamente que não te ia ligar às tantas para te acordar e dizer que afinal já não passaria por tua casa. Isso sim seria uma falta de respeito.
- Poupa-me! Olha eu estou farta disto!Queres saber porquê? Porque não é isto que eu quero para a minha vida. Eu mereço mais e não me sujeito a faltas de respeito. Isto não tem pernas para andar, Hugo, tu sabes que não tem. Tem piada durante uns tempos mas depois cansa... já não é novidade, não é? Já durou tempo a mais por isso, come o meu peixe quando vier, obrigado pelo jantar... e continuação de boa vida!

*Cadela Com Cio

quarta-feira, 15 de março de 2006

everyday

"He sees her everyday. Everyday she walks by and glances at him. ‘Why’, he must think, ‘do I feel like this? I don’t even know her!’
Two strangers who just smile at each other by no other reason than politeness.
But still he wished he could say something…
‘Hi. I’m glad it’s not raining…’
‘Hi. How’s everything?’
‘Hi…’
That’s the only word which could make any sense between them.
10a.m. He opens the office’s door. And there she is. Wouldn’t it be so easy to say good morning? She just walks by, looks at him and smiles… That smile just makes him feel the happiest man alive. But it’s just a smile… the most beautiful and honest smile he has ever seen. If he could just touch her…everyday…

She sees him everyday…"

terça-feira, 14 de março de 2006

Terapias

Não sei qual é a definição concreta de terapia, mas a meu ver uma terapia é qualquer coisa que num momento de crise nos faz sentir melhor.
Há duas terapias que faço com muita regularidade, uma chama-se trabalho e a outra compras.
Gosto de trabalhar e julgo que o trabalho tem tanto de edificante, como de distractivo... pelo menos o meu! Ao trabalhar, sinto-me útil e sei que é dali que sai o meu pão-nosso-de-cada-dia. Por outro lado, o trabalho é uma óptima manobra de diversão para ideias infelizes, pois faz-me estar concentrada no que estou a fazer concretamente e não deixa espaços ocos. Mais ainda, é algo que me dá gozo e faz rir. Não consigo conceber uma vida sem trabalho e pelo contrário, já acumulei várias tarefas para me abstrair de outras coisas.
Adoro ir às compras e em tempo fazia terapia das compras com as minhas amigas. Tem piada que lembro-me de que em momentos de crise haver alguém a dizer-me "Anda às compras a ver se animas!" E anima mesmo! Ainda não consegui descortinar qual é o fascínio de ir às compras (comprar qualquer coisa nova - pode ser - gastar dinheiro - não me parece - ser um investimento na própria pessoa - também pode ser), mas que resulta, isso sim! E compram-se coisas extraordinárias nestes períodos críticos!

