sábado, 21 de outubro de 2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A última coca-cola do deserto

O deserto é daquelas minhas fantasias mais antigas. Imagino o deserto como um espaço de tudo e nada. A imensidão de vazio. E isso fascina-me. Quando estive efectivamente num deserto não pude cumprovar todas as minhas ideias, mas aquele encantamento não se esvaneceu.
Nunca me tinha apercebido que qualquer coisa tão extrema me pudesse seduzir, na verdade sou uma pessoa bastante moderada e não tenho apreço especial por pólos nem por qualquer tipo de radicalismo. O deserto escapou-se-me na peneira dos meus gostos e foi deixando um rasto na minha vida do qual só agora me apercebi.
Durante anos e em diferentes fases da minha vida, identifiquei pessoas que muito me agradaram e que, na minha perspectiva, muito se compatibilizavam com as minhas medidas. A raridade dessas ocasiões fazia-me tomar medidas excepcionais. Um dia não são dias... e pessoas deste calibre não se podem desdenhar. Sem ter muita consciência desse facto, coloquei-lhes o selo da última coca-cola do deserto, e de forma ainda mais inconsciente sujeitei-me e condicionei-me, considerando tratar-se de um bem maior, pelo qual valia o passo atrás para os dois à frente no momento seguinte. O momento seguinte que nunca chegou e os passos atrás que se foram acumulando.
Consigo olhar para trás, reconhecer a minha ingenuidade e assumir as minhas responsabilidades, mas só agora consigo ver os erros que cometi. Não há coca-colas no deserto... e se houver, não é só uma! A concentração num único recurso fez-me agarrar-me a ele com unhas e dentes, não considerando sequer a possibilidade de poder haver mais recursos a explorar. A partir daí tudo tinha para correr mal.
Agora tudo é diferente e dispersar a minha atenção é meio caminho andado para conseguir avançar. Afinal, a concorrência sempre fez bem à lei do mercado.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Fuso horário

À conversa ao telefone com uma amiga em Portugal por volta das 18:00

- Desculpa, não te consigo ouvir bem... estou no metro.
- Ah! Ok eu ligo-te depois...
- Não dá que eu vou agora a um concerto.
- Ok, mas então eu ligo à noite ou vais sair?
- Eu estou a sair... Aqui já é noite!
- Ah!

Uma hora de diferença de fuso horário e todo um mundo que nos separa!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Declaração de IRS

Depois de estar a explicar todas as despesas que tentei incluir na minha declaração e de ele fazer a previsão de quanto eu vou pagar (sim, tenho sempre de pagar mais... salvo erro nos últimos anos só uma vez é que recebi dinheiro... segundo o meu contabilista é muito bom sinal, porque se pago mais é porque ganho mais... - eu nunca me deixei convencer por esta lógica - continuo a achar que pago impostos por mim e por mais dez), o meu contabilista fecha a aplicação das finanças e diz:

"Então e conte-me lá por que sítios giros esteve no ano que passou!"

Em 30 segundos, tínhamos aberto o mapa de Cabo Verde e eu estava a explicar o que significava crioulo...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Preferências

No outro dizia aqui que o meu pai não teria gostado muito de eu ter adquirido uma televisão Panasonic, quando a sua marca de eleição era a Sony. Alimentando esta sequência de pensamentos, desatei-me a rir, pois pior que as televisões seria se alguma vez aparecesse em casa a conduzir um Audi ou um BMW... Carros alemães, sim, mas só Mercedes, caso contrário deserdar-me-ia!

(Já faz nove meses...)

domingo, 15 de outubro de 2017

Eleições na Áustria

Eu só acompanhei a recta final, por isso escapou-se-me toda a dirty campaign - supostamente foi a campanha mais suja de todo o sempre austríaco. Voltou a ganhar o centro-direita coisa que não acontecia há largas décadas. O que me surpreende não foi isso, mas o facto de ter sido um indíviduo com 31 anos ter conseguido carregar o partido todo e conseguido ganhar aos pontos tanto a socialistas como à extrema-direita. No entanto, vai precisar ou de uns ou de outros para formar governo... Bin gespannt, como diria em alemão. (Não faço ideia do que vai ser deste Chanceler - o miúdo de 31 anos - já tinha achado má ideia, ele ter sido Ministro dos Negócios Estrangeiros aos 28... mas gabo-lhe a coragem).

