sábado, 31 de dezembro de 2005

Justiça divina

Há muitas pessoas e há muitas crenças. Há pessoas em que acreditam em coisas, no mínimo, duvidosas. Por exemplo, a crença que uma pessoa conhecida minha tem em macumbas e esse tipo de voodoos é para mim quase medieval. Embora eu acredite piamente em anjos... não concretamente nos querubins de Michelangelo, mas na possibilidade de entidades semi-divinizadas encarnarem temporariamente em pessoas (muito reais) para nos ajudarem em determinadas situações.
Mas talvez umas das minhas crenças mais questionáveis é nas mensagens divinas e nos castigos de Deus.
Passo a explicar, o que eu designo por mensagens divinas são palavras soltas que podem ser encontradas em qualquer sítio e que expressam a opinião divina no que refere a uma dúvida que nos atordoa o espírito. Podem ser coisas tão simples como um cartaz com o nome de uma peça de teatro ou umas palavras perdidas numa emissão de rádio, nada de manifestações apocalípticas ou vozes a ecooar dos céus. Se bem interpretadas estas expressões podem resolver alguns momentos mais dúbios da nossa vida.
Os castigos de Deus já não requerem tanto poder interpretativo. Julgo tratar-se de uma medida de última instância com vista a pôr um ponto de ordem na situação. Se precisarem de uma alegoria, pensem numa bela palmada que não pretende exactamente castigar, mas sim chamar a atenção de forma ligeiramente punitiva a uma acção menos feliz. Para que a pessoa perceba a razão pela qual está a levar uma bofetada de mão divina, esta justiça é bastante prática e, a meu ver, até podia justificar-se com uma passagem do Antigo Testamento: "olho por olho, dente por dento". Se errámos nos alhos não vamos ser castigados por ou com bogalhos: não faz sentido e nós teríamos muita dificuldade em perceber o que é que se estava a passar. Exemplo prático?! Ora aqui vai ele: eu uma vez num momento menos inspirado liguei a uma pessoa que não devia. Era um número que não devia constar da minha lista, mas por qualquer motivo foi ficando. Felizmente a pessoa não atendeu, mas Deus não dorme... e em menos de 15 minutos eu tinha o telemóvel irremediável partido... (e não fui eu que resolvi dar-lhe com um martelo). Parece-me que a justiça divina não costuma ser assim tão fulminante, mas neste caso teve mesmo de ser assim. Aprendi a lição: o que lá vai, lá vai e nada de tentativas vãs de recuperar o que já passou de prazo. Se pudesse teria logo naquele instante apagado o número da minha lista, mas Deus adiantara-se! Por isso, não se metam em corridas com Deus, é uma aposta perdida mesmo antes da partida!
Eu acho que não devo ter andado a portar-me muito bem, pois se estou a ler bem as coisas, estou na eminência de mais um belo tau-tau... Desconfio vagamente por que é que vou ser castigada sozinha para o hemisfério sul... mas ensinamentos só no regresso.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

(A) e/ou (B)

Às vezes há escolhas que têm de ser feitas, mas o que queríamos mesmo não era ter de optar entre (a) e (b) mas sim somar (a) a (b), ou ainda, extrair o melhor de (a) e (b). Eu sou das pessoas que pudesse escolher, optava pelo melhor das duas, mas como é óbvio, se se tratam de opções, não são acumuláveis... é pena!
Será preferível (a) um fogo aceso que pode resultar numa queimadura de grau a determinar ou (b) um seguro lume brando que não leva a lado nenhum mas que não magoa?
Como disse anteriormente, o que eu queria era o fogo aceso que não resultasse em nenhuma ferida.
Olhando para trás, reparo que (in)conscientemente eu tenho escolhido o (a)... não sei se tenho feito bem, mas parece-me que o fogo aceso faz-nos sentir com o sangue a correr pelas veias, as feridas se existirem acabam por sarar e o proveito que tivémos por mais curto que tenha sido... ninguém no-lo pode tirar! Ao passo que o que me faz ser um pouco avessa à opção (b) é exactamente essa ausência de tudo: o marasmo total! Uma vidinha sem sal pode ser certa e segura, mas qual é o interesse de uma perspectiva tão cinzenta? Eu não consigo perceber.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Meet the parents