sábado, 11 de março de 2006

CCC* apresenta Cecília

"Quem é?" - "É a Cecília!"
Cecília abriu a porta, passou o pátio e entrou no prédio. Enquanto subia as escadas, sorria entretida com os seus pensamentos. Pela enésima vez, subia aquelas escadas e continuava a ter dúvidas se tinha de bater na porta do segundo ou do terceiro andar... Enganara-se apenas uma vez, mas o vizinho não devia estar em casa, pelo menos ninguém reagira ao toque da campaínha. Desta vez, a porta certa estava entreaberta, ela limitou-se a bater de leve e entrou de seguida.
- Estás aí? - conferiu Cecília.
- Olá! Também acabei de chegar... não faz nem dez minutos... - a voz de dentro de casa apareceu no corredor de corpo inteiro e gravata já lassa.
- Olá Francisco! Estás bom? Então muito trabalho, foi?
- Hmm... o costume, mas temos um projecto novo. Já te conto. Queres beber alguma coisa?
- Antes de mais quero um copito de água. - disse Cecília já a caminho da cozinha.
- Ok, eu trato da outra então, - disse-lhe Francisco piscando-lhe o olho e acrescentando ainda - escolhe tu a música, temos aí uns cds novos, se quiseres!
I don't want nothing more than I get, nothing I have is truly mine... começou a ouvir-se na sala e a ecoar pelas outras divisões.
- Tu gostas imenso de Dido, não é? - perguntou Cecília.
- Sim, sim... olha vem cá ver se está bom assim... ou se está muito quente para ti? - retorquiu Francisco da casa-de-banho.
- Até parece que não me conheces... - disse Cecília entre risos - some like it hot! E eu pertenço ao clube... mais quente para mim, mas vê la se tu aguentas!
- Goza, goza... que eu já me vingo! Vou pôr a música mais alta, senão não se ouve nada daqui. Se tu não gostas de Dido podemos ouvir outra coisa.
- Gosto, gosto... sabes aquela "I want to be a hunter again..."? É a minha preferida!
- Ai sim? Queres ser caçadora outra vez, conta lá isso! - disse Francisco com um tom sarcástico.
- És mesmo parvo! - disse Cecília atirando-lhe um pouco de água. - Eu vou entrando, traz uma toalha para mim, se faz favor.
Cecília começou a despir-se enquanto a banheira enchia-se de água. Aquela relação com Francisco tinha começado de forma bastante casual e um ano depois continuava com a mesma informalidade. Eram amigos com certeza, amantes de ocasião e eventualmente qualquer coisa mais. Anteriormente já se preocupara em demasia com rótulos, agora estava mais interessada em disfrutar bom momentos concentrando-se no que tinha, em vez de se queixar pelo que lhe faltava.
Francisco voltara com as toalhas e sem roupa. - Ainda não entraste?
- Não, estava à tua espera. Mas está bem, eu fico deste lado.
Os dois entraram na banheira. Durante uns minutos não trocaram uma única palavra e deixaram-se envolver pela água quente, óleos e essências. A música não podia ser mais a propósito: I say come back. Come in from the cold into the warm. I feel like fire guiding you back home as darkness falls.
- Mais um bocadinho e dormimos aqui os dois. - disse Francisco quebrando o silêncio.
- Até não era nada mal pensado, mas só enquanto a água estiver quente. Mas conta lá do projecto da empresa.
- Ainda não está nada definido, mas como está a entrar imenso dinheiro, devemos mudar de instações em breve e ficar com o prédio só para nós.
- Pois, lá no vosso escritório aquilo já está um pouco incomportável...
- Mas não é só isso, há rumores que devemos abrir umas delegações no estrangeiro, mesmo fora da Europa.
- Nada mau! Eu ainda me espanto de vocês terem tanto sucesso... o certo é que se vê o nome da empresa em tudo o que é lado.
- É o que te digo, a aposta foi grande, mas tu nem imaginas o que está a render...
- Eu vi o teu patrão no outro dia... para a próxima tenho de o congratular! Mas olha que ele não estava nada com bom aspecto. Diz-lhe que não pode andar assim todo trambolho e mal-vestido... as gravatas vermelhas favorecem-no tanto!
- Ok, eu faço isso e já agora tu pede-lhe um aumento para mim!
- Combinado!
Era este tipo de situação que ainda fazia alguma confusão na cabeça da Cecília. Eis um perfeito exemplo de uma conversa normal entre dois amigos que podia ter tido lugar num restaurante ou na praia, mas não fora ali dentro da banheira e por acaso, ou talvez não, estavam os dois em pêlo, afinal de contas não fazia sentido nenhum estarem a tomar banho vestidos.
E já que estavam ali os dois a jeito... a banheira era grande, mas obviamente que os seus corpos roçavam um no outro. Um pé a passar por um ombro, uma mão a subir pela perna... e uma coisa levou à outra!
O tempo passava lentamente naquela banheira, mas a água esfriecera e os dedos já estavam engelhados.
- Estou a ficar com frio, acho que o melhor é sairmos...
- Sim e eu com fome.
Saíram os dois da banheira e enquanto Cecília limpava-se e enxugava o cabelo, Francisco já estava pronto em boxers.
- Eu vou ver o que descubro na cozinha... podíamos fazer uma massa ou assim.
- Está bem, eu despacho-me já e já te ajudo.

* Cadela Com Cio

domingo, 5 de março de 2006

CCC* apresenta Cremilde

Mais uma vez ia Cremilde em passo apressado para a empresa. Havia uma relação directa qualquer entre o seu despertador e as reuniões, em que convinha não chegar atrasada.
Nesse dia, uma comitiva de colegas estrangeiros seria apresentada à sua secção e não convinha que a responsável pela mesma fosse a última a chegar.
Enquanto subia no elevador, lia as indicações que já dispunha da tal comitiva: um grupo de italianos... sete... todos homens... óptimo! Cremilde não conseguiu esconder um sorrisinho malandro, olhou imediatamente ao espelho, deu um jeito ao cabelo, certificou-se de que estava tudo em ordem e saiu do elevador!
- Buon giorno! - disse entusiasmada. Afinal de contas, não tinha sido a última a chegar, a comitiva italiana estava muito mais atrasada do que ela.
Os ragazzi chegaram uns 10 minutos depois e Cremilde fez as honras da casa. Não se alongou muito, pois de seguida havia um buffet que por norma quebrava os gelos e tornava as coisas um pouco menos formais. 60% daquela amostra masculina levava pontuação máxima, 30% eram visivelmente acima da média e os 10% eram relegados para o NS/NR.
Durante os dias que se seguiram teriam todos que trabalhar juntos. Cremilde já tinha encetado um plano: alguma percentagem dos 60% mais interessantes ia querer iria querer sair com ela para um copo depois de trabalho. Mas infelizmente não obteve qualquer resposta positiva. Surgiu ainda a possibilidade de um café com um exemplar dos 30%... mas também não deu em nada. Cremilde não estava a perceber muito bem qual o problemas dos seus planos e enquanto se ocupava em limar arestas: surpresa das surpresas! O tal indíviduo a quem tinha dado a marca NS/NR acabara de lhe mandar um email a convidá-la para jantar. Realmente com tantos tipos giros.
Cremilde estava sem namorado, caso ou afim há mais de um ano... já era muito tempo, tempo a mais. Um convite para jantar tinha de ser visto com bom olhos, mesmo que um pouco fechados! O amigo italiano não dava nas vistas como (todos) os seus colegas, mas era simpático. A conversa fora agradável e o jantar melhor ainda. Cremilde não tinha percebido muito bem se aquela manobra (o melhor restaurante da cidade) tinha sido só simpatia ou teria sido uma vontade especial em encher-lhe o olho e cair nas suas boas graças.
Nos dias seguintes, Cremilde tirou as suas dúvidas. A hipótese válida era a segunda. Os convites continuaram e ela continuou a aceitá-los... literalmente por interesse, mas pelo menos havia qualquer coisa que a movia, o que já não acontecia há tempo de mais.
Os jantares multiplicaram-se e as actividades diversificaram-se, não só fora de portas, como também dentro! Nas últimas semanas do intercâmbio, o sr. NS/NR já passava mais noites em casa de Cremilde do que no seu quarto de hotel. Cremilde estava igualmente satisfeita, afinal voltava a sentir-se mimada.
No último dia, Cremilde voltou a ser surpreendida: "Queres vir viver comigo para Florença, principessa?", mas disfarçou muito bem a surpesa retorquindo rapidamente um: "E porque não?"

