sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Refazer malas

A meio da tarde, liga-me o Macho Alfa...

Macho Alfa: Olha, estava aqui a fazer a mala... O que é que levamos?
Maria Calíope: O que é que nós levamos para o fim-de-semana? É essa a pergunta? Então, leva roupa interior, um pijama...
Macho Alfa: Não, não é isso... Levo uma camisa? Não sei se tu vais assim toda chique...
Maria Calíope: Toda chique?
Macho Alfa: Sei lá... para o musical?
Maria Calíope: Não estava nada à espera que tivesses esse tipo de preocupação. Mas sim, leva uma camisa... não vá eu estar toda elegante - como sempre - e tu... bom, tu...
Macho Alfa: Como um sem-abrigo!
Maria Calíope: Isso! Ahahahahhaha!
Macho Alfa: Um casaco se calhar vale a pena... Aquele fininho que levei para os Açores, pois no domingo pode chover um bocadito.
Maria Calíope: Eu só ia levar um casaquito... mas ainda bem que dizes isso, eu ia levar 2 pares de sandálias e assim troco um par por uns sapatos fechados.
Macho Alfa: De nada! E calções de banho?
Maria Calíope: Para quê?
Macho Alfa: Se quisermos ir à praia ou ao rio ou encontrarmos um lago...
Maria Calíope: Não temos tempo...
Macho Alfa: Ok, eu levo.
Maria Calíope: Mas para quê? Então não ia chover?
Macho Alfa: Tu fazes o que quiseres...
Maria Calíope: Pronto. Ainda bem que já tinha acabo de fazer a minha mochila. Vou trocar um conjunto de roupa interior por outro que pareça um biquíni.
Macho Alfa: Olha e há uma festa amanhã!
Maria Calíope: A sério?!! Então tenho de levar roupa para dançar... Levo sapatos de dança?
Macho Alfa: Maria Calíope! Eu liguei-te para saber o que é que eu levava... mas ainda bem que o fiz que tu precisas muito mais ajuda do que eu.
Maria Calíope: Ahahahhahahaha
Macho Alfa: Vá tenho 20 minutos para sair. mais alguma coisa?
Maria Calíope: Beijinhos! Até logo!

Pronto e agora vou eu para o aeroporto.

408º momento cultural: Amy Winehouse no Rathaus Film Festival

Tenho a ideia que o ano passado não cheguei a ir à Rathaus no Verão e este ano ia pelo mesmo caminho. Felizmente descobri este concerto num dia em que estava efectivamente em Viena - o que neste Verão não foi assim tão fácil nem óbvio - e liguei a um amigo meu para ir comigo.
Depois de jantarmos, ainda tivemos de levar com o vídeo/filme "Imagine" do John Legend e Yoko Ono. Foi uma seca, mas deu para apreciar a maravilha que é aquele ecrã frente da grandiosa câmara municipal. Devo dizer isto sempre que lá vou, mas é um luxo uma cidade oferecer um programa variado durante o Verão todo de forma gratuita. Pago impostos que dói, mas depois é nestas coisas que me fazem ver que ali também está o meu dinheiro investido.
Bom, de seguida começou o concerto da Amy e eu nem tenho a certeza se já não o teria visto ou somente ouvido. É uma pena que ela tenha tido uma carreira e uma vida tão curta. Havia ali uma força bruta maravilhosa naquela voz que contrastava com a fragilidade da personagem. É tão paradoxal quão sui-generis e acima de tudo uma grande pena e mais ainda, uma grande perda. Ela lá foi cantando o seu reportório e eu deliciada. Talvez consiga dizer três ou quatro nomes de canções assim de cor, mas na verdade só não conhecia uma durante o concerto todo. Gostei imenso, nem será preciso dizer. Lembro-me de na altura ela ser frequentemente comparada à Adele (que me era desconhecida então) e não percebo a comparação. Esta tinha todo um aparelho vocal, a outra é cantora. Enfim, no entanto, a Adele accionou-me outra linha de pensamentos. Há uns largos anos, também a vi na Rathaus e chorava a ausência do italiano. Há uns dois anos, fui ver a Diana Krall e acabei a verter lágrimas gordas por causa da intermitência do homem balcãs. E agora pela primeira vez, estava ali a ver um concerto deliciada com a música e a apreciar os clarões de raios que se faziam sentir em Viena. É um espectáculo engraçado e relativamente comum no Verão vienense: trovoada sem trovões, nem sei se terá nome em português. Bom, viemos embora na última música quando a ameaça de chuva começou a consubstanciar-se... o tempo de chegarmos à estação do eléctrico já chovia copiosamente. Cheguei a casa encharcada, o que segundo parece também é costume destas idas à Rathaus.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Parafusos