Após um intensivo fim-de-semana de três dias entalado entre uma mudança de casa, duas festas e um almoço, muito esforço físico, poucas horas de sono e o fantástico conde de Monte Cristo (i.e. James Cazaviel, que mesmo a falar alemão e com a boca descordenada do som é simplesmente liiiiiiiiindo) eis-me pronta para uma semana que ainda vai ser mais em cheio que o fim-de-semana, não fosse ela culminar em pleno dia de Natal. 8:00 em ponto, um frio de rachar lá fora e eu já sentadinha na redacção com café tirado e tudo... nem vale a pena mencionar a que horas acordei. A ansiedade é decomunal, mas o trabalho consegue superá-la... em quantidade... bolas! Logo esta semana que eu queria passar lá menos horas: tenho 3 dias de trabalho (um deles já se foi) e trabalho que chegue para duas semanas de 5 dias... Uma aula, compras de última hora e dar um último jeito à casa... Papai e mamãe estão a chegar e convem que fiquem bem impressionados. A ver vamos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Quem és tu, romeiro?

E quando assim de repente o passado nos bate à porta. O que fazer?
a) Abrir a porta.
b) Não abrir a porta.
c) Fingir não estar em casa.
d) Abrir a porta, tentando ignorar o passado.
e) Abrir a porta, relembrando o passado.
f) Abrir a porta e receber o passado de braços abertos.
g) Desmaiar.
h) NS/NR

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Collants

Se há peça de vestuário que urge por progresso são os collants. Já alguém pensou quão inestéticos são um par de collants? Obviamente que não estou a falar da parte da meia (pé + perna) mas sim da parte do calção. No caso, é indiferente serem collants lã ou de vidro.. porque não nada menos apelativo!
Meias altas poderiam consistir numa alternativa, mas não tapam o frio todo e verdade seja dita, não são tão confortáveis, aquelas que têm um elástico muito apertado: não caem e não enrolam, mas marcam; as que se prendem com ligas, sim muito elegantes, mas de prático não têm nada.
Imaginem o tipo/a tipa mais fabulosa do mundo em collants... pronto, só esta ideia já lhe tira todo o encanto!
E já agora, vamos lá desmistificar essa história mal contada: sim, os homens também usam collants! O frio não olha a sexos e quando as temperaturas negativas contam-se pelos dedos de uma, duas ou mais mãos... os collantzinhos não fazem milages mas aquecem e muito!
Se alguém tiver alguma ideia brilhante, re-encaminhe-a para a DIM ou qualquer outra concorrente do ramo!

Receita

Antes da publicação do grande livro das máximas, frases úteis para alegrar o quotidiano e outras dicas de bons procedimentos em situações onde o mais difícil é pensar, aqui fica um aperitivozinho:
Se não encontrar a sua metade da laranja, não desanime.
Procure a sua metade do limão, adicione açúcar, cachaça, gelo e seja feliz!!!!
Tchim!Tchim!
E um obrigado especial à colaboradora anónima de serviço! =)

sábado, 10 de dezembro de 2005

Kleine Vergnügen*

Num dos mil cursos de alemão, que fiz, uma vez tivemos de escrever um poema com este mesmo título. Kleine Vergnügen significa pequenos prazeres, ou seja, pequenos nadas que nos iluminam os dias. Dei por mim a pensar nisso hoje e realmente há tantas insignificâncias quotidianas que realmente melhoram o humor de qualquer um, pelo menos, o meu. Daí que resolvi fazer um pequeno apanhados dos meus recentes pequenos prazeres.
- Acordar com uma música all-time-favourite (mesmo sendo um single novo), apesar de serem 6:40 de sábado.
- Não ter de esperar mais de um minuto pelo eléctrico, o que pode incluir ou não uma corrida de alguns metros.
- Estar muito frio, mas um sol radiante que até nos aquece se nos conseguir acertar.
- Ir fazer compras e pagar metade do preço que se estava à espera pois os artigos estavam em promoção.
- Ser convidado espontaneamente para festas/reúniões de amigos e encontrar lá pessoas interessantes.
- Chegar a casa e estar entretido a olhar para as estrelas e de repente: um rasgo no céu, uma estrela cadente.
Claro que havia mais mil coisas que podia aqui acrescentar, mas a ideia não era ser exaustiva.