*Cadela Com Cio

Sensores

Uma das coisas mais irritantes que existe são os sensores-de-movimento-que-servem-de-interruptor-para-qualquer-coisa. A casa-de-banho do escritório onde trabalho tem destes sensores para acender a luz. Quase todas as vezes eu tenho de entrar, dar dois passos para trás, mais um para a frente, um ou dois saltos e se tiver sorte o sensor dá pela minha presença... Quando se dá a ocasião de estar um bocadito mais aflita e ir directa para as devisões com as sanitas, vou às escuras!
Ainda mais ridículo é quando se trata de portas automáticas, nomeadamente as dos comboios. Lá tem uma pessoa de levantar os braços e fazer outras tantas figuras ridiculas porque a sensível da porta não dá pela nossa presença...
E que tal se a sensibilidade destas porcarias fosse baixada para o metro e meio ou mesmo para o 1,40m?! Para quê fingirmos todos que somos muito altos?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Dias perfeitos

Há dias perfeitos e ontem foi um desses dias.
O meu conceito de dia perfeito de Inverno passava, até ontem, por haver aquele solzinho típico de Inverno e frio. De ontem em diante passou a ser algo diferente. O solzinho, mesmo não aquecendo, ilumina, brilha e anima e neve a cair. Perdoem-me a ingenuidade, mas eu não sabia que era possível nevar e estar sol ao mesmo tempo. Ontem pude experienciar essa realidade e é fabuloso!
E para acabar o dia em grande, chegar a casa coberta com um manto estrelado. Lindo! Até acho que vi a Ursa Maior!

(Para os que não sabem, o tempo normal em Viena são nuvens e é indiferente a estação em que se esteja. Conclusão: nem sol de dia, nem estrelas de noite.)

domingo, 26 de fevereiro de 2006

CCC* apresenta Cíntia

Um passo à frente, mais um e outro ainda. Lança a cabeça para a esquerda e depois para a direita e meia volta sobre si. Uma volta no varão. Quatro passos para trás e passa as mãos pelo corpo debaixo para cima. Estica um, estica o outro, cruza-os por trás das costas e desaperta o soutien. Pega nas plumas e vira para a frente.
Cíntia poderia fazer esta rotina de olhos fechados, tinha a certeza que não iria nem contra o varão, nem cairia do palco. Era stripper há 6 meses, não por opção, mas por necessidade. No princípio custara-lhe, mas agora era-lhe indiferente. Já estava completamente alheia a todos aqueles olhares, mais uma vez, não tinha tido outra hipótese.
Com a sua nacionalidade não era fácil arranjar um emprego. A suas habilitações não eram más, mas não eram suficientes e a falta de uma autorização de trabalho tinham-na empurrado para aquele clube. Uma conhecida sensivelmente nas mesmas condições dançava lá já há uns anos e recomendou-o sem hesitar. Não havia segurança social, mas havia dinheiro. Era mesmo só ter de se despir em palco ou em privado, nada de espectáculos de sexo ao vivo e muito menos sexo pago. Os clientes estavam terminantemente proibidos de lhes tocar.
Naquele dia, enquanto fazia a rotina tantas vezes repetida, Cíntia observava os clientes. Aos fins-de-semanas, as mesas costumavam estar cheias, durante a semana, a lotação variava. A casa estava composta e um curioso grupo tinha acabado de entrar. Quatro rapazes poucos mais velhos do que ela, aparentemente amigos, mas todos muito diferentes: um casual, um desportivo, um desleixado e o último todo aprumado com gravata e tudo. Este último chamou a atenção de Cíntia, obviamente não pela gravata, mas por tudo o resto!
Infelizmente a sua actuação estava no fim e Cíntia voltou para os bastidores.
Passados um bom quarto de hora, uma colega avisa Cíntia que tinha um cliente à sua espera para um privado. "Oh não! Pensei que já estivesse despachada por hoje..." Os privados ainda não tinha conseguido digerir. A proximidade com o cliente era muita constrangedora. Eles não lhes podiam tocar, mas podiam dizer muita coisa... e às vezes conseguiam ser muito ordinários. Quem lhe cairia na rifa?
Cíntia retocou a maquiagem, despiu o robe, vestiu a indomentária própria e dirigiu-se à divisão indicada para si. Nem nos seus melhores palpites lhe ocorreu quem poderia ser o cliente, nada mais, nada menos do que o sr. Aprumado.
Ele sentou-se e Cíntia começou a insinuar o seu corpo com movimentos lentos e dengosos. O sr. Aprumado seguia-a com os olhos e indagou-a logo nos primeiros minutos: "Podes falar ou é mesmo só linguagem corporal?"
- Não podes tocar-me! Conversar não é proibido, mas posso preferir não falar - disse Cíntia esboçando um sorriso.
- E preferes? Tantas regras...
- Tem de ser, se não c'est le bordel!
- Oh la la madame! Falas francês?
- Não... estudei uns anos, mas já não me lembro bem. No entanto, esta expressão adequa-se muito a este enquadramento. - Cíntia não costumava responder aos clientes, mas a abordagem deste tinha sido diferente, mas enquanto falava, rodopiava pelo varão e a sua roupa ia desaparecendo.
- Como vieste cá parar? Se calhar poderias trabalhar noutro sítio melhor...
- Estás a pagar para me ver a fazer um strip para ti e não para servires de assistente social! - respondeu Cíntia prontamente.
- Tive curiosidade... gostaria de voltar a ver-te...
- Lamento, acabou-se o tempo! Adeus! - Cíntia pegou nas suas coisas e incrédula saiu.