Ao telefone:

Amigo/vizinho: Maria Calíope, estás em casa?
Maria Calíope: Não, estou a sair agora das aulas... em 20 minutos chego.
Amigo: Pá, preciso de um favor teu!
Calíope: Shoot!
Amigo: Vou a casa de uma amiga minha montar e pendurar umas cenas, mas ela não tem nada... Buchas eu tenho, agora preciso parafusos, não tens aí uns quantos?
Calíope: Tenho alguns sim. Passa lá por casa a ver o que lá tenho.

Já cá em casa e com todas as minhas caixas de ferramentas passadas a pente fino, desencantámos uma caixa de parafusos e outros tantos avulsos. Eu contei ao meu amigo que não é a primeira pessoa que me pede parafusos, que o Alfa já me tinha feito o mesmo pedido...

Amigo: Pois... a gente pensa, deixa cá ver quem é que faltam uns parafusos. Pronto! Maria Calíope!
Calíope: Aahahhahahahahahaa! Exacto, se me faltam uns parafusos é porque tenho uns quantos perdidos em casa.
Amigo: Mas é como te ligar e pedir um bocado de farinha ou uns ovos.
Calíope: Sim, sim, é mesmo à bairrinho!

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Recheador de pães



Ando à procura de um emprego e descobri esta função fabulosa: recheador de pães.
Infelizmente o horário de padeiro não é compatível com a minha vida, caso contrário iria tentar a sorte a abrir papo-secos e enfiar-lhes qualquer coisa lá dentro.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Já não existem homens de saia!

Lembram-se desta personagem?
Depois daquele encontro imediato, chegámos a sair uma vez uns três meses mais tarde e depois disso só umas quantas mensagens trocadas a combinar um encontro que nunca chegou a acontecer... até hoje. Em meia dúzia de mensagens ficou combinado eu passar lá por casa do tipo. E fui, claro!
Para muita pena minha, ele já não usa saia. Tem outra indumentária, não menos discreta, mas já sem saia. Mas a grande novidade é que largou o doutoramento em matemática ou informática ou que era e abraçou uma carreira artística! E o que eu gosto de gente com queda para as artes!
Não foi uma novidade completa, uma vez que das múltiplas conversas que tivemos da última vez que saímos eu tinha bem presente uma frase dele que dizia qualquer coisa como "não imagino que Picasso tivesse de preencher o IRS e de tratar de papeladas burocráticas"
Bom, eu ainda mal tinha passado da porta e já estava "mas isto é giríssimo!" perante uma composição de gesso e tinta atrás da porta, reparando logo a seguir que não era filha única e que as outras não lhe ficavam atrás.
Da entrada/corredor segui para a sala e podia estar na sala de um artista qualquer, quadros e mais quadros no chão encostados às paredes, pilhas com desenhos, esboços e outras coisas em todo o lado. Foi preciso fazer um percurso e saltar obstáculos para chegar a uma cadeira vaga.
O tipo está a tentar estabelecer-se como artista, alugou uma galeria e tem produzido como um louco... e algumas coisas bem giras! Estivemos para lá à conversa sobre arte e outras coisas que se passaram nos últimos meses? anos?
A páginas tantas apareceu um outro amigo dele. Curiosamente outra pessoa que ele também tinha conhecido num aeroporto - dessa feita em Berlim. Ficámos os três em animada cavaqueira até eu sair de cena. Afinal no dia seguinte tinha aulas praticamente de madrugada!

