quarta-feira, 26 de abril de 2017

Nas ondas dos teus cabelos

Não gosto de ir ao cabeleireiro. Nunca gostei. Aliás é das memórias mais tristes da minha infância. Eu a chorar enquanto a cabeleireira me cortava o cabelo. No entanto, ao fim destes anos todos reconheço a necessidade de ir cortar o cabelo de vez em quando. E este de quando em vez calha sempre quando estou em Lisboa. Normalmente aparo as pontas e pouco mais. Uma vez tentei um corte mais arrojado (um bob) e digamos que ninguém notou. Desta vez ia cortar os quatro dedos do costume, dar um jeito e pronto. A cabeleireira de serviço já enquanto me secava/esticava o cabelo cortado achou por bem fazer-me uma franja (perguntou antes de cortar). Não havia objecção da minha parte, apenas a recomendação de que não cortasse curto demais uma vez que o meu cabelo encarola. E saí do cabeleireiro com o mesmo penteado que usava na escola primária, em versão cabelo esticado. Nunca imaginei que fosse um autêntico hit... mesmo aqui em Viena. Poucas foram as pessoas com quem convivo que não teceram qualquer comentário ao meu novo corte. Aparentemente fica-me bem e favorece-me mais... Se antes parecia ter 25 anos, agora devo andar nos 12!

A única voz destoante deste coro de elogios foi a de um aluno meu que, com ar desolado diante do meu cabelo liso, me disse a deliciosa frase:

Fico à espera das ondas!


(Se não esticar o cabelo, fico com ar de futebolista dos anos 80 - aquele estilo à Futre, que aqui se chama vokuhila - uma coisa linda de se ver!)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Areias movediças

À espera que o telefone toque, que o mail caia e que o raio o parta!
Nem acredito que vim parar a este terreno.
Calma, ainda tenho pé!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

346º momento cultural: Festival de Cinema Francófono

Julgo já ter comentado algures que há anos - talvez desde que deixei de ter aulas lá em 2000/01 - que o francês deixou de ser rotina no meu quotidiano, apenas dando o ar da sua graça em conversas pontuais. No entanto, desde o ano passado que houve um alinhamento cósmico que voltou a pôr o francês no meu caminho através de rotas várias ao ponto de ser presentemente uma das minhas línguas do teclado do telemóvel!
Bom, a única coisa que nunca deixei de fazer foi ver filmes franceses - toda esta introdução para dizer que está a decorrer o festival de cinema francês e eu já vi a minha quota-parte. (Tenho que pensar melhor nestes textos, pois isto sai-me cada vez mais pessegoso).

Eis alguns dos ingredientes que mais gosto em filmes: relações interculturais. Aqui tínhamos uma família paquistanesa a viver na Bélgica. Filhos possivelmente belgas a viver integrados num mundo ocidental, cultivando as suas tradições familiares. O problema e o enredo do filme começa quando os pais querem casar a filha com outro paquistanês e achando-se muito modernos dão-lhe três a escolher... e ela não quer nenhum. Entre várias outras peripécias que confrontam ocidente e oriente, dá para perceber algumas perspectivas que nos parecem muito estranhas, pelo menos para mim, a questão da pressão social, as tradições e a honra da família. Não lhes consigo dar razão, mas pelo menos aprendi a ver as coisas de outro ângulo, mas aviso já que é um choque. 
E a miúda que faz de Zahira é tão gira... e confesso que adorei o vestido de noiva dela (é esse aí)!

Advogada bem-sucedida com uma vida amorosa desregrada, duas filhas a seu cargo, um ex-marido que resolve publicar a sua vida num blogue e um ex-cliente que se habilita a ser seu secretário/ajudante/assistente. A par disso um amigo acusado de tentativa de homicídio que lhe pede que o defenda. O filme longe de ser brilhante é engraçado e vê-se bem.

domingo, 23 de abril de 2017

345º momento cultural: Djodje

Uma das coisas que mais me tem feito ganhar cabelos brancos é a ideia de ir a um concerto em Lisboa e arredores. Gosto de ir a concertos, gosto de ver arte ao vivo e quando vou a Lisboa, tenho tido a sorte de haver concertos que não serão tão prováveis de assistir em Viena. Aqui, se quero ir a um concerto, compro o bilhete e vou. Em Lisboa, (ainda) tento arranjar companhia e descobrir como é que vou parar ao evento. E isto, o que poderia nem ser assunto, passou a ser um rosário de penas... Desta vez, queria ir mesmo ver o Djodje - bom quero mesmo sempre ir ver x ou y - e pensei que é ridículo conseguir dar três voltas ao mundo, fazer e acontecer em 4 continentes e depois quero ir a um concerto em Lisboa e não consigo. Não faz sentido.
A minha irmã - talvez por receio de eu ir para a Margem Sul sozinha - veio comigo ver o Djodje. Eu sabia que ela ia gostar, o que nem me lembrava era o quão divertido era sairmos as duas.
O concerto estava enquadrado no Surf Festival Caparica, ou coisa que o valha. Conforme entrámos, ficámos com a impressão que estávamos numa festa do secundário: miudagem manhosa para todos os gostos, miúdas ultra-preparadas para sair à noite, xoninhas que querem aparentar ser mais durões, etc.

