quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

337º momento cultural: Lalaland

Caríssimo leitor, caso ainda não tenha visto o filme, agradeço que não continue a ler, caso contrário arrisca-se a perder todo o interesse em ver o dito, uma vez que vou ter de não só contar o fim, como ainda dissecar o mesmo, para poder explicar algumas coisas. Assim, faça o favor de ir ver o filme e depois venha cá discordar de mim ou não.

Há mais de um mês que queria ir ver o Lalaland, mas foram acontecendo tantas coisas pelo caminho, incluindo a proeza de ir a Lisboa duas vezes e cinema nem vê-lo. Finalmente na semana passada consegui colmatar esta lacuna, mas confesso ir um bocadito a medo, pois com expectativas tão altas, com tão boa imprensa e tantos prémios, a possibilidade de desilusão era imensa.

Claro que a coisa começou mal. O filme ainda mal começara, um engarrafamento que não anda e de repente está toda a gente a cantar e a dançar coreografadamente?! Então, se era para ser Bollywood, que pusessem pessoas com cores mais douradas. Duas falas pelo meio e já está a Emma Stone a cantar outra vez sem se perceber porquê. A sério? Eu até nutro alguma simpatia por musicais e pelos clássicos de Bollywood, mas já me estava a irritar e o filme não ia nos 10 minutos.

A história desenvolve-se e as personagens começam a fazer algum sentido, depois de alguns desencontros e mais umas quantas músicas lá se encontram e dançam. E essa cena foi para mim a de viragem do filme. Aquele sapateado coordenado lá na rua de cima. Que coisa bonita de se ver!

O enredo lá se vai tricotando e uma pessoa fica a pensar que realmente o meio artístico é um mundo cão e que não há espaço para todos e a selecção dos mais fortes/aptos/espertos nem sempre é feliz e de repente aparece o John Legend! E tem uma banda e canta e dá um concerto!

Bom, depois chega o momento em que já não estamos a ver um filme e estamos nós próprios lá dentro, tal é a empatia. Então o tipo não liga há não sei quanto tempo? Ah! Afinal ele é um fofinho e faz uma surpresa! Ah! No meio da surpresa fofinha, ele resolve atirar-nos à cara uma série de roupa suja? E não tem mão nas palavras e magoa e como...

A história lá dá outra volta e cada um vai para seu lado e passa-se não sei quanto tempo, têm ambos vidas bem-sucedidas e acabam por se rever de forma completamente inusitada. Tudo começa num desvio na auto-estrada, para fugir ao trânsito, que vai desembocar no ponto alto do filme. A Emma Stone incrédula a entrar no bar com que o tipo tinha sonhado e que afinal tinha conseguido concretizar. E dá com ele a tocar. Aquelas notas activam-lhe um flashback fantástico, mas em modo Sliding Doors (lembram-se daquele filme com a Gwyneth Paltrow em que há duas versões pararelas do mesmo filme?). Vários pequenos twists que faziam com que a história fosse toda diferente, talvez mais feliz, mas se calhar não. Não existiu senão naquela fracção de segundo e numa fracção de segundo tudo pode ser aquilo que nós quisermos. Foi genial. Adorei, adorei, adorei. Depois daquele singing and dancing todo nunca esperaria um final tão realista e tão bom. Se não tivesse sido este fim, não teria gostado do filme.

À luz de velas



É só escuro e sombras...

E tentem lá colocar lentes... mal se consegue, pois é só romantismo a sair pelos olhos!

(Já tenho luz outra vez! Uff!)

Aviar receitas

O meu médico, ao contrário de mim, não viu nada preocupante nos resultados dos meus exames e recomendou-me movimento e calor! Eu, bem-mandadinha como sou, fui a meio da semana dançar kizombas e bachatas (foi o que se arranjou assim adhoc) para cumprir a prescrição médica. Sim, a saúde não pode esperar pela friday night fever!
A ver se no fim-de-semana volto a correr e a nadar... ou então vou dançar outra coisa qualquer! (Entretanto ouçam lá esta pessegada que não me sai dos ouvidos)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

336º momento cultural - Especial Cabo Verde

A cronologia destes momentos culturais é um pouco duvidosa, ando há dias a preparar um post acerca da viagem a Cabo Verde, mas como não me sai nada de jeito, continua em maceração. Entretanto lembrei-me dos momentos culturais da viagem, porque também os houve, não foi só sol, praia, papo para o ar e blablabla.
Tarrafal
Tinha muita curiosidade em visitar a Colónia Penal do Tarrafal e achava que a vila gravitava à volta da prisão. Nada de mais errado. Ela lá está agora transformada em museu, mas se não soubesse do que se tratava poderia ter passado sem dar conta do que lá se passou. É um conjunto de barracões que até se enquadra bem na paisagem. Não duvido do terror de viver/sobreviver/morrer num campo de trabalhos forçados, mas não senti aquela sombra como em Auschwitz ou a aflição e o horror de Birkenau. Tudo bem, concedo estar a comparar realidades muito diferentes. As salas iniciais estão muito bem documentadas e acabam por enquadrar bastante bem o resto da visita. Não fazia ideia que o Tarrafal também era usado como prisão de delito comum e estranhei muito o facto de os presos serem organizados por origem. Imagino que seja mais frequente o contrário.