* Cadela Com Cio

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

CCC* apresenta Celina

"Até que a morte ou uma assinatura vos separe!". Esta seria a alteração que Celina sugeriria aos votos matrimoniais. Tinha prometido a Deus, ao padre e a todos os presentes na cerimónia (incluindo o seu então futuro marido) que aquilo ia durar para sempre... mas afinal teve de quebrar a sua promessa com uma assinatura. Tinha pedido Afonso em casamento... e em divórcio também. Agora já estava. Papeis assinados e alianças nos bolsos. Uma relação de 10 anos acabava ali, 7 dos quais de papel passado. O fatídico 7 não fora superado.
Apesar de acreditar no que chamava "poligamia sequencial", Celina julgava ser Afonso o último da fila e foi... até aparecer Gonçalo. A poligamia sequencial apoiava-se no pressuposto de que cada pessoa tem vários relacionamentos antes de assentar arraias, mas qualquer uma destas relações em regime de exclusividade.
Gonçalo surgira na vida de Celina por casualidade e por brincadeira de crianças, mais precisamente das suas alunas. Celina era professora e tinha uma relação bastante cúmplice com os seus alunos em geral.
No início de mais um ano escolar, algumas alunas foram comentar consigo quão interessante era o novo professor de educação física. Na altura, ela nem ligara, mas chegando as reuniões intercalares voltou a lembrar-se do assunto e não resistiu a deitar-lhe um olho inquiridor. Para além de bem parecido, também era simpático e eloquente. Tinham várias turmas em comum e horas livres entre blocos de aulas também. Dois dedos de conversa aqui e ali que começaram por ser de trabalho, rapidamente alargaram-se e transformaram-se em almoços conjuntos muito regulares.
Mais reuniões e a jantarada de Natal dos professores. Uma noite muito bem passada acabada numa pista de dança qualquer. Ele também dançava!
Com as férias veio um previsível afastamento e Celina acusou a falta dos almoços com Gonçalo. A sua própria reacção causara-lhe alguma estranheza. Afinal de contas por que razão sentiria falta de um colega? Estava bem casada e tinha bons amigos. A estranheza passou à ansiedade nos últimos dias das férias que foram todos contados de forma decrescente.
Os almoços voltaram a acalmá-la, mas agora eram muito mais demorados e tinham já um leve saborzinho de flirt... e não partiam de Celina.
Mais reuniões intercalares e no fim delas parecia de propósito: o carro de Celina não tinha bateria e o de Gonçalo estava ali mesmo ao lado. Foram jantar juntos. Conversa puxa conversa, uma coisa levou à outra e acabaram em casa de Gonçalo. Celina já não voltou a sair no mesmo dia. Felizmente para ela era véspera de fim-de-semana e Afonso estava fora.
O caso resultou num romance e o casamento de Celina saiu desencantado.
Assim que se apercebeu que era Gonçalo que queria a seu lado, Celina teve uma conversa séria com Afonso. Não valia a pena bater mais numa tecla que já não tocava. Ele concordou. Celina já tinha as malas arrumadas. "Gonçalo, estou aí em 20 minutos!"