Continuo a manifestar a minha indignação pelo facto de não poder votar na Áustria. Mas hoje soube que os estrangeiros residentes não são os únicos que não podem votar. Escandalize-se o caríssimo leitor, todos os membros da antiga família real/imperial, os Habsburgs, estão proibidos de votar na Áustria! Não fazia ideia disto... Pior, pessoas "plebeias" que casem com um Habsburg perde o seu direito de voto... Caiu-me tudo! Se a antiga família real não pode votar, os estrangeiros nunca terão esse direito...

sábado, 14 de outubro de 2017

Grão a grão

Não sei se o querido leitor estará preparado para a envergadura do momento que se segue...
Maria Calíope nas suas compras semanais encontrou pela primeira vez em quase 15 anos de vida austríaca grão-de-bico enlatado no supermercado!!! Foi um momento tão inesperado quanto grandioso que Maria Calíope açambarcou logo duas latas e decretou um menu temático para a semana que se avizinha. Sopa de grão, salada fria de grão e não sei bem mais o que se pode fazer com grão, mas hei-de descobrir! (Não me digam humus, que isso eu já compro feito no supermercado).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Plasma

Comprei a minha televisão quando vim para esta casa lá nas calendas de 2005. Tinha vivido dois anos sem televisão e não lhe senti a falta, mas na altura, no espaço de dois meses, tinha mudado de casa e começado num emprego que me obrigava a estar oito horas ou mais diante de um computador, por isso não queria chegar a casa e fazer mais do mesmo. Só me parece que foi há duas eternidades e meia porque me lembro perfeitamente de hesitar comprar um modelito com vídeo (VHS) incluído... porque poderia querer eventualmente ver filmes ou não sei bem o quê (é que nunca tive filmes em VHS). Acabei por escolher o modelo sem vídeo. Era uma televisão pequena mas perfeita para as minhas ambições (só para terem uma ideia, o ecrã do meu portátil é maior que o da televisão), uma vez que raramente vejo televisão.
Agora regressada a Viena, queria ver os debates das legislativas e quando liguei a televisão, apercebi-me de que não funcionava. Houve uma mudança qualquer na transmissão do sinal que deixou de ser compatível com o meu televisor.
Nem pensei duas vezes, decidi comprar um aparelho novo e... moderno. Vou poupar-vos todo o processo de escolha, encomenda e levantamento do aparelho. Como deve imaginar o querido leitor, o nível de exigência de Maria Calíope é rasteirinho no que toca a tecnologia (depois compensa noutros departamentos) por isso basicamente qualquer coisa que comprasse ia ser melhor do que o meu televisor antigo.
Ontem estive a montar e a sintonizar o animal. O meu problema é abrir frascos, sintonizar televisores não é igualmente a minha especialidade, mas com certeza que descalçaria a bota. E descalcei mesmo! Fiquei radiante quando consegui - não foi obviamente à primeira... (também não li as instruções...) na base tentativa-erro. O meu pai ia ficar tão orgulhoso de mim que iria relevar eu ter comprado Panasonic em vez de Sony, mas diria entredentes que já devia ter comprado um televisor maior e plano há mais tempo.
Para a estreia, fiquei a ver o debate entre os dois favoritos na corrida a Primeiro-Ministro austríaco!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Vaidade

Sergey Solomko, Vanity


Mão-de-obra especializada para puxar o lustro. Está tudo a brilhar.

domingo, 8 de outubro de 2017

366º momento cultural: Happy End

Tentei ver o último filme de Michael Haneke, Happy End,  na sexta e uma pessoa que estava duas pessoas à minha frente conseguiu o último bilhete. Voltei para casa. Sábado voltei ao cinema e nem havia fila para a bilheteira... "Desculpe, a sessão está esgotada!". Pois... Eu ainda fiquei por ali a tentar arranjar um plano B e foi o tempo suficiente para ouvir "Há um único bilhete restante! Se alguém estiver interessado, dirija-se à bilheteira!". Eu ainda estava ocupada a falar com o meu plano B e só quando esse plano foi à vida, fui à bilheteira ver se ainda havia o dito bilhete! Azarucho para as pessoas que vão ao cinema com companhia e estavam na lista de espera: o bilhete ficou para mim.
Se o querido leitor se lembra, Maria Calíope a-d-o-r-o-u o Amour/Liebe e teve o prazer de encontrar o sr. Haneke uma vez no metro, que foi uma simpatia, por isso a curiosidade de ver o seu novo filme era bastante. Além disso a crítica era bastante boa - eu deveria ter suspeitado...
Bom, o filme relata uma crítica à sociedade burguesa actual e à sua superficialidade... É-nos apresentada uma família meio patchwork, meio disfuncional aos farrapos. Se calhar é de mim, mas eu não liguei logo os farrapos uns aos outros. Só o fimzinho, quando o pater familias se identifica como o senhor do filme Amour, é que o filme ganhou algum interesse para mim. O final também foi bastante bem conseguido... mas de resto, well... Agora penso, que belo título: Final Feliz! :)