Cidade Velha
A Cidade Velha fica a uns 10km da Cidade da Praia e consiste na primeira capital de Cabo Verde. Era ali que desembarcavam os escravos de África continental para serem preparados para o resto da sua viagem. Sabia que Cabo Verde era um interposto comercial e não me admira que fosse um ponto estratégico da Rota Triangular, mas não fazia ideia que os escravos como que faziam uma especialização em determinados tipos de trabalho (cana-do-açúcar, algodão, ...) para serem posteriormente vendidos como mão-de-obra especializada. 
Também não fazia ideia que aquela zona servia de laboratório natural para a experimentação de plantas trazidas de oriente e ocidente antes de seguirem para a outra direcção. Foi mesmo muito interessante visitar todo este bocado de História e muito cómico os guias que desencantámos dizerem-nos constantemente: "Isto é tudo vosso".




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

335º momento cultural: Amadeo Souza Cardoso

Aproveitei os dias em Lisboa para ir ver a exposição do Amadeo Souza Cardoso. Não foi assim tão simples como pode parecer, mas achei que seria ridículo não conseguir ir ver esta exposição, quando fui de propósito a Paris ver a outra. É sempre um prazer rever Amadeo e só de escrever isto já estou a sorrir. Acho que a arte torna as pessoas melhores e por me fazer sorrir já valeu mesmo a pena. A exposição é pequenina e não estavam lá alguns dos meus preferidos (o cavalo, palhaço, salamandra, o da procissão e aqueles outros com traços paralelos onde se vêem cavalos e caravelas). Mas não estando esses, deu para dar mais atenção aos desenhos em tinta-da-china, que já tinha visto, mas que tinham sido abafados entre os outros.


Este ficava tão bem aqui na sala a fazer parelha com o meu D. Quixote. Começo a notar uma certa fixação da minha parte pelos cavalos de Amadeo...

Este já não ficava tão bem aqui na sala, mas a-d-o-r-o aquele mar revolto. Se não fosse mar, poderia ser deserto e eu gostava dele na mesma!


Mais um cavalo que me cativa, mas este tem aquele híbrido de tigre com lagarto - eu vejo um lagarto no tigre, o que é que querem? - e o homem de turbante que lhe confere algum exotismo. Coitadito do cavalo que está com aquele ar extenuado. Não seria uma primeira opção, mas poderia viver cá connosco também :)

Matching items available

Uma pessoa com a preocupação de usar roupa interior a combinar para ouvir primeiro o médico a dizer "tire tudo menos as meias e as cuecas" e depois, em pleno exame, a enfermeira elogiar os laçarotes das suas meias...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

334º momento cultural: Avenida Q

Como o querido leitor sabe, desde Nova Iorque que eu ando a tentar ver mais musicais. Vi aqui em Viena um e não gostei muito e agora em Lisboa fui ver esta. Há umas semanas ouvi a entrevista de uma das protagonistas desta peça, que conseguiu dizer tanto ou tão pouco que eu fiquei curiosa com o que ouvi, mas sem perceber muito bem ao que ia. 
Assim foi uma surpresa ver pessoas a interagir com bonecos (eu sabia dos bonecos, mas não das pessoas...) e o enredo a ser construído entre vizinhos. Cada vizinho tinha o seu problema ou a sua particularidade, fazendo com que o público se reconhecesse em alguma personagem. O gay que não queria sair do armário, o tipo desempregado, a miúda gira solteira, o outro que procura um objectivo na vida, o porn-freak, a boazona que faz parar o trânsito, a mulher muçulmana, etc. Foi um rol de situações caricatas, mas muito verosímeis, que se foram desfraldando, ora dialogadas ora cantadas. E cantavam todos muito bem! Os diálogos estavam muito bem construídos, eram divertidos
e tinham imensas referências a mil coisas perdidas na minha memória. De repente, senti-me literalmente num camarote a assistir a um retrato desta franja da sociedade portuguesa. Pode ser arrogância da minha parte, mas a certa altura reconheci naquelas personagens amigos meus portugueses e até consigo ser solidária com algumas situações, mas não me parece que eu esteja nesse mesmo filme. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Perdi a cabeça

e comprei estes Tom Ford...


Era uma história antiga mal resolvida e eu ando numa de aviar pendentes. (Por via das dúvidas não fui ver voos para Riga)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

À saída do cinema

(mais um momento cultural to be... Há dois ou três em fila de espera).



É impressão minha ou eu não tinha aqui uma secção absolut qualquer coisa?