* Cadela Com Cio

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Trabalhos práticos

Se há coisa que me irrita solenemente é o hábito que muita gente tem em associar determinadas funções a um X ou um Y...
No outro dia, esteve cá em casa um técnico para verificar a canalização por causa de uma eventual infiltração. Aparentemente estava tudo bem, mas ele duvidou um pouco do isolamento da banheira e fez a seguinte recomendação: "O melhor é isolar melhor a banheira, pois como vê, isto já está um pouco solto e a água pode passar por aí. Peça ao seu namorado para pôr um pouco de silicone aí ou então contacte-nos que nós podemos fazer isso também." A minha resposta foi imediata: "Não se preocupe que eu trato do assunto!". Se calhar ele não percebeu, mas o que lhe dissera era para ser cumprido literalmente.
Ter de arranjar um namorado de propósito para servir de mestre de obras? Pagar 50€ à hora por uma tarefa de cinco minutos?
Se eu tenho dois braços, duas mãos, uma cabeça e nada que me faça desarticular os movimentos por que não poderia ser eu mesma a resolver o problema? Por ter unhas pintadas?
Enfim, lá arranjei a pistola do silicone e hoje fui comprar o dito. Mãos à obra! Confesso que foi a primeira vez que isolei o que quer que tenha sido, mas para quem já andou a arranjar torneiras e a montar prateleiras, não foi um grande drama. Provavelmente qualquer homem fá-lo-ia com uma perna às costas, eu precisei das duas mãos porque não tenho muita força, mas acho que ficou bem feito! Aproveitei o balanço e isolei também a torneira da cozinha!
Fico contente cada vez que consigo resolver estes pequenos imbróglios domésticos, mas se tivesse de viver disto, se calhar passaria fome!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Prodígios

É com muito agrado que volto a falar da minha profissão. Apesar de uns anos para cá tenha servido para alguns part-times, continuo a apresentar-me como sendo professora.
Recentemente comecei a dar uma série de cursos novos e constatei que a faixa etária dos meus alunos nunca foi tão larga como a presente.
O meu aluno mais novo tem 7 anos. Tem tanto de mimado e arrogante como de inteligente e diz coisas tão fabulosas como "há meninos de todas as cores como as pedras preciosas" e tão surpreendentes como "as fadas são umas chatas que estão sempre a aborrecer-me!".
A minha aluna mais velha tem 84 anos. Não, não me enganei: oitenta e quatro anos! Ainda só tive uma aula com ela, mas acho genial o facto de querer aprender uma língua nova já octagenária e o motivo não poderia ser mais enternecedor: poder contar histórias à sua neta (que é portuguesa).

domingo, 19 de fevereiro de 2006

CCC* apresenta Carlota

Bip! Bip! Aquele toque de mensagem de um Nokia era reconhecível em qualquer parte do mundo. "Olá! Vai um copo? 6ª-feira 21.30 na 1ª paragem do 43. Vou lá buscar-te. Beijinhos e até lá!B."
- Isto é que é um homem a sério! - gritou Carlota a transbordar de entusiasmo - claro que eu vou lá estar! Queres ir também? Eu vou dizer que também vais e ficas logo a saber quem é ele.
- O que se passa? - inquiriu Matilde.
- Olha aqui! Ele não está com rodeios... quer ver-me e nem me dá hipóteses de recusar o convite. Não está com aquelas mariquices de "queres...? olha vê lá se te apetece...? será que...? posso...?"
Carlota estava a viver com certeza um ponto alto da sua vida. Estava radiante e com um brilho especial nos olhos. Não tinha namorado, mas as coisas pareciam bem encaminhadas. Andava a sair com vários tipos e desconfiava que algum deles deveria resultar em qualquer coisa...
- Bolas! 6ª-feira é hoje! Eu tenho combinado sair com o Rogério... era para ir tomar um café e depois irmos ao cinema... - lembrou-se Carlota.
- Qual é o filme? Diz-lhe que já viste e por isso não podes ir...
- É um bocado forçado, não achas? Já sei! Digo-lhe que como está tão bom tempo não me apetece enfiar-me no cinema... mas ele que não se incomode comigo e vá na mesma com o resto do pessoal. Tomo um cafezito e depois vou-me embora.
- Achas que não soa a desculpa esfarrapada? - conferiu Matilde.
- Eu sei... mas eu também não tenho qualquer interesse nele... ia sair com ele porque não tinha mais nada que fazer.
- Ok. Tu é que sabes. Eu hoje não posso sair... vai lá tu sozinha... tu gostas mesmo do Bruno, não é?
- Não sei... Mais do que do Rogério de certeza. Acho que o Bruno vale a pena o investimento. Vou dar-lhe só um pouco de corda e vamos ver o que ele faz com ela.
- Parece-me bem...
- Bom, deixa-me ir lá ter com o Rogério e sei lá com mais quem.
- Tu és demais! Já não te basta sair com dois ou três tipos diferentes por semana, agora é mesmo por dia!!!
- Não sejas parva...