*Pequenos prazeres

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Feriado

Ter de trabalhar num feriado não é especialmente motivante, principalmente quando está um lindo dia de inverno, quando temos tarefas de dona-de-casa a desempenhar (limpar o pó, pôr a roupa na máquina, ir às compras, deitar o lixo fora, etc) e mais outras tantas coisas com que nos ocupar.
09:15 e estou eu a entrar na redaçcão: não está lá ninguém! Ok, o plano é trabalhar num instante e pôr-me dali para fora, afinal de contas não podemos desperdiçar os dias/horas de sol. Felizmente a persiana ao pé da minha janela está estragada e nas poucas ocasiões quando o sol brilha, eu sou logo brindada com uns raios na cara: A-D-O-R-O! Só espero que o técnico da persiana nunca venha, senão um colega mais nórdico e/ou cinzento apressa-se logo a fechar qualquer nesga onde por onde o sol possa entrar... Vá lá entender-se esta gente!
12:00 a redacção já está mais composta. Eu continuo a tentar despachar-me pois mais umas horas e já não há sol para ninguém até sabe lá Deus quando.
A colega holandesa pergunta-me se eu não quero ir a um mercado de Natal dinamarquês. Claro que sim, não a faço a mínima ideia do que se tratava, mas soou-me interessante.
16:00 só a estas belas horas é que consegui sair do escritório e lá fomos nós à procura do tal mercado... afinal o mercado não era mercado mas sim uma festa em casa da nossa colega dinamarquesa, tornara-se provisoriamente num mercado por erro de tradução de alguém.
Foi muito engraçado, era um apartamento pequeno cheio de gente a beber glühwein (vinho quente) ou ponche e a comer umas especialdades dinamarquesas (bolachas e bolas de panqueca com doce e açúcar em pó) e a fazer estrelas tri-dimensionais em papel. Olha que ideia tão simples e que tradição tão interessante: juntar uma roda de amigos e distribuir tiras de papel colorido e fazer estrelinhas para pendurar na árvore de Natal. Apesar da minha habilidade inata e depois de ter sido eleita pela minha irmã de "pessoa-bué-bricolage", não consegui montar nenhuma estrela. De qualquer modo, descobri rapidamente que havia uma série de falavam português(!), a saber, uma brasileira, um italiano e um francês. Que surpresa... afinal era uma festa dinamarquesa!
19:00 a festa acabou e nós fomos embora. O tipo francês veio connosco. Acabámos por ir jantar, mas antes ainda estivemos a arrancar uns posters de um gradeamento(!) que eu queria pôr aqui em casa!!!! Conversa fluída e witty (interessante+divertida). Ao irmos embora, o tipo pediu-me o telefone pois tive de lhe emprestar 1€ e ele queria devolvê-lo. [Nunca tinha pensado nesta estratégia!] "Fica lá com o euro e não te incomodes!" e desatámos todos a rir! Bom, lá trocámos os número e coincidência das coincidências: o número é igualzinho ao de uma das minhas melhores amigas (só muda o indicativo)... portanto, mesmo que eu não quisesse, já sei o número de cor!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Fretes

Os fretes até podem ser positivos quando se tem algum objectivo, já diz o outro: "no pain, no game!" mas se não há jogatana para que é que alguém sensato e não-masoquista vai prestar-se a ter algumas dores?!
Uma das festas a que fui no fim-de-semana foi algo de quase surreal. Eis os motivos que me fizeram ir-me embora uma hora e meia depois de ter chegado:
- Todas as pessoas que lá estavam e todos aqueles que chegaram depois de mim eram polacos: todos falavam polaco à excepção de mim (também não havia legendas).
- Quando cheguei, já havia um tipo podre de bêbado.
- Ouvir algumas conversas resumidas com "ainda bem que tu não percebes, pois não vale mesmo a pena" não é muito motivador.
- O anfitrião (=pessoa que me convidou) não veio falar comigo uma única vez.
- Havia uma criatura platinada de 22 anos que anda numa escola (tipo secundária) onde eu dei aulas. As professoras dela são uma amiga minha e as minhas antigas colegas.
- Perguntaram-me se eu era colega de curso do anfitrião. (Ele anda no 2º ano (?) eu acabei o meu curso há 5 anos e meio!).
- Havia pelo menos duas miúdas, cujo metade do seu peso devia ser da maquiagem. Sem ela pareciam ter 15, com 18 Uma delas disse que tinha orgulhosamente 21 (uau!) depois de me ter perguntado a idade.
- Ao fim de uma hora de festa ainda tinha o mesmo cálice de vinho: foi o escândalo entre as hostes.
- A partir daí toda a gente começou a perguntar-me se não queria nada para beber. Duas ou três vodkas não calaram a boca a ninguém e continuavam a encher-me o copo e a oferecer-me bebidas.
- A festa parecia uma maratona a ver quem chegava mais depressa da meta da coma-alcoólica, mas devia haver de certeza menções honrosas para eventuais cirroses.
A certa altura achei que já não tinha idade para aturar fretes destes e lá está sem ter objectivo nenhum em mente. E ficar ali para quê? Para depois ter gastar dinheiro num taxi? Ou ter de andar não sei quantos quilómetros a pé ao frio?