Partindo corações em Cabo Verde

N ka kre, n ka sabi
ma si bu kre, dansa ma mi


ou o clássico eu não queria eu não queria
ahahhahahahahahahahahahahahahaahhaahhahahaahahaahah
E por falar em clássicos, ouçam este old-time-favorite das calendas de 2002.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

5 dias em Cabo Verde e muita praia

Tarrafal, sem dúvida a praia mais bonita da Ilha de Santiago. 

E à sombra da palmeira, faziam-se massagens! E vivó luxo!


Vista do hotel para o centro da Cidade da Praia




E a praia cheia de búzios. Muito giro, muito giro, andar descalça é que não...
A Cidade Velha ao final da tarde







 Os últimos mergulhos e uns bons 20 minutos a nadar foram passados aqui na Praiinha, mesmo a queimar os últimos cartuchos antes de embarcar de volta.

Não vale a pena odiar-me, pois eu estou de volta às temperaturas negativas.

Fui comprar um aspirador

Trouxe uma camisa dos saldos da Zara... 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Relógio de colecção

Ao longo 15 minutos de incredulidade pensei ter perdido o relógio que faz parte do meu braço há mais de 10 anos. Recebi-o quando fiz 27 (adivinhem de quem?) e para além de o adorar por ter mil e uma características de que gosto num relógio, nutro por ele uma estima imensa.
De repente ao chegar a casa e tirar o casaco, tinha o pulso vazio... A bracelete já estava a dar as últimas. Ainda tentei comprar uma nova no Aeroporto de Lisboa, mas as lojas só abriam às 6:00. Como tinha sido possível perder um relógio tão estimado de uma forma tão estúpida? Não me lembrava de ter ouvido qualquer coisa a cair e a última vez que me lembrava de ter visto as horas tinha sido em... Munique. Fiz o percurso contrário possível, até ao metro, inspeccionando todos os centímetros de chão. Perguntei ao segurança se ninguém tinha entregue um relógio. E voltei para casa a maldizer a minha estupidez. Num último fôlego de esperança, lembrei-me de apalpar as mangas do casaco. Nada na direita... mas um volume estranho preso na esquerda. Foi um pequeno milagre: o meu relógio estava ali.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Missa de 30º dia

Alguns pensamentos soltos:

- O meu pai faleceu há 30 dias e a mim parece-me já uma eternidade. Paradoxalmente parece-me também que continua vivo, porque sei o que diria face a isto ou a aquilo e é como se mo dissesse. É uma dinâmica nova, portanto estranha, mas adaptei-me bem a esta nova forma de realidade/comunicação/acompanhamento.

- Acho um piadão às pessoas que me dizem que ficaram muito sentidas/abaladas/chocadas com a morte do meu pai e que ainda não recuperaram ou que lhes custa superar a perda. Apetece-me sempre perguntar "Mas sabe quem eu sou? Eu sou filha. A filha mais velha. O bebé grande do meu pai. Tem mesmo a certeza que quer falar de perda?". O meu pai sempre foi um expoente de vitalidade - o bicho-carpinteiro que vive em mim devo-lhe a ele - por isso não me cabe na cabeça cultivar a morte, se o meu pai era vida.

- As últimas semanas (mês e meio, vá) foram mais de sobrevivência do que outra coisa. Vida aquilo não era. E ele estava feliz? Não. Nós estávamos feliz por vê-lo assim incapacitado? Não. Não acredito em arrastar vidas só porque sim, especialmente quando não há possibilidade em reverter a situação.

- Uma das missas de 30º dia foi na Igreja de S. Domingos, em Lisboa, e foi fantástico. Eu nunca lá tinha entrado e fiquei pasma. É enorme e, segundo a minha mãe, é o que sobrou do Terramoto de 1755. Eu nem sabia que sobrava pedra sobre pedra desse tempo. Está a ver, caríssimo leitor, o meu pai, que dizia sempre que parar era morrer, não pára de me surpreender, mesmo agora!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Trazia-te para casa e tratava-te bem

12 anos de Mergulhos trouxe-vos mais de 3000 posts e a mim muitas letras juntas, outras tantas letras soltas e pessoas inspiradoras (outras nem tanto - é como tudo na vida). Há anos que queria plagiar um blogue descontinuado e nunca o fiz por me parecer meio forçado. Nestes últimos 2 dias consegui conjugar mentalmente as duas frases que andavam a arrastar-se na minha cabeça (há anos).
Não há pecado a sul do equador - acho que isto é originalmente do Chico Buarque - bom, eu não estive no hemisfério sul, mas já ia a caminho, por isso parece-me que a estive nessa esfera de influência.
E ontem vi este senhor na plateia de uma peça a que fui assistir (logo logo virá o devido momento cultural) e maldisse o momento em que comprei bilhetes para o camarote... Não me cruzei com ele à saída, o que foi uma grande pena, pois com certeza iria inventar qualquer coisa muito fixe para lhe dizer. Como nem uma coisa nem outra, resta-me o momento perfeito para plagiar a Caetana de forma mais ajustada: Levava-te para casa para Viena e tratava-te bem!
Und wie!

João Moleira