- Olá!
- Olá! Olha estes são o Pedro e o Tiago. Estão cá de visita.
- Ai sim? E que tal estão a gostar? Ah! Olha eu já não quero ir ao cinema...
Carlota avançou com a sua desculpa sem fazer muito caso. Pelos vistos Rogério estava acompanhado o que era óptimo. Foram tomar um café e dar uma volta pela cidade. Mais dois dedos de conversa e eles perderam a sessão a que queriam ir e continuaram todos em animada cavaqueira. Carlota perdera a noção do tempo e pior já tinha perdido muito tempo. Já não tinha tempo de ir a casa jantar se quisesse ir ter com Bruno, chegando lá a horas. Para piorar as coisas:
- E que tal se fôssemos todos jantar?
Carlota não conseguia lembrar-se de nenhuma desculpa e precisava mesmo de comer qualquer coisa, pois ir de estômago vazio beber uns copos com Bruno seria o suicídio da sua futura eventual relação.
- Está bem... mas não posso demorar-me muito. Amanhã trabalho cedo e depois do jantar ainda queria fazer uma coisa.
Nada estava a correr com o previsto. O jantar demorava a sair. Carlota já tinha maldito umas mil vezes o momento em que se lembrara de ir ter com Rogério. Porque não inventara ela uma desculpa qualquer logo de início? E agora não se conseguia livrar dele e dos amigos... Que lapa!
Depois do longo jantar, Rogério continuou com as suas sugestões completamente descabidas no entender de Carlota. Um bar?! Ir a um bar depois de jantar? O pior é que Carlota não queria dizer que tinha de ir para casa, pois na sua cabeça e de acordo com as Leis de Murphy assim que dissesse isso, as probabilidades de irem todos parar ao mesmo bar aumentariam vertiginosamente.
- Olha desculpa... para mim não dá. Tenho uma coisa combinada...
- Ai sim? Onde vais?
Carlota caiu que nem uma patinha.
- Vou ter com uns amigos... não sei onde é o bar. Mas se quiserem podem vir...
Carlota fez o convite esperando ouvir um não como resposta, mas não foi isso que ouviu e entrou em pânico... Como seria possível piorar as coisas? Era possível... Bastou-lhe puxar pela memória. Rogério e Bruno conheciam-se de uma conferência onde todos se tinham conhecido... O que é que o Bruno vai ficar a pensar... coitada... o raio da batata quente continuava a aquecer...
Após este delírio de ideias, Carlota voltou a pôr a cabeça a funcionar. Não devia contas a ninguém, nem a Bruno e muito menos a Rogério. Se Bruno lhe tinha dito que Matilde poderia ir era porque era ou uma festa ou pelo menos que lá estariam mais pessoas. Portanto coragem! Levantou a cabeça, retocou a maquiagem e enfrentou a situação.

Pipipipi! Onde é que estava o raio do telemóvel? Ai! Era Bruno...
- Olá! Está tudo bem?
- Olá! Desculpa o atraso... estou quase aí... dá-me dois minutos pois já estou no metro. ´
- Ok! Eu também ainda não estou na paragem do 43, descansa. Até já!
Tudo sobre controlo com Bruno, mas Rogério continuava a deitar água na fervura, se calhar sem querer, mas só a presença dele e do amigo já irritava Carlota.
- Disseste-lhe que íamos contigo?
- Não.
- Porquê?
- Porque acho que não era necessário.

Chegados à tal paragem, a cabeça de Carlota parecia um catavento. Onde está Bruno? Onde está Bruno? Carlota já não o via há uns bons meses. E ei-lo! Lindo como sempre.
Com tanta coisa a importunar a sua cabeça, Carlota nem tinha pensado como reagir ao reencontro. Nem teve tempo de pensar em nada. Correu para ele e abraçou-o, ele retribuiu.
Enquanto ainda estava abraçada a Bruno apercebeu-se que ele estava ali sozinho... Era um date e ela feita parva não só trazia um tipo atrás, mas sim dois.... Que estúpida! Ainda por cima o interesse era todo o seu...

- Então? Estás bom? Estás com óptimo aspecto!
- Sim... tu também não estás nada mal...
- Olha, este é o Rogério e o Pedro... - assim começou a fantochada - ah! pois é! vocês já se conhecem daquela conferência... pois como é que nem me lembrei disso? - disse a tentar fazer piada com um sorriso muito amarelo.

Bruno disse que já tinha os seus arraiais assentados num bar ali perto e encaminharam-se todos para lá. Carlota agarrou-se ao braço de Bruno e não voltou a dirigir palavra a Rogério. Não fora de propósito, mas com Bruno ali, nem se lembrou que Rogério ali estava. Chegados ao bar, estava um amigo de Bruno lá sentado numa mesa. Provavelmente foi com grande espanto que viu Bruno, Carlota e mais dois individuos... guarda-costas?
Carlota, por sua vez ficara aliviada ao ver o amigo de Bruno, afinal não era um date... menos mal, a sua borrada era ligeiramente menor.

A noite melhorou substancialmente. Carlota estava divertidíssima a conversar com Bruno e o amigo dele que se esqueceu completamente de Rogério e Pedro... apesar destes estarem ao seu lado.
- Olha, nós vamos andando. Estamos um pouco cansados.
Foram estas as últimas palavras que ouvira de Rogério nesse dia, nesse mês, nesse ano.
Ao sairem, o amigo de Bruno limitou-se a comentar, entre risos:
- Carlota, para a próxima traz gajas! Onde é que tu foste desencantar estes tipos?
- Desculpem lá... não foi de propósito... mas eles não me largavam! Vá a próxima rodada de bebidas pago eu, ok?