Cheguei-me ao pé do anfitrião e disse-lhe que a festa era demasiadamente polaca (=alcoólica e loira platinada) para mim. O animal em vez de se desculpar e de ir acompanhar-me à porta, não, sentou-se a conversar com sei lá quem e provavelmente a entornar mais uns copos. Eu subi para cima do meu salto, saí e bati a porta.

sábado, 3 de dezembro de 2005

Action day

A 1 de Dezembro a empresa para a qual trabalho organizou o "Action Day". Todos os anos é uma surpresa, as pessoas inscrevem-se sem saber para quê exactamente. Somos organizados em grupos e depois davam-nos tarefas a cumprir. Fomos todos de boné e crachat em 4 autocarros para Teesdorf, para um "parque" do ÖAMTC (um equivalente ao ACP) fazer testes a carros...
Eu conduzo há quase 10 anos, até conduzo bem e gosto de conduzir q.b. mas se houver alguém que o faça, eu não me oponho! Não tinha apresentado a minha carta de condução pois estar a conduzir sabe Deus que carro e sei lá bem onde não me parecia uma ideia muito sedutora.
Depois do discurso de boas-vindas do nosso chefe (o sr. Bet!!!) lá fomos nós para as provas... a 1ª foi tentar evitar fazer pião com o carro numa estrada escorregadia. O pânico estava lançado! Íamos ficar naquilo o dia todos?! A 2ª prova foi melhorzinha, mas claro que ninguém me apanhava num volante.
Mas a 3ª foi a pior de todas: todo-o-terreno. Eu tratei logo de me sentar num banco de trás de um jipe qualquer. O percurso foi mais do que medonho... estivemos num ângulo de 45º em todas as posições possíveis e imaginárias. Eu e o banco de trás já éramos uma entidade única! Eu tinha a certeza que íamos capotar umas mil vezes ou ficar enterrados naquela lama toda. Dando a mão à palmatória, reconheço a segurança daqueles veículos que poem em causa as leis da gravidade.
Na 2ª volta (PARA QUÊ???!!!!!!!) os meus colegas trocaram de lugar. Agora que já conhecia o percurso, os meus pensamentos foram noutra direcção. Será que isto é suposto ser divertido?!!! Como?! Para quem? Se a Humanidade estivesse dependente de eu conduzir um veículo daqueles, estávamos todos condenados
3ª volta: "Queres tu conduzir?" Nãããããããõoooooooooooo! A consequência foi mudar de jipe... agora era muito pior, pois o jipe já não era automático. O medo continuava ali sentadinho ao meu lado (noutro banco de trás) e não me largava por nada. Se eu tivesse alguma vez na vida que conduzir uma traquitana daquelas num percurso daqueles seria o maior castigo que poder-me-iam infringir... Já me estou a ver de lágrimas a escorrer pela cara e de coração na boca a ecoar pelo corpo todo a tentar salvar a Humanidade!
Ainda voltámos a mudar de jipe, para um ainda pior, daqueles mesmo tipo Paris-Dakar... e demos mais umas duas ou três voltas. O milagre foi eu não ter vomitado nem expelido qualquer outro dejecto por outro orifício qualquer (!), não é que isso tenha acontecido alguma vez, mas em situações extremas nunca se sabe!
Nas provas da tarde, resolvi pegar em vários carros e até foi divertido. Na última acabei, a fazer um pião a tentar desviar-me de um repuxo com um pegeout pequeno, mas foi mesmo o único percalço. Os carros que me passaram pela mão sairam intactos!
Na prova de fórmula 1, tínhamos de mudar os pneus tal como nas corridas. Eu fui encarregue de ser a condutora por ser a mais... leve (UAU!!!!)! Fomos os mais rápidos entre todas as equipas: 31 segundos e eu estava pronta para entrar em prova: "D. Alonso, cariño, aguardame!".
No fim do dia e das actividades, pensei que foi uma pena não ter ido conduzir os camiões... mas pronto fica para a próxima, se houver!
Na festa de noite, a surpresa das supresas: ficámos em 3º lugar!!!! Na verdade, o 1º pois o 1º e o 2º foram atribuidos curiosamente aos directores da empresa.