sábado, 24 de agosto de 2019

Pãezinhos dinamarqueses

Se me perguntarem porque é que os dinamarqueses são (supostamente) dos povos mais felizes da Europa, dir-vos-ei que é por fazerem pãezinhos desde tenra idade. Ora num dia de calor abafado como o de hoje o que sabia bem era ir a banhos. Portanto, foi o dia perfeito para descobrir que a casa nova de férias de uns amigos meus tem uma piscina gigante. Melhor ainda, a casa de férias fica muito mais próxima da minha casa do que a sua casa da cidade, apesar daquela ser no meio de um bosque. Bom, depois de belas braçadas na piscina, eles acharam que era giro grelhar umas carnes e comermos por ali mesmo. So far so good. O que eu não estava à espera era que o amigo dinamarquês fizesse uma massa de pão e fosse buscar uns ramos à floresta para servir de espeto. Aparentemente na Dinamarca eles fazem isso em fogueiras, mas é prática comum, pois a criança dinamarquesa presente tinha uma série de teorias e histórias a propósito. Bom, parece que não me saí nada mal na arte de enrolar a massa no espeto e assar o pão - talvez tenha mais talentos escondidos do que imaginava!


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Você na tv

Estava para aqui a encher chouriços e de repente dou com uma amiga minha na televisão. Um programa de grande audiência e ela ali a dizer umas coisas com toda a naturalidade sobre o seu projecto como se fizesse aquilo todos os dias. Morri de orgulho! Liguei-lhe logo a dar os parabéns e a saber que história é essa de aparecer na televisão sem avisar. Nos últimos meses, foi a segunda amiga minha a ser entrevistada na televisão por projectos e ideias que tiveram. Realmente fico mesmo feliz por elas serem tão bem-sucedidas no que fazem e por mim por estar rodeada de pessoas tão fixes.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Uff! E assim a vida continua

Pronto. Estou de volta a Viena para sempre. Vá até ao fim do mês, o que tendo em conta as voltas dos últimos meses é praticamente para sempre. Não vou trabalhar para Manchester e não vou dar cabo dos meus nervos e das minhas costas, entre malas, aeroportos e aulas, just for fun, o que parece peanuts, mas para uma pessoa da minha idade, são argumentos de peso. Estou aliviada! (Não me perguntem porque é que me meto nestas cenas).

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Prestígio

Ando aqui a pensar no que vale, ou melhor, o que é o prestígio. Prestígio será o nível de admiração, o reconhecimento, a visibilidade que os outros nos atribuem ou conferem? Prestígio é estar na parte superior da hierarquia? Prestígio é fazer algo socialmente louvável? Não sei responder a estas perguntas, mas elas começaram a povoar a minha cabeça numa altura em que estou na corrida para um lugar prestigiante (whatever that means). Face a essa possibilidade e a essa nova pedra na minha balança, fiquei a pensar no que teria de abdicar e no que viria a ganhar com a tal actividade prestigiante. Prestígio, sem dúvida, mas do que é que isso me vale, essa é a verdadeira questão. Abdicar de actividades que me dão gozo, algum dinheiro e que me permitem fazer da minha vida aquilo que eu quero, possivelmente pesam mais na minha balança que aquele conceito abstracto de prestígio. Tudo bem que além do dito prestígio, seria um desafio, uma coisa de que sei e gosto de fazer e bela experiência de vida, mas também significaria muito esforço físico, logística e mental da minha parte. Estou cheia de dúvidas... mais ainda dúvidas porque me enfio nestas embrulhadas.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

From Manchester with love.... a lot of love!




Parece que há uma parada gay na semana que vem, mas toda a cidade aderiu ao Pride gay e vestiu-se a rigor. Os cartazes são deliciosos e consumíveis por qualquer um, independentemente com quem durma.