*Cadela Com Cio

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

CCC* apresenta Cassandra e Cibele

Foi já com mais de 20 anos de amizade na bagagem que Cassandra e Cibele enveredaram pela primeira viagem em conjunto. Nunca se tinha proporcionado e até então nunca tinha sentido a falta de não terem viajado juntas.
Passeávam-se num centro histórico de uma cidade qualquer, quando se depararam com uma feira de artesanato. Consumistas como ambas eram, foram com a desculpa de que precisavam de recordações para familiares e amigos.
Bancas com imans para o frigorífico, bonecos de madeira, cachecóis e t-shirts, entre outros, alinhavam-se formando um quadrado. Sem irem ao mesmo passo, ambas arrastavam-se pesadamente observando tudo com atenção.
- Cassandra! - chamou Cibele uns passos mais à frente. - Chegas aqui sff...
Cassandra avançou e ficou algo surpresa com o que Cibele tinha-lhe para mostrar.
- Olha-me para isto!
'Isto' era uma banca com uma série de artefactos em cabedal, de onde ressaltava uma variada selecção de chicotes.
Ambas trocaram um sorriso cúmplice e simultaneamente inquiriram: "Será que são caros?", "Olha, pergunta lá o preço!".
- Até não são caros... e olha aquele ali tão bonito - comentava Cibele.
- Para que é que tu queres um chicote? - perguntou Cassandra divertida.
- Para nada! - respondeu Cibele, fazendo propositadamente um ar cândido e singelo, - Era só mesmo para decoração!
- Pois, pois... decoração, de coração e para outros músculos também, não? - provocava Cassandra entre risos.
- Não é nada disso, a sério que acho aquele chicote muito bonito. Obviamente que não vou começar a chicotear corpos... mas quem sabe se um chicote à mão não pode fazer jeito. - defendeu-se Cibele.
- Sim, sim... Eu tenho uma proposta para ti! Pago-te metade do chicote ou posso mesmo oferecer-to, mas tu tens de me contar TUDO o que fizeres com ele. - propôs Cassandra divertida com a própria ideia.
- O quê? O que achas que eu haveria de fazer com o chicote... Estás a ensandecer... Eu só queria pendurá-lo na parede... - justificou-se Cibele, meia incrédula com a proposta.
- É pegar ou largar!
Olharam as duas uma para a outra com um olhar cúmplice... desataram a rir e concluiram:
- Vamos ver os imans para o frigorífico! É mais seguro!

* Cadela Com Cio

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

CCC* apresenta Cassilda

"Maria. Sou a Maria." Era mentira. Na verdade, chamava-se Cassilda, mas uma portuguesa Maria era a identidade que utilizava sempre que tinha um encontro cibernáutico qualquer. Essas eram as informações fixas, pois todos os outros dados que facultava eram variáveis. Dependiam da sua disposição e do seu interlocutor. Tinha um email criado para a ocasião e nunca mandava fotos, mas recebia-as com todo o gosto. Os seus admiradores ou correspondentes ou dates eram bastantes e variados: um album, ou melhor, o catálogo onde os dispunha assim o comprovava.
Uma mão cheia de pessoas desinteressantes que procuravam relações fáceis eram constantemente postas de lado, mas havia também quem conseguisse chamar a sua atenção no meio daquela multidão. Conversas fluída e sem lugares comuns eram já um bom princípio.
O seu sistema de selecção baseava-se num simples sistema de pontos. Quem atingisse os mínimos e continuasse a marcar pontos ia tendo direito a mais dados verdadeiros.
Houve um pretendente que marcou tantos pontos, que Cassilda lhe deu o seu contacto. E ele telefonou!
Cassilda estava radiante e embevecida com a voz dele. O timbre certo era música para os seus ouvidos. Ele convidou-a para jantar... em sua casa. E continuava a marcar pontos!
Elegante mas casual, discreta mas com alguma carne de fora e perfumada, claro está, foi assim que Cassilda lhe foi bater à porta.
Musiquinha ambiente e um aperitivo. Uns bifinhos com arroz e salada a acompanhar, tudo regado por um Rioja. Nada de muito sofisticado, mas saboroso. Mais uns pontos. Queijo para sobremesa porque o queijo fecha o estômago. Digestivo e a musiquinha ambiente continuava. Tudo parecia perfeito.
A seguir ao jantar ele diz estranhamente que ia tomar banho. Cassilda franziu o sobrolho e manteve-se sentada no sofá. Alguém estava a perder pontos. Que ideia descabida tinha sido aquela?
A água não correu por muito tempo e ele volta a sair da casa de banho... tal como veio ao mundo (mas mais desenvolvido!). Cassilda surpreendida não conseguiu emitir mais do que um mero "E que tal se te vestisses?!" e não teve tempo nem presença de espírito para apreciar o que quer que fosse. Oferendas assim de bandeja, não obrigado.
Levantou-se e saiu.