Depois deste longo preâmbulo, deixem-me falar do concerto. Como o querido leitor sabe, eu transformei-me em fã do Djodje há coisa de meses e ter a possibilidade agora de o ver ao vivo foi um autêntico luxo. O público estava doido, cantavam, gritavam, sabiam as letras todas de cor. Eu diverti-me imenso e dancei ainda mais. O miúdo é giro, giro - a minha irmã também achou - e super simpático com o público. Cantou aquelas músicas todas que o youtube me toca, não cantou umas 4 ou 5 da minha dúzia de músicas... mas não fez mal nenhum. Só dei por falta delas já em casa. Em compensação, trouxe convidados (Dynamo e Ricky Boy).
Bom, como o caríssimo leitor deve imaginar, o concerto foi animadíssimo e nós gostámos imenso! A ver se repetimos a dose em Agosto!

Exploração

Acho um absurdo pagar mais de 300 euros para ir a Lisboa... (e não pago, recuso-me).
E aquele escalonamento das tarifas (com/sem mala, milhas, lugares marcados, papel higiénico, chulé do passageiro anterior) uma intrujice. Quem é que faz voos de mais de 3 ou 4 horas só com mala de mão? (Sim, ok, eu também já o fiz), mas e intercontinentais?!

sábado, 22 de abril de 2017

344º momento cultural: José de Almada Negreiros - Uma forma de ser moderno




As idas a Lisboa costumavam ser recheadas de momentos culturais e gastronómicos. Nos últimos tempos houve um curto interregno, mas desta feita voltaram as comezainas recheadas de histórias picantes e regadas de um vinho fresco. Fui e aprovei o Bastardo e o Café Buenos Aires. Era para haver cinema e teatro, mas fica para a próxima. No entanto, fui ver a exposição de José Almada Negreiros na Gulbenkian com a minha mãe, que me disse que já não lá ia desde... o meu baptizado (4 de Março de 1979)!
A exposição é enorme e estava bastante gente para um dia de tarde a meio da semana. Eu não conhecia muito além dos auto-retratos, dos retratos de Fernando Pessoa e mais um tríptico sobre a emigração. Por isso, surpreendi-me e adorei! É alegre, é versátil e é circense. Sim, foi a colecção de saltimbancos que me aqueceu o coração. Eu devo ter sido artista de circo noutra encarnação, mas mesmo há muito tempo, pois não gosto nada de ir efectivamente ao circo, mas adoro e até me revejo em todo o imaginário e versatilidade circense!
Bom, vejam algumas das minhas obras preferidas que é mais interessante que este blábláblá!



(Conseguirá o querido leitor de olho de lince ver a pequena gueixa que se esconde ao lado do saltimbanco-pierrot?)










sexta-feira, 21 de abril de 2017

Coisas que nos pertencem mesmo antes de as encontrarmos ou a hiperportugalidade entre emigrantes

Troquei os óculos Tom Ford por um Ana Aragão, como já tinha anunciado ao querido leitor. Mas só agora é que o trouxe de Lisboa. A história já se vem escrevendo há uns quatro anos e estou muito contente por concretizar mais uma ideia minha*. Queria ter um quadro dela na minha casa nova. O certo é que a casa ainda está para vir. Maria Calíope é esquisitinha, já se sabe, e tem dificuldade em bater os olhos no que quer que seja e gostar. Por isso quando gosta, é logo para agarrar. Já cá morava comigo o Babel e agora veio este fantástico Biennale di Veneza.

*Gosto muito de saber que as minhas palavras, mesmo que em pensamento, não são ocas, e que cumpro aquilo a que me proponho, ainda que possa demorar.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vambora

Emalei a minha sobrinha e ela parece que gostou de habitar a minha mala. Ela não sabe que eu sou a tia preferida dela, caso contrário não teria berrado, quando tentei pegar nela. Deve ter sido estranho ver-me a 3D. Ao fim de uma semana, já éramos quase best buddies, quase pois fui preterida diante dos meus primos e tio. Eles têm barba. Deve ser isso. (ou então usam Axe bebés). Eu cortei franja, mas não surtiu efeito. Enfim, passei uma semana a ameaçar que a deserdava e ela não fez caso. Não percebeu o que estava em jogo. Ofereci-lhe uns sapatos e ela quase os comeu. Óptimo! No último dia comecei o processo de africanização e ela reagiu muito bem!

Há mais daqui a uns meses. Agora voltei à vida real sem choros repentinos e desesperantes! A TAP pôs este vambora à chegada a Viena e é isso mesmo! O caminho é para a frente!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O meu pequeno pónei

Eis o Maçãs :) desencantado pela minha mãe de algum saco de brinquedos vintage que agora estão a ser recuperados para a minha sobrinha. Minha sobrinha, a patroa, pois andamos todas cá em casa a gravitar em torno dela. Eu própria dou por mim sentada no chão a falar com diminutivos, relatando as músicas infantis que passam em contínuo na televisão ou a inventar jogos ou maneiras de a distrair. A minha paciência com crianças é qb, mas esta miúda vai fazer de mim gato-sapato... Desconfio.

Pés no chão (169)


No último dia de Paris - dessa viagem - fui visitar a Notre Dame.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Senator dixit

"Epá, ao pé das tuas conversas com as tuas amigas, o meu grupo do whatsapp de vídeos porno com os meus amigos é uma cena de meninos!".

(E eu a achar-me uma atadinha-praticamente-flor-de-papel-de-parede)




Pés no chão (168)


5º andar sem elevador... pois, uma pessoa desce e reza a todos os santinhos não se ter esquecido de nada. De qualquer modo, valeu a pena ir para aquele quarto 25! Uns dias fantásticos em Paris, foi o que foi!



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Pés no chão (167)


Se bem se lembra o querido leitor, Maria Calíope foi no ano passado a Paris ver a exposição do Amadeo Souza Cardoso. O hotelzinho onde fiquei tinha este chão fantástico!