quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Saudades...

Diz-se à boca cheia que ‘’saudade’’ é a palavra mais portuguesa que anda por aí. Não acho que as palavras andem por aí e se o fazem, com certeza que há palavras bem mais bonitas que ‘’saudade’’. (Azulejo, por exemplo!) Um dos traços que costuma caracterizar os portugueses é a saudade, directamente seguida pelo fado… olhem que triste sina a nossa!

Uma boa elucidação de saudade que se pode dar a um estrangeiro, que não faz ideia do que estamos a falar, é nostalgia. Saudade, nostalgia são conceitos que nos remetem necessariamente para um passado (melhor que um presente) e se calhar é por isso que se associam aos Portugueses: o nosso Império, o nosso D. Sebastião, quando Lisboa era o centro nevrálgico da Europa. Tudo o que já tivemos e agora nem sombra.

Para mim, é tudo um pouco abstracto… eu não sei o que é ser nostálgico, o que é ter saudades neste sentido. Na verdade, devo achar que as minhas sombras de ontem, andam a consubstanciar-se hoje em coisas fabulosas… e sinceramente, não que esteja assim tão enganada.

Nunca fui, não sou e espero não me tornar numa pessoa saudosista. As pessoas saudosistas perdem muito tempo presente com o tempo passado… e para quê? Eu também não sei responder. Quando por qualquer ocasião ocorre-me dizer ‘’tenho saudades’’ (coisa que se passa com pouca frequência, reconheço) o que quero tão só exprimir é: ‘’ recordo-me com alegria e satisfação de determinado momento e espero poder a repeti-lo novamente e de preferência em breve”. Convenhamos que dizer ‘’tenho saudades’’ é preguiçosamente mais económico!

Tenho amigos que constantemente se lamentam dos tempos que lá vão, não só presentemente, como já o faziam há quase 10 anos atrás: Outro mistério para a minha cabeça limitada…

Todas as vidas têm os seus altos e baixos e a minha não é excepção nenhuma, mas sempre pensei que a altura presente foi sempre, é sempre a melhor altura da minha vida já vivida e que daí para a frente só pode ser a subir, não só porque é nessa direcção que eu quero que as coisas vão, mas também porque é para isso que me esforço todos os dias.
Não tenho a vida que gostaria de ter, mas não me posso queixar da vida que tenho… Sinto-me privilegiada, é verdade, mas ainda há arestas para limar, umas bem rugosas, que vão manter-me ocupada ainda por muito tempo. Em vez de perder tempo a queixar-me tenho é de me preocupar em arranjar uma boa ferramenta… a lima, claro!

Lembro-me de alturas tão boas da minha vida, em que cheguei a pensar que se por qualquer motivo tivesse morrido nesse instante, teria morrido feliz! Se morresse neste instante, não morreria totalmente feliz, como nessas alturas boas e mesmo assim não as trocava pelo meu hoje.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

4 dias a 4 anos de preconceitos

A vida é bastante irónica por isso é sempre bom ter cuidado e não cuspir para o ar… já se está mesmo a ver o que é que pode acontecer! =)

Eu sempre achei dispensável qualquer contacto com homens/rapazes mais novos (elementos familiares não contam) uma vez que a meu ver, para além de não trazerem nada de novo, podiam ser mesmo uma pedra no sapato… daquelas bem incomodativas… que não matam, mas moem!

Acontece que recentemente vi a minha cuspidela a cair-me em cima… e em dose dupla! (descobri que para alem de irónica, a vida também é vingativa!)
É fácil identificar um tipo mais novo quando nós temos 16/17 anos e ele 14/15,(miúdo imberbe e que ainda pode ter pretensões a cantor lírico) mas quando se vai a caminho dos 30, essa distinção já não é óbvia a olho nú.

Hoje em dia os miúdos crescem muito depressa (se calhar em termos físicos, mas duvido dos intelectuais)! E o pior de tudo é que não trazem uma etiqueta em local visível com a sua data de nascimento, uma espécie de indicação de prazo de validade, mas ao contrário.

Voltando às minhas cuspidelas…

No primeiro caso, eu ainda andava de antenas no ar. Quando a propósito de qualquer coisa perguntei a idade do indivíduo, cerrei os olhos e temi ouvir qualquer coisa começada com “dez…”. Seria traumatizante, mesmo não estando nenhum de nós a falar em português. Felizmente acabei por ouvir um número que por acaso coincidia com a minha própria idade! Uff! E abri os olhos. Trocadas informações sobre aniversários, acabei por descobrir que afinal ele era sempre mais novo do que eu, precisamente quatro dias… um miúdo!

O segundo caso foi muito pior. O senhor que se seguiu… que é como quem diz, o senhor que me veio parar às mãos, empurrado por uma força divina qualquer, era já dado à partida como mais novo. Bolas! Mas vá lá desta vez alguém avisou-me. De qualquer modo, face a ele ter obtido uma boa pontuação num primeiro impacto e as suas referências não serem nada más, eu resolvi pagar para ver! Afinal de contas, eu estava em boa idade de passar por cima dos meus preconceitos. Qualquer um verifica que as minhas intenções eram tão didácticas como terapêuticas! De boas intenções está o inferno cheio e eu devo ter pago metade dos meus pecados quando o ouvi dizer que tinha exactamente a minha idade… menos quatro anos!!!! Respirei fundo… e acabadinhos de fazer! Respirei outra vez. É que para mal dos meus pecados, preconceitos ou sei lá mais o quê, essa idade estava abaixo de um padrão já estabelecido há algum tempo por uma comissão competente e com esse único propósito!

Adiante, eu resolvi fechar os olhos a datas de nascimento, deitar os meus preconceitos para trás das costas e pôr-lhe as mãos em cima … não foi um sacrifício descomunal, muito menos um martírio… o tipo valia a pena!

E nem vou referir os dois anos de desconto que se tem de dar ao sexo masculino, não vale a pena estar a bater no ceguinho.

O certo é que tanto um caso como outro não resultaram e não foram por falta de esforço da minha parte, garanto que não. Se no primeiro acabei por perder o interesse por razões várias, no segundo, se calhar tinha interesse a mais… e o menino não estava preparado… coitado! É um miúdo e ainda tem de correr muito para chegar ao meu patamar… mas custou-me e muito, especialmente porque desprendi-me de coisas minhas (os meus preconceitos) e ele se calhar nem reparou! Eu sabia que tínhamos perspectivas diferentes, tínhamos objectivos diferentes… tínhamos idades diferentes e era EU a mais velha!(been there, done that!) Fui buscar os meus preconceitos à mochilinha que levava às costas e não surpreendentemente eles saíram enrobustecidos!

Enfim, um dia da caça e outro do caçador!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005


Grandes porcas...

Discurso de boas vindas!

E assim surge mais um blogue que tem tanto de inesperado como de utilidade...

Aqui se farão - espero eu - apologias e haplologias mais ou menos racionais.

Da ciência linguística até ao brejeiro linguado, de tudo se discutirá aqui um pouco...

Para isso mesmo, para garantir um vasto e variado painel de comentadores, este blogue assenta - ou será acenta? Porque é que não pode ser acenta? - bom, assenta, dizia eu, num eixo consistente entre Viena e Lisboa.

E agora, para todos entenderem, aqui vai a tradução para português:

I acim surje + 1 blog k tãe tãtu de inesperádu coumo de utlidad...
(e por aí fora...)