* Cadela Com Cio

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Lugares livres

Para todos os corações que ainda tenham um lugar de estacionamento livre, desejo um feliz dia... como outro qualquer!
Afinal de contas quem difunde estas tradições consumistas e artificiais com certeza que também não anda a festejar o S.Martinho com castanhas nem a oferecer manjericos nos santos populares!

O português

Uma das actividades que proponho aos meus formandos pede que eles opinem sobre o que é ser português. Esta actividade é introduzida por uma banda desenhada, na qual, mordazmente, se aponta um dos traços bem distintivos do vulgar “tuga”: o hábito de dizer mal de nós próprios, de nos denegrirmos, e de sermos pessimistas, embora, se for um estrangeiro a dizer mal de nós, bom, aí tudo muda e nós somos os maiores.

É curioso notar que (quase todos) os meus formandos rejeitam esta ideia. Então seria de esperar textos bem optimistas e que valorizassem o que somos e o que por cá se faz, mas tal raramente acontece. Penso que, de facto, os textos que leio confirmam a ideia da BD.

Porém, há outros traços que, creio, hoje em dia caracterizam melhor o português. Para além do chavão de sermos maus condutores, de nos desvalorizarmos, de andarmos sempre taciturnos e a cantar o fado, julgo que hoje temos outras coisas que nos descrevem melhor.

Da minha responsabilidade, identifico facilmente três, que são as seguintes:

Não temos dinheiro, não temos tempo, e estamos sempre cansados. Ou melhor: DIZEMOS que não temos dinheiro, que não temos tempo, e que estamos sempre cansados.

Com efeito, como é possível haver pessoas que trabalham apenas algumas horas por dia, serviços fáceis em que não puxam pela cabeça nem pelo físico, que passam a vida a ver televisão, ou a falar pela net, e mesmo assim clamam constantemente que estão cansadas?

Como é que posso aceitar que haja pessoas que passem 8 horas no trabalho, mas só 3 ou 4 a trabalhar efectivamente, e que depois ainda tenham o grande cinismo que praguejar constantemente, dizendo que têm tido muito trabalho?

E como é que poderei compreender que pessoas que ganham bem, dinheiro certo, que compram motos, móveis, artigos perfeitamente desnecessários que mais não são do que expressões de riqueza supérfluas, tenham a lata de se queixar de dez em dez minutos que não têm dinheiro?

Porém, é este tipo de pessoa que nós vemos hoje em dia; o típico português é este fulano, aparentemente paradoxal, mas que na realidade nem se dá conta de o ser e da paupérrima e insuportável imagem que transmite. Com efeito, o “tuga” é assim:

(Diz que) não tem dinheiro, mas nunca deixa de ir ao café três vezes ao dia, de comprar o último telemóvel que saiu, de possuir um carro, e de dar 60 euros ou mais pelo concerto dos U2;

(Diz que) anda sempre cansado do trabalho, mas à sexta-feira à noite é até o sol nascer, a dançar e a beber, e pelo meio da semana ainda conseguiu almoçar em duas horas, em vez da uma permitida pelo horário, para já não falar dos intervalos para o café, para o bolo, para o iogurte e para o chá; ah, e dos habituais atrasos – do trânsito – e das saídas mais cedo – que (nunca) são sempre pontuais;

Para completar, só falta de dizer que português que é português adora o tunning, a selecção e falar mal dos políticos, como se os políticos não fossem também portuguesinhos e animais como nós…

Agora, meus amigos, enfiem a carapuça, se tiverem essa coragem.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Mysterium Fidei

Credo in unum Deum,
Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae,
visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Iesu Christum,
Filium Dei unigenitum...

Costumo ir assistir ao domingo uma missa em latim numa catacumba da Catedral de St. Estêvão. É mais fácil de a seguir, pois as partes em alemão resumem-se às leituras e à homilia. Não há cântigos e ao lado do altar está uma das imagens de Nossa Senhora mais bonita que alguma vez vi.

Bom, à força de repetição ou de pura crença a minha fé em Deus nunca foi e duvido que seja alguma vez posta em causa, mas é muito interessante verificar como fé e razão podem ser tão díspares. Racionalmente, tenho muitas dúvidas em relação a muitos episódios bíblicos (mesmo antes de ler o "Código da Vinci"), mas a fé não se questiona, acredita-se ou não.
Eu acredito. Mas mesmo assim, não sou cega, surda e muda e com certeza que não digo "amen" a tudo o que me impingem. Para alguma coisa Deus deu-me cabeça! É bastante interessante, pelo menos para mim, ver perspectivas diferentes relativas a dados adquiridos. Recentemente, soube de uma teoria em que Jesus Cristo não morreu na cruz, mas sim, fugiu com ajuda de alguns discípulos e foi parar à Indía, onde difundiu os seus ensinamentos.
Apesar de isto pôr em causa pedra basilar de tudo o que eu acredito, acho que as justificações apresentadas parecem bastante plausíveis.
Vou procurar mais pistas e variações em evangelhos apócrifos. Se alguém souber de algum dê-me a dica.